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Campanha em Fortuna – Cena 8 – Caverna conveniente

05/01/2020

Cena anterior: Os três sábios

Com valiosos conhecimentos e informações adquiridos durante a noite, todo o grupo parte de Calakmul ao amanhecer.  Segundo Aranhanawr, a viagem às montanhas duraria cerca de 10 dias, contanto que fizessem bom progresso no caminho, e não tivessem problemas com animais, monstros ou metadílios.

De fato, por dias, a jornada parecia calma e veloz. À parte de alguma urtiga mal utilizada para higiene pessoal, disenteria provocada por alguma frutinha inocente ou algumas pústulas formadas pela picada de algum inseto exótico, tudo ia de maneira tranquila, até a chegada da chuva. Por algum motivo o piromante se alterou assim que o primeiro trovão foi ouvido no céu, e, com o cair das primeiras gotas, o pânico era evidente:

“Se cair toda essa chuva aqui a floresta vai alagar e vamos morrer afogados. Precisamos de um abrigo!!!!”.

Ignis então correu em frenesi em uma direção aleatória, desesperado para encontrar algo que o protegesse da chuva tropical que começava. Por sorte, o amante do fogo logo encontrou uma caverna pra se abrigar, e seus companheiros não tiveram outra opção a não ser se juntar a ele.

“O que diabos… foi… isso, Ignis?”, perguntou Ysolde, arfando devido ao esforço repentino.

O piromante não respondeu, mas sentou no chão, abraçou seus joelhos, e começou a se balançar, de frente pra trás. Era uma cena lamentável, mas nem o ranger teve a audácia de caçoar de Ignis. O mesmo quase morrera afogado há poucas semanas.

Com novos planos, os companheiros então resolvem montar acampamento na caverna. Afinal, além de se manterem secos, não seria nada mal esticar as pernas e descansarem um pouco antes de retomarem a longa caminhada. Assim, enquanto Ysolde e Ignis ficaram próximos à entrada montando fogueira e organizando as mochilas, Cassius e Aranhanawr foram explorar o lugar.

No entanto, o paladino e o ranger passaram mais tempo provocando um ao outro do que realmente investigando a caverna, passando batido em sinais que, se mais atentos, iriam eriçar os pelos de suas nucas. Foi Ysolde que resolveu ir atrás dos dois, após se indagar se não haveria algum animal naquele refúgio convenientemente localizado.

Com atenção digna de uma estudiosa da Academia de Magia, Ysolde notou padrões nas paredes da caverna, que possuía uma curvatura tão uniforme que dificilmente a natureza conseguiria faze-la de forma natural por meio da ação da água. Esse tipo de coisa sugeria problemas…

Rapidamente, a maga chamou Ignis, instando-o a juntar-se a ela na busca por Cassius e Aranhanawr. Após caminharem por alguns minutos, os mesmos são avistados voltando dos fundos da caverna, ainda fazendo piadas e provocações.

Foi Ysolde que os chamou à realidade: “Ei, Cassius, Aranhanawr, vamos embora, essa caverna é susp…”

A frase inteira da maga nunca seria ouvida. Subitamente, um tremor chacoalhou todo o chão e paredes, seguido por uma forte vibração em uma das laterais.  Em poucos segundos, uma enorme criatura púrpura surgiu, com uma bocarra que se estendia por quase todo o túnel, com mais dentes do que pelo menos metade dos habitantes de Solana. Somados.

Verme-Purpura-T

Autor desconhecido

Para azar dos aventureiros, a criatura atravessou justamente o espaço entre as duplas, separando o grupo. Desesperados, o paladino e o ranger começaram a atacar a criatura, utilizando as lâminas de obsidiana de suas armas.

A resposta foi imediata: abrindo sua enorme boca, a criatura começou a sugar/abocanhar, movendo sua “cabeça” de um lado para o outro em direção aos dois. Com essa deixa, Ysolde e Ignis usaram de fogo e magia para atacar as “costas” do bicho arroxeado, que começou a jorrar uma gosma esverdeada conforme partes de seu corpo eram explodidos e cauterizados.

Com um urro de dor, o monstro sacudiu seu corpo, fazendo a caverna toda estremecer, e arremessando o piromante e a maga pra trás. Roxo de raiva (rá!) o bicho abriu a bocarra e partiu pra cima dos dois a sua frente, engolindo facilmente o pequeno metadílio.

Desesperado, Cassius começou a rasgar o bicho a torto e a direito, preocupado que Aranhanawr pudesse ser digerido por qualquer coisa que tivesse capacidade de engolir rochas. Sem nem pensar uma vez, o paladino aproveitou a próxima vez que o bichão abriu sua bocarra e se jogou pra dentro do verme púrpura.

Heroísmo, loucura ou inconsequência?

O fato é que a lança de fogo de Ignis continuava perfurando o bicho, assim como os mísseis mágicos de Ysolde. Quando o monstro virou para os conjuradores, haviam menos dentes do que no começo da luta, e diversas partes de sua boca estavam rasgadas e sangrando.

De repente, o verme então sacoleja e, num último movimento, cospe Cassius e Aranhanawr, envolvidos totalmente em gosma. No entanto, esse movimento foi muito pra caverna, que já estava progressivamente desmoronando com o sacolejar de um monstro de muitas toneladas.

Correndo como podiam, os aventureiros se dirigem à saída da caverna, agora sem se preocupar com chuva ou mochilas, apenas com suas vidas. Pedaços de rochas vão caindo ao redor e em cima dos companheiros, mas, quase por milagre, os quatro conseguem se jogar para fora da caverna pouco antes da mesma colapsar.

Suas mochilas ficaram soterradas, mas seus corpos estavam preservados.

Ou quase.

Ysolde e Ignis estavam aparentemente desacordados, enquanto Cassius e Aranhanawr estavam cobertos por gosma e terra.

Com um esforço excepcional, o paladino usou o que restava de suas forças para restaurar um pouco da vitalidade dos dois desmaiados, sentando de exaustão após terminar sua magia.

“Bom, pelo menos parou de chover”, constatou o feliz Ignis.

Após um longo e necessário descanso, todos retornam a jornada, aproximando-se da vila Inca antes do anoitecer. Esta era muito mais simples do que Calakmul, contando com construções de argila e madeira, sem pedra.

Recebidos por diversos metadílios, os humanos aguardavam enquanto Aranhanawr fazia as apresentações e explicava o porquê de suas aparências maltrapilhas. Embora não conhecessem a língua metadília, o tom exasperado das respostas dos incas foi compreensível a todos.

“Ter notícia boa e ruim”, afirmou o ranger. “A boa é que essa vila tem xamã. A ruim é que monstro caverna era sagrado, e eles não tão felizes”.

Jogadores/Autores: Chico, Álvaro, Karina, Thomaz

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