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Campanha em Anderton – Cena 8

21/09/2010

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 7

Tá, então agora era isso?

As revelações não paravam de surgir… O pai do Aramis não era um pastor? E como podia ter sob sua cama uma câmara tão cheia de surpresas, sem quem ninguém nunca tivesse desconfiado? Mas eu realmente não sou dada a ficar pensando em coisas que não me serão esclarecidas rapidamente, algo dentro de mim dizia que essa não seria a última surpresa, e depois da conversa com o outro Alain, nada mais conseguiria me surpreender, ao menos era o que eu pensava até então.

Enquanto estávamos dentro da câmara escondida, ouvimos um barulho de alguém se aproximando do quarto, e ficamos preocupados.  Achamos que poderia ser Pethos, então Aramis saiu sozinho, pronto para destrai-lo, mas era apenas seu irmão. Eles tiveram uma rápida conversa sobre guardar as ovelhas, e terminou com reclamações de Bodo (o irmão de Aramis).

Eu e Alain voltamos para a parte superior da casa, e antes de conversarmos sobre o ocorrido, fomos interrompidos por batidas na porta. Ao abri-la, nos deparamos com uma figura estranha, coberta de peles, um caçador, que dizia se chamar Edi, que atravessou a cidade visando um escambo entre lã e carne. Enquanto o nosso anfitrião conversava com o visitante, eu decidi que devia um explicação à Alain, aquela história ainda me consumia.

Eu ia contar, precisava, mas eu só consegui, dizer que tinha algo a falar, mas não conseguia, simplesmente não saía.

Decidi então preparar um jantar para nós, assim todos se distrairiam, e eu poderia pensar em uma forma de resumir toda a loucura que assolou meu dia.

O tempo passou e Aramis notou a falta de Bodo, e junto com Edi, foi procurar o irmão. Agora era o momento certo pra contar.

Não sou muito de filosofar, mas tinha tirado algumas conclusões: aquele moço que nos roubou era mesmo o Alain, mais velho, mais sofrido, com grandes marcas, mas era ele.

Não tenho muitos talentos, mas  sou uma pessoa extremamente observadora, é algo que eu faço bem, e a julgar pelos seus gestos, seu sorriso, as pegadas deixadas no chão, e o cheiro, eu tinha certeza de que o que ele falava era pelo menos em parte verdade. Não sei como, mas era.

O mais triste pra mim, não foi imaginar como alguém veio do futuro, isso eu não entenderia mesmo, mas não podia suportar a idéia de ver o olhar brincalhão, e o sorriso sempre sincero em seu rosto, apagado tragicamente por marcas de fogo. E aí vinha o meu dilema, como contar tudo isso pra Alain? Ainda mais depois de tudo que estava acontecendo na vida dele, como contar?

Sutilezas não são bem meu forte, falei tudo, assim, na lata, e disse ainda pra ele não se preocupar, que eu tinha prometido para o outro Alain que cuidaria dele, e que não o abandonaria independentemente de pra onde ele fosse.

Não sei ao certo o que ele sentiu, ele parecia entorpecido depois de tantas emoções, eu decidi mudar de assunto, e lhe dei mais chá.

Voltaram então, atônitos, Aramis e Edi. Bodo havia sumido, e os únicos rastros levavam ao covil dos goblins.

Nada melhor que ação pra nos distrairmos um pouco.

Ao chegarmos ao alçapão da entrada, Alain decidiu esperar do lado de fora. Pra mim, o que ele realmente desejava era pensar.

Conseguimos avistar o início de um escada talhada na  pedra, mas ao descê-las tudo ficou escuro, era só sombra.

