Pular para o conteúdo

Concurso faça um monstro para a Wizards of the Coast!

31/10/2018

A Wizards, empresa responsável pelo Dungeons e Dragons, acabou de lançar um concurso em parceria com a Adobe, responsável pelo software de edição de imagem Photoshop. Como o título do post já diz, o concurso desafia os ilustradores e RPGistas a desenharem um novo monstro para o sistema!

A recompensa?
5.000 dólares, uma viagem à sede da Wizards, e a sua obra transformada em uma miniatura oficial do D&D.

Massa né?

Os interessados tem 2 semanas pra fazer a façanha, e o tempo já está correndo.
Se você tem habilidades no photoshop (infelizmente não é o meu caso) e criatividade (isso felizmente não me falta), acesse o hotsite do concurso, e arregaçe suas mangas!

Bom trabalho, e boa sorte!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

Aprendamos com Gandalf

29/10/2018

“- Mas ontem à noite lhe falei sobre Sauron, o Grande, o Senhor do Escuro. Os rumores que ouviu são verdadeiros: ele relmente ressurgiu, deixou seus domínios na Floresta das Trevas e voltou à sua antiga fortaleza na Terra Escura de Mordor. Ate vocês hobbits já ouviram esse nome, como uma sombra rondando os limites das velhas histórias. Sempre, depois de uma derrota e um pausa, a Sombra toma outra forma e cresce novamente.

– Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época – disse Frodo.

– Eu também – disse Gandalf. – Como todos os que vivem nestes tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. E, Frodo, nosso tempo já está começando a ficar negro (…)”.

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, página 52

Gandalf - John Howe

Autor: John Howe

A ficção, o RPG e a política

12/10/2018

Há alguns meses me deparei com um tweet muito interessante do Jeremy Crawford, uma das cabeças por trás da edição 5.0 do Dungeons e Dragons. Fiquei com ele em mente por um tempo, prometendo a mim mesmo escrever sobre o assunto no futuro.

Eis que essa hora chegou:

Jeremy Crawford

“Se um reino em D&D estivesse forçosamente separando crianças de seus pais e as colocando em centros de detenção, os heróis iriam fazer de tudo para reunir essas famílias. Sejamos minimamente tão bons quanto os heróis em D&D. #D&D #Compaixão”

Para aqueles que vivem em uma bolha e não pegaram a referência do tweet, Jeremy estava se referindo à chocante, grotesca e desumana política de “Tolerância Zero” do presidente de seus país.

Eu adorei a manifestação do Sr. Crawford. Primeiramente porque o game designer embasou seu discurso justamente usando nosso hobby como exemplo. E, em segundo lugar, porque no período de ódio em que vivemos, uma manifestação por compaixão é mais do que bem-vinda: é necessária.

Há uma palavra-chave no (pequeno) texto que Jeremy Crawford publicou e eu reproduzi.  Se você acompanha o blog é bem possível que você lembre do meu post recente sobre heróis. Ou até um mais antigo. No entanto, e é importante frisar, eu não estou falando aqui de Son Goku ou Ayrton Senna.

Estou falando de nós mesmos, em roupas diferentes. A proposta (inicial) do RPG, e do pioneiro D&D principalmente, foi sempre reunir amigos para que eles pudessem ser os heróis das histórias: combater os tiranos, os vilões que ameaçavam a paz do reino e destruíam o que havia de bom.

É importante bater nessa tecla, porque não é só nos EUA que um presidente age como um vilão. Aqui também no Brasil, um presidenciável segue a cartilha do horror, criminalizando formas de amor, rebaixando pessoas com mais melanina na pele, e oprimindo nossas mães, irmãs, esposas e filhas.

Indo pelo caminho sugerido pelo Sr. Jeremy Crawford, proponho o seguinte exercício: imaginem seus personagens de RPG em um reino em que o rei ofende as mulheres, afirma que as raças diferentes (como elfos, anões e halflings) são inferiores. Eles ficariam inertes perante tal tirania?

Pensem em Tolkien. POR TUDO QUE VOCÊS CONSIDERAM SAGRADO, PENSEM EM TOLKIEN! (Sim, essa é pra você Sr. Forja-Quente!). Um rei humano que afirmasse que os halflings são inúteis, preguiçosos e gordos; que os ents não deveriam ter seu próprio território, pois são todos vagabundos… isso seria tolerável?

Você imagina o Conselho de Elrond passando pano pra esse tipo de postura? Vocês imaginam um Gandalf “isentão”?

Senhor dos Anéis é uma história que fala de diversidade, que nos ensina sobre o amor. É Gimli reconhecendo que ele poderia morrer ao lado de um elfo, agora amigo:

friendship

Um momento que me emociona até hoje…

É Frodo e Sam se reconfortando após terem completado sua missão sem se preocupar com a possibilidade de um orc linchá-los por “comportamento homossexual”.

E agora faço a seguinte pergunta, muito necessária: Nós estamos aprendendo algo com a fantasia e o RPG? Nós estamos prestando atenção nas histórias que estamos lendo, vendo e vivendo?

Eu não tenho certeza disso.
Pelo visto o esforço do Capitão América de ir até a Alemanha de Hitler e bater nos nazistas é visto como puro exercício ficcional. Não é.

Vou repetir aqui: não é.

COMICS-NAZIS

O intolerante não pode ser tolerado. Leiam Karl Popper.

