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A importância dos detalhes

03/12/2018

Ler um bom livro ou assistir um bom filme sempre me inspira a fazer um paralelo com um ato de narrar uma sessão de RPG. Dessa vez não foi diferente com o filme Bohemian Rhapsody, que retrata a trajetória do lendário cantor Freddie Mercury.

Dentre as diversas cenas memoráveis do filme, encantei-me com um singelo detalhe: Enquanto Mercury caminhava disfarçado no corredor de um hospital, um fã já em estado debilitado de saúde o reconhece, e, de forma quase tímida, solta um dos conhecidos “E-ôs” do cantor, famoso por interagir com o público nos shows. Freddie então pára e responde o gesto, também de forma discreta, finalmente caminhando para fora do hospital. A cena se encerra com um close no rosto do rapaz doente, com um sorriso no rosto.

Gostei de muita coisa nesse filme, mas essa cena foi a minha favorita. Achei de uma beleza e sutileza ímpares, mostrando o que Freddie, um herói, representava. Já trabalhei como voluntário em hospital, e eu via a diferença que um sorriso fazia na saúde dos pacientes. Aquele simples “E-ô” moveu montanhas.

Mas estou aqui para falar de RPG, ou seja, de contar histórias. Como pessoa detalhista que sou (meus amigos dizem que é necessário uma lupa pra achar a dica da minha carta no Dixit), eu valorizo muito os pequenos gestos, as mensagens singelas, principalmente as não ditas.

Em outro momento escrevi isso aqui no blog, mas lembro com admiração de um personagem de um amigo meu que sempre botava duas moedas de cobre sobre os olhos daquele que matara. Um sinal de respeito, de crença – um lampejo da personalidade do personagem, da sua essência e sua história.

Outro ótimo exemplo que me recordo é relacionado a um dos meus jogos favoritos da infância, chamado Chrono Cross. Nesse jogo os personagens viajavam por diferentes dimensões, e localidades idênticas tinham características totalmente diferentes, relacionado a acontecimentos que haviam ocorrido em uma dimensão (e não na outra).

A imagem abaixo ilustra o que eu estou tentando dizer:

Termina

Termina Another World (à esquerda), e Termina Home World (à direita) – Chrono Cross

Vejam, eu não preciso explicar toda a história de cada dimensão para que vocês entendam o porquê das versões da cidade de Termina serem tão diferentes uma da outra: as cores, o tipo de estabelecimento e objetos espalhados pelo cenário… tudo dá pistas desse contexto maior. O jogo até poderia apresentar textos grandes contando sobre esse background (e ele eventualmente o faz, em doses homeopáticas), mas ele preferiu investir nos detalhes. Mostrando, não contando*. Mas por que isso me chama tanta a atenção?

Além de revelar diferentes camadas de uma história, esse tipo de abordagem recompensa os jogadores que prestam atenção nos detalhes.

Isso é fantástico!
Sabe por quê?

Porque, muito provavelmente, serão justamente aqueles jogadores que escrevem background e se importam com a história sendo criada coletivamente que prestarão atenção a essas nuâncias, que ouvirão o Mestre descrever as cenas e captarão as sutilezas da narrativa.. São os personagens que colocam moedas nos olhos dos inimigos mortos (afinal, é difícil fazer o mesmo para os inimigos vivos) que se importarão com tal tipo de detalhe.

Uma oportunidade de ouro para o Mestre dar pistas e recompensar os jogadores narrativistas. E, claro, um ótimo lembrete para os Mestres investirem no enriquecemento do cenário, atrelando os detalhes à história do mesmo.

E-ô.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

*Aliás, o famoso recurso narrativo “Show, don’t tell” merece um post à parte aqui no blog.

Concurso faça um monstro para a Wizards of the Coast!

31/10/2018

A Wizards, empresa responsável pelo Dungeons e Dragons, acabou de lançar um concurso em parceria com a Adobe, responsável pelo software de edição de imagem Photoshop. Como o título do post já diz, o concurso desafia os ilustradores e RPGistas a desenharem um novo monstro para o sistema!

A recompensa?
5.000 dólares, uma viagem à sede da Wizards, e a sua obra transformada em uma miniatura oficial do D&D.

