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Campanha em Erebor – Cena 15 – Vir, filho de Vir

29/04/2014

Cena Anterior: Campanha em Erebor – Cena 14 – Falco

Já fazia algumas horas que estávamos navegando pelos túneis de esgoto de Dol Guldur. Duas vezes a jangada enroscou em qualquer coisa nojenta lá embaixo e tivemos que desencalhá-la. Na segunda vez tive que pular na água, que estava na altura do meu peito, para empurrá-la. Quase não conversamos. Finalmente chegamos no fim do túnel e da fortaleza. O ar “livre” da Floresta das Trevas ainda era pesado e frio. Respirávamos com dificuldade, mas pelo menos fedia menos. Havia luz do sol, fazia tanto tempo que não a víamos. Era dia. Estávamos fora. Estávamos livres. Havíamos escapado. Mas então, se aquilo era uma vitória, nossas mãos eram pequenas demais para segurá-la. Ninguém falava quase nada. O silêncio imperava. Era difícil calcular quem estava com mais raiva ou tristeza. Havia feitiçaria pesada agindo sobre nós, não havia dúvidas disso. Foi Falco quem quebrou o encantamento:

_ Vamos dormir. – Disse o pequeno – Estou cansado.

_ Não podemos – Respondeu Rowenna.

_ Ao anoitecer essas matas estarão cheias de orcs – Completou Thraurin – E quando isso acontecer, vamos querer estar bem longe daqui.

A discussão se acabou e voltamos a um novo ciclo de horas e mais horas em silêncio profundo. Até que a jangada encalhou num banco de areia, um lamaçal ou um pântano, e a abandonamos seguindo a pé. Os mais fortes ajudavam os mais fracos. Falco guiava Ágrapo, Thraurin guiava o cego Qhorin, eu guiava Ellander, o elfo prisioneiro que libertamos com Ágrapo e Rowenna ia na frente conduzindo todos nós.

Quando anoiteceu decidimos não acampar e continuar caminhando por segurança, mas estávamos exaustos. Caminhamos mais duas horas até que Falco tropeçou com Ágrapo e decidimos parar. Não conseguia dormir e por isso resolvi ficar de vigília a maior parte da noite. Percebi que todos tinham pesadelos e seus corpos estremeciam e davam chutes enquanto sonhavam. Ellander chorava. Ágrapo acordou algumas vezes gritando e depois voltava a dormir. No meio da noite Thraurin acordou e me mandou dormir, disse que assumiria a vigília a partir de então. Tentei dormir, em vão.

Na manhã seguinte, todos estavam acordados bem cedo, mas ninguém se movia, ninguém queria levantar. A Sombra de Dol Guldur continuava pairando sobre nós. Novamente, Falco nos salvou:

_ Para onde vamos?

_ Rohan – Disse Qhorin.

_ Lórien – Disse Rowenna.

_ Khazâd-Dûm – Disse Thraurin.

Todos ao mesmo tempo. Nunca estivemos tão divididos.Elfo e anao encarandose

Por dois segundos que demoraram uma eternidade cada companheiro deu uma boa olhada dentro dos olhos do outro. O ar pesado e parado estava ao nosso redor engessando nossos corações.

_ Porque Rohan, Qhorin? – Ousei perguntar, ignorando a fala de Thraurin que não era uma opção – Rohan fica no sul, bem longe de Lórien e Erebor…

_… E de Khazâd-Dûm. – Me interrompeu Thraurin que falava com austeridade.

_ Eu não vou entrar em nenhuma terra de elfos para ser flechado novamente! – Disse Qhorin.

_ Isso não aconteceu em Lórien – Disse Rowenna. – Além disso, você está cego e não vai a lugar nenhum sozinho, mas onde nós resolvermos ir.

_ Vamos para uma terra de anões então. – Insistiu Thraurin – Você me deve. Você prometeu. Resgatamos Ágrapo por ti. Isso me custou o Coração da Árvore! Fiz isso por ti, está na hora de você pagar tua promessa! – Rugia Thraurin.

_ Nós não vamos entrar em Moria, anão – Sacramentou Rowenna.

O clima não poderia ser mais pesado. Nós havíamos entrado em Dol Guldur como muitos, mas como poucos nós saímos. Estávamos trazendo de volta o que fomos lá buscar, Ágrapo. Mas o custo de nossa empreitada fora alto demais, alto demais. Perdemos Hardhart, o troca-peles em nossa fuga, Thraurin perdera um amuleto dado a ele pelo próprio mago Radagast em pessoa e Qhorin perdera a visão. Dol Guldur nos abocanhou com força e nos levou nosso único guerreiro. Nós entramos lá como heróis destemidos, aconselhados por Radagasr e Beorn, mas saímos como mendigos mutilados. As perdas foram muitas. Talvez as feridas de Dol Guldur só pudessem ser parcialmente curadas pelo tempo. Enquanto isso, discutíamos.