Se você se identifica com o lado da tirania, com a opressão à liberdade e às minorias, eu lamento por você. Eu lamento saber que você não foi capaz de captar a mensagem que essas histórias que eu citei te passaram, ou mesmo outras que não comentei:

MG

Mas saiba de uma coisa: eu sempre estive ao lado dos hobbits (preguiçosos ou não), ents (lentos ou não), anões (teimosos ou não) e elfos (arrogantes ou não). E sempre, por toda a minha vida, lutarei por eles. Pois tive o privilégio de ler, assistir e vivenciar as histórias mais incríveis, que me ensinaram a respeitar as diferenças e valorizar o que cada um tem de bom.

É com muito orgulho e determinação que brado em alto e bom som:

#ELENÃO

Chico Lobo Leal

 

 

Atributos do D&D explicados com um tomate

27/09/2018

Mais do que acompanhaments para saladas de verão ou matéria-prima de molhos para macarrão, o usuário u/tan620 do Reddit teve a brilhante ideia de usar tomates para explicar os conceitos dos atributos do Dungeons e Dragons:

Força – A capacidade de esmagar um tomate.

Destreza – A habilidade de desviar de um tomate sendo arremessado em você.

Constituição – A capacidade de comer um tomate estragado e não passar mal.

Inteligência – O conhecimento de saber que o tomate é uma fruta.

Sabedoria – A perspicácia de saber que um tomate não deve fazer parte de uma salada de frutas.

Carisma – A habilidade de conseguir vender uma salada de frutas mesmo que a mesma tenha tomates.

Tomato character with shield

Autor: tawhy

 

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

 

Biblioteca de Heróis – Norman Peewie Chariott

24/08/2018

Um pouco de alho amassado, sal, e… por que não? Pimenta.
Afinal, aquele dia era uma data especial. 8 anos juntos, 2 crianças saudáveis, uma casinha de sapê… o que mais Norman podia querer?

Enquanto terminava de temperar o frango, e começava a cortar o quiabo, Norman pensava na sua vida nos últimos anos. Ele trabalhava como cozinheiro na taverna local, e seus guisados e assados (especialmente frango com quiabo), já eram conhecidos em toda região de Trás-dos-Montes. Nada mal para o filho do moleiro, agora conhecido como “Mestre NPC”.

No entanto, e Norman Peewie Chariott não suspeitava disso, sua esposa havia acabado de deixar sua casa, junto com seus dois filhos. Rosalinda partiu ainda de madrugada, enquanto seu marido dormia o sono dos justos. Ela sabia que se continuasse ali sua vida nunca mudaria, e seus filhos teriam, provavelmente, o mesmo padrão de vida dos pais.

E eles teriam que continuar dormindo sobre a palha no chão.

E ela nunca conseguiria ter seus próprios brincos, como a Senhora de Trás-dos-Montes tinha.

E ela teria que continuar fingindo que gostava de frango com quiabo.

Seria difícil explicar sua decisão pra Norman. Na verdade, quase tudo era difícil explicar pra ele…

(…)

Já faziam 6 semanas.

Quando a irmã de Rosalinda contou para Norman que sua esposa o deixara para fazer parte do harém do Duque, tudo o que NPC sentiu foi um vazio.

Por que ela fez isso? A vida deles era tão boa, tão tranquila. Ele não conseguia entender.

Outra coisa que ele não conseguiu entender foi quando um velho viajante lhe deu uma pequena miniatura, no seu último dia na taverna. O ancião de vestes roxas adorou o seu frango com quiabo, e quando NPC contou que ele partiria em viagem para rever seus filhos, o viajante o presenteara com uma pequena casinha, toda colorida: “Isso vai lhe servir mais do que você imagina, filho”.

Como uma minúscula casa de bonecas poderia lhe servir?

Foi somente quando Norman derrubou, sem querer, um pouco de sopa na casinha que ele percebeu.

Até ele conseguia entender o que era magia.

(…)

Barba Branca era o nome dele. Todas as grandes cidades eram administradas por um mago naquele ducado, e Termenite era a cidade mais próxima de Trás-dos-Montes. Norman sabia que ele precisava da ajuda de um mago para poder ter acesso ao castelo do Duque, e era lá que ele tentaria sua sorte.

No entanto, sem ao menos ter a chance de solicitar algum favor à Barba Branca, Mestre NPC pisou nos calos (literalmente) do mago, e, como punição, recebeu a pena de trabalhar na taverna de Termenite até o fim de suas vida. Vendo isso como uma oportunidade de cair nas graças do chefe da cidade, Mestre NPC seguiu à risca o que era esperado dele.

E trabalhou, e temperou, e cozinhou, e trabalhou mais e mais.

Mas o vazio continuava. Norman ainda sonhava com seus filhos: com a risada doce de Macy e o sorriso travesso de Tom. O mestre cuca tinha poucas posses ou bens, e quase tudo que ele produzia era voltado aos seus clientes. Mas seus filhos eram seus filhos, e Rosalinda estava enganada se ela achava que Norman não lutaria para tê-los de volta.

(…)

Foi em uma noite sem luar que um grupo de encrenqueiros apareceu na cidade. Eles bagunçaram toda a taverna, e até invadiram a cozinha – o santuário de Norman. Depois de alguns gritos, cutelos voadores e uma porradaria sem sentido, a trupe pediu ajuda à Mestre NPC. Eles eram prisioneiros de Barba Branca e queriam sair daquela ditadura, de preferência com os elfos que eram utilizados como escravos na cidade (um dos baderneiros, Adrian, também tinha orelhas pontudas).

Era a primeira vez que alguém pedia ajuda à Norman. Normalmente as pessoas o viam como um reles elemento da paisagem, uma espécie de mobília que era tão útil quanto uma cadeira confortável. No entanto, aqueles baderneiros olhavam para NPC de outro jeito: eles esperavam algo dele.

E Norman não iria decepcioná-los.