Massa né?

Os interessados tem 2 semanas pra fazer a façanha, e o tempo já está correndo.
Se você tem habilidades no photoshop (infelizmente não é o meu caso) e criatividade (isso felizmente não me falta), acesse o hotsite do concurso, e arregaçe suas mangas!

Bom trabalho, e boa sorte!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

Aprendamos com Gandalf

29/10/2018

“- Mas ontem à noite lhe falei sobre Sauron, o Grande, o Senhor do Escuro. Os rumores que ouviu são verdadeiros: ele relmente ressurgiu, deixou seus domínios na Floresta das Trevas e voltou à sua antiga fortaleza na Terra Escura de Mordor. Ate vocês hobbits já ouviram esse nome, como uma sombra rondando os limites das velhas histórias. Sempre, depois de uma derrota e um pausa, a Sombra toma outra forma e cresce novamente.

– Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época – disse Frodo.

– Eu também – disse Gandalf. – Como todos os que vivem nestes tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. E, Frodo, nosso tempo já está começando a ficar negro (…)”.

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, página 52

Gandalf - John Howe

Autor: John Howe

A ficção, o RPG e a política

12/10/2018

Há alguns meses me deparei com um tweet muito interessante do Jeremy Crawford, uma das cabeças por trás da edição 5.0 do Dungeons e Dragons. Fiquei com ele em mente por um tempo, prometendo a mim mesmo escrever sobre o assunto no futuro.

Eis que essa hora chegou:

Jeremy Crawford

“Se um reino em D&D estivesse forçosamente separando crianças de seus pais e as colocando em centros de detenção, os heróis iriam fazer de tudo para reunir essas famílias. Sejamos minimamente tão bons quanto os heróis em D&D. #D&D #Compaixão”

Para aqueles que vivem em uma bolha e não pegaram a referência do tweet, Jeremy estava se referindo à chocante, grotesca e desumana política de “Tolerância Zero” do presidente de seus país.

Eu adorei a manifestação do Sr. Crawford. Primeiramente porque o game designer embasou seu discurso justamente usando nosso hobby como exemplo. E, em segundo lugar, porque no período de ódio em que vivemos, uma manifestação por compaixão é mais do que bem-vinda: é necessária.

Há uma palavra-chave no (pequeno) texto que Jeremy Crawford publicou e eu reproduzi.  Se você acompanha o blog é bem possível que você lembre do meu post recente sobre heróis. Ou até um mais antigo. No entanto, e é importante frisar, eu não estou falando aqui de Son Goku ou Ayrton Senna.

Estou falando de nós mesmos, em roupas diferentes. A proposta (inicial) do RPG, e do pioneiro D&D principalmente, foi sempre reunir amigos para que eles pudessem ser os heróis das histórias: combater os tiranos, os vilões que ameaçavam a paz do reino e destruíam o que havia de bom.

É importante bater nessa tecla, porque não é só nos EUA que um presidente age como um vilão. Aqui também no Brasil, um presidenciável segue a cartilha do horror, criminalizando formas de amor, rebaixando pessoas com mais melanina na pele, e oprimindo nossas mães, irmãs, esposas e filhas.

Indo pelo caminho sugerido pelo Sr. Jeremy Crawford, proponho o seguinte exercício: imaginem seus personagens de RPG em um reino em que o rei ofende as mulheres, afirma que as raças diferentes (como elfos, anões e halflings) são inferiores. Eles ficariam inertes perante tal tirania?

Pensem em Tolkien. POR TUDO QUE VOCÊS CONSIDERAM SAGRADO, PENSEM EM TOLKIEN! (Sim, essa é pra você Sr. Forja-Quente!). Um rei humano que afirmasse que os halflings são inúteis, preguiçosos e gordos; que os ents não deveriam ter seu próprio território, pois são todos vagabundos… isso seria tolerável?

Você imagina o Conselho de Elrond passando pano pra esse tipo de postura? Vocês imaginam um Gandalf “isentão”?

