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O folclore brasileiro e o RPG

01/10/2017

Quem “é das antigas” do RPG no Brasil provavelmente lembra do lendário Desafio dos Bandeirantes, RPG criado em 1992 por Carlos Klimick, Luiz Eduardo Ricon e Flávio Andrade, e tema de diversas edições da também lendária Dragão Brasil (que ressurgiu a pouco tempo e merece um post a parte, em outro momento).

desafio dos bandeirantes

Esse RPG explorava o cenário da fantástica Terra de Santa Cruz, com os mitos e lendas do folclore brasileiro, onde os personagens encarnavam bandeirantes, quilombolas, indígenas e missionários.

 

O jogo foi pioneiro em explorar o folclore nacional, mas, assim como praticamente todos os jogos da época (MERP, AD&D e GURPS), utilizava um sistema carregado de tabelas e mil detalhes e complexidades. Pessoalmente, jogá-lo hoje em dia realmente envolve uma tarefa digna do nome da obra: um desafio.

Dois anos atrás, no World RPG Fest 2015, tive a oportunidade de jogar um outro jogo embebido no nosso folclore nacional, um hack de Apocalypse Word que bebeu muito da fonte do Desafio dos Bandeirantes. Estou falando do Sertão Bravio do meu amigo João Pedro Torres, que já mencionei em outro post aqui no blog. O safado do Jão, até onde eu saiba, ainda não publicou o jogo, mas vou aproveitar a oportunidade pra cutuca-lo pra escrever sobre o jogo aqui no blog: Mago Manco, eu o conjuro!

Sertão Bravio

Saindo um pouco do universo do RPG, mais recentemente tenho observado um movimento muito legal de artistas nacionais de valorizar a nossa cultura tupiniquim, explorando o folclore dos povos que viviam aqui antes do Brasil ser Brasil. Fui tragado a esse coletivo pela incrível arte do Anderson Awvas, que tem um vasto repertório de ilustrações.

Depois desse primeiro contato, passei a seguir a página do Mil Mameluco no fb (que também recomendo muito), e daí  fui pesquisando sobre o que tínhamos de literatura recente disponível sobre o tema. Um dos livros que apareceu na minha pesquisa foi A Bandeira do Elefante e da Arara, uma série de aventuras voltada ao público infanto-juvenil:

A Bandeira do Elefante e da Arara é uma série internacionalmente premiada de fantasia brasileira. As histórias contam as aventuras do holandês Gerard van Oost e do iorubano Oludara, uma dupla de heróis que se encontram em Salvador no século XVI. No Brasil, as histórias e quadrinhos estão sendo adotados por escolas de vários estados.

Aparentemente o autor – que por si só já é um elemento incomum, por ser um norte-americano que trabalha a mitologia brasileira, fez um extenso trabalho consultando o que havia de material disponível a respeito do nosso folclore, enriquecendo a obra com esse elementos fantásticos nacionais.

E vejam, não estou fazendo alusão a nenhum sentimento nacionalista bobo aqui. Devido a minha profissão e trajetória de vida, já tive a experiência de explorar tanto a mata atlântica no sudeste brasileiro quanto as florestas boreais no norte da Finlândia e as montanhas no norte do País de Gales. Acreditem, estar no escuro em um lugar que nunca está silencioso, com mil barulhos, cheiros e pequenas luzes é muito mais assustador (e instigante) que estar numa paisagem toda branca ou em uma montanha com meia dúzia de espécies de animais, sendo que nenhum é realmente perigoso. O que quero dizer é: é um desperdício lermos apenas sobre o folclore nórdico/greco-romano/celta. Esses folk lores são ótimos, mas temos também um incrível exemplo na porta da nossa casa.

Talvez minha experiência seja diferente de muitos piás de prédio que existem por aí, mas cresci no interior, e correr de cascavel, ficar com medo de jaguatirica, ver a crina dos cavalos com nós feitos pelo Saci e ouvir sobre o Curupira fizeram parte da minha infância.

Pois bem, voltando ao RPG, uma coincidência muito legal aconteceu nas últimas semanas, quando recebi o contato da equipe da Bandeira do Elefante e da Arara. O autor do livro, Christopher Kastensmidt, acabou de escrever um RPG baseado na sua obra, com o mesmo nome! O projeto recebeu apoio do governo brasileiro e de um banco holandês, e será publicado pela Devir agora em novembro de 2017.

bea

Conversei com o rapaz que entrou em contato comigo, e tive acesso a um pouco desse RPG. Assim como o livro, que é uma introdução à leitura e ao próprio folclore nacional, a proposta do jogo de interpretação de papéis é semelhante, com um sistema simples onde os personagens aprendem habilidades,  e precisam trabalhar em equipe para solucionar seus conflitos. Em outras palavras, o RPG da Bandeira do Elefante e da Arara vai ser uma bela porta de entrada para a criançada entrar no universo dos jogos de interpretação, ainda mais levando em consideração que o governo brasileiro está patrocinando e aparentemente já há planos de inseri-lo nas escolas.

