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A importância do herói

23/06/2012

Usualmente escrever um post pra mim é que nem planejar uma partida de RPG: um longo processo de racionalização, redação e revisão.

Porém, hoje escreverei um post diferente. Ultimamente eu tenho narrado sessões sem prévio planejamento, e por incrível que pareça, o resultado tem me agradado bastante. Levando isso em consideração, vou escrever este post sem rascunho, sem planejamento. Vou escrever o que vier na minha cabeça.

Creio que a primeira coisa que eu preciso fazer então é colocar o motivo de eu estar aqui escrevendo. E o motivo é um só: Senna.

Assisti o documentário agora há pouco, e estou extremamente comovido pelo mesmo. O filme traça a carreira do piloto, e o faz de uma maneira fantástica. O diretor insere vídeos, entrevistas e comentários daqueles que viveram com Ayrton, inclusive falas do próprio. “Obra de arte” talvez seja uma boa definição para o produto final, e sem dúvida é um reflexo da própria carreira e vida do piloto, que, sem dúvida, foi um herói.

Aqueles que eram muito jovens na época das corridas dele (como eu), ou mesmo nem tinham nascido, ou talvez morassem em Marte, possivelmente não conhecem a história dele a fundo. Era o meu caso, e talvez isso tenha influenciado o meu grau de emoção com o filme.

Chorei que nem um bebê.

Bom, hora de fazer a ligação com o RPG.
Há uma fala muito emocionante no filme e cheia de significado. Adaptei-a aqui para que fosse compreendida fora do contexto da entrevista, mas o significado permanece:

“O povo brasileiro precisa de comida, educação e saúde.
E um pouco de alegria. Hoje a alegria se foi.”

Creio que não há melhor maneira de compreender o que o Senna representou, e o que os heróis representam em geral. Estamos falando de alegria, de superação, de vida. De esperança.

Vivemos em um mundo de profundo individualismo, onde a má fé e o egoísmo são “louvados”.  Parafraseando o que o meu amigo Jão comentou em outro post“É uma pena que as pessoas não percebam o valor no nosso hobbie em tempos de entretenimentos individualistas e bestificantes por todo lado!”

Vocês já pararam pra pensar nisso?

Mais de uma vez ouvi pessoas rotularem o RPG como um hobby para crianças. E, se pensarmos, talvez seja mesmo. Afinal, personificar um herói é algo infantil, não é mesmo? Há espaço para os heróis hoje?

E aqui coloco um tema recorrente de conversa entre mim e o Gerbur, autor do blog e amigo:

Porque Guerra dos Tronos faz tanto sucesso hoje? Porque muitos dizem que Martin ultrapassa o desatualizado Tolkien?

Porque não há heróis em Westeros!
Não vivos pelo menos. Aqueles que mantém a honra no céu, acabam com a cabeça no chão.

Tolkien por outro lado narra uma história de heróismo, de superação, do bem contra o mal. Algo totalmente inverso do que vemos e vivemos hoje.

E é exatemente por isso que precisamos dos heróis!!!!!!!!!!!!!!
Caramba, quem quer viver num mundo onde não há sacrifício e superação? Histórias de vida que nos emocionam, ações que ganham nossa admiração e pensamentos que merecem nosso respeito?

Não consigo pensar em um momento histórico onde mais se precisou de Senna, Tolkien e os heróis!

Nas palavras de Rui Barbosa:

De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar da virtude e ter vergonha de ser honesto.

NÃO!

Na falta de heróis de carne e osso, valorizemos os nossos heróis, mesmo que imaginários!
Eles representam nós mesmos, o herói escondido dentro de cada um.

Ultimamente tenho experimentado cenários diferentes do medieval fantástico (lar dos heróis), mas confesso que me “sinto em casa” quando sento com os meus amigos e compartilhamos nossas aventuras de fantasia. E digo mais: tenho certeza que há távolas redondas em todos os lugares, só aguardando que seus cavaleiros sentem à mesa.

Por último, e aproveitando pra fazer um gancho com o documentário do Ayrton, acho interessante mencionar a postura do herói. Qual é a postura do seu personagem perante o resto do mundo? Ele é humilde com o poder que detém? O poder é usado só pra ele? Ele simboliza algo para seu povo?