Senhor dos Anéis é uma história que fala de diversidade, que nos ensina sobre o amor. É Gimli reconhecendo que ele poderia morrer ao lado de um elfo, agora amigo:

friendship

Um momento que me emociona até hoje…

É Frodo e Sam se reconfortando após terem completado sua missão sem se preocupar com a possibilidade de um orc linchá-los por “comportamento homossexual”.

E agora faço a seguinte pergunta, muito necessária: Nós estamos aprendendo algo com a fantasia e o RPG? Nós estamos prestando atenção nas histórias que estamos lendo, vendo e vivendo?

Eu não tenho certeza disso.
Pelo visto o esforço do Capitão América de ir até a Alemanha de Hitler e bater nos nazistas é visto como puro exercício ficcional. Não é.

Vou repetir aqui: não é.

COMICS-NAZIS

O intolerante não pode ser tolerado. Leiam Karl Popper.

Se você se identifica com o lado da tirania, com a opressão à liberdade e às minorias, eu lamento por você. Eu lamento saber que você não foi capaz de captar a mensagem que essas histórias que eu citei te passaram, ou mesmo outras que não comentei:

MG

Mas saiba de uma coisa: eu sempre estive ao lado dos hobbits (preguiçosos ou não), ents (lentos ou não), anões (teimosos ou não) e elfos (arrogantes ou não). E sempre, por toda a minha vida, lutarei por eles. Pois tive o privilégio de ler, assistir e vivenciar as histórias mais incríveis, que me ensinaram a respeitar as diferenças e valorizar o que cada um tem de bom.

É com muito orgulho e determinação que brado em alto e bom som:

#ELENÃO

Chico Lobo Leal

 

 

Atributos do D&D explicados com um tomate

27/09/2018

Mais do que acompanhaments para saladas de verão ou matéria-prima de molhos para macarrão, o usuário u/tan620 do Reddit teve a brilhante ideia de usar tomates para explicar os conceitos dos atributos do Dungeons e Dragons:

Força – A capacidade de esmagar um tomate.

Destreza – A habilidade de desviar de um tomate sendo arremessado em você.

Constituição – A capacidade de comer um tomate estragado e não passar mal.

Inteligência – O conhecimento de saber que o tomate é uma fruta.

Sabedoria – A perspicácia de saber que um tomate não deve fazer parte de uma salada de frutas.

Carisma – A habilidade de conseguir vender uma salada de frutas mesmo que a mesma tenha tomates.

Tomato character with shield

Autor: tawhy

 

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

 

Biblioteca de Heróis – Norman Peewie Chariott

24/08/2018

Um pouco de alho amassado, sal, e… por que não? Pimenta.
Afinal, aquele dia era uma data especial. 8 anos juntos, 2 crianças saudáveis, uma casinha de sapê… o que mais Norman podia querer?

Enquanto terminava de temperar o frango, e começava a cortar o quiabo, Norman pensava na sua vida nos últimos anos. Ele trabalhava como cozinheiro na taverna local, e seus guisados e assados (especialmente frango com quiabo), já eram conhecidos em toda região de Trás-dos-Montes. Nada mal para o filho do moleiro, agora conhecido como “Mestre NPC”.

No entanto, e Norman Peewie Chariott não suspeitava disso, sua esposa havia acabado de deixar sua casa, junto com seus dois filhos. Rosalinda partiu ainda de madrugada, enquanto seu marido dormia o sono dos justos. Ela sabia que se continuasse ali sua vida nunca mudaria, e seus filhos teriam, provavelmente, o mesmo padrão de vida dos pais.

E eles teriam que continuar dormindo sobre a palha no chão.

E ela nunca conseguiria ter seus próprios brincos, como a Senhora de Trás-dos-Montes tinha.

E ela teria que continuar fingindo que gostava de frango com quiabo.

Seria difícil explicar sua decisão pra Norman. Na verdade, quase tudo era difícil explicar pra ele…

(…)

Já faziam 6 semanas.

Quando a irmã de Rosalinda contou para Norman que sua esposa o deixara para fazer parte do harém do Duque, tudo o que NPC sentiu foi um vazio.

Por que ela fez isso? A vida deles era tão boa, tão tranquila. Ele não conseguia entender.

