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Jogos Narrativos & Videogames

20/09/2020

Tempos atrás, fui convidado a participar de uma conversa muito especial com um grande consagrado da cena independente de jogos: o Sr. Jorge Valpaços, membro ilustre do Lampião Game Studio.

Foi uma conversa edificante sobre um tema bem batido, e também polêmico, entre jogadores: uma relação entre jogos analógicos (em especial, narrativos) e jogos digitais. Uma relação bastante forte, diga-se de passagem.

Você pode conferir o resultado da conversa no vídeo abaixo.

A partir do que foi comentado (e posto em debate) acima, quero jogar a conversa a vocês, caros leitores. Vamos contribuir com este diálogo, para quem sabe entender um pouco do contexto em que nós (jogadores) estamos inseridos.

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

Apresentando… Sua Majestade

03/09/2020

Esta é uma história parecida com tantas outras e, ao mesmo tempo, tão diferente delas.
Esta é a história de uma Criança. Distraída, vívida e impulsiva. Enfim, uma Criança como qualquer outra.

Em suas brincadeiras e impulsos, ela se perdeu de casa. Foi parar em um lugar muito muito distante, que nunca tinha visto, ou sequer ouvido falar.
Foi ao olhar para trás, que acabou caindo. Rolou incontáveis vezes, até se deparar com o chão duro e frio.

Ficou ali por algum tempo, engolindo o choro de suas feridas até que a dor deixasse de ser um incômodo. Foi neste momento em que ergueu os olhos, e viu onde estava. De tão maravilhado, imaginou ter caído em um dos vários mundos coloridos que vira em seus livros, e mal tinha palavras para descrever tudo aquilo.

Ironicamente, foi neste momento em que percebeu não estar sozinho. Para onde quer que olhasse, havia olhos perseguindo cada movimento seu. Por um instante, pensou em correr e se esconder.
Mas… onde faria isso? Para onde iria, se nem sabia onde estava? E onde poderia se esconder, já que não estava mais em sua casa (onde conhecia todos os esconderijos possíveis)?

De tanto pensar sobre o que fazer, mal pôde perceber a aproximação de um deles, lhe oferecendo a mão para lhe ajudar. Apesar da aparência, aquela criatura tinha um olhar sereno e pacífico – algo bem próximo do que sua mãe fazia quando ganhava um presente seu.

‘Venha, jovem.’ A voz dela ressoava como uma melodia grave. ‘Ninguém irá lhe fazer mal’.

Foi nesta hora que a insegurança guiou os passos da Criança, procurando por um abraço acolhedor no meio de todo aquele tormento. Claro que isso surpreendeu aquele monstro que, despreparado, tentou ser cuidadoso ao retribuir aquele gesto.

“Sinta-se em casa, pois este agora é o seu Reino”.

É nesta perspectiva que apresento a vocês o lançamento de Sua Majestade – um Jogo sobre Infância, Convivência e Mudança. Uma iniciativa conjunta do selo Jogos à Lá Carte e da editora Gentle Ogre. Um jogo diferente, escrito com carinho para você.

Prévia da arte impecável do jogo, pela artista Júlia Chiarelli

Nele, os jogadores irão vivenciar histórias de convivência, emoções e esperança, em dois papéis possíveis: os Monstros, que antes viviam isolados entre as ruínas de um reino esquecido, imersos em dor e desesperança; e a Criança, fulgaz e eufórica em descobrir onde chegou, e com o que pretende fazer lá.

Os Monstros viram na visitante um raio de esperança, e juntos tomaram uma decisão importante: coroaram-na como Sua Majestade, para que os liderasse a tempos melhores e felizes para todos.

Um Jogo Diferente…

Em toda sessão de Sua Majestade, o desafio do grupo de jogo será conviver, de modo pacífico e proveitoso a todes. Cada Monstro possui suas próprias características, e questões para resolver entre seus pares. O mesmo acontece com a Criança, que possui suas próprias pretensões para o reino.

Este ambiente torna-se propício para que conflitos e desentendimentos aconteçam, entre uma ou outra parte – os Monstros podem apoiar ou se opôr à Criança, diante tudo que se desenrola dentro do jogo.

Todas essas possibilidades são mediadas através de um sistema simples de mecânicas relacionais, e centradas na relação Criança-Monstros. Uma vez que cada jogador assume um papel dentro do jogo, é preciso recorrer a elas para obter a prioridade entre seus pares (partindo sempre da Criança, para possibilidades diretas de contestação).

