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Biblioteca de Heróis – Elfo sem nome

15/06/2020

– Esse post contém spoilers sobre a aventura “A Mais Longa das Noites”, parte da Trilogia do Fogo das Bruxas. Leia somente se você não se importar com esse detalhe –

Uma vez um velho sábio disse que é necessário muita coragem para encarar seus inimigos, mas é preciso uma dose ainda maior para encarar seus próprios amigos.

Essa é a história de um elfo que após muito trilhar um caminho duvidoso, encontrou sua redenção onde se menos esperava, eternizando sua história nos grandes salões de Morrow, deus da bondade e esperança.

Biblioteca de Heróis: Elfo sem nome

Até hoje os clérigos de Morrow procuram descobrir a identidade do 2º avatar de seu deus, aquele cujo nome seu passado apagou.
Alguns pesquisadores indicam Taran Arco-Forte como nome, outros Vrienius de Ios.
E, claro, para aqueles que quisessem ouvir, Egger, o mendigo de Corvis, jurava de pés juntos que o elfo era conhecido como “Bob, o Louco” entre seus companheiros.

Na verdade, seu nome não importa.

Com um juramento de manter sua identidade apagada até encontrar seu próprio caminho sob a tutela de Morrow, Elfo sem nome se dirigiu à Corvis, local sagrado entre os morrowistas, reduto de um dos maiores templos do deus da bondade e esperança. Chegando lá, Padre Dumas solicitou que Elfo sem nome auxiliasse alguns aventureiros em uma investigação sobre uma série de roubos de corpos em cemitérios de Corvis, tarefa que preocupava o velho clérigo, mas que aparentemente não despertava interesse da própria guarda da cidade.

Ao longo desse intrigante trabalho, o patrulheiro seguidor de Morrow teve dificuldade de se encaixar entre seus companheiros. Dono de um temperamento impulsivo, Elfo sem nome frequentemente colocava seus colegas e a si mesmo em perigo, desafiando a racionalidade que regia as ações dos magos e artífices dos Reinos de Ferro. Não demorou muito para que até o meio-orc bárbaro do grupo conseguisse ser considerado mais previsível que o elfo patrulheiro.

Após uma tentativa frustrada (e individual) de invadir a prefeitura de Corvis, o elfo foi capturado pela rigorosa guarda da cidade, já sobrecarregada pela preparação da Mais Longa das Noites. Sob interferência direta do poderoso Conselheiro Borloch, Elfo sem nome foi colocado na temida mesa de tortura da polícia.

No entanto, quando o sofrimento e a dor pareciam ser os únicos caminhos que o esperavam, o patrulheiro foi abençoado com a misericórdia de Morrow, que protegeu seu pupilo do desespero e da maldade. Com uma resiliência sobrenatural, Elfo sem nome resistiu a todas as tentativas de quebrarem seu corpo e espírito.

De volta à investigação, o patrulheiro conseguiu alcançar seus companheiros no subterrâneo de Corvis, nas ruínas da antiga cidade.
Lá muito foi descoberto a respeito da necromante que realizou o roubo dos corpos, confirmando uma verdade reveladora. Mas, mais do que isso, os subterrâneos também continham locais sagrados para os morrowistas, como o mausoléu do Padre Edric Samos VII, um dos principais cardeais da religião, assim como um templo dedicado ao avatar Ulbrecht Sambert. Emocionado, Elfo sem nome vertia lágrimas enquanto admirava as belas tapeçarias que contavam a história do avatar.

“- Ei, o colar no pescoço da estátua é mágico. Vamos investigá-lo!”.

As palavras acenderam o fogo que alimentava sua fé.

“- Profanem a estátua, e será a última coisa que farão em suas vidas”.

A disputa aconteceu em poucos segundos.
Uma flecha na mão do ladino, uma investida bárbara, uma segunda captura do elfo em menos de 24 horas.
Prisioneiro de seus próprios companheiros, o seguidor de Morrow se sentia cada vez mais enfurecido com a atitude de seus “amigos”.

Será possível que eles não entendiam?

Com a teimosia que lhe era característica, o patrulheiro conseguiu se desvencilar de seus grilhões, apenas para ver uma relíquia de Morrow nas mãos de seus antigos companheiros. Sem pensar (como lhe era característico), Elfo sem nome interpelou a druida, clamando pelo sagrado que havia sido profanado.

