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Campanha em Erebor – Cena 11 – Qhorin

15/12/2013

Cena Anterior – Campanha em Erebor – Cena 10

Acordei com uma incrível dor de cabeça. O mundo girava ao meu redor. Eu estava numa cama de palha?? Muito mole para minhas costas. Minha coluna ardia de dor. Tentei levantar, o pé falseou e caí no chão. Vomitei. Tudo o que lembrava era de uma batalha ao redor da casa do mago. Haviam orcs feiticeiros e aranhas… um deles olhou para mim de forma estranha e de repente, uma fumaça preta turvou minha visão, não podia enxergar, em seguida ela encheu meus pulmões e não conseguia mais respirar. Consegui atirar uma de minhas machadinhas e desfaleci. Vagarosamente, o mundo começou a tomar forma e cores novamente ao meu redor. As paredes eram de terra, enormes raízes retorcidas funcionavam como pilares e vigas. Havia muita palha e folhas mortas. Estava escuro. Onde eu estava? Estaria eu…

_ Não, você não está morto, mestre Qhorin. – Disse um homem muito velho, ou seria um elfo? Sua túnica era castanha, suja de terra e algumas fezes de pássaros. Seu nariz adunco era grande e disforme, como uma batata. Seus olhos eram de cores diferentes: um verde e um castanho. Que diabos era aquilo?

Ele me colocou sentado em minha cama improvisada. E com a ponta da manga de sua túnica limpou o vômito de minha barba.

_ Está em Rhosgobel, meu santuário. Seja bem-vindo.

Radagast barba ao ventoO maldito mago tinha quase me transformado numa planta. Eu estava deitado em palha e os emplastos que cobriam minhas feridas eram cascas de árvore!

_ Radagast?! Eu pensei que estávamos indo salvá-lo e não o contrário. – Sorri tentando ser gentil.

_ Ah, mas vocês me salvaram. – Disse ele colocando um líquido escuro de cheiro forte numa xícara e me dando. – Eu estava com sérios problemas quando vocês chegaram. Inconsciente. Mais imobilizado que uma traça em seu casulo.

_ Mas eu caí – Bebi aquela porcaria horrível. Desceu queimando minha garganta, mas em seguida, comecei a me sentir melhor. – Acho que acertei um deles com minha machadinha, então apaguei.

_ Você apagou – Disse uma voz familiar vindo em minha direção através de uma porta no fim da sala – E a elfa também.  Mas ainda havia um anão aos pés da árvore que aqueles malditos feiticeiros não conseguiram ignorar.

_ Thraurin! – Disse sorrindo ao colocar minha mão em seu ombro. Ele repetiu o gesto.

_ Você me salvou dos wargs até a chegada do homem-urso. Eu estava te devendo. Agora estamos quites, meu amigo.

“Meu amigo”, ele disse. Os tempos ainda são bons. Hoje ele me chama de amigo e coloca a mão em meu ombro. Mas até quando? Logo chegará o tempo em que ele vai me cobrar da promessa que fiz ao pai dele, Dwalin, ainda em Erebor. Ele me ajudaria a resgatar Ágrapo e em troca eu iria com Thraurin até Khazâd-Dûm descobrir sobre o paradeiro de Balin que há anos não manda notícias… Temo por esse dia. Mas isso é no futuro, hoje a vida é boa.

_ Thraurin salvou a todos nós! – Disse Radagast – Não fosse por ele, todos vocês e eu incluso estaríamos sendo torturados em Dol Guldur numa hora dessas.  Thraurin teve muita sorte.

_ Sorte?! Ah! – Bufou o jovem anão com ar brincalhão. – Na minha terra damos outro nome a isso, mago.

_ Qual? – Radagast perguntou. Não deixei Thraurin responder, respondi por ele:

_ Bravura.

Radagast deu um meio sorriso e se dirigiu a uma outra cama, onde percebi, estava Rowenna. Só o cheiro daquela gororoba que ele trazia no bule foi forte o suficiente para despertar a elfa que acordou assustada. Mas o mago começou a falar com ela em idiomas élficos de um passado remoto e ela começou a se acalmar.

Mais tarde, naquele dia, quando Rowenna estava mais recuperada, mago e elfa se enclausuraram dentro de um quarto à portas fechadas, ao qual só se podia ouvir suas vozes acaloradas discutindo no idioma dos elfos. Ao contrário do que podia-se esperar, a elfa não escutava seu tutor, mas defendia seu ponto de vista com ardor, coisa que eu jamais permitira que meu aprendiz em Erebor fizesse. Quando a discussão acabou e a porta se abriu, Rowenna saiu resmungando consigo mesma para um lado enquanto Radagast a acompanhava com olhos desconfiados.