Toda decisão tomada provoca transformações imediatas no ambiente de jogo, que é desenhado em tempo real. À Majestade, cabe a função de construir o seu próprio reino (com o apoio dos Monstros, ou por conta própria) – enquanto que os Monstros possuem liberdade para concordar com tudo que a Criança quer fazer, ou até mesmo para destruir tudo que lhes incomoda.

Não dá para contar mais nada deste jogo, daqui por diante. A experiência precisa ser degustada por você, caro leitor!

Um Convite à Fantasia

No momento, Sua Majestade está em pré-venda, no site da editora Gentle Ogre – você pode clicar aqui para adquirir o seu livro.
O jogo possui pouco menos de 40 páginas, num formato bastante similar ao de um livro infantil – ricamente ilustrado pela artista catarinense Júlia Chiarelli.

O jogo está disponível tanto em pdf quanto em livro físico + pdf; este último, inclusive, vem acompanhado de cinco marca-páginas – cada um deles servindo como “Cartilha” de cada uma das Personagens presentes no jogo (a Criança, e quatro tipos de Monstro).
Uma vez que a versão digital já está pronta, os clientes terão acesso a ela logo após a confirmação do pagamento. Sem espera, ou prazo de entrega.

Fica, portanto, o convite meu de vocês para conhecerem este jogo, que tem o propósito de encher a vida de vocês com aventuras, reflexões e amadurecimento. Apóiem esta iniciativa!

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

RPG em Hollywood

20/08/2020

Quem acha que só os nerdões jogam nosso querido RPG de mesa, precisa sair um pouco do ambiente do Discord e Roll20 (é o que nos resta na pandemia) pra descobrir os nerds famosos!

Com esse intuito, o site Legião dos Heróis publicou um post sobre celebridades que curtem rolar uns D20s (o foco foi em Dungeons e Dragons), o que inclui:

  • Vin Diesel, de Velozes e Furiosos;
  • Terry Crews, de Todo Mundo Odeia o Chris;
  • Drew Barrimore, de Como se Fosse a Primeira Vez;
  • The Rock, de Jumanji;
  • Matt Damon, da coleção Bourne;
  • Joseph Gordon-Levitt, de A Origem;
  • Jon Favreau, de Eu te amo, cara,

e mais alguns outros que desconheço.

Parando pra pensar, faz todo o sentido, não?
Afinal, qual o melhor hobby para um ator do que um jogo de interpretação de papéis?

Deixo vocês com uma citação legal do Jon Favreau, que também trabalha como diretor:

“Foi uma preparação muito boa para ser cineasta. Me ajudou a construir mundos para fazer um filme de super-herói ou lidar com CGI no cinema. Me trouxe forte experiência em imaginação, narrativa, e compreensão de como criar um tom e um senso de equilíbrio”.

Massa, hein?

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

Biblioteca de Heróis – Elfo sem nome

15/06/2020

– Esse post contém spoilers sobre a aventura “A Mais Longa das Noites”, parte da Trilogia do Fogo das Bruxas. Leia somente se você não se importar com esse detalhe –

Uma vez um velho sábio disse que é necessário muita coragem para encarar seus inimigos, mas é preciso uma dose ainda maior para encarar seus próprios amigos.

Essa é a história de um elfo que após muito trilhar um caminho duvidoso, encontrou sua redenção onde se menos esperava, eternizando sua história nos grandes salões de Morrow, deus da bondade e esperança.

Biblioteca de Heróis: Elfo sem nome

Até hoje os clérigos de Morrow procuram descobrir a identidade do 2º avatar de seu deus, aquele cujo nome seu passado apagou.
Alguns pesquisadores indicam Taran Arco-Forte como nome, outros Vrienius de Ios.
E, claro, para aqueles que quisessem ouvir, Egger, o mendigo de Corvis, jurava de pés juntos que o elfo era conhecido como “Bob, o Louco” entre seus companheiros.

Na verdade, seu nome não importa.

Com um juramento de manter sua identidade apagada até encontrar seu próprio caminho sob a tutela de Morrow, Elfo sem nome se dirigiu à Corvis, local sagrado entre os morrowistas, reduto de um dos maiores templos do deus da bondade e esperança. Chegando lá, Padre Dumas solicitou que Elfo sem nome auxiliasse alguns aventureiros em uma investigação sobre uma série de roubos de corpos em cemitérios de Corvis, tarefa que preocupava o velho clérigo, mas que aparentemente não despertava interesse da própria guarda da cidade.

Ao longo desse intrigante trabalho, o patrulheiro seguidor de Morrow teve dificuldade de se encaixar entre seus companheiros. Dono de um temperamento impulsivo, Elfo sem nome frequentemente colocava seus colegas e a si mesmo em perigo, desafiando a racionalidade que regia as ações dos magos e artífices dos Reinos de Ferro. Não demorou muito para que até o meio-orc bárbaro do grupo conseguisse ser considerado mais previsível que o elfo patrulheiro.