Logo chegamos a uma sala, e inimigos nos esperavam armados com arcos e azagaias. De alguma forma já sabiam que viríamos. Havia dois caminhos para seguirmos, separados por um grande e profundo fosso: de um lado era uma caminhada longa, mas o terreno era seguro, com dois inimigos armados no fim. Do outro lado pedras, gelo e mais quatro arqueiros meio escondidos entre umas plantas. Eu e Edi nos entreolhamos, e ficou claro o que deviamos fazer: ir pelo lado seguro, acabar com a raça deles, e então chegar à Bodo.

Corri sem olhar para trás, estava claro na minha mente, cada golpe meu, sabia que venceria, e sabia que meus amigos também o fariam.

Mas ao olhar para o lado, ví que Aramis havia cometido um grave erro. Ele havia optado pelo outro lado. Meu coração palpitou rápido, eu precisava ganhar para ajuda-lo, ele precisaria de meu apoio, a cada flecha que ele recebia em seu corpo, eu sentia que deveria estar lá, para defende-lo com meu escudo, mas como o faria? Se fosse até lá, morreríamos os dois. A única solução que me restava, era matar meu adversário, e rápido.

Foram apenas segundos, e eu torcia para serem milésimos.

Ao olhar para o lado, logo antes de deferir o ultimo golpe, ví um dos inimigos de Aramis tombar, mas ele próprio desfaleceu em seguida. “Que não seja tarde!” eu pensei.

Edi acabou com mais dois inimigos, e logo cheguei ao corpo do meu amigo de infância, e tive certeza ao tocá-lo, estava morto!

Lágrimas escorreram pelo meu rosto, mas o ódio superava a tristeza. Cobri seu corpo com minha túnica, e decidi terminar o que havíamos começado. Encontraria Bodo, e sua morte não seria em vão.

Edi me apressou, e seguimos em direção a próxima sala. Um rastro de morte foi deixado pelo caminho, e ao analisar mais profundamente os ferimentos desses diversos goblins, e as marcas na parede, era claro que eram marcas de kopesh. Convenhamos, não é uma arma comum, e a única pessoa que já vira usando uma, era meu amigo Aramis, mas agora ele jazia morto.

Mais a frente avistei um vulto, e consegui distinguir a silhueta de Pethos. Claro, me lembrei, na câmara sob a cama haviam várias kopeshs, pelo menos, isso fazia sentido.

Ele nos olhou, e perguntou o que fazíamos lá, e contei-lhe sobre Bodo, descobri que ele estava na mesma busca que nos fez descer ao covil. Então me perguntou sobre Aramis, e eu não pude esconder-lhe a verdade.

Lutamos contra mais alguns goblis, e ele correu após a nossa vitória em direção a uma grande porta.

Corremos ao seu encalço, mas ao tentar passar pela soleira da porta, eu avistei uma senhora, que me pareceu muito familiar, não entendi bem o porquê, mas senti uma forte vontade de vomitar, e foi o que eu fiz. Eu sempre me considerei uma pessoa forte, raramente fiquei doente na minha vida, sobrevivi muitas vezes a grandes ferimentos, mas aquele enjôo, era tão estranho, tão forte. Minhas pernas não me obedeciam, e eu mal consegui ouvir o que falavam na sala. Me pareceu distinguir a voz de Pethos brigando com a senhora, mas, isso não me importava no momento, só queria partir daquele horrível lugar.

Sem conseguir me mover, Edi me ajudou a sair de lá.

Voltamos à sala onde estava Aramis, e eu o carreguei em meus braços, tinha que ir para casa, meu pai lhe daria um enterro digno, com uma bela cerimônia próxima a Grande Pira.

E Pethos conseguiria salvar Bodo, então meu amigo não teria morrido a toa.

Ao sairmos não encontramos Alain, havia um mensagens escrita na árvore “Fui encontrar Balzac”.

Fiquei um pouco preocupada, mas não era minha prioridade no momento, Aramis estava morto.

Chegamos então à parte central da vila, e lá estava minha casa. Entrei e expliquei tudo ao meu pai, sobre Aramis, sobre sua morte.