No dia seguinte, com as forças recuperadas fomos encontrar Radagast no alto de sua árvore, casa, torre ou o que quer que ele chamava aquilo. Pela altura, eu conseguia contar quatro andares em Rhosgobel, mas era difícil pra mim, um ser da pedra e da montanha, entender a constituição daquele lugar. Eu não via construções da maneira que estava acostumado, era como se a árvore tivesse crescido de acordo com a vontade de seu dono, ou talvez o contrário. Bom, considerando a merda dos pássaros em seu robe, acredito que a última opção seja a mais provável.

No topo de Rhosgobel, uma copa cheia de folhas com diversos tons de verde nos camuflava de quem quer que aparecesse, e também dava uma boa visão dos arredores do santuário, por cima da névoa. Radagast estava lá, sentado com as pernas cruzadas, as mãos sobre os joelhos com as palmas para cima, unindo o indicador com o dedão e com seu tronco fazia movimentos de vai-e-vem. Estava em transe, mas mesmo com os olhos fechados falou conosco.

_Sentem-se em círculo dentro dos círculos.

Só então reparei que havia muitos círculos no chão. Alguns eram da própria árvore que era Rhosgobel, círculos disformes espalhados sem lógica. Outros porém, eram claramente desenhados por mãos pensantes, ou, talvez, por patas intuitivas. Círculos arranhados, talhados e pintados de diversas maneiras coroavam a parte mais alta daquele lugar. Estranhos símbolos de um lugar mais estranho ainda.

Depois de sentar, perguntei:

_ E agora?

_ Agora é hora de vocês entrarem em outro estado. Um estado de magia. Preciso que vocês se conectem à árvore e ao mundo ao seu redor.

Thraurin tossiu e falhou miseravelmente ao tentar disfarçar uma risada.

_Loucos – disse em Khuzdûl

_Sei…

Aquilo soava ridículo, e eu me sentia totalmente deslocado naquele lugar. Eu obviamente não tinha a mínima idéia de como “me conectar à árvore”, e só fiquei tentando balançar meu corpo como eles.

Ouvi o Castanho soltar uma risada:

_Eu acho engraçado como seu povo é tão hábil para algumas atividades tão complexas e tão desajeitado com outras tão simples. Respire mais suavemente Mestre Artesão. Pegue uma semente em suas mãos e comece a pensar na sua história.

Bom, pelo menos agora eu tinha algo em que concentrar minha atenção: a semente. Senti sua textura áspera e coloquei sua ponta no chão. De repente, comecei a reviver minha história.

Todos os momentos. A minha infância nas Colinas de Ferro. O primeiro brinquedo que meu pai me deu e eu o desmontei para em seguida montá-lo novamente. A minha primeira caixa de ferramentas. A primeira cadeira que eu fiz, a primeira mesa. Quando aprendi tocar gaita com meu pai. Quando conheci Agnis, minha esposa. Quando meu velho foi para a guerra e nunca mais voltou. O nascimento de Ágrapo. Quando nos mudamos para Erebor. Quando ensinei a meu filho tudo o que meu pai me ensinou. Quando ele foi para o Condado e nunca mais voltou. Quando forjei Bagnir, a Justiça Paterna, meu martelo de batalha, e saí de casa. Será que um dia voltarei?

Então fiquei cansado, com muito sono, uma dor lancinante tomou conta de mim e então ficou difícil me lembrar da minha história. Qual era mesmo a minha história? Eu não estava mais em Rhosgobel. Eu não estava mais no topo de uma árvore, mas no fundo de uma caverna escura e fria. Não sabia mais se era dia ou noite. A última vez que tinha almoçado. A última vez que tinha consertado ou construído qualquer coisa. Só sabia que minhas mãos doíam. Todos os meus dedos estavam quebrados. Estava escuro, mas eu podia sentir. Minha barba rala e mutilada pinicava meu rosto. E o cheiro de fezes, sangue e urina impregnavam minha mente. Há quanto tempo eu estava ali? Qual era mesmo o meu nome? Eu já não sabia dizer. Estava escuro. Estaria eu cego? Não. Havia uma tocha na parede. Sua parca luz faziam meus olhos doer. Havia um corpo perto de mim. Me aproximei. Era um elfo.

_ Quem é você? – Ele acordou assustado de repente e se afastou de mim se encolhendo.masmorra

Tentei me lembrar.

_ Não sei. Não me lembro. – Respondi – Quem é você?

Ele pensou, pensou e abaixou a cabeça suspirando. Me dei conta que estávamos em alguma masmorra. E estávamos ali por tempo demais. Estranho é que não estávamos acorrentados, nem eu, nem o elfo.