Na verdade quem discutia era Thraurin, Qhorin e Rowenna. Já Ágrapo, Ellander, Falco e eu ouvíamos e pesávamos cada palavra. Thraurin estava fora de si, rugindo suas opiniões que o vento levava a quilômetros sem fim. Só os deuses poderiam saber quem estava ouvindo no meio daquela mata densa. Rowenna não estava menos atacada e algumas vezes cuspia ofensas em sua língua materna. Qhorin falava cada vez menos. Ele estava sentado em uma pedra, com a cabeça baixa, vestindo o elmo de Ágrapo que encontramos próximo de Erebor meses atrás. Agora parecia que fazia cem anos. Percebi que depois daquele dia o anão nunca mais tirara o elmo da cabeça, mesmo agora que a tarefa estava completa ele o mantinha. Talvez para ele ainda não estava completa sua missão, faltava devolver Ágrapo vivo à sua mãe, percebi. O elmo emprestava uma face de guerreiro imponente ao velho anão, o deixava mais jovem, viril, nos fazia acreditar que ele era um líder a ser seguido, mas isso foi naqueles primeiros dias. Hoje, olhando fundo nos olhos mortos de Qhorin dentro do elmo de batalha amassado dele, percebo que ele não é líder nenhum, nunca foi. Seguimos um pai desesperado e nada mais. E isso nos custou caro. Qhorin estava cego, mas observava seu martelo com as mãos, pois ficava correndo os dedos pelas gravuras de sua arma mágica enquanto os amigos degladiavam-se com palavras. Então levantou a cabeça e disse:

_ Venha meu irmão. Tomei uma decisão, vamos conversar em particular. – E se afastou com Thraurin.

Perto de meio dia eu não aguentava mais esperar. Rowenna não sabia mais o que fazer para Ellander parar de chorar. Ágrapo não se lembrava de quem era, estava louco. Falco estava emburrado atirando pedras que quicavam num lago próximo. Fui ter com ele.

_ Não podemos ficar aqui para sempre. – Disse ao pequeno cozinheiro – Vai lá ver o que está acontecendo.

_ Eu não. – Ele respondeu – Uma vez meu pai me disse: “Nunca se meta nos assuntos dos anões, ou vai se arrepender”. Já me arrependi o bastante, Vir. Não cometerei o mesmo erro novamente.

Estavam todos loucos? Percebi que essa tarefa caberia a mim novamente. Nem ousaria pedir a Rowenna que se aproximasse dos anões. Me esgueirei pela mata o mais silencioso que pude. Não foi muito difícil, eles discutiam acaloradamente e estavam muito concentrados um no outro para notar minha presença. Me aproximei o máximo que ousei me aproximar e fiquei agachado escutando. A conversa estava no fim, e Qhorin estava ficando sem argumentos.

_ Perjuro! – Vociferou Thraurin. – Você prometeu! Prometeu a Dwalin, meu pai na Vila dos Heróis em Erebor!

_ Ele entendeu errado… – Defendia-se o velho cego.

Thraurin cuspiu no chão.

_ Você é uma vergonha. Não é um anão. Parece um anão, mas não é. – Disse o jovem.

_ Você não pode obrigá-los a entrar em outra fortaleza inimiga novamente. – Argumentou o velho.

_ Fortaleza inim… – Thraurin não cabia em si – Não estou chamando os demais, somente os anões. – Disse por fim.

_ Eu estou cego, ele está louco. – Respondeu Qhorin – Essa é a sua companhia de heróis? Quanto tempo acha que sobreviveremos embaixo da terra assim?

_ Somos anões! – Disse Thraurin – Se não sobrevivermos embaixo da terra então é melhor não sobrevivermos em lugar nenhum.

_ Escute o que diz, Thraurin, filho de Dwalin. – Falou Qhorin – Você não está indo ao encontro de Balin, mas da morte.

_ Não fale de meu pai, PERJURO! – Thraurin empurrou Qhorin que caiu de costas e saiu marchando em minha direção. Se saísse de onde eu estava, Thraurin me veria. Se ficasse iria me encontrar. Quando estava para ser descoberto Qhorin disse algo que fez o jovem anão parar de andar.