O cozinheiro uniu-se aos bandoleiros, e, com a ajuda de um gladiador famoso que visitou Termenite, conseguiram fugir do território de Barba Branca (mas, infelizmente, deixando os escravos para trás).

Por indicação do pugilista foram parar em Builassa, cidade de Barba Negra, mago muito mais razoável. Lá os aventureiros (nome que os baderneiros ricos recebiam – os baderneiros pobres eram só baderneiros mesmo) logo caíram na graça do mago, que viu a possibilidade de ter um grupo de capangas fazendo diferentes serviços para ele: cobaias para experiências mágicas; colheita de ervas mágicas em cavernas profundas; coleta de ovos de salamandra.

Nessa última empreitada Norman se viu numa das situações mais bizarras de sua vida: acuado por lagartas que cuspiam fogo, o cozinheiro usava sua tampa de panela para empurrar as criaturas pra longe, enquanto tentava, em vão, espetar a lagartona (que delicioso assado ela daria!) que abocanhava seu amigo elfo. Sangue de animais era algo que o cozinheiro estava acostumado a lidar, mas o sangue de humanos o assustara, e por pouco o seu próprio não se juntou ao de seus colegas, muito mais fortes que eles.

O plano deu certo, no entanto. Mais rápido do que esperavam, os bader… aventureiros caíram nas graças de Barba Negra. Norman, inclusive, ofereceu um jantar pra ele dentro de sua taverna mágica, usando algumas das ervas especiais que eles encontraram nas cavernas.

O resultado?
Barba Negra agora era Barba Verde, assim como todos os cabelos e barbas de seus colegas. Com o clima descontraído, o cozinheiro finalmente deu sua cartada final, e pediu o favor ao mago. Com um misto de insistência, bons argumentos e uma dose caprichada de boa sorte, Norman conseguiu o salvo conduto para uma visita, de 1 hora, ao Duque.

Seria o suficiente.

(…)

Norman planejava uma despedida curta com seus colegas, afinal ele suspeitava que não voltaria a vê-los. Afinal, tudo era passageiro na vida de Norman: seus cozidos, seus clientes, seu (pouco) dinheiro, e, pasmém, até sua família.

No entanto, e Mestre NPC não estava preparado para isso, Adrian, o ranger do grupo, disse que iria ao castelo junto com o cozinheiro: “Você me ajudou antes, é minha vez de retribuir”.

Era a primeira vez que Norman encontrava um amigo em sua vida. Até Jack, o burrico, teimava com NPC, mas o elfo, sem ao menos ser solicitado, estendia a mão para o cozinheiro quando ele mais precisava.

Os dois foram com Barba Verde para um círculo mágico, sendo teletransportados para o grande salão do castelo do Duque, que já o aguardava.

Ah sim, o cozinheiro. Pois bem, o que posso fazer por você?”.

Sua voz era monótona, beirando a impaciência. O descaso recheava as palavras, e os olhos estavam salpicados com desprezo.

Vim aqui para ter meus filhos de volta”.

Risos.

Quem?”

E ali estava ela, Macy. A jovem Macy, a Macy de Norman. A pequena vestia um avental sujo, limpando o chão. A voz de seu pai a atraiu, interrompendo seu trabalho. Um tapa de um dos guardas a colocou de volta à realidade.

O sangua de Norman começou a ferver.

Ah, a faxineira é sua filha? Vai me dizer que você é o ex-marido da rameira que trouxe os fedelhos? Se os quer, pague o preço: Mil peças de ouro cada”.

Preço. Aquele imbecil que permitia escravidão em seu ducado também dava preço às pessoas. A seus filhos.

Preço? Como ousa?” – a paciência de NPC estava entrando no ponto de ebulição.

Claro, todos tem seus preço. Outros mais, outros menos – como sua ex-mulher, que foi bem barata”.

Foi o suficiente. Em um movimento rápido, Norman pegou uma de suas facas no avental e a arremessou em direção ao Duque.

Errou por metros.

Os guardas sacaram as espadas e foram na direção do cozinheiro, mas o Duque os interrompeu. Haviam duas pessoas com raiva naquele momento.

Como ousa atacar o Duque?”, bradou.

Sou cozinheiro, sei lidar com animais que merecem ser abatidos. Duque? Você não passa de um porco que escapou de entrar no forno”.

Cordas das bestas se retesaram, mas o fidalgo orgulhoso viu a oportunidade de se divertir naquela tarde:

Quer brigar, cozinheiro? Pois bem, eu e você então, pela liberdade de seus filhos”.

Não precisou falar duas vezes. Enquanto o Duque desembainhava sua longa espada, cravejada de jóias e outros rococós que provavelmente custavam mais que toda Trás-dos-Montes (com Senhora e brincos inclusos), Norman partiu para cima do tirano com tudo o que tinha: um cutelo, uma tampa de panela e muita, mas muita raiva.

Surpreso, o porco mal teve tempo de evitar uma cutelada, que quase arrancou sua cabeça. A resposta, no entanto, veio de alguém que havia treinado esgrima com os melhores espadachins da região: a lâmina atravessou tampa de panela, avental e carne, perfurando órgãos de um cozinheiro que movia por puro ódio.

Gritos de Macy, flechas de Adrian.

E agora, cozinheiro?”

Puxando a lâmina pra dentro de seu corpo, Norman trouxe o Duque perto o suficiente. Dessa vez seu cutelo foi de baixo pra cima, arrancando um pedaço da orelha do fidalgo, que, pela expressão em sua cara, não via seus próprio sangue há tempos.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!”.