_ Vamos, temos que sair daqui. – Disse a ele.

Não consegui ficar em pé. Estava muito cansado e comecei a rastejar em direção aonde eu imaginava que deveria haver uma porta. De repente, um vazio, meu braço escorreu no abismo e o elfo me segurou para que eu não caísse. Então entendi porque não estávamos acorrentados. Só restava esperar. Esperar pelo quê? Quem iria nos salvar? Quem iria nos tirar dali? Talvez somente a morte.

Foi então que luzes fortes de muitas tochas começaram a brilhar e iluminar uma curva no fim de um corredor do outro lado da sala. Seriam nossos salvadores? A luz era muito intensa. Protegi meus olhos com minhas mãos quebradas e vermelhas de sangue estendidas à minha frente. Foi então que consegui ver uma tatuagem em minhas mãos. Um martelo e uma tenaz.

Vomitei. E então estava de volta a Rhosgobel. Já era noite. Olhei meus dedos vermelhos com o estrato da semente e as tatuagens em minhas mãos, as tatuagens com o brasão de meu pai e do pai dele antes dele. O martelo e a tenaz.

_ Eu sou Qhorin, filho de Gaspar. E preciso salvar meu filho. Preciso salvar meu filho. – Lágrimas começaram a brotar em minha face sem que eu permitisse, mas elas continuavam a brotar e jorrar mesmo assim.

_ Calma – Disse Radagast à minha frente – Respire.

_ Eu vi meu filho. – Respondi – Eu… era meu filho. Ele está preso e sem esperanças. Foi torturado até a loucura. Tenho que salvá-lo. Não posso mais me atrasar. – Tentei levantar, mas minhas pernas estavam bambas. Um sentimento de urgência tomou conta de mim. Falta de ar.

_ Onde ele está? – Perguntou Radagast.

_ Uma caverna. Uma masmorra élfica. Tinha um elfo lá! – Gritei.

_ Não. – Respondeu Rowenna – Sei o que você viu, pois também está em minha mente. Não é uma masmorra élfica. Mas já foi… um dia.

Radagast suspirou.

_ Do que ela está falando? – Perguntou Thraurin.

_ Dol Guldur. – Responderam Radagast e Rowenna juntos.

_ Seu filho é prisioneiro em Dol Guldur. – Completou somente Rowenna.

Eu não tinha palavras para argumentar. Thraurin falou por mim.

_ Mestre. Nós precisamos partir, pois já estamos atrasados. Viemos até seu santuário para encontrar conselhos, armas, mapas, qualquer coisa que você puder nos arranjar para concluirmos nossa missão. Mas não nos atrase mais. Não separe um pai de seu filho. Não posso abandonar meu parente à morte e ao desespero. Ajude-nos se puder e nos libere.

_ Você falou com sabedoria além da sua idade. – Respondeu Radagast a Thraurin. – Enquanto vocês meditavam e enxergavam o que precisavam enxergar, eu conversei com Beorn em meu pensamento. – Disse apontando para a noite estrelada, e acima de nós brilhava intensamente a constelação da Ursa Maior. – Ele me disse sobre a missão de vocês. Não vou mais segurá-los. Sigam-me.

Levantei meu corpo e fiquei surpreso ao ver um círculo ao redor de onde estava sentado. Haviam vários desenhos na borda dele, que eu provavelmente fizera com a semente enquanto estava em transe. Consegui identificar esses desenhos, símbolos de minhas próprias lembranças.

Agora entendia a existência de tantos círculos naquele lugar. Rhosgobel era uma árvore de sonhos, um local de lembranças e meditação.

Descemos até o segundo andar. Este pavimento aparentava ser uma dispensa, onde vários objetos estavam espalhados por todos os cantos. Armas, livros, estatuás, gemas (!!!), vestimentas… O que qualquer senhor exibiria com orgulho era acumulado num canto por Radagast. Aquele mago não estava preocupado com posses.

Debaixo de um enorme ramo de pinheiro havia um baú, e ao abri-lo diversas aranhas pequenas saltaram dele. O Castanho se divertiu com elas por um tempo, mas aparentemente lembrou do seu propósito e começou a remexer no conteúdo da arca. Retirou um papel marrom e o entregou a Rowenna:

_ Tome, este é um mapa de Amon Lanc, quando o elfo Oropher reinava antes da Batalha da Última Aliança no final da Segunda Era.

Olhei para Thraurin sem entender nada. Então Rowenna olhou para nós e nos disse baixinho:

_ Hoje vocês conhecem o lugar pelo nome “Dol Guldur”. Mas nem sempre foi assim. Já foi uma cidade élfica. O Inimigo sitiou, destruiu e ocupou. – Disse com pesar.

