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Campanha em Fortuna – Cena 4 – A Travessia

30/06/2019

Cena anterior: Caos em Solana

Onda sobe, onda desce…

Dias tornaram-se semanas, e após um período de enjoos e muita estranheza, finamente os personagens se habituaram ao balanço do navio, acostumando-se com a ausência de estabilidade onde pisavam.

Seguindo as estrelas, o capitão do navio se guiava sem percalços por um oceano que parecia não ter fim, enquanto os cinco aventureiros conversavam entre si e com a tripulação, matando o tempo da maneira que podiam.

Tudo ia bem, até que o clima mudou de forma repentina, e o céu azul límpido deu lugar a nuvens escuras, acompanhadas de ventos ululantes que indicavam uma bela duma tempestade.

Nunca na vida de Palo ele se sentira dessa forma. Nem quando ele caiu em um córrego que cruza Solana ele ficou tão encharcado. Aliás, era de conhecimento popular que aquele córrego era mais sólido que líquido: boa parte dos habitantes da cidade o utilizavam como banheiro, lixão e cemitério.

Desta vez, pelo menos, a água que caía do céu era limpa, mas o vento que a acompanhava fazia o frio adentrar seus ossos. Ele mal conseguia ver diante de seus olhos, e foi somente sua determinação em conseguir riquezas no novo continente que o fizeram não tremer de medo.

Ele apenas tremia de frio.

A calmaria pós-tempestade era pontuada pelos barulhos de vômitos que caíam ao mar. Até alguns tripulantes, marujos com peles queimadas pelo sol, juntaram-se ao coro produzido pelos cinco companheiros. Aquela não havia sido uma tempestade normal.

À parte dos danos humanos (e metadílios), houve também prejuízo material. O mar revolto fizera alguns objetos do navio chocarem-se com parte dos barris de provisões, fazendo seu conteúdo ir ao mar.

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Autor: Ivan Aivazovsky

O resultado?

Comida e água potável comprometidas. Enquanto os tripulantes lançavam redes ao mar para conseguir alguma pesca, a ausência de água era preocupante. Eles precisavam se reabastecer de alguma forma, e precisavam fazer isso bem rápido.

A contragosto, o capitão avisou a todos que eles teriam que se aproximar da zona mais perigosa do oceano, onde haviam ilhas e alguns relatos de monstros marinhos. Tal escolha mostrava a gravidade da situação: ou eles se abasteciam de água potável na ilha ou eles passariam sede.

Ficou a cargo dos cinco amigos de explorar o local. Alguns tripulantes até desceram do navio e foram esticar as pernas em solo firme, mas nenhum se afastou muito da embarcação. As histórias que contavam eram assustadoras demais.

Fazendo o que era esperado deles, Aranhanawr lançou seu falcão Axirimbinha ao ar para procurar caça, enquanto Ignis e Palo iam para o lado leste, e Cassius e Ysolde para o oeste da ilha, que não parecia ser muito grande. A esperança era que aquele pequeno pedaço de terra tivesse alguma reentrância com água de chuva acumulada.

Com o coração acelerado, Cassius e Ysolde adentram uma pequena mata. Era a primeira vez que eles viam árvores de tal porte, mas o medo os impedia de examinar o ambiente. Mantendo a tradição, Cassius falhou miseravelmente em sua tentativa de se mover silenciosamente, espantando uma míriade de animais pela terra e pelo ar, com um enorme alvoroço. No susto, Ysolde caiu para o lado, prendendo seu corpo em uma espécie de armadilha feita de ossos pontudos.

Com o uso de sua força e de sua magia divina, o paladino consegue soltar e curar sua amiga, mas o que mais preocupava os dois não eram os cortes, agora fechados, mas sim a presença da armadilha.

Eles não estavam sozinhos.

Aranhanawr e Axirimbinha já estavam acostumados a seguir rastros, então não foi difícil que o falcão começasse a fazer círculos no céu. Silenciosamente, o ranger se esgueirou para o local, com seu arco preparado.

Subitamente, uma sombra salta em sua direção, forçando-o a mover-se rapidamente. Quando estava prestes a soltar a flecha, no entanto, ele se deu conta e começa a gargalhar.

“Primo!!”.

Era Laranawr, o filho da irmã de sua mãe. Um encontro inesperado, em um local inusitado. Os dois não se viam há anos.

“Aranhanawr, foi nosso xamã que pediu para que eu viesse até essa ilha. Ele disse que os espíritos pediram para que eu os recebesse aqui, mas que partíssemos imediatamente quando nos encontrássemos. Há algo de errado com esse lugar”.

Concomitantemente, Ignis e Palo seguiam seu trajeto conversando, alegres por estarem em terra firme novamente. Felizmente, Palo mantinha só os ouvidos atentos a ao piromante, pois seus olhos avistaram a armadilha a frente. Com um empurrão, o ladino afastara Ignis da mesma, fazendo o jovem cair no chão.

“Há armadilhas por aqui. Não estamos sozinhos”.

Mantendo seu hábito, Ignis conjurou um arco de puro fogo com um aspecto ameaçador, olhando ao redor, procurando algo para descontar sua frustração de semanas no barco sem uma boa briga. Foi então que ele repara em um estranho rochedo a uma distância curta, um alvo perfeito: imóvel e grande.