Outra coisa que ele não conseguiu entender foi quando um velho viajante lhe deu uma pequena miniatura, no seu último dia na taverna. O ancião de vestes roxas adorou o seu frango com quiabo, e quando NPC contou que ele partiria em viagem para rever seus filhos, o viajante o presenteara com uma pequena casinha, toda colorida: “Isso vai lhe servir mais do que você imagina, filho”.

Como uma minúscula casa de bonecas poderia lhe servir?

Foi somente quando Norman derrubou, sem querer, um pouco de sopa na casinha que ele percebeu.

Até ele conseguia entender o que era magia.

(…)

Barba Branca era o nome dele. Todas as grandes cidades eram administradas por um mago naquele ducado, e Termenite era a cidade mais próxima de Trás-dos-Montes. Norman sabia que ele precisava da ajuda de um mago para poder ter acesso ao castelo do Duque, e era lá que ele tentaria sua sorte.

No entanto, sem ao menos ter a chance de solicitar algum favor à Barba Branca, Mestre NPC pisou nos calos (literalmente) do mago, e, como punição, recebeu a pena de trabalhar na taverna de Termenite até o fim de suas vida. Vendo isso como uma oportunidade de cair nas graças do chefe da cidade, Mestre NPC seguiu à risca o que era esperado dele.

E trabalhou, e temperou, e cozinhou, e trabalhou mais e mais.

Mas o vazio continuava. Norman ainda sonhava com seus filhos: com a risada doce de Macy e o sorriso travesso de Tom. O mestre cuca tinha poucas posses ou bens, e quase tudo que ele produzia era voltado aos seus clientes. Mas seus filhos eram seus filhos, e Rosalinda estava enganada se ela achava que Norman não lutaria para tê-los de volta.

(…)

Foi em uma noite sem luar que um grupo de encrenqueiros apareceu na cidade. Eles bagunçaram toda a taverna, e até invadiram a cozinha – o santuário de Norman. Depois de alguns gritos, cutelos voadores e uma porradaria sem sentido, a trupe pediu ajuda à Mestre NPC. Eles eram prisioneiros de Barba Branca e queriam sair daquela ditadura, de preferência com os elfos que eram utilizados como escravos na cidade (um dos baderneiros, Adrian, também tinha orelhas pontudas).

Era a primeira vez que alguém pedia ajuda à Norman. Normalmente as pessoas o viam como um reles elemento da paisagem, uma espécie de mobília que era tão útil quanto uma cadeira confortável. No entanto, aqueles baderneiros olhavam para NPC de outro jeito: eles esperavam algo dele.

E Norman não iria decepcioná-los.

O cozinheiro uniu-se aos bandoleiros, e, com a ajuda de um gladiador famoso que visitou Termenite, conseguiram fugir do território de Barba Branca (mas, infelizmente, deixando os escravos para trás).

Por indicação do pugilista foram parar em Builassa, cidade de Barba Negra, mago muito mais razoável. Lá os aventureiros (nome que os baderneiros ricos recebiam – os baderneiros pobres eram só baderneiros mesmo) logo caíram na graça do mago, que viu a possibilidade de ter um grupo de capangas fazendo diferentes serviços para ele: cobaias para experiências mágicas; colheita de ervas mágicas em cavernas profundas; coleta de ovos de salamandra.

Nessa última empreitada Norman se viu numa das situações mais bizarras de sua vida: acuado por lagartas que cuspiam fogo, o cozinheiro usava sua tampa de panela para empurrar as criaturas pra longe, enquanto tentava, em vão, espetar a lagartona (que delicioso assado ela daria!) que abocanhava seu amigo elfo. Sangue de animais era algo que o cozinheiro estava acostumado a lidar, mas o sangue de humanos o assustara, e por pouco o seu próprio não se juntou ao de seus colegas, muito mais fortes que eles.

O plano deu certo, no entanto. Mais rápido do que esperavam, os bader… aventureiros caíram nas graças de Barba Negra. Norman, inclusive, ofereceu um jantar pra ele dentro de sua taverna mágica, usando algumas das ervas especiais que eles encontraram nas cavernas.