_ É… ele faz isso as vezes. – Concluí.

Radagast voltou-se para o baú e pegou mais dois itens: uma caixa pequena e um embrulho de couro.

_ Tome esta caixa. – Disse Radagast a entregando para mim.

_ O que tem nela? – Perguntei.

_ O que você precisa. – Respondeu o mago.

_ Meu filho não cabe aqui dentro.

Radagast bufou e se limitou a responder:

_ Você só pode abri-la uma única vez. Quando abrir, você terá o que precisa. Depois disso ela se tornará uma caixa comum. Abra-a com sabedoria e somente quando precisar. Não o faça levianamente.

Espero profundamente que um dia desses eu entenda o que ele quis dizer hoje. Agora a única coisa que quero é partir logo daqui. Ainda temos que voltar até Carrocha, reencontrar a outra parte de nossa comitiva, para só então nos dirigirmos à fortaleza do inimigo.

_ Este embrulho é para você, jovem anão. Abra-o. Um agradecimento por ter salvo Rhosgobel. Mais do que um agradecimento, um dever. E eu o confio a você.

Thraurin abriu e uma luz verde iluminou o ambiente. Era um coração de madeira. Sujo de terra, com veias-raízes e também… pulsava. Tinha uma corrente de couro. Thraurin fez uma reverência e o colocou em seu pescoço, ainda surpreso e maravilhado com o item. Sem saber exatamente o que era, não perguntou com palavras, mas com o olhar. O mago respondeu.

_ Por sua bravura.

Rowenna estava boquiaberta.

_ O coração do santuário? – Perguntou a elfa, atônita. – O Coração–de-Freixo??

_ Sim. – Disse Radagast com seus olhos multicolores – Thraurin salvou vocês, e salvou a mim, que sou o espírito de Rhosgobel. Nada mais justo do que ele carregar também seu coração. De agora em diante, você será Thraurin Coração-de-Freixo.

Mais tarde, naquele dia, no caminho de volta à Carrocha, Rowenna nos explicou melhor o significado do que tinha acontecido, com certo rancor na voz, ou talvez inveja. O santuário de Rhosgobel não era ali por coincidência. Naquele lugar. Naquela árvore. Aquela árvore era sagrada. Tinha poder. Os emplastos que Radagast usavam eram feitos da casca do freixo e tinha o poder de cicatrizar as feridas. O chá era feito de suas folhas, bom para combater a febre e as doenças da alma. E agora Thraurin estava saindo dali carregando o item mais importante da árvore. O coração. Meu jovem compatriota estava se superando.

Caixa de Madeira

Próxima Cena: Campanha em Erebor – Cena 12 – Hardhart

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7 Comentários leave one →
  1. Elias permalink
    16/12/2013 10:18

    Isso é o que da brigar com o mestre… err Radagast. Perdeu o coração do santuário para um anão, rsrsrrsrs.

  2. 17/12/2013 09:36

    Estou acompanhando os relatos, apesar de ler eles por partes.
    Tempos corridos, ta osso de comentar =/
    Mas agora ta ganhando forma a campanha, ja saiu das partes introdutórias =D

  3. gerbur12 permalink
    18/12/2013 00:53

    É galera, finalmente com o ano prestes a acabar estamos saindo das partes introdutórias, uahuahuauh.

    Esse ano começamos a campanha só em abril o que gerou certo atraso nosso mesmo.

    Mas, sabe o que é bom da história ir se afastando de sua gênese e ganhando corpo para o desfecho? São as mortes! rs. Quem será que vai morrer? Quem será?

    Sim, porque isso é a Terra-Média, tudo e muito bacana e lindo, mas as pessoas morrem. E os heróis também, rs.

  4. Rodrigo PS permalink
    30/12/2013 12:12

    “Então o anão recebeu do mago uma ´raiz-coração´ verde que pulsava e disse: Por sua bravura”

    Muito bacana a história de vocês!

    Que pena que não deu para terminar esse ano.

    Gostei da caracterização de Rhosgobel. Muito bacana mesmo. E também da passagem da visão do filho para o pai. Cinematográfico!

    E pelo jeito teremos mortes em Dol Guldur… rsrsrsrsrs Quero ver o bicho pegar!

  5. 31/12/2013 20:12

    Bem-vindo Rodrigo!
    Você já acompanhava nossa história?

    Pelo seu post parece que sim.

    Dol Guldur foi bem… como posso dizer?
    Tenebrosa, pra dizer o mínimo.

    O relato de lá logo virá!
    Só digo uma coisa: o Mestre se divertiu muito :D

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