_ “Tanto para o menor como para o maior há coisas que só podem ser realizadas uma vez, e neste feito seu coração repousará”. Disse uma vez, certo artesão.

Thraurin devia conhecer as palavras e se virou novamente para Qhorin. Aproveitei para mudar de posição.

_ O que isso tem a ver…? – Perguntou o jovem anão quando foi interrompido pelo velho.

_ Shhhh. – Disse Qhorin se levantando e erguendo alto seu martelo azul. – Este é Bagnir, a Justiça Paterna. Fiz este martelo para abrir o caminho até Ágrapo e trazê-lo de volta para casa. Tem 78% de ônix preta, 10% de cobre reforçado, 10% do aço inoxidável de Gaspar e 2% de mithril, a prata verdadeira. Tem runas de Mahal, da minha Casa, da Mãe Terra e outras que desconheço, mas em meu transe, durante a fabricação do mesmo vieram a mim e quando acordei aí estavam. Nem eu seu explicar esse brilho azulado que ele emite. Mas posso dizer que ele foi feito com um propósito justo:  Trazer um parente de volta para casa. Com este martelo matei muitos orcs. Esmaguei os wargs que iam lhe devorar vivo próximo de Rhosgobel. Derrubei a esquife amaldiçoada em Dol Guldur e finalmente, recuperei Ágrapo.

Nesse momento Qhorin fez uma pausa. E depois continuou:

_ Ele me serviu bem todos os dias depois que saí de Erebor. Empresta uma força à meus braços velhos que desconheço e tenho certeza que em sua história ainda cabem grandes feitos. É a maior das minhas criações. É também um filho meu com a forja. Em sua confecção coloquei nele todo o meu pensamento e grande parte de meu espírito. Eu sei que nunca mais vou fazer algo parecido. Simplesmente sou incapaz de repetir tal feito. – Qhorin estava com os olhos mortos lacrimosos.

_ Qhorin… – Disse Thraurin.

_ Quieto, criança! – Sua voz ecoou cavernosa – Em Erebor me chamam, ‘Maestro’. Esta é a minha Obra-Prima. Este martelo é a herança da minha Casa. A herança que eu deveria deixar para o meu filho.

Então Qhorin se ajoelhou e levantou o martelo acima de sua cabeça, fazendo menção de entrega-lo a Thraurin. E disse:

_ É seu.

Thraurin estava sem palavras.

_ Fique com ele em troca de meu juramento. Em suas mãos seu poder será ainda maior. Você manejará-lo muito melhor do que alguma vez eu o manejei. Assim como meu pai, Gaspar, eu sou um artesão, não um guerreiro. Que ele possa lhe ser útil e abrir o caminho até Balin, como abriu até Ágrapo.

_ Qhorin. – Disse Thraurin com a voz empaçocada – Eu não sei o que dizer.

O velho anão levantou a cabeça e o teria olhado nos olhos se ainda enxergasse.

_ Diga que me libera de meu juramento. E aceite minha obra. Estou trocando um filho por outro. Por favor aceite e não me peça mais nada. Nada mais tenho a oferecer.

O que eu estava vendo era algo histórico. Todos sabem como os anões são materialistas e possessivos. Se eu contasse essa história em Valle ninguém acreditaria. Aquilo era único. Decidi que havia ouvido demais uma conversa que talvez não fosse digno de ouvi-la. Agachado e devagar, voltei ao acampamento. Pouco depois os anões retornaram, Thraurin carregava o martelo.

_ E então? – Perguntou o hobbit sem se atentar para o “detalhe” que o martelo havia mudado de mãos.

_ Eu vou para Khazâd-Dûm encontrar meu tio Balin e a Colônia dos anões! – Disse Thraurin orgulhoso – Não peço que me acompanhem. Que Mahal os protejam e que o caminho de vocês seja seguro e firme. Até o nosso próximo encontro, se este for o nosso destino. – O jovem anão jogou o martelo Bagnir em seu ombro e se virou.

Sete Infernos!

Era meio dia e o sol estava a pino, mesmo assim, o manto pesado da Sombra apertava nossos corações e agia entre nós. Nosso grupo estava para se dividir novamente, eu tinha que pensar rápido, mas depois de tudo o que eu vira e ouvira naquele dia pouco havia para se fazer.