O resultado?
Barba Negra agora era Barba Verde, assim como todos os cabelos e barbas de seus colegas. Com o clima descontraído, o cozinheiro finalmente deu sua cartada final, e pediu o favor ao mago. Com um misto de insistência, bons argumentos e uma dose caprichada de boa sorte, Norman conseguiu o salvo conduto para uma visita, de 1 hora, ao Duque.

Seria o suficiente.

(…)

Norman planejava uma despedida curta com seus colegas, afinal ele suspeitava que não voltaria a vê-los. Afinal, tudo era passageiro na vida de Norman: seus cozidos, seus clientes, seu (pouco) dinheiro, e, pasmém, até sua família.

No entanto, e Mestre NPC não estava preparado para isso, Adrian, o ranger do grupo, disse que iria ao castelo junto com o cozinheiro: “Você me ajudou antes, é minha vez de retribuir”.

Era a primeira vez que Norman encontrava um amigo em sua vida. Até Jack, o burrico, teimava com NPC, mas o elfo, sem ao menos ser solicitado, estendia a mão para o cozinheiro quando ele mais precisava.

Os dois foram com Barba Verde para um círculo mágico, sendo teletransportados para o grande salão do castelo do Duque, que já o aguardava.

Ah sim, o cozinheiro. Pois bem, o que posso fazer por você?”.

Sua voz era monótona, beirando a impaciência. O descaso recheava as palavras, e os olhos estavam salpicados com desprezo.

Vim aqui para ter meus filhos de volta”.

Risos.

Quem?”

E ali estava ela, Macy. A jovem Macy, a Macy de Norman. A pequena vestia um avental sujo, limpando o chão. A voz de seu pai a atraiu, interrompendo seu trabalho. Um tapa de um dos guardas a colocou de volta à realidade.

O sangua de Norman começou a ferver.

Ah, a faxineira é sua filha? Vai me dizer que você é o ex-marido da rameira que trouxe os fedelhos? Se os quer, pague o preço: Mil peças de ouro cada”.

Preço. Aquele imbecil que permitia escravidão em seu ducado também dava preço às pessoas. A seus filhos.

Preço? Como ousa?” – a paciência de NPC estava entrando no ponto de ebulição.

Claro, todos tem seus preço. Outros mais, outros menos – como sua ex-mulher, que foi bem barata”.

Foi o suficiente. Em um movimento rápido, Norman pegou uma de suas facas no avental e a arremessou em direção ao Duque.

Errou por metros.

Os guardas sacaram as espadas e foram na direção do cozinheiro, mas o Duque os interrompeu. Haviam duas pessoas com raiva naquele momento.

Como ousa atacar o Duque?”, bradou.

Sou cozinheiro, sei lidar com animais que merecem ser abatidos. Duque? Você não passa de um porco que escapou de entrar no forno”.

Cordas das bestas se retesaram, mas o fidalgo orgulhoso viu a oportunidade de se divertir naquela tarde:

Quer brigar, cozinheiro? Pois bem, eu e você então, pela liberdade de seus filhos”.

Não precisou falar duas vezes. Enquanto o Duque desembainhava sua longa espada, cravejada de jóias e outros rococós que provavelmente custavam mais que toda Trás-dos-Montes (com Senhora e brincos inclusos), Norman partiu para cima do tirano com tudo o que tinha: um cutelo, uma tampa de panela e muita, mas muita raiva.

Surpreso, o porco mal teve tempo de evitar uma cutelada, que quase arrancou sua cabeça. A resposta, no entanto, veio de alguém que havia treinado esgrima com os melhores espadachins da região: a lâmina atravessou tampa de panela, avental e carne, perfurando órgãos de um cozinheiro que movia por puro ódio.

Gritos de Macy, flechas de Adrian.

E agora, cozinheiro?”

Puxando a lâmina pra dentro de seu corpo, Norman trouxe o Duque perto o suficiente. Dessa vez seu cutelo foi de baixo pra cima, arrancando um pedaço da orelha do fidalgo, que, pela expressão em sua cara, não via seus próprio sangue há tempos.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!”.