Enquanto Norman caía, envolto em dor e sem forças para manter seus olhos abertos, ele ouvia passos a todo seu redor. O tempo passava vagoroso, e seu corpo te passava um misto de sensações: dor, pequenas mãos o tocando, dor, alguém o carregando, dor, gritos, som de teletransporte, dor, mais gritos.

E escuridão.

(…)

Hoje qualquer viajante que vá até Builassa vê uma lápide do lado de fora da cidade. Não há nenhum nome ou escrito na pedra, mas sim uma panela, entalhada na superfície – símbolo incomum em objetos do tipo.

Se o viajante ficar na área tempo o suficiente, ele verá que um burrico sempre pasta por aquele local, tentando morder qualquer um que aparente não respeitar o monumento.

Orcha CC

Artist: Nobuteru Yūki

Chico’s Guide to D&D classes

18/08/2018

Some weeks ago I wrote a short guide to the D&D classes for my friends who were going to play RPG for the first time. It was something in between an invitation for them to read more about the game, and a reference manual for those who were lacking time.

Since all of them picked a class, and I got some nice comments about it, I felt it was quite successfull. Therefore, I decided to post it here, sharing my thoughts and opinions with you all:

Hello dear friends and volleyballers!

As I wrote to you earlier, I am here to help you choose your character :)

My point here is not make a literature review about styles, characterization and roles, but give a brief introduction to the available D&D classes. This might help those of you who are short on time to make a choice, and, perhaps, stimulate others to do research on your own! To help you with that, I will also add some useful links. Check them if you want, but unless Alex says it’s a must, I wouldn’t say it’s required.

So, before I actually start talking about classes, I will highlight a very important thing: This is Chico’s view on D&D classes. Thus, it’s  non official, non recognized by the community and probably labeled as heretic by some hardcore gamers… Still,  I hope it can be useful for you :)

.

BARBARIAN

Think on Conan.

And now, please picture him: few clothes, loads of muscles, broad ‘n sharp sword, enemies being cut like butter…

The Barbarian is the most brutal class in Dungeons and Dragons, and I do not use this word in vain…

Yet, besides strength, they also have some very nice traits!

Inspired by the Viking berserkers, Barbarians can enter on rage to receive special powers, pursuing their hunger for… something (which you decide!)

Being raisen far from cities, they can be a very nice source of roleplaying, especially in an environment which requires finesse and etiquette. Lots of fun :D

This doesn’t mean Barbarian are stupid guys, but they have their own tribal traditions and views of the world: the Goldmoon character in the Dragonlance chronicles is a perfect example on this.

Short guide: https://merricb.com/2018/02/13/playing-a-first-level-barbarian/

Very complete guide – http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?389546-I-ll-NEVER-Die!-(A-Guide-to-the-5E-Barbarian)

.

BARD

I always like to imagine bards as Cacofonix (from Asterix).

It’s not like they all sing badly and scare other people, but it’s to show how different they are, and how uncanny their powers can be.

For those who haven’t read Uderzo and Goscinny’s books: it rains everytime Cacofonix sings… (definitely a protest from the Gods).

Bards are great classes for those who enjoy being diplomats, scoundrels or – why not – musicians.

They have lots of Charisma, and few tricks under their cuffs which can be very useful. Considering the 5.0 edition of D&D, I simply LOVE the Vicious Mockery attack: You make a joke of an enemy and it gets disadvantage on his/her next attack roll!! Hahahaha

Bards are usually good on skills and some type of spells, so I would say it’s a quite flexible type of class.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-bard-in-dd/

Very complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?427508-Player-s-Gonna-Play-A-Bard-s-Guide

.

CLERIC

You might not want to follow the celibate life of a catholic priest, but clerics in D&D are actually very interesting, since they have a wide range of deities to pick, including Gods of Luck, War, Light, Forests and so on (check with Alex about different gods in his own scenario). Differently from other spellcasters, Clerics use divine spells, since their gods provide their magic, based on their faith.

Think on holy symbols. Think on a class which can have very powerfull spells and still wear a fucking huge armour.

Think on the inquisition if you like…

Until very recently I wasn’t fond of clerics, but I decided to have a cleric character in my first 5.0 campaign, and I had a lot of fun with him.

They can be very useful in the parties, healing allies, blessing their comrades and giving more damage to undead creatures.

Besides, it can be a great opportunity to annoy your friends to pray with you, or shout a God’s name in the most odd opportunities.

Believe me, do not think clerics are dull!

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-cleric-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?374604-The-Devout-and-the-Dead-a-guide-to-Clerics

.

DRUID

My current class in a RPG campaign I’m playing, and one of my favourites classes in D&D.

Think on those old chaps with long beards and hippie tattoos on their body… Druids are directly related to nature, and while they might see a panther killing a deer as something trivial, they probably don’t think the same about that lumberjack who is cutting down that old oak.

In fact, the oak is called George, and they know each other for more than 30 years now. I hope the lumberjack can run very fast…

Druids have nature-theme spells (like controlling plants, talking to animals, charming beasts), and a very special and nice ability: they can transform themselves in animals, which can be a very handy ability in several environments (who would look twice at a stray dog around the duke’s castle?), and also, depending on the choices you made, a very deadly combat skill, since you might be able to transform in a brown bear already at level 2.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-druid-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?545558-5e-Druid-Handbook-Dreams-Land-Moon-and-Shepherd&p=22693950#post22693950

.

FIGHTER

A soldier. A mercenary. A knight. A peasant with a sword and a shield…

Everyone can be a fighter, but not many can keep being a fighter for long: that’s the difference between heroes and guards.

Fighters are martial warriors, being able to follow different fighting styles… Do you wanna protect your friends with a long shield? Ok. Do you wanna be a bow master? Ok. Do you wanna use two swords and spin like a helicopter? Go for it.