Após uma tentativa frustrada (e individual) de invadir a prefeitura de Corvis, o elfo foi capturado pela rigorosa guarda da cidade, já sobrecarregada pela preparação da Mais Longa das Noites. Sob interferência direta do poderoso Conselheiro Borloch, Elfo sem nome foi colocado na temida mesa de tortura da polícia.

No entanto, quando o sofrimento e a dor pareciam ser os únicos caminhos que o esperavam, o patrulheiro foi abençoado com a misericórdia de Morrow, que protegeu seu pupilo do desespero e da maldade. Com uma resiliência sobrenatural, Elfo sem nome resistiu a todas as tentativas de quebrarem seu corpo e espírito.

De volta à investigação, o patrulheiro conseguiu alcançar seus companheiros no subterrâneo de Corvis, nas ruínas da antiga cidade.
Lá muito foi descoberto a respeito da necromante que realizou o roubo dos corpos, confirmando uma verdade reveladora. Mas, mais do que isso, os subterrâneos também continham locais sagrados para os morrowistas, como o mausoléu do Padre Edric Samos VII, um dos principais cardeais da religião, assim como um templo dedicado ao avatar Ulbrecht Sambert. Emocionado, Elfo sem nome vertia lágrimas enquanto admirava as belas tapeçarias que contavam a história do avatar.

“- Ei, o colar no pescoço da estátua é mágico. Vamos investigá-lo!”.

As palavras acenderam o fogo que alimentava sua fé.

“- Profanem a estátua, e será a última coisa que farão em suas vidas”.

A disputa aconteceu em poucos segundos.
Uma flecha na mão do ladino, uma investida bárbara, uma segunda captura do elfo em menos de 24 horas.
Prisioneiro de seus próprios companheiros, o seguidor de Morrow se sentia cada vez mais enfurecido com a atitude de seus “amigos”.

Será possível que eles não entendiam?

Com a teimosia que lhe era característica, o patrulheiro conseguiu se desvencilar de seus grilhões, apenas para ver uma relíquia de Morrow nas mãos de seus antigos companheiros. Sem pensar (como lhe era característico), Elfo sem nome interpelou a druida, clamando pelo sagrado que havia sido profanado.

Com a calma que lhe era característica, Nakaryn entregou o item para seu ex-amigo, enquanto Makadurk tentava, em vão, atacar o elfo.
A luz de Morrow o envolvia.

Incólume por fora, mas ferido por dentro, Elfo sem nome claudicou até a estátua do avatar, repousando o baú sagrado ao seu lado.
O colar havia desaparecido.

Ajoelhado perante Sambert, o elfo sentiu uma inusitada sensação de êxtase, algo que há muito procurava, mas ainda não havia encontrado. Olhando adiante, o seguidor de Morrow viu a estátua do avatar estender sua mão em sua direção, como em um convite:

“Tu vens comigo?”.

Foram as últimas palavras que ouvira. Ou sentira. Ou imaginara.
Apertando a mão de seu herói, Elfo sem nome juntou-se ao avatar, ascendendo ao divino e garantindo seu lugar entre os imortais.

Pouco tempo depois Padre Dumas foi levado a este recinto, apenas para encontrar duas estátuas iluminadas por uma luz santa, ambas sorrindo ao trocar um aperto de mãos.
Conta-se que o velho Dumas chorava enquanto envolvia o pescoço do elfo com o colar do avatar.

A missão do Elfo sem nome estava completa.

Meu profundo agradecimento ao meu estimado amigo Vinicius, que nos presentou com esse brilhante e insano personagem!

Como transformar sua reunião de trabalho numa experiência lúdica (ou como o COVID-19 está mexendo com as pessoas)

19/05/2020

Todo profissional que trabalha em equipe já passou por uma das famosas reuniões que poderiam ser resolvidas em um e-mail, ou que demoram 2 horas para se chegar no ponto realmente importante de discussão.

No entanto, quantos de vocês já passaram por uma reunião de trabalho…

… dentro de um jogo?

Pois a autora e artista Viviane Schwarz compartilhou em seu twitter que ela e seus colegas estão utilizando o jogo Red Dead Redemption para acender fogueiras e discutir projetos de trabalho:

1

Fonte: Jovem Nerd

Aposto que até os game designers se surpreenderam com esse tipo de uso do RDR.
Mas até que não é má ideia, hein?

2

Com certeza é um ambiente mais agradável pra se reunir, se você não se importar com o uivo de lobos e os ocasionais tiros de espingarda, é claro.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal