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Campanha em Erebor – Cena 1 – Qhorin

18/06/2013

Campanha em Erebor – Cena 1
Qhorin em Erebor

Longe no leste, depois de montanhas e rios, existe um pico solitário. Erebor, o Reino sob a Montanha! Lá, o Rei Dáin Pé-de-Ferro prospera enquanto reestabelece o antigo poderio dos anões, continuando o trabalho que Thorin Escudo-de-Carvalho começou. Estátuas gigantescas em homenagens aos treze heróis da comitiva de Thorin foram entalhadas no Salão do Rei e a fontes ilustrando a Queda de Smaug estão espalhadas por muitas câmaras, a maior delas está na Praça dos Hóspedes, logo na entrada da montanha. Muitos anões vêm e vão, subindo e descendo os Três Pavimentos de Erebor. Pedreiros, mineradores, artífices e comerciantes, na maioria. Mas há também soldados, o exército de Dáin nunca foi tão numeroso nas Colinas de Ferro, mas em Erebor, nove em cada dez jovens anões ao completar a maioridade se alistam, ávidos e orgulhosos por ganham um uniforme e um posto na defesa da Montanha Solitária.
Mas nem todos os anões de Erebor estão felizes e tranquilos. No Bairro dos Artífices, na Ladeira do Parafuso e da Porca, número 43, vive e trabalha o velho Qhorin Martelo-e-Tenaz. Outrora um próspero fabricante de brinquedos, sua notória assinatura é conhecida inclusive em cidades humanas muito distantes no sul, como Minas Tirith, agora se tornou mais recluso e soturno. O motivo disso é o desaparecimento de seu filho, Ágrapo. O rapaz havia partido nove anos atrás para levar uma encomenda de presentes para o aniversário de Bilbo Bolseiro, estimado amigo do Senhor Dáin. No entanto, Ágrapo não retornou e há meses não manda mais cartas.

Qhorin Martelo-e-Tenaz

Qhorin Martelo-e-Tenaz

Em seu desespero, Qhorin trabalhou num projeto secreto que escondeu inclusive de sua esposa. Um martelo de batalha! Trabalhou nele três dias e quatro noites, na lua cheia (momento em que a magia é mais forte no mundo) entalhando símbolos de Erebor, do deus ferreiro Mahal, criador dos anões e outros símbolos estranhos, enquanto entalhava freneticamente, que nem mesmo ele conhecia. Qhorin tinha 20 gramas do raríssimo (e extremamente mágico) pó de mithril para preencher as lacunas dos símbolos. Qhorin sabia que quanto mais mithril ele conseguisse fixar no martelo, mais poderosa seria sua obra. Suando frio enquanto todo o seu pensamento e coração trabalhavam em encantamentos antigos passados de pai para filho, o anão artesão contornou todo o martelo com tamanha perícia que ele percebeu que jamais conseguiria realizar tal feito novamente. Essa arma era sua Obra-Prima. Quando terminou o trabalho enfim, ainda em transe, desmaiou. Nem um grão de mithril caiu do martelo.
Quando acordou, estava faminto. O martelo emanava uma luz azul que iluminava toda sua oficina. Trancou-o em seu cofre pessoal, um baú escondido que continha objetos de seu pai, seu maior tesouro. Saiu de sua oficina particular e sua esposa e seu aprendiz estavam preocupados. Qhorin se apressou em dizer:
_ Não tenho tempo agora. Estou atrasado. – E deixou seu comércio para realizar sua rotina quase religiosa de subir até o último dos pavimentos, no Viveiro dos Corvos. E perguntar por notícias de Ágrapo. Lamentavelmente, mais uma vez, nenhuma carta de seu filho havia chegado. Outro anão estava no Viveiro em busca de uma carta de um ente querido, assim como Qhorin: Dwalin, um dos renomados companheiros de Thorin. Estava bastante preocupado, pois seu irmão, Balin, havia partido anos atrás para recolonizar o antigo reino de Khazâd-Dûm, que os elfos chamam de Minas de Moria. Entretanto, há meses nenhuma notícia chegava.
_ Fique tranquilo – Disse Qhorin tentando acalmar seu herói – Notícias virão.
Mas suas palavras eram vazias e Dwalin sabia disso. O herói de outrora estava perdido. Desesperado sem notícias de seu irmão e assolado por pensamentos negativos a respeito de seu destino, mal podia controlar as lágrimas humedecerem os olhos. Qhorin percebeu então que apenas palavras não tranquilizariam um velho herói de guerra e resolveu mostrar-lhe seu projeto secreto.
_ Venha. – Disse o artesão – Tenho uma coisa para te mostrar.
Quando voltaram a oficina, Qhorin percebeu que ainda não havia nomeado sua Obra-Prima. Ao tirá-la do baú, instantaneamente todo seu aposento foi preenchido com uma luz azulada, soube então qual era o seu nome:

Bagnir, a Justiça Paterna

Bagnir, a Justiça Paterna

_ Este é Bagnir, a Justiça Paterna! – Disse o artesão sem conseguir desviar os olhos do martelo – E com ele vou descobrir o que houve com meu filho, ou morrer na tentativa.
_ É realmente… lendário – Disse Dwalin sem ousar tocar no martelo.
Quando Qhorin conseguiu observar Dwalin de relance, percebeu que ainda havia desespero no coração do amigo, então emendou sem pensar:
_ Com Bagnir, vou também descobrir o paradeiro de seu irmão, se este for o meu destino.
E finalmente por um segundo, o velho guerreiro sorriu. Mas logo sua alegria desapareceu novamente para dar lugar às preocupações de uma testa enrugada:
_ Dáin não vai deixar você sair da Montanha sozinho. – Disse Dwalin. – Você é muito famoso, já é vítima do próprio sucesso. O Rei não vai permitir que mais um dos artífices de Erebor deixem a Montanha Solitária atrás de uma demanda perd… difícil.
Qhorin abaixou o martelo de duas mãos.
_ Sozinho, não. Vou encontrar uma comitiva. Sairei de Erebor acompanhado por guerreiros. – Novamente, as palavras de Qhorin eram vazias.
_ Nenhum soldado do Exército da Montanha vai deixar seu posto. Nenhum general e nem mesmo o Rei Dáin permitirá que a Defesa de Erebor seja desguarnecida, mesmo por poucos guardas.
_ Venha comigo – Disse Qhorin tocando o ombro de Dwalin – Vamos brandir juntos nossas armas! Vamos encontrar nossos parentes!
_ Estou muito velho, meu amigo. – Respondeu Dwalin – Meus dias de aventura acabaram.
Suspirou.
Qhorin guardou novamente seu martelo e trancou o baú.
_ Então estou sozinho. – Disse. – Se Dáin permitir que eu parta, partirei sozinho. Não vou aguardar sentado o retorno de meu filho enquanto a idade e a velhice me roubem a esperança e a virilidade. Mesmo que nenhum anão venha me acompanhar em minha missão.
_ Espere! – Disse Dwalin com o brilho voltando aos olhos – Conheço um anão que provavelmente te acompanhará.
_ Quem?
_ Thraurin Coração-de-Martelo, meu filho.
E assim, no outono de minha vida, minha jornada começou.

 

A Bigorna e o Martelo

A Bigorna e o Martelo

 

Próxima Cena: Campanha em Erebor – Cena 1 – Hardhart

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11 Comentários leave one →
  1. 18/06/2013 23:59

    O nome do filho é Ágrapo, mas depois está escrito que “Gaspar não retornou”. E essa cena dele fazendo o martelo é bem familiar para quem já leu a Estilha de Crista. No mais fico no aguardo das próximas cenas.

    • thiago henrique permalink
      07/07/2013 19:34

      cara pensei a mesma coisa… Grande Salvatore… Trilogia linda

  2. gerbur12 permalink
    19/06/2013 00:13

    Olá Eric, obrigado pelo aviso. Já acertei o nome do filho.

    E sim, hehe, é verdade. A criação do martelo foi muito inspirada na cena em que Bruenor cria Garra de Palas, o martelo mágico de Wulfgar em Forgotten Realms. Aquela cena capta bem a magia do trabalho de um artesão anão. E embora estamos na Terra-Média onde a magia é bem mais sutil que em Forgotten (inclusive no sistema do Um Anel) eu resolvi escrever essa cena mesmo assim, porque além de fantástica é importante para a motivação do personagem. Nessa passagem há também elementos inspirados na criação da bainha de excalibur feita por Morgana em As Brumas de Avalon.

    Em breve teremos relatos de outros personagens dessa campanha.

    Abraço Anão!

    • 28/06/2013 02:32

      Continue com o excelente trabalho. Estou gostando muito do texto e dos personagens.

  3. 21/06/2013 00:27

    Quanta emoção!

  4. 21/06/2013 17:58

    E assim eles estão de volta.
    E já começaram bem, quero ver onde vai parar tudo isso.
    E realmente, lembrei do Bruenor, principalmente na hora do desmaio =D.
    Mas ficou belíssima a cena, e deu para testar algo do novo sistema?

  5. m4lk1e permalink
    22/06/2013 20:38

    Caras… Vocês realmente sabem criar uma narrativa épica!

    Assim como foi em Moria, não perderei nada desta jornada!

  6. 23/06/2013 15:49

    A gente rolou pouco dado nessa primeira sessão.
    Aliás, ultimamente nossos jogos tem usado poucos dados, daqui a pouco vamos nos reunir em volta de fogueiras e só contar histórias… já digo que estou ansioso pra esse dia! haha

    Legal seu relato Gonça!
    Já te disse que fiquei surpreso em ver um tom tão leve num dos personagens onde a sombra é mais presente. É uma contradição estimulante! Espero que o Qhorin consiga manter a leveza nas próximas sessões.

    De minha parte, tenha certeza que o futuro dele é repleto de luzes e surpresas.

    Luzes de chamas ou lanternas, e surpresas boas ou ruins… isso não importa
    :D

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