Que tal explorar esses aspectos da vida de um herói?

Se quiserem inspiração, não tenham dúvida. Assistam o filme!

Grande abraço à todos, e um especial para um dos maiores heróis do nosso país.

Sem medo. Sem limites. Sem igual.

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3 Comentários leave one →
  1. gerbur12 permalink
    23/06/2012 08:50

    Adoro esse filme, Chicão!

    Senna foi mesmo muito herói e numa época muito mais difícil e pobre para o país, no momento em que o Brasil mais precisava de um herói. Era isso ou afogar-se no desespero. E eis que debaixo das chuvas que Deus mandava, Ayrton Senna vinha voando baixo todos os domingos. Ele travou batalhas nas pistas e com a política da F1, e ganhava. Dava orgulho de ser brasileiro, porque ser “brasileiro” era como dizer que éramos como ele. Grande Senna!

    Quanto a frase do Rui Barbosa é ótima memo, a mais pura verdade. Hoje temos vergonha de ser honesto. Ser honesto, ser justo virou sinônimo de ser tolo. Basta olharmos o que as pessoas falam sobre Ned Stark por aí na internet. Tem até o mote: “Stupid, stupid, Ned Stark”. Repare que para as pessoas ser honesto não é só ser tolo, mas ser tolo 2 vezes! É o mundo se esqueceu de algumas coisas que não deveriam ser esquecidas. Mas os heróis estão aí para nos fazermos lembrar! Acho que essa é a atual batalha deles.

    Isso ficou ótimo no filme dos Vingadores, por exemplo. Quando o agente Coulson (acho que esse é o nome dele) faz de tudo para juntar os heróis, idealiza toda a idéia dos Vingadores, chega a reproduzir a roupa colorida do Capitão América para os tempos de hoje. E o Capitão pergunta: “Mas isso não é antiquado?” a pergunta acaba remetendo não só ao seu uniforme, mas também a idéia do herói, do justo, do honrado, do altruísmo dos heróis e eis que o agente Coulson responde brilhantemente: “É antiquado, mas é bom. As vezes, as pessoas precisam do antiquado”.

    E novamente, mais do que nunca, nós precisamos. Nessas horas é que é sempre um prazer se lembrar das leis da Terra-média, do que realmente importa, de não ter vergonha de ser correto, do molhado, destemido e apaixonado herói do Brasil, Ayrton Senna.

  2. m4lk1e permalink
    23/06/2012 13:25

    Interessante que eu estava mesmo pensando em escrever aqui um artigo sobre o assunto – a perda dos heróis (seria isso uma conexão de pensamentos…?)

    Em anos de narrativa, percebo que o heroísmo de outros tempos tem se perdido – talvez, pela própria estrutura dos jogos (D&D que o diga), e pela adoção da individualidade ou drama pessoal.

    Cinema, TV, livros… a cultura hoje se reflete no “anti-herói”, a figura que não se arriscaria pelos outros, ou que agisse conforme a moralidade local. Senna é um exemplo real de herói, ao dar alegrias para um povo tão sofrido; muito mais próximo que a Demanda do Anel, ou qualquer herói idealizado pela literatura. No entanto, figuras individualistas e ambiciosas como os soberanos de Westeros e de vários outros (em especial, nos games) tornaram-se mais atraentes.

    Parabéns pelo excelente artigo, Chicão, pois creio que muitos jogadores precisam se espelhar neste que é o princípio inicial do RPG (além de assistirem o filme, é claro…)

  3. 23/06/2012 16:48

    Fico feliz que o post os agradou!

    Gonçalo, a frase do Coulson é realmente brilhante, tinha me esquecido dela. Vai totalmente de encontro com o que escrevi no post.

    Legal que ouve uma transmissão de pensamento Jairo!
    Você tem razão, o heróismo e o D&D tem perdido muito espaço nos últimos tempos. Isso tem seu lado bom e ruim, como tudo na vida.

    Obrigado pelos comentários de vocês,

    abraços

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