Ele me disse que estava no momento com outras preocupações, mas que logo trataria do assunto.

Pensei em falar sobre o outro Alain, mas consegui deixar de lado essa idéia tão logo ela chegou.

Fui ao meu quintal, e enterrei o corpo do meu amigo, cobri com muito gelo, talvez isso conservasse o corpo.

Despedi-me de Edi, que disse que voltaria para sua casa na floresta.

Precisava encontrar Alain, prometi a ele (ao outro, o do futuro) que não deixaria que ficasse só, que cuidaria dele.

Logo nos encontramos e contei-lhe sobre Aramis.Não sei exatamente o que ele fez enquanto não estávamos juntos, mas parecia mais calmo.

Combinamos de nos encontrar em breve, ele tinha “algo a resolver”, isso me deixou sem muitas escolhas, ele não iria querer que eu o acompanhasse, o que momentaneamente me faria quebrar a promessa e torcer para que ele ficasse bem.

Minha cabeça estava cheia de coisas para pensar, muitas coisas. Sei lá, definitivamente não nasci para isso, gosto de ligar fatos, mas fatos possíveis, não coisas absurdas, será que algo ainda poderia me surpreender? Eu tenho 16 anos, e não me sinto preparada para saber sobre coisas inexplicáveis  e ainda ver meus amigos morrendo. Mas dentro de toda a história, sou a única que tem sorte, e é egoísmo meu ficar me preocupado em tentar entender, afinal, isso era o de menos.

Alguns dias se passaram, e novamente estava em companhia de meu amigo, ele me contou superficialmente sobre sua conversa com Balzac, ele me disse que talvez ainda houvesse chance para Aramis (Peraí, ele tá morto, como pode haver um jeito? Ah, eu realmente não entendo mais nada). teríamos que sair da vila com o seu corpo, quando a caravana viesse semana que vêm, deveríamos partir juntamente com ela. Nada mais parecia impossível, então, porque não tentar? Concordei.

Ele me disse também que ia sair em busca de uma torre na floresta. Questionei-o a respeito, mas nada de relevante me foi esclarecido. Que droga, ia ter que acompanha-lo, prometi que cuidaria dele. Pelo menos ocuparia minha mente com algo produtivo.

Horas se passaram até chegarmos ao início da floresta. Coincidentemente ficava próximo a casa de Edi, como ele conhecia toda a região talvez pudesse nos ajudar a achar a maldita torre.

Que mundo pequeno, ele estava negociando uma panela(?!) com o tal do Flicts, sim, aquele que nos abandonou no início da história.

Conversamos com eles, que nunca ouviram falar em tal construção, mas que concordaram em nos acompanhar.

Andamos mais algumas horas até chegarmos à um pântano, não achamos outro jeito de atravessa-lo, estava muito frio para nadar, provavelmente morreriamos, e o com o meu conhecimento da natureza, eu concluí que era muito extenso para contorna-lo. Convenci todos então, a me ajudarem a construir uma pequena embarcação, que para a minha surpresa ficou ótima.Acho que gosto de velejar.

Os primeiros metros foram calmos, mas um som irritante estava me incomodando, um coachar (típico, estávamos num pântano) mas bem mais alto.

É, hora da ação, como eu sempre digo, dessa parte eu gosto.

Vários sapos gigantescos nos atacaram, e com um pouco de habilidade e muita força conseguimos vencê-los.

Logo que os derrotamos chegamos à uma pequena ilha no centro daquela água lodosa, com uma construção, que parecia ser a tal torre.

Descemos da embarcação, atravessamos uma grande porta ornamentada, havia um salão cujo piso branco de mármore era maculado por uma grande fonte central onde um liquido vermelho e espesso pingava sem cessar. Parecia sangue, mas eu precisava ter certeza, de onde poderia surgir uma quantidade tão absurda de sangue?

Próxima cena: Campanha em Anderton – Cena 9

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