Antes que Palo pudesse dizer “irresponsável”, a flecha de fogo já cruzava o ar, fincando a rocha e explodindo em chamas vivas.

Por alguns segundos, o mundo parou. O rochedo começou a tremer, e os dois aventureiros seguraram a respiração para ver que monstro sairia dali. No entanto, pedras começaram a rolar, dando lugar a um terremoto de grandes proporções. Pássaros voavam adoidados, as próprias árvores pareciam estar sacudindo, e logo gritos de pessoas e animais preencheram o ar. O caos se instaurara.

Correndo o mais rápido que podiam, Ignis e Palo se encontram com Cassius, Ysolde, Aranhanawr e seu primo na praia, todos em choque com o que estava acontecendo. Antes que alguém pudesse fazer uma pergunta, no entanto, um som gutural bem alto fez os aventureiros virarem as cabeças. Com uma expressão de horror, todos viram uma cabeça gigante de um animal atacando o navio, estourando madeira para todo lado com uma mordida colossal.

Aranhanawr então grita: “Aqui não é ilha, mas o casco dela! Para a água, todos!”.

Tartaruga Dragão

Autora: Janice Duke

Sem esperar mais instruções, os amigos pulam para o mar, da maneira que podem. Mas, para azar geral, a tartaruga resolveu mergulhar, criando um vácuo gigantesco, que puxa todos e tudo a sua volta para baixo, destruindo o que sobrou do navio. Nadando por suas vidas, os aventureiros usam todas suas forças para nadar em direção à superfície.

Cassius, Ysolde, Palo , Aranhanawr e seu primo conseguem emergir, mas não há sinais de Ignis. Agarrando-se a pedaços de madeira, eles começam a gritar o nome do piromante, mas nenhuma resposta é ouvida…

Ignis nadava com toda sua força para cima, mas ele estava muito próximo da tartaruga quando ela mergulhou. A força que o puxava para baixo era demasiado grande para seus braços desacostumados a esforços físicos. Seu ar já estava acabando, e suas pernas começavam a falhar…. Imagens começavam a surgir em sua mente: De seu período na academia, sua infância na vila, fogo, sangue, o rosto de sua mãe e um grito sinistro… até que, no instante final, ele sente alguém pegando seu braço, puxando-o para cima.

Era Cassius, que mostrando sua bravura e caráter, abandonara sua arma e arriscara sua vida para resgatar seu companheiro.

Improvisando duas jangadas, os metadílios começaram a auxiliar os náufragos, resgatando os aventureiros e os pouco tripulantes que sobraram. Estes estavam assustados, bravos e sem rumo, e não demorou muito para que eles começassem a culpar os aventureiros de despertar o animal, causando a morte de quase todos seus companheiros.

Cassius tentou acalmá-los, mas suas palavras soavamm arrogantes nos ouvidos dos marujos: “Vocês são mais fortes que isso, vamos, não sejam molengas, nós vamos conseguir chegar a terra firme”.

Com certa dose de culpa, Ignis tentou ainda contribuir: “Parem de reclamar, falar não vai nos ajudar em nada. Vamos remar”.

Isso foi a gota d’água para os marujos, que avistaram a flecha de fogo sendo lançada pelo piromante. Facas são sacadas, e um deles vai pra cima de Ignis, gritando de raiva. Porém, antes que pudesse desferir um golpe no enfraquecido piromante, uma rajada de luz azul atinge seu corpo, fazendo-o voar para o mar. Todos olham para Ysolde, que possuía suas mãos esticadas, com a ponta de seus dedos e sua tatuagem brilhando em azul.

Sem nem esperar, Cassius ataca outro marujo batendo nele com um forte soco no rosto, jogando-o também ao mar. Sem nem pensar duas vezes, os restantes dos marujos se jogam também ao mar, xingando os aventureiros: “Vocês são monstros! Que Thud vingue nossos amigos que morrerammmawwwwnnnrr!”.

Uma flecha atravessou a garganta do reclamante, seguida por outra, que errou por centímetros outro marujo insatisfeito. Aparentemente Aranhanawr não se preocupava com a opinião de Thud.

Palo no entanto o segura, colocando sua mão em seu ombro: “Já chega”.

“Eles vão contar o que aconteceu”, replicou o metadílio.

“Se sobreviverem”.

Felizmente para os aventureiros, o primo de Aranhanwr conhecia melhor aquela região que o capitão do navio de Frollo, pois com um pouco de esforço eles logo chegaram a outra ilha.

“Aqui monstro não”.

Reabastecidos, o estranho grupo remou por mais alguns dias em direção ao sol poente, aproveitando o vento que impulsionava uma vela improvisada. Quando o mau-humor e cansaço já começavam a causar cizânias, Aranhanawr abriu um sorriso: Axirimbinha grasnava feliz, pois sua terra, Quijêm (ou Fortuna, para os humanos), estava à vista!

Jogadores/Autores: Chico, Álvaro, Karina, Thomaz, Thiago, Moaka, Flávio

Próxima Cena: Mistério e Poder

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