Massa hein?

De forma coerente à proposta, o livro vai ser lançado em capa dura, com diversas ilustrações iradas, por R$28,00. Ótima maneira de acessar um público grande. Parabéns Ministério da Cultura!

Da minha parte, fiquei bem curioso para ler o livro que originou o RPG e, claro, jogar o próprio. Fico na torcida para que ambos sejam um sucesso.

Um abraço, e melhor correr quando ouvir um barulho de chocalho enquanto tiverem brincando na rua,

Chico Lobo Leal

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A morte no RPG, ou como a história sempre continua…

26/09/2017

Aviso importante e necessário: Este é um post voltado a pessoas maduras. Ele trata de um tema que nem todos se sentem a vontade de conversar. O mais importante aqui, é entender o contexto dele: estamos falando de jogos de RPG, e histórias de fantasia. Se você quer ler sobre a morte e como ela se encaixa nestes meios, continue adiante. Esse post não tem nenhuma intenção de ir além disso.

Já faz tempo que eu queria escrever sobre esse assunto aqui no blog. A morte muitas vezes é um tabu no nosso cotidiano, um assunto que evitamos de tocar, e, de alguma forma, essa característica acaba refletindo nas nossas mesas de jogo. No entanto, durante um playtest do Ágora, o assunto veio a tona e senti que estava na hora de usar o blog para me expressar.

Acredito que, como herança do Dungeons and Dragons, que pra muitos de nós serviu como porta de entrada no mundo dos roleplaying games, o apego ao personagem é algo essencial do jogo. Naturalmente, nós fazemos de tudo para que nosso personagem continue conosco, na ativa. A morte, ou até mesmo a aposentadoria, soam como um tormento na trajetória ilustre dos nossos personagens.

Queremos tirar o máximo possível deles.

Essa atitude pode ser válida para jogos como o D&D, mas, na minha opinião, representa um baita desperdício em outros tipos de jogos, como aqueles de estilo mais narrativo, por exemplo.

Vou dar um exemplo concreto:
Eu, como Anfitrião, nunca matei um herói jogando o Ágora. Sem exceção, todos os personagens que morreram durante o jogo, foram mortos por seus próprios poetas (jogadores), enquanto eles narravam.

Parece estranho, não é? Porque alguém faria isso?

Reflitam comigo por um minuto: vocês já pensaram no impacto de uma morte numa história? Considerem os livros (spoilers de Senhor dos Anéis, Game of Thrones livro 1 e Star Wars a Ameaça Fantasma adiante):

Gandalf perece em Moria, o que acontece? Aragorn é obrigado a assumir o papel de líder, não há mais mágicos na Sociedade do Anel, muitas incertezas surgem.

Ned Stark é decapitado, todo o Norte se revolta, a casa Stark começa a ruir, o jogo dos tronos começa a pender para um lado, e, talvez mais importante, outros personagens começam a brilhar…

Qui-Gon Jinn é morto, Obi-Wan se transforma, Anakin tem um novo mestre.

Lilian e Tiago Potter são assassinados, toda uma história começa…

death

O “Morte” é um dos personagens mais legais no cenário de Discworld, de Terry Pratchett. E se ele influenciar os momentos finais?. Ilustração de Paul Kidby

A lista é longa, mas vou parar por aqui.
Ah, antes que eu me esqueça, e a aposentadoria? Os inimigos do personagem aposentado o esquecerão? Ele conseguirá levar uma vida “normal”? Vejam Kenshin Himura, o Battousai de Samurai X (Rurouni Kenshin) e a resposta surgirá em um instante.

No âmbito pessoal, o que me fez mudar de postura nas mesas de jogo foi jogar o fantástico Classroom Deathmatch. É impossível se apegar a um personagem nesse jogo. E caramba, a experiência das mortes podem ser tão interessantes nele! Nunca esquecerei uma personagem minha, muito emotiva, que se suicidou pela pressão.

De forma semelhante, lembro-me da cena do personagem do meu amigo Flávio, se recusando a cooperar com o inimigo e cortando sua própria garganta para preservar seus ideais e fé.
Visceral. Lindo.

dante

O próprio submundo, inferno, Valhalla ou qualquer outro lugar que seus personagens irem quando forem dessa pra melhor pode servir como pano de fundo para uma aventura interessante! Ilustração do usuário somnium-maris, Deviantart

A vida continua após a morte, de alguma forma: A vida dos outros ao seu redor, e da história que o morto fazia parte. Como o mundo reage a esse acontecimento?

O enterro de Beorn foi uma das cenas mais lindas que presenciei num RPG: jogadores com lágrimas nos olhos, à luz de velas. Ou o enterro de Balin, com o Narrador com a voz embargada…

Em uma de suas cartas, Tolkien comenta que o tema principal do Senhor dos Anéis, na verdade, é a morte. E que livros incríveis surgem desse tema: uma felicidade envolta em mantos de tristeza. Talvez uma própria alegoria da nossa própria vida…

Acho que podemos aprender muito com isso.

Roll the bones, e Don’t fear the reaper,

Chico Lobo Leal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ágora – Versão Playtest 2017

16/08/2017

A origem do Ágora remete ao ano de 2012, quando tive as primeiras ideias de escrever um jogo sobre a Grécia Antiga. Sempre amei o cenário, mas nunca conheci nenhum jogo que realmente me fizesse sentir imerso no mundo helênico clássico (os filmes então, dos mais abomináveis).

No mesmo ano, com pouco material pronto (ou seja, fazendo fichas e escrevendo no ônibus) tive o prazer de fazer um primeiro playtest no World RPG Fest.

O tempo passou, o jogo continuava fisicamente na gaveta (ou no HD do computador, pra ser mais preciso) mas, curiosamente, o projeto nunca saía da minha cabeça. Seus playtests ainda aconteciam ora aqui, ora ali, muitas vezes nos lugares – e países, mais exóticos.

Ano passado, no entanto, tomei vergonha na cara, e nas praias do Arroio do Silva, jurei à Hermes terminar meu jogo. Nestes últimos meses ralei pra dar conta de mestrados e projetos de game design, mas justamente na época que começo, profissionalmente, a entrar na área de jogos (assunto para outro post), consegui finalizar o projeto rebatizado como Ágora. Pelo menos seu primeiro rascunho, uma versão Playtest.

Aproveitei e juntei alguns vizinhos que nunca haviam jogado RPG ou qualquer jogo de storytelling, e realizei o que chamei de “prova final”: um sucesso. Era hora de torná-lo realidade.

“Mas o que é este jogo?”, você deve estar pensando.

O Ágora (assembléia, em grego) é um jogo de contar histórias inspirado na mitologia helênica clássica, utilizando um formato que se baseia tanto em jogos de contar histórias quanto em jogos de RPG. É um jogo onde a narrativa é construída com a participação de cada jogador, compreendidos como poetas, que, literalmente, escreverão sua epopeia.

Quer saber mais?
Explore os links abaixo:

Ágora_Playtest_v1
(38 páginas)
Ficha do Herói, v2
(1 página)
Manuscrito do Poeta
(1 página)

Se você baixou os documentos, leu, e preferencialmente – mas não exclusivamente, jogou o Ágora, eu ficarei imensamente grato de ouvir qualquer sugestão, crítica ou elogio que você tem a dizer.  Só contribuirá para deixar o jogo ainda melhor.

Vocês podem comentar aqui no blog, me escrever no facebook ou enviar um e-mail para: chico.lobo.leal@gmail.com

Grande abraço e roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

Achilles e Ajax

Aquiles e Ajax jogando um jogo, detalhe de um vaso feito por Exekias. 540 – 530 a.C. Gregorian Etruscan Museum, Vaticano.

 

A fantasia, o RPG e os clichês

10/07/2017

Um pouco relacionado ano meu post anterior sobre o valor do “arroz com feijão” no RPG, está na hora de falar sobre os clichês no RPG.

Como ponto de partida, vou reproduzir aqui o excelente mapa de “Clichéa”, de autoria do usuário Sarithus, do Deviantart.

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Art by Sarithus, Deviantart

O mapa chega a ser hilário depois que comparamos as tantas histórias que seguem um padrão semelhante. Vocês sabem do que estou falando: aqueles bárbaros que vivem nas terras do norte, o lorde escuro no escuro trono que comanda as hostes do mal e o “olho do furacão” no meio do mar, que nenhum pirata ousa chegar perto, com exceção dos protagonistas na hora do aperto.

Mas, afinal, o que os clichês representam no RPG?
Uma aposta numa fórmula mágica? A exploração de um cenário já consolidado na nossa mente? Um afago na nossa zona de conforto? Um produto de um dia pouco criativo?

Talvez um pouco de tudo isso, quem sabe.
Mas é corriqueiro ver essa palavra usada numa conotação negativa: “Ah, isso é muito clichê….”

Eu concordo que o uso dos clichês tendem a deixar as experiências repetitivas e, claro, pouco originais. Mas, isso não pode ser utilizado como uma ferramenta interessante na história?

Vou pegar o exemplo aqui do nosso querido drow Drizzt Do’Urden, um dos heróis mais interessantes de Forgotten Realms e, consequentemente, do Dungeons e Dragons.
R. A. Salvatore, o autor por trás do elfo negro já disse em entrevista que sua ideia inicial era utilizar Wulfgar, o bárbaro nórdico como protagonista em um cenário bem “batido” (ou seja, cheio de clichês). No entanto, com o desenrolar da história, o foco dos seus livros mudaram do bárbaro para aquele ser que desafiava o “establishment”.

A própria existência de Drizzt, um bondoso ranger de uma raça das profundezas que sempre foi considerada má (os drows possuem uma sociedade estritamente relacionada a uma desa maligna do cenário), já dava uma boa história. E sua existência, que coloca em xeque todo um conhecimento (preconceito) sobre sua raça, é mais ainda ressaltado quando colocado lado a lado com um cenário que é recheado de clichês, com anões que vivem na montanha e são gananciosos, bárbaros selvagens de olhos e cabelos claros que vivem nas terras nevadas no norte, e por aí vai.

Ou seja, os clichês do cenário acabam ressaltando esse ótimo personagem criado por Salvatore, já que o contraste se intensifica. Tudo funciona como “deveria ser” nesse cenário, mas daí aparece o Drizzt e o mundo fica de cabeça para baixo nas suas convenções e expectativas. Olha só que interessante!

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Drizzt Do’Urden e sua inseparável pantera Guenhwyvar, na capa do livro The Orc King. Ilustração de Todd Lockwood.

Se você nunca leu nenhum livro do Salvatore, recomendo muito a Estilha de Cristal (The Crystal Shard) e demais obras da coletânea. Drizzt é um personagem fenomenal. Tão fenomenal, que hoje em dia a existência de drows bondosos em grupos de D&D já é visto como clichê…

Da mesma forma, tendo clichês como ponto de partida, cenários que fazem um esforço hercúleo para ir no sentido contrário acabam sendo mais interessantes pelo contraste com o “convencional”. Cito aqui o exemplo de Darksun, um cenário muito louco em que os elfos são tudo menos honrados, ao mesmo tempo que os halflings são tão selvagens que muitos exercem canibalismo.

É meus amigos, recheado de clichês ou indo na direção diretamente oposta deles, o cenário é muito importante!

Agora… e os personagens-clichês? Quantos guerreiros com espada e escudo vocês já viram por aí? Até que ponto vocês conseguem diferenciá-los?

É aí que os detalhes fazem diferença meus amigos.
Aquele elemento que vai fazer seu personagem se sobressair do rol dos guerreiros de espada afiada e escudo em formato de V ou O.

O próximo tomo a ser adicionado à Biblioteca de heróis, sobre o famoso Terêncio Torres, talvez meu único guerreiro de espada e escudo, vai retratar um destes exemplos de personagens-clichês que ainda assim tem seu brilho. Assim que o post tiver pronto faço o link aqui neste parágrafo.

Por hora os deixo com uma recomendação de livro e, espero, material para refletir a respeito dos clichês!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

The Gamers, e o valor do arroz com feijão

11/06/2017

Já faz tempo que tenho dificuldade de reunir os amigos pra rolar uns dados e darmos umas risadas. Diferente da adolescência com poucos compromissos e muito tempo livre, a vida adulta cobra um preço caro de um hobby como o RPG.

Soma-se isso à distância física entre os jogadores, que vai de 60 à 10.000 km, e o resultado é bem negativo para um jogo que exige assiduidade e comprometimento de cada jogador.

Nesse cenário funesto, alguns amigos tiveram uma ótima ideia: reunir um conjunto de interessados, criar um grupo no Facebook e jogar em um cenário de exploração, o West Marches, utilizando o D&D 5.0. A proposta é que os grupos sejam montados por iniciativas dos jogadores, assim como a data e a hora, definida por eles.

Não há quatro ou cinco protagonistas, mas diversos personagens que se rearranjam pra jogar quando disponíveis, em um pano de fundo direcionado ao descobrimento e exploração.