In fact I have rarely played as a fighter, but they have learned my respect.

Fighters quickly learn to have more than one attack (which is nowadays quite rare for a character in 5.0), being very fierce warriors.

Fighters are usually spellcasters’ best friends: It’s always good to have a reliable person next to you when your strong spells have all been used :P

Think on Boromir of Lord of the Rings, Dwalin in The Hobbit… these dudes know how to put fear in the heart of their enemies!

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-fighter-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?373134-Know-Your-Enemy-A-fighter-s-handbook

.

MONK

Shaolin. Barefeet. Barehands.

One-hit, one man down. Secret knowledge. Ninja. Avatar (bald one). Zen. Moving as fast as lightning.

“Don’t worry, I do not carry any weapon with me :D”

Monks are martial artists inspired by asian traditions of kung fu and other martial arts.

They either use no weapons or those wierd ones which Western-people naturally fail into mastering.

There are different monastic traditions in D&D 5.0, broadening the monk options, giving them a short (but interesting) range of spells to use, besides kicking, punching, elbowing and kneeing enemies. They use their “Ki” to use these abilities, so you can randomly shout IT’S OVER 9000!!! while playing, and at least your friends who have watched Dragon Ball Z will laugh.

Your enemies probably won’t, because a fucking monk can use a Ki to attack 3 or more times in a row.

It hurts.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-monk-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?430328-The-Good-the-Bad-and-the-Monk-a-5e-Monk-guide

.

PALADIN

Now that I have stopped to think about it, in my 15 years experience playing D&D, I have never played as a Paladin!

I simple dislike their concept and overpower skills, but I will do my best to not be (much) biased here.

So, do you remember the cleric?

Paladins are similar, but instead of praying and using spells, they pray and smash enemies.

Paladins are earth representatives of the gods, “following their will and guidance”.

My favourite paladin is Miko Miyazaki, of the great Order of the Stick series. She was so blindly certain about her god’s will that suddenly she turned into a villain (perhaps now it’s the best time to think on the inquisition…)…

Ok, fuck, I am biased.

But hey, if the concept is appealing to you, do some research about it :D

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-paladin-in-dd/

Complete guide: http://www.enworld.org/forum/showthread.php?468742-GUIDE-Oathbound-The-Paladin-Guide

.

RANGER

Aragorn. Strider. Elessar. Estel. Thorongil.

As any Tolkien fan can notice, Aragorn is a great example of a ranger: skillfull fighters who can use melee and range weapons to damage enemies, besides knowing enough about the environment to be able to track hobbits in a warzone. Yep, they have my respect.

Moreover, in D&D you will be also able to use some spells, nature-themed ones.

Although I have played as a ranger several times in the past editions, I haven’t played or played with one in the 5th, so I don’t know much about it now.

Rangers are my favourite class though, I like the idea of being able to cut someone with my sword, shoot it with my arrow or just calling for my wolf to bite its ankles.

Rangers are usually protectors, related to some area or habitant.

Why did you started an adventure life? Check the last paragraphs of this text.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-ranger-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?374666-Not-All-Who-Wander-are-Lost-A-Ranger-s-Guide

.

ROGUE

The rogue is usually the jack-of-all-trades of the party, with his/her broad range of non-combat skills, particularly those which only the rogue can have, such as finding traps, picklocking or pickpocketing. A bunch of strong lads is useful, but you know, without Bilbo Baggins Smaug would never been defeated.

And sneak attack… Oh yeah babe, sneak attack is sweet.

You might be short, very thin or as strong as a child, but you know where to hit: kick the balls, stick it in the eyes, stab the liver.

Artemis Entreri from the Drizzt series is a great (and scary) example of a rogue as well.

You can be the nice kind of rogue… and you can be Artemis Entreri.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-rogue-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?395706-Person_Man%92s-5E-Rogue-Guide

.

SORCERER

Some spellcasters receive their powers from the gods, others from spirits, others from books…

Not you. You inherited it from your bloodline [Insert kickass character background here].

Sorcerers have fewers spells options to use, but they are able to change/boost their effects, which can be very handy.

As with happens with other spellcasters, they are usually not the ones in the first row of a battle, but they are the one who can throw a fucking Fireball out of their hands, so no reason to see them as cowards. People usually see them as friends, because it’s better to befriend a sorcerer than be a future pile of ash.

Besides, since Sorcerers rely on Charisma, they can be very sympathetic.

I always enjoy roleyplaying sorcerers, and, as the bard, they can be very good diplomats (and scoundrels).

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-sorcerer-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?377491-Guides-Tables-and-other-useful-tools-for-5E-D-amp-D

.

WARLOCK

And here I found another class that I have never tried.

Warlocks are spellcasters who have their ability due to do some pact with spirits… yes, it sounds evil and there are great chances of actually being evil, but not necessarily. There are good spirits too, and as it happens with the sorcerer, this class is great to explore you character’s background.

They have access to some wicked spells. I once had a warlock in my party which could heal himself everytime he killed an enemy. Creepy…

I know I’m not being very useful here, so please take a look at one of these if you feel interested:

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-warlock-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?485736-Selling-your-Soul-at-a-Premium-The-Warlock-s-Guide-to-Power

.

WIZARD

Last but not least: Wizards!!!

Perhaps the closest we have to PhD students in D&D: the nerdy folks who spent hours everyday reading their books and doing research.