Enquanto Norman caía, envolto em dor e sem forças para manter seus olhos abertos, ele ouvia passos a todo seu redor. O tempo passava vagoroso, e seu corpo te passava um misto de sensações: dor, pequenas mãos o tocando, dor, alguém o carregando, dor, gritos, som de teletransporte, dor, mais gritos.

E escuridão.

(…)

Hoje qualquer viajante que vá até Builassa vê uma lápide do lado de fora da cidade. Não há nenhum nome ou escrito na pedra, mas sim uma panela, entalhada na superfície – símbolo incomum em objetos do tipo.

Se o viajante ficar na área tempo o suficiente, ele verá que um burrico sempre pasta por aquele local, tentando morder qualquer um que aparente não respeitar o monumento.

Orcha CC

Artist: Nobuteru Yūki

Chico’s Guide to D&D classes

18/08/2018

Some weeks ago I wrote a short guide to the D&D classes for my friends who were going to play RPG for the first time. It was something in between an invitation for them to read more about the game, and a reference manual for those who were lacking time.

Since all of them picked a class, and I got some nice comments about it, I felt it was quite successfull. Therefore, I decided to post it here, sharing my thoughts and opinions with you all:

Hello dear friends and volleyballers!

As I wrote to you earlier, I am here to help you choose your character :)

My point here is not make a literature review about styles, characterization and roles, but give a brief introduction to the available D&D classes. This might help those of you who are short on time to make a choice, and, perhaps, stimulate others to do research on your own! To help you with that, I will also add some useful links. Check them if you want, but unless Alex says it’s a must, I wouldn’t say it’s required.

So, before I actually start talking about classes, I will highlight a very important thing: This is Chico’s view on D&D classes. Thus, it’s  non official, non recognized by the community and probably labeled as heretic by some hardcore gamers… Still,  I hope it can be useful for you :)

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BARBARIAN

Think on Conan.

And now, please picture him: few clothes, loads of muscles, broad ‘n sharp sword, enemies being cut like butter…

The Barbarian is the most brutal class in Dungeons and Dragons, and I do not use this word in vain…

Yet, besides strength, they also have some very nice traits!

Inspired by the Viking berserkers, Barbarians can enter on rage to receive special powers, pursuing their hunger for… something (which you decide!)

Being raisen far from cities, they can be a very nice source of roleplaying, especially in an environment which requires finesse and etiquette. Lots of fun :D

This doesn’t mean Barbarian are stupid guys, but they have their own tribal traditions and views of the world: the Goldmoon character in the Dragonlance chronicles is a perfect example on this.

Short guide: https://merricb.com/2018/02/13/playing-a-first-level-barbarian/

Very complete guide – http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?389546-I-ll-NEVER-Die!-(A-Guide-to-the-5E-Barbarian)

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BARD

I always like to imagine bards as Cacofonix (from Asterix).

It’s not like they all sing badly and scare other people, but it’s to show how different they are, and how uncanny their powers can be.

For those who haven’t read Uderzo and Goscinny’s books: it rains everytime Cacofonix sings… (definitely a protest from the Gods).

Bards are great classes for those who enjoy being diplomats, scoundrels or – why not – musicians.

They have lots of Charisma, and few tricks under their cuffs which can be very useful. Considering the 5.0 edition of D&D, I simply LOVE the Vicious Mockery attack: You make a joke of an enemy and it gets disadvantage on his/her next attack roll!! Hahahaha

Bards are usually good on skills and some type of spells, so I would say it’s a quite flexible type of class.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-bard-in-dd/

Very complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?427508-Player-s-Gonna-Play-A-Bard-s-Guide

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CLERIC

You might not want to follow the celibate life of a catholic priest, but clerics in D&D are actually very interesting, since they have a wide range of deities to pick, including Gods of Luck, War, Light, Forests and so on (check with Alex about different gods in his own scenario). Differently from other spellcasters, Clerics use divine spells, since their gods provide their magic, based on their faith.

Think on holy symbols. Think on a class which can have very powerfull spells and still wear a fucking huge armour.

Think on the inquisition if you like…

Until very recently I wasn’t fond of clerics, but I decided to have a cleric character in my first 5.0 campaign, and I had a lot of fun with him.

They can be very useful in the parties, healing allies, blessing their comrades and giving more damage to undead creatures.