Com a calma que lhe era característica, Nakaryn entregou o item para seu ex-amigo, enquanto Makadurk tentava, em vão, atacar o elfo.
A luz de Morrow o envolvia.

Incólume por fora, mas ferido por dentro, Elfo sem nome claudicou até a estátua do avatar, repousando o baú sagrado ao seu lado.
O colar havia desaparecido.

Ajoelhado perante Sambert, o elfo sentiu uma inusitada sensação de êxtase, algo que há muito procurava, mas ainda não havia encontrado. Olhando adiante, o seguidor de Morrow viu a estátua do avatar estender sua mão em sua direção, como em um convite:

“Tu vens comigo?”.

Foram as últimas palavras que ouvira. Ou sentira. Ou imaginara.
Apertando a mão de seu herói, Elfo sem nome juntou-se ao avatar, ascendendo ao divino e garantindo seu lugar entre os imortais.

Pouco tempo depois Padre Dumas foi levado a este recinto, apenas para encontrar duas estátuas iluminadas por uma luz santa, ambas sorrindo ao trocar um aperto de mãos.
Conta-se que o velho Dumas chorava enquanto envolvia o pescoço do elfo com o colar do avatar.

A missão do Elfo sem nome estava completa.

Meu profundo agradecimento ao meu estimado amigo Vinicius, que nos presentou com esse brilhante e insano personagem!

Como transformar sua reunião de trabalho numa experiência lúdica (ou como o COVID-19 está mexendo com as pessoas)

19/05/2020

Todo profissional que trabalha em equipe já passou por uma das famosas reuniões que poderiam ser resolvidas em um e-mail, ou que demoram 2 horas para se chegar no ponto realmente importante de discussão.

No entanto, quantos de vocês já passaram por uma reunião de trabalho…

… dentro de um jogo?

Pois a autora e artista Viviane Schwarz compartilhou em seu twitter que ela e seus colegas estão utilizando o jogo Red Dead Redemption para acender fogueiras e discutir projetos de trabalho:

1

Fonte: Jovem Nerd

Aposto que até os game designers se surpreenderam com esse tipo de uso do RDR.
Mas até que não é má ideia, hein?

2

Com certeza é um ambiente mais agradável pra se reunir, se você não se importar com o uivo de lobos e os ocasionais tiros de espingarda, é claro.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

Caracterizando seu jogo por meio da linguagem (xula)

03/04/2020

Há alguns anos, em uma temporada de “mochilâncias” pelo Velho Continente, eu vivenciei um episódio que costumo compartilhar com meus amigos.

Era um dia de clima agradável em Lisboa, e, pra variar um pouco a rotina, eu preferi passar a tarde em um parque, descansando as bolhas do pé, curtindo um sol e lendo um livro.

Enquanto me entretinha com Darcy Ribeiro, sentindo a brisa espalhar meu chulé, fui interpelado por um rapaz pouco mais velho que eu: “Olá, tem alguns cêntimos para me dar?”.

Eu ainda tinha pouca vivência em Portugal, então demorei um pouco para entender o que ele queria. Quando entendi, lamentei e dei uma negativa, desejando-lhe boa sorte e voltando a ler meu livro.

O rapaz então, começou a insistir. E, similarmente, eu mantive minha negativa, até ouvir uma frase que me fez rir:

“Ora, não seja parvo, vamos, dê-me algo!”.

Eu ri não pela situação do rapaz – acho triste qualquer pessoa ter que pedir dinheiro – mas pelo vocabulário.

Ouvir “parvo” me remeteu às peças de Gil Vicente, em um passado remoto do ensino médio.

Infelizmente o rapaz ficou sem seus cêntimos – “Você me xinga e ainda quer que eu te dê dinheiro?”, mas eu fiquei com a lembrança e a impressão que o português lusitano é uma versão arcaica do português brasileiro.

Acho que há várias observações que podem ser feitas nesse episódio, mas quero ressaltar aqui a questão da linguagem, fazendo referência a um tema que interessa ao blog.

Enquanto narrador, quais são seus recursos para caracterizar seu universo para os jogadores?