Qhorin havia ganhado meu respeito novamente. Era de fato um pai capaz de qualquer coisa pelo seu filho. Em Valle conhecíamos os anões de perto. Mesmo entregando Bagnir ele bem podia ser julgado por perjúria ao chegar na Montanha Solitária. Ele bem poderia estar caminhando para a masmorra ao se dirigir a Erebor, anões levam juramentos muito a sério. E Dwalin, herói da Batalha dos Cinco Exércitos, amigo pessoal do Rei Dáin, irmão de Balin e pai de Thraurin certamente  iria cobrar tudo o que pudesse de Qhorin. Iria fazer exigências ao próprio Rei-sob-a-Montanha. Ao se dirigir para Erebor, o velho artesão poderia muito bem estar se dirigindo para a morte. Entre homens e anões, não há crime maior que a traição, e perjúria era uma traição. Mas Qhorin iria para Erebor mesmo assim, por seu filho. Para entregá-lo a sua esposa. Um verdadeiro pai. Isso me fez lembrar do meu velho pai, e de repente senti um carinho muito grande por aquele velho anão. Mesmo assim, não poderia abandonar um amigo sozinho, não se ele se dirigisse à Moria.

_ Espere, Thraurin – Eu disse rápido antes que me arrependesse e mudasse de idéia – Eu te acompanho.

_ Então venha logo, estamos atrasados. – Resmungou.

Me despedi de meus amigos. Dei um abraço em cada um deles e dois tapinhas no ombro de Ágrapo. Por fim perante os olhos mortos de Qhorin eu disse de repente:

_ Benção, pai.

Seus olhos vazios não puderam retribuir meu olhar. Mas ele desamarrou os braceletes de ferro que possuía nos antebraços, seus últimos itens de valor e colocou nos meus. Agora ele era de fato um mendigo.

_ Deus te abençoe, filho. Que sua estrada seja firme. – Ele disse ao modo dos anões.

_ Eu também vou – Disse Ellander.

Próxima Cena: Campanha em Erebor – Cena 16 – Senhores de Lórien

 

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7 Comentários leave one →
  1. 29/04/2014 16:50

    Caraca, ficou foda demais essa parte.
    Pooo ate mesmo o desespero da derrota certa da ultima campanha era mais alegre que essa, vocês estão depressivos?? Ou estão desanimados com o RPG?? ahhahaha to brincando, mas que essa campanha tá bem triste está viu.
    Espero pelo cena dos próximos capítulos.

    Mais uma vez parabéns.

  2. 30/04/2014 11:10

    Muuuito foda esse relato, parabéns Gonçalão!
    Gostei muito do ponto de vista do Vir, é um personagem bem observador mesmo que faz um meio de campo entre os outros personagens dos jogadores e os do Mestre, que por sinal é um dos caras mais maravilhosos que eu conheço.
    Mas andrefb, tem muita água para rolar por baixo dessa ponte, nem Manoel Carlos em sua obras mais geniais imaginaria tantas reviravoltas nessa história.
    Aguardando muito a próxima sessão e os próximos relatos (quem será que morrerá? huahuahahuahuahua)

  3. gerbur12 permalink
    30/04/2014 13:18

    hehe, que bom que vocês gostaram do relato, fazia tempo que não escrevia e acho que estava inspirado quando escrevi esse.

    André, relaxa, não estamos deprimidos não, rs. É que acho que essas cenas envolvendo Dol Guldur pedem um ar mais pesado. Dol Guldur é um lugar terrível, o equivalente de Mordor no norte então nossos heróis não podem entrar e sair de lá sem maiores consequências, certo?

    O desespero da derrota na campanha anterior (Moria) foi algo muito particular e diferente do que houve aqui em Dol Guldur nessa campanha (em minha cabeça). Em Moria os anões participam de uma loucura coletiva, eles partilham de um sonho de reconquistar seu antigo país sabendo em seu íntimo que não conseguiriam (até por conta da profecia sobre a ruína de Durin), mas eles lutam mesmo assim. Isso é uma coisa bonita, uma nostalgia que só encontrei no universo de Tolkien (e que tentamos audaciosamente reconstruir aqui no blog, rs).

    Mas agora que Dol Guldur passou e vai ficando para trás as coisas começam a melhorar… ou não, continuem lendo para saber, rs.

    E não deprimam! rs.

    “Que a estrada de vocês seja segura e firme”

    Abraço Anão.