Por mais que isso me dê arrepios, já que sempre prefiro explorar a história do cenários e dos próprios personagens, o West Marches tem alimentado uma carência já antiga de jogar um RPG com os amigos e, pra minha surpresa, sua própria proposta de um jogo simples, de decapitar monstros e pegar tesouro, tem me divertido pra caramba. Por mais que limitado, nossos personagens criaram certa sinergia e já temos nossas piadas e chavões.

Utilizamos o excelente Roll20 pra vencer a distância (e até fuso horário), e tem funcionado muito bem. Um arroz com feijão bem temperado.

E falando em arroz com feijão, lembrei hoje de um clássico dos anos 2000, o The Gamers, que tem uma semelhança absurda com meu primeiro grupo de RPG, e ainda hoje me causa risadas histéricas enquanto assisto, reunindo estereótipos, humor e uma dose considerável de avacalhação. Vale muito a pena ver:

E vocês, adultos, como conseguem vencer as barreiras dos compromissos?

Aos adolescentes: aproveitem o tempo livre, ele é escasso no futuro!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

Aprendendo e jogando: RPG e LARP como ferramentas de ensino

09/06/2017

Frequentar eventos de RPG sempre me ajudaram a expandir meus horizontes no hobby. Conheci diversos amigos por causa deles, ousei me aventurar seriamente em game design aproveitando o contexto em que acabei me inserindo e, também, fui estimulado a pensar em outras aplicações para o jogo.

Um destes exemplos é a relação do RPG e a educação, que descobri em 2012, no WRPG Fest em Curitiba, por meio da ótima palestra do Matheus Vieira. A apresentação me marcou muito, pois me mostrou uma faceta do hobby que até então eu tinha ignorado, por mais que eu mesmo tenha sido amplamente beneficiado pela prática do jogo, melhorando minha comunicação, sociabilidade e oratória.

RPG & Educação - Matheus Vieira

O Matheus apresentou seu livro, RPG & Educação – Pensamentos Soltos, e falou da sua experiência em sala de aula, com o “Clube do RPG”, que usava o jogo como ferramente de ensino. Após uma certa desconfiança para com o clube, a escola começou a ver o potencial da iniciativa. Até hoje lembro duma fala dele:

Em certo momento a diretora começou a receitar o Clube do RPG como solução para o mal desempenho dos alunos, vendo o resultado que os membros antigos do clube estavam tendo – “Ah, o Jeremias tá precisando de RPG pra melhorar o comportamento e notas”

Olha que louco isso?

Recomendo a leitura do livro do Matheus, e também da sua tese, pra quem realmente quiser mergulhar no tema.

Depois de um hiato de cinco anos, já em 2017, o uso do RPG nas escolas apareceu de novo pra mim, desta vez por meio do LARP (live-action roleplaying game), em outro caso concreto. Estou falando da Østerskov Efterskole, localizada na cidade de Hobro, na Dinamarca.

A escola usa o LARP como suporte para o ensino de todas as disciplinas. TODAS. A ideia é ensinar de forma lúdica para envolver e estimular os alunos.

A AJ+ montou um vídeo bem explicativo da escola, vale muito a pena conferir: School of Larping

E aqui no Brasil?

Há poucas semanas descobri a ONG Narrativa da Imaginação, com sede em Uberlândia, em Minas Gerais. Infelizmente o site deles não está funcionando, mas a página com o link acima está. A ONG se define como:

Narrativa da imaginação é uma associação para a defesa, promoção e acesso a cultura e educação, de categoria ONG/OSCIP, voltada melhoria na qualidades das relações humana, condições de vida e desenvolvimento pessoal, por meio de RPG, Larp, Cardgames, Boardgames e Swordplay.

Estou mais do que curioso pra acompanhar essa iniciativa, e, com sorte, até visitar o local!

Se assim fizer, podem ter certeza que compartilharei aqui no blog.
E aí, mais alguém tem alguma experiência com RPG no ensino?

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

A recompensa no final da aventura

30/04/2017

The Reward é o título do primeiro vídeo da série Tales of Alethrion, do fantástico Sun Creature Studio. Como o próprio nome sugere, o vídeo aborda, de forma genial, a recompensa no final de uma aventura de RPG.

Já abordamos um pouco o tema em outro post, mas não vou me alongar pra não dar nenhum spoiler. Vale MUITO a pena assistir a obra:


Quantos pedaços de mapas vocês já acharam?

Roll the bones,

Chico Lobo Leal