What do they research? The boundaries of time and space, the own nature of reality…

Wizards can use all sort of spells, thus being very diverse in their powers (D&D has hundreds of spell options. My advice: do not pick this class if you don’t want to do some research to prepare your character). You can make illusions, conjure magical beings, put people to sleep, send magic missiles, create light…  Your only restriction is your amount of spells/per day, and your low amount of hit points. As I said before, wizards are quite often best friends to fighters.

Think on Dumbledore, think on Merlin.

Think about the possibility of having magical solutions for problems which seem unsolveable (and lack solutions for other kind of problems, such as swimming to the other side of a river, for example :P).

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-wizard-in-dd/

Complete guide: http://www.enworld.org/forum/showthread.php?450158-Treantmonk-s-Guide-to-Wizards-5e

Regardless of the class you pick, think on this: why did your character follow his/her career?

Did he/she have the option to choose, or  was it imposed upon him/her?

Why did it happen?

That’s it folks, I hope you enjoyed Chico’s guide to D&D classes.
I actually enjoyed myself writing this, I will post it in my RPG blog :)

See you guys on Monday,

Chico

D&D classes - Caverna do Dragão

Who do you wanna be? Source: 9GAG.com

Um comum entre heróis

22/07/2018

(English below)

Há algumas semanas combinei de jogar RPG com alguns amigos na Holanda. Eram minhas últimas semanas no país, e há tempos eu queria rolar uns dados com meus camaradas. Com exceção de um deles, todos os outros nunca haviam jogado meu hobby favorito, e era nossa oportunidade de criarmos algumas histórias juntos.

Nosso amigo veterano se propôs a narrar Dungeons e Dragons pra gente, logo eu e meus outros colegas assumimos o papel de jogadores. No entanto, no dia que nos reunímos pra criar nossas fichas, o que poderia ser mais uma mini-campanha transformou-se em um desafio inesperado. Nosso mestre pediu pra rolarmos os dados para os atributos, e eu, fazendo jus às minhas características inatas de pé-frio, obtive a seguinte rolagem:

5; 7; 8; 9; 9 e 10.

Para aqueles que não estão familiarizados com o D&D, o valor padrão de um humano comum é 10. Um 12 representaria alguém treinado para algo, 14 alguém MUITO bom em algo, 16 um mestre nesse algo, 18 alguém sobre-humano, e 20 algo único. Mas não, entre todos meus atributos, o meu melhor era um 10. Ou seja: o melhor do meu personagem equivaleria ao humano mais ordinário e medíocre.

Após o natural acesso de riso entre todos nós (eu incluso), olhei para o mestre e ele respondeu: “Good luck with that”.

E assim começou uma das campanhas mais incomuns que já joguei, que compartilharei aqui com vocês, em 2 posts.

Um comum entre heróis

Uma das premissas básicas que sempre tive ao analisar Dungeons & Dragons, fora a importância de ter um equilibrio entre os personagens dos jogadores. Uma diferença entre níveis de poder é quase que inevitável, mas todo personagem deveria ser capaz de contribuir no resultado final – várias engrenagens que rodam uma máquina.

download

Dito isso, como lidar com um personagem que era EXCEPCIONALMENTE mais fraco que todos os outros? Meus amigos, não sendo marcados pela marca da má sorte como eu, obtiveram rolagens entre 10 e 18, criando os típicos heróis em que o jogo se sustenta. A pergunta era: como que meu personagem poderia participar de um grupo desses?

Meu primeiro pensamento foi de como burlar esse problema. Pedi ajuda aos meus amigos brasileiros que estão habituados a jogar D&D, e recebi alguns conselhos úteis: “Jogue de druida da Lua, a forma animal vai te possibilitar usar os atributos das bestas, e não os seus, que são ridículos”, e também: “Jogue como clérigo, fique dando bônus e curando seus aliados, pelo menos você vai ser útil e vai ganhar a simpatia deles”.

Por outro lado, apesar de de estatisticamente muito valiosos, esses conselhos iam contra o que eu havia pensado pros meu personagem. Nas 2 únicas campanhas de D&D 5.0 que joguei, meus personagens eram justamente clérigo (grande Terjon) e druida (querido Freixo), e eu não queria repetir essas escolhas. Além disso, fazia sentido eu escolher uma classe simplesmente pensando em como otimizar meu personagem? Não seria essa uma atitude Munchkin que orgulhasamente criticamos?

Sim, meu caminho deveria ser outro. Matematicamente suicida, romanticamente improvável, mas “jogadoramente” promissor. Resolvi seguir o conselho de outro amigo meu: “Olha, com essa rolagem seu personagem daria um ótimo cara comum: provavelmente um mendigo, com sorte um fazendeiro”.

Realmente. E porque não?

Daí nasceu o conceito de Norman, meu personagem cozinheiro. Sua classe era justamente um “commoner”, ou seja, “sem classe”, alinhado à uma das piadas que ouvi quando rolei os dados: “Hey, you could be a NPC (Non-Player Character)”.

De fato, o nome completo de meu personagem era Norman Peewie Chariott. Mestre Cuca. Mestre NPC.

Esse foi só o começo. Empolgados com a ideia, meu amigo Quinten e eu começamos a pensar juntos no porquê meu personagem resolveria seguir a vida de aventura. Considerando 5 de inteligência, não precisava ser nenhum motivo muito brilhante…

Após muitas risadas, decidimos que Norman era um cozinheiro que viu sua esposa fugir com seus 2 filhos para viver com o duque do reino. Traído e abandonado, Mestre NPC queria provar ao mundo (e a si mesmo) que era capaz de grandes feitos, com sorte convencendo aqueles que o deixaram pra trás à voltar ao seu lado. Acompanhado de Jack, um burro teimoso; e sua taverna mágica (inspirada no item Daern’s Instant Fortress), Norman acabou conhecendo um grupo de aventureiros, e, por graça do destino, juntou-se a eles.