Tenho certeza que você entende que é importante descrever a paisagem, a arquitetura das aglomerações urbanas, assim como os meios de transporte existentes, e as próprias vestimentas que as pessoas usam. Mas, além de todas esses elementos visuais, você já refletiu sobre a linguagem?

Enquanto “Vossa Mercê” com certeza impõe respeito e indica alta classe social, “sinhá” e “sinhô” dão outras dicas sobre o interlocutor/a. Por que não explorar esse recurso?

O mesmo vale, claro, para os jogadores. Se seu personagem é um erudito, por que não falar como um? Até, quem sabe, nos momentos mais emputecidos?

Visando contribuir com esse válido – e engraçado – conhecimento, compartilho aqui uma ótima lista feita pela BBC Brasil:

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Tenho certeza que poderá render umas boas risadas em suas mesas de jogo.

Roll the bones, e não sejam parvos,

Chico Lobo Leal

 

O que significa ser uma “comunidade”

31/03/2020

Nossa geração tem se deparado com um grande desafio: o descrédito da ciência, do conhecimento, e mesmo das instituições.

Desacreditada, a política é frequentemente retratada como “Ah, eles são todos iguais. Tudo bandido”, afirmação que estimula a alienação, já que, não adianta se engajar politicamente, pois o resultado seria o mesmo, sempre decepcionante.

Nesse cenário tenebroso, nos deparamos recentemente com uma pandemia que afeta todo o globo, o que, claro, inclui o Brasil. Para desespero de todos os cientistas e profissionais de saúde, esse vírus COVID-19 chegou no pior momento possível, onde se houve mais relinchos do que falas cientificamente embasadas.

A luta pela ajuda governamental aos necessitados vem acontecendo pelo esforço hercúleo de alguns, e, possivelmente, virá a acontecer.
Uma prova clara que não, eles não são todos iguais.

Mas, saindo um pouco desse cenário nacional, gostaria de mencionar aqui um belo gesto que me deparei em um site gringo, e que me lembrou da força da comunidade de jogadores de RPG e tabuleiro.

O Board Game Geek, maior site de jogos de tabuleiro do mundo, está estimulando as pessoas a fazerem encomendas com as lojas de jogos locais, seja por meio de pedidos próprios, ou compra de vales-presente. Mais do que isso, o site está abrindo mão de sua taxa de comissão para ajudar lojistas a manterem seus negócios.

Um gesto incrível de reconhecimento do papel importante que essas lojas possuem na comunidade, tanto por recepcionar aquele nerd com poucos amigos, como por divulgar entretenimento que estimula o raciocínio e o convívio social.

Sei que o alcance do Aventurando-se é bem pequeno, mas gostaria que essa iniciativa do BGG também nos inspirasse. Seja a comprar de lojistas, encomendar arte de freelancers, ou comprar algum jogo de game designer independentes, ou de pequenas editoras.

Uma forma de reconhecer a importância dessas pessoas para o nosso hobby.

E, claro, se isso não for possível, de utilizarmos nosso hobby para ocupar nossas mentes e das pessoas ao nosso redor. Que, mesmo que virtualmente, consigamos que histórias imaginárias sejam um alívio para uma realidade difícil.

Torço para que todos fiquem bem, e que, se o aperto chegar, sejamos tão valentes quanto os personagens que interpretamos, lutando por um futuro melhor para nós e para aqueles que nos importamos.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

Novos Aventureiros: Aliança RPG

29/02/2020

Salve bravos leitores do Aventurando-se,

Da mesma forma que o inesperado rege muito do que ocorre nos nossos jogos, o acaso também deu suas caras para o blog recentemente.

Pois acontece que esta semana conheci um dos participantes da iniciativa Aliança RPG, um pessoal bem entusiasmado que produz ideias de cenários e aventuras toda semana.

Ou seja, tudo o que o Aventurando-se não faz!
Mas gostaria, claro. E, por isso mesmo, daremos espaço a uma parceria com o pessoal do Aliança RPG, para que eles compartilhem o rico conteúdo produzido aqui no blog.

Dessa forma eles conseguem disseminar ainda mais seu material, e o blog consegue conteúdo mais frequente pra publicar. Massa, né?

Pra quem quiser saber mais do Aliança RPG, segue dois vídeos publicados por eles mesmos:

 

Sejam bem-vindos, Aliança RPG!