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Campanha em Anderton – Cena 7

19/09/2010

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 6

Enquanto descansávamos ao redor da lareira, aproveitamos para discutir o que faríamos em seguida. Após pouco tempo, ficou claro que nossos interesses eram divergentes.

Apesar de agradecido por termos o ajudado com os goblins, Flickts estava preocupado com a sua propriedade, enquanto Aywanne e eu queríamos perseguir o assassino de qualquer jeito.

Sendo assim, resolvemos nos despedir do guerreiro e continuamos descendo o rio à procura de algum barco. Andamos por cerca de 2 horas e, já bem ao sul de Anderton, encontramos o que procurávamos: um pequeno barco de madeira semi-escondido próximo ao leito do curso d’agua. A terra estava molhada, e não foi difícil seguir os rastros do ocupante da embarcação. Seguindo a trilha adentramos em um bosque, já atentos a qualquer tipo de armadilha ou emboscada.

Porém, para a nossa surpresa, não encontramos nada disso. Ao contrário, após pouco tempo de caminhada, nos surpreendemos com uma clareira, bem no meio do bosque.  No centro do espaço descoberto havia uma fogueira, que estalava enquanto uma figura encapuzada assava um pequeno animal. Tanto nossas armas roubadas quanto as do sujeito estavam em um canto, aparentemente esquecidas.

Fiz um sinal pra Aywanne e saquei meu arco (que o Flickts recuperou no campo de trigo lembram?) e mirei fixamente no sujeito. Aywanne entrou na clareira e foi pegar nossas armas correndo.

– “Não mova um músculo” eu disse, esperando que o assassino se intimidasse, mas a única coisa que ouvi fora uma risada, quase familiar.

– “Peguem suas armas e sentem-se aqui. Enquanto comemos podemos conversar e tanto você Aramís como você Aywanne, entenderão o que está acontecendo”.

A conversa que tivemos naquela tarde fora tão surreal para mim que até hoje eu penso como o rumo da minha vida teria mudado se eu simplesmente tivesse ignorado a resposta do “bandido” e resolvido acertar uma flecha no meio da sua testa.

Mas eu não fiz isso, e para o bem ou para o mal, ouvimos tudo o que aquela pessoa tinha a nos contar.

Sei que não fará sentido, mas serei o mais fiel possível à narrativa que ouvira naquela tarde.

Aquele era Alain. O mesmo Alain que conhecíamos, porém não exatamente igual.

Hã?

É, eu disse que não fazia sentido.

Esse Alain viera a Anderton para se vingar do seu pai Balzak. Segundo ele, o ex-aventureiro que era nosso chefe compartilhava um segredo terrível junto com seus companheiros Gajan e Pethos. Um segredo tão terrível que fizera Alain fugir da vila sozinho para tentar sair da área de influência dos três, mas que agora retornara para se vingar.

Ao abaixar o capuz, vimos o rosto de Alain, ou o que seria de um Alain mais velho e que tivesse apanhado muito (o que deu um pouco de veracidade ao relato, já que quando o filho de Balzak lutava sozinho, o resultado sempre era previsível…). Havia queimaduras e escoriações pela sua face. Segundo o Alain 2.0, ele não conseguira fugir conosco na 1ª vez, décadas atrás, mas ele retornara para nos ajudar e se ajudar, pois ele sabia que havia um Alain que ainda vivia em Anderton, e que não conseguiria fugir tão facilmente.

Começamos a questionar sobre os assassinatos, e como era possível haver dois Alains, e ele nos ter conhecido décadas atrás, se Aywanne nem possuía duas décadas de idade…

Mas o filho de Balzak depois-da- guerra nos disse que as mortes não fariam diferença, justamente por causa do segredo compartilhado pelos ex-aventureiros. O mesmo segredo que me faria entender minhas outras perguntas, mas que teríamos que descobrir por nós mesmos.

Por hora, precisávamos ir ao encontro de Alain que conhecíamos e fugir de Anderton, o mais rápido possível, antes que fosse tarde.

Para nossa surpresa, ele disse que havia dois cavalos selados na parte leste do bosque, e que deveríamos pegá-los e corrermos atrás dele mesmo (mas não ele). É, confuso…

Saímos da clareira com mais dúvidas do que certezas depois dessa explicação. Como era possível tudo isso? Dois Alains? Um Pethos pastor aventureiro? Um segredo aterrador?

Precisávamos de mais respostas, e a única pessoa que sabia de tudo o que acontecia na vila era Gajan. E era com ele que iríamos conversar.