Jogamos 4 sessões juntos. Imagino que minhas impressões seriam diferentes em uma campanha longa, mas mesmo assim acho pertinente compartilhar minha vivência aqui:

Eu nunca me senti tão tranquilo jogando Dungeons e Dragons. Jogar D&D até então sempre teve pra mim uma carga de cálculos de quantos goblins eu poderia derrubar; de como eu poderia ajudar meus companheiros; ou até de como eu poderia atrapalhar meus companheiros… resumindo: de como eu poderia ser útil.

Não dessa vez.

Peasant RPG

O cara errado, na hora errada, e no lugar errado. Mas… é realmente só isso?

Em nenhum momento tive essa preocupação jogando com o Norman. Eu sabia que ele era inútil, e simplesmente lidei com isso. Era como ser um Doutor em Física num baile funk. Você até pode participar de alguma forma, mas sua contribuição vai ser frequentemente alvo de escárnio, e você invariavelmente vai estar deslocado.

E Norman Peewie Chariott sempre foi um estranho fora do ninho. Enquanto o bárbaro Jakar conseguiu dar 30 pontos de dano no nosso primeiro combate, matando um homem-lagarto que ameaçava Adrian, o ranger da equipe, Norman se esforçava ao máximo para estocar a cabeça de um dos lagartos menores com sua peixeira, defendendo o ranger com a tampa de uma panela (seu escudo). Enquanto Gavmav, o mago da equipe, era capaz de remendar objetos quebrados com o estalar dos dedos, e alterar sua aparência ao seu bel prazer, Norman era capaz de fazer um guisado saboroso.

Apesar dessa diferença brutal de capacidades, Norman sempre ganhava os holofotes quando ele conseguia fazer algo. Afinal, a falha era o padrão desse personagem (lembrando que meu melhor atributo era + 0). De fato, talvez poucas vezes eu tenha me sentido tão orgulhoso quanto senti na ocasião que Norman conseguiu manipular um contato do duque, arranjando uma oportunidade do cozinheiro encontrar o atual consorte de sua ex-mulher.

“Mas como?”, você pode se perguntar, muito razoavelmente. O fato é que Mestre NPC possuía bônus quando realizava uma interação social com um personagem que comeu sua comida, e após oferecer uma janta a esse contato em específico, consegui convencê-lo a fazer esse favor à Norman, usando esse bônus e o talento “Lucky” para alcançar o feito.

Todos na mesa vibraram como se fosse a queda de um dragão.

Nossa última sessão de RPG foi bem especial. À parte a toda a emoção da despedida real entre Chico e seus amigos de mestrado (e deixo à imaginação de vocês o que essa carga emocional representa), também era a despedida entre Norman e seus companheiros de aventuras.

Quando finalmente chegou o dia da audiência do duque com o cozinheiro, todos na mesa estavam ansiosos e curiosos pra ver o que aconteceria. Antes do encontro tive a consideração de deixar Jack (o burrico) aos cuidados de meus amigos, me despedindo de cada um deles. Jogador e personagem se misturavam ali.

Caminhei até o círculo mágico que levaria Norman até o castelo, e fui surpreendido quando um de meus amigos falou: “Eu vou também”.

Era Adrian, o ranger da equipe.

Norman tentara dissiduádi-lo da ideia, afinal a terrível reputação do duque era conhecida por todo reino. No entanto, o elfo não esquecera a bravura (inútil, mas ainda assim insistente) do cozinheiro ao defendê-lo dos lagartos, e nem a suas diversas tentativas de ajudá-lo (também sem sucesso, como não poderia ser diferente) na sua missão de liberar os elfos que eram escravos no reino.

Aquilo foi tão inesperado, que confesso que fiquei sem palavras por um tempo. Aquele era o momento ideal para Norman se despedir, tanto na narrativa quanto na história pessoal do personagem.

“Você me ajudou antes, é minha vez de retribuir”.

Havia algo mais ali, além do que os olhos podiam ver…
Meu amigo estava me lembrando do Por que eu Jogo RPG.

Convido-os a aguardarem o próximo post da série, que será a história de Norman Peewie Chariott, novo tomo da Biblioteca de Heróis do Aventurando-se.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

thumbnail_IMG_20180724_233751

“Dados brancos com números pretos: tão comum quanto Norman era. Achei que seria um presente de despedida apropriado” – Obrigado Quinten :)

Some weeks ago I finally managed to gather some friends to play RPG in the Netherlands. It was the ending of my period in the country, and for already quite some time I was willing to roll some dice with my mates. All but one were newbies in the RPG world, and it was our opportunity to create and live a story together.

Our veteran friend agreed to be the Dungeon Masters in a D&D campaing, thus everyone else, including me, would take the role of players. In the day we met to create our character sheets though, what could be only one more short experience turned to be an unexpected challenge. Our DM asked us to roll the dice for attributes, and I, honouring my renowned lack of luck, got the following values:

5; 7; 8; 9; 9 e 10.

For those who are not familiar with D&D, the average value of a common human is 10. A 12 would represent someone who has been trained in something, 14 someone who is VERY good in this something, 16 a master, 18 someone above the human level and 20 something unique. But no, not with me. Among all my attributes, my best result was 10. Therefore, the best of my character would match the most average and colourless human.

After we all laughed our asses off (me included), I looked to the DM and he said: “Good luck with that”.

And then one of the most uncommon campaigns I’ve played started, which I will share with you guys, in 2 posts.