Besides, it can be a great opportunity to annoy your friends to pray with you, or shout a God’s name in the most odd opportunities.

Believe me, do not think clerics are dull!

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-cleric-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?374604-The-Devout-and-the-Dead-a-guide-to-Clerics

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DRUID

My current class in a RPG campaign I’m playing, and one of my favourites classes in D&D.

Think on those old chaps with long beards and hippie tattoos on their body… Druids are directly related to nature, and while they might see a panther killing a deer as something trivial, they probably don’t think the same about that lumberjack who is cutting down that old oak.

In fact, the oak is called George, and they know each other for more than 30 years now. I hope the lumberjack can run very fast…

Druids have nature-theme spells (like controlling plants, talking to animals, charming beasts), and a very special and nice ability: they can transform themselves in animals, which can be a very handy ability in several environments (who would look twice at a stray dog around the duke’s castle?), and also, depending on the choices you made, a very deadly combat skill, since you might be able to transform in a brown bear already at level 2.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-druid-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?545558-5e-Druid-Handbook-Dreams-Land-Moon-and-Shepherd&p=22693950#post22693950

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FIGHTER

A soldier. A mercenary. A knight. A peasant with a sword and a shield…

Everyone can be a fighter, but not many can keep being a fighter for long: that’s the difference between heroes and guards.

Fighters are martial warriors, being able to follow different fighting styles… Do you wanna protect your friends with a long shield? Ok. Do you wanna be a bow master? Ok. Do you wanna use two swords and spin like a helicopter? Go for it.

In fact I have rarely played as a fighter, but they have learned my respect.

Fighters quickly learn to have more than one attack (which is nowadays quite rare for a character in 5.0), being very fierce warriors.

Fighters are usually spellcasters’ best friends: It’s always good to have a reliable person next to you when your strong spells have all been used :P

Think on Boromir of Lord of the Rings, Dwalin in The Hobbit… these dudes know how to put fear in the heart of their enemies!

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-fighter-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?373134-Know-Your-Enemy-A-fighter-s-handbook

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MONK

Shaolin. Barefeet. Barehands.

One-hit, one man down. Secret knowledge. Ninja. Avatar (bald one). Zen. Moving as fast as lightning.

“Don’t worry, I do not carry any weapon with me :D”

Monks are martial artists inspired by asian traditions of kung fu and other martial arts.

They either use no weapons or those wierd ones which Western-people naturally fail into mastering.

There are different monastic traditions in D&D 5.0, broadening the monk options, giving them a short (but interesting) range of spells to use, besides kicking, punching, elbowing and kneeing enemies. They use their “Ki” to use these abilities, so you can randomly shout IT’S OVER 9000!!! while playing, and at least your friends who have watched Dragon Ball Z will laugh.

Your enemies probably won’t, because a fucking monk can use a Ki to attack 3 or more times in a row.

It hurts.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-monk-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?430328-The-Good-the-Bad-and-the-Monk-a-5e-Monk-guide

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PALADIN

Now that I have stopped to think about it, in my 15 years experience playing D&D, I have never played as a Paladin!

I simple dislike their concept and overpower skills, but I will do my best to not be (much) biased here.

So, do you remember the cleric?

Paladins are similar, but instead of praying and using spells, they pray and smash enemies.

Paladins are earth representatives of the gods, “following their will and guidance”.

My favourite paladin is Miko Miyazaki, of the great Order of the Stick series. She was so blindly certain about her god’s will that suddenly she turned into a villain (perhaps now it’s the best time to think on the inquisition…)…

Ok, fuck, I am biased.

But hey, if the concept is appealing to you, do some research about it :D

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-paladin-in-dd/

Complete guide: http://www.enworld.org/forum/showthread.php?468742-GUIDE-Oathbound-The-Paladin-Guide

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RANGER

Aragorn. Strider. Elessar. Estel. Thorongil.

As any Tolkien fan can notice, Aragorn is a great example of a ranger: skillfull fighters who can use melee and range weapons to damage enemies, besides knowing enough about the environment to be able to track hobbits in a warzone. Yep, they have my respect.