Ao chegarmos na casa de Aywanne, encontramos seu pai lendo sentado. Estava tão calmo e sereno como sempre, longe de passar uma imagem de um aventureiro intrépido. A primeira coisa que perguntei foi sobre meu pai, e a resposta que tive me surpreendeu. Sem mesmo perguntar o porque, Gajan contara pra mim que Pethos, o pastor, já fora um caçador famoso em sua juventude. Junto com Balzak e o próprio Gajan, ele havia caçado muitos monstros e ganhado renome nas terras ao sul.

De certa forma eu me senti bem de ser filho de um renomado caçador em terras distantes, mas me incomodei pelo fato de não ter sabido disso pelo meu próprio pai, e me incomodei mais ainda pelo fato que a história do Alain 2.0 poderia ser verdadeira, por mais que parcialmente.

Fiquei refletindo sobre isso, e nem reparei no que Aywanne conversava com seu pai. Só sei que depois de um tempo, saímos da casa do sábio da vila, com a informação que Balzak e Alain haviam fugido da prisão.

Pode até ser egoísta da minha parte, mas a informação sobre meu pai me consumia. Eu precisava saber mais. Disse a Aywanne que precisava ir até a fazenda de minha família, no que ela concordou em me acompanhar.

Cavalgamos até a estrada, e seguimos pela mesma por um bom trecho até ouvirmos um apito longo e estridente no meio da floresta que margeia o caminho. Era o som do apito usualmente usado pelos guardas de Anderton, e se havia barulho de guardas, muito provavelmente poderia haver sinal de Alain.

Deixamos os cavalos do lado de fora da mata, e fomos correndo em direção ao som. Essa mata não era muito espessa, o que nos fez chegar rápido a cena de luta. Alguns goblins cercavam uma árvore que estava pegando fogo. Em cima da árvore estava um companheiro nosso de muitas aventuras, agora na versão original.

Eliminamos os goblins rapidamente. Dessa vez, não havia tempo para brigas. O fogo começara a se espalhar, e fogo naquela região poderia fazer uma grande estrago não só na mata, mas também nas plantações mais ao norte, não tão longe de onde estávamos. Toquei o meu berrante e em alguns minutos mãos dispostas nos ajudaram a conter o fogo que por pouco não transformava parte da nossa mata em carvão.

Com rápidas explicações, e com Alain escondido, fizemos um caminho calmo até minha casa (até que enfim!).

Apeamos e entrei em casa para ter mais uma surpresa no dia (ainda não a última!). Ao entrar na cozinha, vi meu pai me esperando vestido como um herói das histórias que Gajan nos contara quando crianças. Ele usava roupas claras como as minhas para se camuflar, mas com um tecido que eu nunca vira antes, muito bonito e trabalhado. Um arco longo estava preso as suas costas, e, porque não, uma kopesh pendia em seu cinto. Com poucas palavras, Pethos me disse que precisava atender um chamado de Balzak, e que eu deveria cuidar da nossa propriedade com meu irmão por alguns dias.

Sem nem esperar uma resposta, o caçador saiu da nossa casa e sumiu junto às sombras que começavam a se formar lá fora.

Sentindo-me um idiota, sentei à mesa e apoiei minha cabeça nas mãos. O que estava acontecendo?

Aywanne e Alain sentaram à mesa também e, imagino que por respeito, esperaram eu me manifestar.

Sem ter uma idéia clara em mente, levantei e fui até o quarto de meu pai. Se ele possuía aqueles equipamentos que nunca vira antes, pode ser que ele possuísse mais coisas que poderiam nos trazer respostas. Revistei o quarto inteiro e encontrei um fundo falso no assoalho embaixo da cama. Uma pequena câmara era escondida debaixo de onde aquele homem dormia.

Chamei meus amigos e descemos os poucos metros. Nas paredes haviam troféus de caça, mapas e armas. Bolsas contendo moedas de ouro e prata estavam jogadas em um canto.

Eu era filho de um homem rico e poderoso e eu nunca soubera disso.

Próxima Cena: Campanha em Anderton – Cena 8

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4 Comentários leave one →
  1. 21/09/2010 15:04

    Acho que ter escrito esse relato depois de conhecer a verdade por trás de todo este mistério ajudou muito!

  2. Chico "Aramís" Napolitano permalink*
    21/09/2010 23:45

    Também acho.
    Teria mais exclamações de revolta da parte do Aramis se escrito no mesmo dia.

    E acho que mesmo que incoscientemente, eu dei uma arrumada na história, ligando ao que ficamos sabendo depois.

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