A commoner among heroes

One of the foundation stones I’ve always considered when analysing Dungeons & Dragons, was the importance of a balance between players’ characters. A power difference is almost unevitable, but all characters should be able to contribute in the final result – cogs and gear which run a machine.

download

That said, how should I deal with a character who was EXCEPTIONNALY weaker than all the others? My friends, not being cursed with the mark of bad luck (like I’ve been), got normal values for their attributes, ranging between 10 and 18: typical heroes in which the game is based upon. Here is the issue: How could my character participate in such a grup?

My first thought was how to overcome this. I right away asked my Brazilian friends who are D&D enthusiasts, and got the following advices: “Play as a Druid of the circle of the Moon, the wildshape ability will allow you to use the attributes of the beasts, and not the ones you rolled, since they are ridiculous”, and also: “Play as a cleric, keep buffing and healing your allies, at least you will be useful and will get their sympathy”.

On the other hand, although statiscally valuable, these advices went against what I have earlier thought for my character. In the 2 opportunities I’ve been part of a D&D 5.0 campaign, I was exactly a cleric (all hail Terjon) and druid (dear Freixo), and I didn’t want to play with the same classes again. Besides, did it make sense to choose a class just taking into account how to optimize my character? Wasn’t that a Munchkin attitude that we are proudly against in the blog?

Yes, I wanted something different. Even if it was suicidal in mathematical thinking, and a lost cause in a romantic perspective, I pursued something that excited me. I decided to follow an advice of a friend of mine: “Well, with these rolls your character would be a great commoner: probably a beggar, with luck a farmer”.

Indeed. And why not?

The concept of Norman was drafted on that. He was actually a classless character, a commoner. A chef, to be precise. As my friends joked after they saw my dice results: “Hey, you could be a NPC (Non-Player Character)”.

Yep. My character’s name was Norman Peewie Chariot. Master chef. Master NPC.

This was just the beginning, of course. Excited about the idea, my friend Quinten and I started to think together on the reason my character would pursue an adventure life. Considering he had 5 of intelligence, it didn’t need a very smart motive…

After laughing a lot, we decided Norman was a chef who saw his wife ran away with their 2 children to live with the duke who ran the kingdom. Betrayed and left alone, Master NPC wanted to prove the world (and himself) that he was capable of great deeds, luckily also convincing those who left him behind to return to his side. Followed by Jack, a stubborn donkey; and his magic tavern (inspired by the Daern’s Instant Fortress item), Norman ended up meeting a group of adventurers, and, by chance, joined them.

We played 4 sessions togheter. I believe my impressions would be different in a longer campaign, but still I think is significant to share my experience here:

I’ve never felt so at ease playing Dungeons and Dragons. Playing D&D always meant to me a bunch of math on how many goblins I could kill; on how I could help my group; or even how I could mess with them… but still, I always wanted to be useful.

Not this time.

Peasant RPG

The wrong guy, at the wrong time and the wrong place. But… is this all?

I haven’t had this goal at all while playing with Norman. I knew he was useless, and I simply accepted that. It was like being a British PhD student in a carnival party in Brazil. You don’t know how to dance, your pale skin basically reflects all the sunlight and the locals just keep staring at you.

Norman Peewie Chariott was always an odd man out. While Jakar the barbarian managed to deal 30 fucking points of damage in our first combat, killing the lizardman who was threatning Adrian, the ranger of the group, Norman was doing his best to stab the head of one of the minor lizards with his meat cleaver, defending the ranger with a pan’s lid (his shield). Whilst Gavmav, the wizard of the group was able to mend broken objects by just snatching his fingers, and also change his appearence as he wished, Norman was able to make a tasty soup.

Despite all these striking power differences, Norman was always at the spotlight when he managed to do something. After all, everyone was used to him failing (just to remember – my higher attribute provided me with + 0 in my dice rolls). In fact, I’ve rarely felt as proud as I had felt when Norman managed to manipulate on of the duke’s contact in a city to arrange a meeting between them. “But how?”, you may ask, very reasonably. The fact is that Master NPC had a bonus when carrying out a social interaction with people whom had tried his food, and after offering a dinner for this important guy, I managed to convince him to make a favour to Norman, using this bonus and the Lucky feat to succeed.

Everyone at the table cheered as if they were watching a dragon being slayed.

Our last RPG session was very special. Despite the emotions beneath the real farewell between Chico and his friends (and you are invited to figure what this means by yourself), it was also the farewell between Norman and his adventuring mates.

When the day of the meeting between the duke and the chef finally arrived, everyone in the table was ansious and curious to see what would happen. Before the meeting I left Jack (the donkey) with my friends, saying goodbye to each one of them. The borders between player and character were blurred at that moment.

I walked in the direction of the magic circle which would take Norman to the castle, and suddenly I was surprised to hear one of my friends shouting: “I’m going too”.

It was Adrian, the ranger.

Norman tried to change his mind, after all the duke’s terrible reputation was renowned all over the kingdom. Yet, the elf didn’t forget the chef’s bravery (useless, but still there) when defending him of the lizards, and also the several times Norman tried to help him on his quest to free some elvish slaves (also without success – as it couldn’t be different).

That was so unexpected to me, that I admit I was speechless for some time. It was the ideal moment to Norman to say goodbye, considering not only the storyline, but also the background of the character.

“You helped me before, now it’s my time to aid you”.

There was something else there, beyond what the naked eye could see…

My friend was reminding me Why I Play RPG.

I invite you to wait for the next post of the this series, in which I will tell the story of Norman Peewie Chariott, making a new tome for the Library of Heroes, here at the Aventurando-se blog.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

thumbnail_IMG_20180724_233751

“White and black dice: as common as Norman ever was. I thought it would be an appropriate farewell gift” – Thanks a lot Quinten :)