Moreover, in D&D you will be also able to use some spells, nature-themed ones.

Although I have played as a ranger several times in the past editions, I haven’t played or played with one in the 5th, so I don’t know much about it now.

Rangers are my favourite class though, I like the idea of being able to cut someone with my sword, shoot it with my arrow or just calling for my wolf to bite its ankles.

Rangers are usually protectors, related to some area or habitant.

Why did you started an adventure life? Check the last paragraphs of this text.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-ranger-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?374666-Not-All-Who-Wander-are-Lost-A-Ranger-s-Guide

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ROGUE

The rogue is usually the jack-of-all-trades of the party, with his/her broad range of non-combat skills, particularly those which only the rogue can have, such as finding traps, picklocking or pickpocketing. A bunch of strong lads is useful, but you know, without Bilbo Baggins Smaug would never been defeated.

And sneak attack… Oh yeah babe, sneak attack is sweet.

You might be short, very thin or as strong as a child, but you know where to hit: kick the balls, stick it in the eyes, stab the liver.

Artemis Entreri from the Drizzt series is a great (and scary) example of a rogue as well.

You can be the nice kind of rogue… and you can be Artemis Entreri.

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-rogue-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?395706-Person_Man%92s-5E-Rogue-Guide

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SORCERER

Some spellcasters receive their powers from the gods, others from spirits, others from books…

Not you. You inherited it from your bloodline [Insert kickass character background here].

Sorcerers have fewers spells options to use, but they are able to change/boost their effects, which can be very handy.

As with happens with other spellcasters, they are usually not the ones in the first row of a battle, but they are the one who can throw a fucking Fireball out of their hands, so no reason to see them as cowards. People usually see them as friends, because it’s better to befriend a sorcerer than be a future pile of ash.

Besides, since Sorcerers rely on Charisma, they can be very sympathetic.

I always enjoy roleyplaying sorcerers, and, as the bard, they can be very good diplomats (and scoundrels).

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-sorcerer-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?377491-Guides-Tables-and-other-useful-tools-for-5E-D-amp-D

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WARLOCK

And here I found another class that I have never tried.

Warlocks are spellcasters who have their ability due to do some pact with spirits… yes, it sounds evil and there are great chances of actually being evil, but not necessarily. There are good spirits too, and as it happens with the sorcerer, this class is great to explore you character’s background.

They have access to some wicked spells. I once had a warlock in my party which could heal himself everytime he killed an enemy. Creepy…

I know I’m not being very useful here, so please take a look at one of these if you feel interested:

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-warlock-in-dd/

Complete guide: http://www.giantitp.com/forums/showthread.php?485736-Selling-your-Soul-at-a-Premium-The-Warlock-s-Guide-to-Power

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WIZARD

Last but not least: Wizards!!!

Perhaps the closest we have to PhD students in D&D: the nerdy folks who spent hours everyday reading their books and doing research.

What do they research? The boundaries of time and space, the own nature of reality…

Wizards can use all sort of spells, thus being very diverse in their powers (D&D has hundreds of spell options. My advice: do not pick this class if you don’t want to do some research to prepare your character). You can make illusions, conjure magical beings, put people to sleep, send magic missiles, create light…  Your only restriction is your amount of spells/per day, and your low amount of hit points. As I said before, wizards are quite often best friends to fighters.

Think on Dumbledore, think on Merlin.

Think about the possibility of having magical solutions for problems which seem unsolveable (and lack solutions for other kind of problems, such as swimming to the other side of a river, for example :P).

Short guide: https://geekandsundry.com/the-complete-beginners-guide-to-starting-a-wizard-in-dd/

Complete guide: http://www.enworld.org/forum/showthread.php?450158-Treantmonk-s-Guide-to-Wizards-5e

Regardless of the class you pick, think on this: why did your character follow his/her career?

Did he/she have the option to choose, or  was it imposed upon him/her?

Why did it happen?

That’s it folks, I hope you enjoyed Chico’s guide to D&D classes.
I actually enjoyed myself writing this, I will post it in my RPG blog :)

See you guys on Monday,

Chico

D&D classes - Caverna do Dragão

Who do you wanna be? Source: 9GAG.com