    Edit: Ah! E já ia me esquecendo… sobre esse relato acho que ele fala não apenas das questões das missões do grupo em si, mas também sobre os laços familiares ou de amizade entre eles. Por isso foi escolhido o Vir para ser o ponto de vista. Na sessão Vir desenvolveu um laço bacana com Qhorin, tomando-o como pai, uma vez que seu próprio pai foi morto tempos atrás envolvendo Bard, senhor de Valle. Enquanto isso, Ágrapo não se lembra de quem é e que o velho anão do grupo é seu pai que atravessou meio mundo para lhe resgatar. Do outro lado dessa linha temos Thraurin que está tentando resgatar o seu tio em Moria e o rompimento entre Thraurin e Qhorin. Talvez por isso, Vir, se identificando como “filho” de Qhorin, resolva ir com Thraurin em sua missão de resgate, como uma tentativa de cumprir a palavra que o “pai” não conseguiu cumprir. Bonito, né? Então esse relato fala muito sobre família e seus encontros e desencontros. E Vir foi o personagem certo para narrar essa passagem.

  4. Fernando Leal permalink
    23/07/2014 18:58

    PUTA QUE O PARIU! (Desculpem-me)

    Eu estava aqui escondido, lendo TODOS os relatos de uma só vez, vorazmente e iria guardar meus comentários apenas para o último relato, quando então, eu alcançasse os demais leitores-fãs da obra-prima fantástica que é este blog. Não aguentei. Entre os altos e baixos desta Campanha até aqui, eu me emocionei, ri, gargalhei, refleti, me encantei com muitas passagens e frases, li os coments e as trocas entre autores e fãs invejei por não estar lá naqueles momentos, mas como todos sabem, eu me afastei um pouco de tudo em razão da minha monografia, que finalmente terminei essa semana e entregarei formalmente amanhã. No retomar de minha vida pessoal e de alguns “prazeres suspensos”, uma das primeiras coisas que fiz, após este ano no exílio de mim mesmo, foi vir aqui LER os vossos relatos que tanto aprecio. E vim com MUITA fome (este é meu segundo dia de leitura em meio à rotina de trabalho rsrs).

    Como eu disse, eu teria guardado meus comentários ao último relato desda saga, mas não consegui por esta cena:

    “_ Espere, Thraurin – Eu disse rápido antes que me arrependesse e mudasse de idéia – Eu te acompanho.

    _ Então venha logo, estamos atrasados. – Resmungou.

    Me despedi de meus amigos. Dei um abraço em cada um deles e dois tapinhas no ombro de Ágrapo. Por fim perante os olhos mortos de Qhorin eu disse de repente:

    _ Benção, pai. [<<<<<<<<<<<<<<<<]

    Seus olhos vazios não puderam retribuir meu olhar. Mas ele desamarrou os braceletes de ferro que possuía nos antebraços, seus últimos itens de valor e colocou nos meus. Agora ele era de fato um mendigo.

    _ Deus te abençoe, filho. Que sua estrada seja firme. – Ele disse ao modo dos anões." [<<<<<<<<<<<<<<<<<<<]

    Mestre Gonçalo, aqui o senhor juntou duas coisas que pesam demais em minha história de vida: A Amizade, em primeiro e a relação entre PAI e FILHO logo em seguida. Eu fui abandonado por um homem e adotado com muito amor por meu Pai. Eu sei o que é o despertar da consciência no limite dos dois sentimentos. Confesso aqui, sem medo ou receio de julgamentos: Eu CHOREI ao ler esta passagem.

    Os senhores, embora não saibam ou não percebam, têm um talento ímpar em mãos. Não é simplesmente o de reproduzir o imaginário em palavras bem escritas, vai muito além disso, vai e vem, se é que me entendem.
    Eu só tenho a agradecer e dizer: ESTOU DE VOLTA, PORRAAA!!

    Mestre Chico, meu primo distante, Mestre Gonçalo, meu caro André, companheiro de fã-clube Aventurando-se, EU ESTOU DE VOLTA.

    Forte abraço, meus camaradas e, mais uma vez, OBRIGADO!

  5. 23/07/2014 21:14

    Fernando, esse foi o comentário mais emocionado que já li aqui.
    Como é bom saber que nosso esforço é desfrutado de uma forma tão bonita, fiquei comovido com o que você escreveu.

    Eu sempre recebo um e-mail quando alguém comenta no blog (exigindo que eu aprove ou exclua o comentário), quando eu vi seu nome eu já pensei: “Caramba, o Fernando voltou, que legal!”, daí quando eu fui lendo o que você escreveu eu fiquei de boca aberta.

    Cara, muito obrigado mesmo!
    É um prazer imenso saber desse tipo de experiência. O universo do Tolkien e o RPG me fizeram conhecer pessoas tão especiais, espero que um dia eu tenha o prazer de conhecer você, o André o elias e mais outros leitores queridos do blog.

    Vocês são o motivo desse blog existir.

    Grande abraço!

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