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Campanha em Fortuna – Cena 3 – Caos em Solana

10/06/2019

Cena anterior: Sangue e Fogo

– AS CRIATURAS DE FORTUNA ESTÃO SOLTAS NA CIDADE!!

Ysolde e Ignis acordam assustados com o grito do clérigo, assim como todos ao redor. A algazarra logo se inicia, acompanhando o badalar dos sinos do templo, e os focos de incêndio que podem ser vistos pelos vitrais da morada de Thud em Solana.

Rapidamente, os aventureiros se dirigem à praça principal, Ignis quase sendo puxado por Cassius, impaciente com a lerdeza do boêmio, e Ysolde roendo suas unhas, pois não tivera tempo de cumprir seu ritual diário: ler seu grimório de magias.

Mal sabia ela o quão arrependida ela ficaria naquele dia.

No caminho os três passam por várias pessoas desesperadas correndo na direção oposta da praça, sugerindo que o perigo estava concentrado aonde os três iam. Nessa situação era difícil conter a imaginação, que sugeria as mais diferentes criaturas na cabeça de Ysolde, Ignis e Cassius.

Quando já se aproximavam da praça principal, uma sombra em forma de gente surge de um beco, revelando Palo, o escuso morador de Solana. Sem terem tempo de questionar a respeito de uma sacola de moedas mais leve, os quatro adentram a praça, deparando-se com uma cena que ficaria eternizada na memória de todos:

Uma criatura monstruosa estava no centro da praça, com pedaços de correntes estouradas saindo de suas quatro pernas, e um grande rabo se mexendo ao longo de seu corpo. A criatura lembrava, de certa forma, uma lagartixa, mas era do tamanho de um barco de pesca, e sua pele esverdeada com escamas e espinhos sugeria que ela não era das criaturas mais amigáveis, fato provavelmente observado pelos guardas que corriam dali.

Lagac_Lizard, Svetlin Velinov

Autor: Svetlin Velinov

Aproximando-se com cautela, os personagens também reparam em uma criança próxima ao monstro, provavelmente um infante que se desprendeu de seus pais de forma desavisada. Ignis torceu para que a criança tivesse irmãos, pois, do contrário, seus pais provavelmente ficariam sem nenhum herdeiro logo mais.

No entanto, foi Palo que percebeu que a criança, na verdade, tinha traços e vestes estranhas, além de uma pele com tonalidade pouco vista naquela região. De fato, à parte do barulho na praça (que nesse ponto já estava quase vazia), era possível ouvir o pequeno gritar algumas palavras para o monstro em uma língua estranha, esticando a palma da mão em sua frente.

Ao se aproximarem, o serzinho virou para os quatro e falou: “Não atacar, não atacar. Eu paz ele”.

“Hein?”, dissera Ignis, já conjurando sua arma de fogo. A bebedeira do dia anterior o tinha deixado com dor de cabeça naquele dia, o que provavelmente afetara suas habilidades: conseguiu apenas uma pequena adaga. O fato era: de ressaca ou não, ele não ficaria desarmado perto do monstro. Os corpos de guardas ao seu redor já eram sugestão o suficiente do que a criatura era capaz de fazer.

Com o mesmo pensamento, Cassius planeja uma estratégia ousada, tentando se esgueirar por trás do monstro. Sutil como um gorila numa loja de cristais, o alto paladino de armadura deu somente alguns passos segurando sua alabarda, apenas para receber, em cheio, uma rabada espinhenta da criatura no seu abdômen. Cassius é arremessado para longe, caindo com um baque surdo no chão, seguido de um “UFFFFFFF”.

Ilusão Ysolde

Quem não tem cão (Mísseis Mágicos) caça com gato (Prestidigitação)

Pela primeira, mas não última vez naquele dia, Ysolde se desespera tentando lembrar de seus feitiços mais complexos, sem sucesso. Com certa dose de vergonha envolvida, a maga usa então um dos truques mais básico da escola da magia, conjurando pequenas ilusões na frente do monstro, que, de repente, deparou-se com uma estranha figura diante de seus olhos.

Confusa, a criatura começou a sibilar para a ilusão, dando a entender que iria pular em sua direção. Estranhamente, no entanto, o monstro parecia não querer se afastar de onde estava – ao lado da estátua de Solana.

Sem se importar com isso, Ignis aproveita a indecisão da criatura e crava sua adaga em uma das pernas dela. Um grito de dor é emitido pelo monstro, que esquece da ilusão da maga e dá uma patada no boêmio, separando-o de sua arma.

Porém, antes que a criatura testasse se Ignis era queimadinho também por dentro, a ilusão apareceu novamente em frente ao monstro, confundindo-o. Rapidamente, Palo aproveitou o momento para preparar uma de suas flechas envenenadas, mas, quando estava prestes a dispará-la, o pequenino pulou em sua direção gritando “NÃO!”, atrapalhando o disparo.

Por força do destino (ou sacanagem do Mestre), o projétil acertou uma placa de uma loja próxima, estourando a frágil corda que a segurava, e fazendo-o cair justamente em cima da cabeça de Ysolde, que agora xingava Palo e o barbeiro-cirurgião que trabalhava naquela loja. Para azar de Ignis, o impacto fora suficiente para tirar a concentração da maga, cuja ilusão se dissipara.

Somente alguns centímetros separavam Ignis daquela boca capaz de engolir uma ovelha. Por reflexo (e desespero), o piromante então usou seu último artifício, direcionando as chamas da adaga para os olhos do monstro, que é pego de surpresa. Com um urro de dor, a criatura levanta seu rabo, expondo uma região… pouco protegida.

Já recuperado, Cassius então aproveita a oportunidade e faz a ponta da alabarda perfurar o traseiro do monstro, que tem seu fim em uma maneira pouco heroica, mas bem efeciente.

Ouvindo protestos do pequeno, os quatro começam a tirar o pó e checar seus machucados, que não eram poucos. O baixinho dizia que eles não deviam ter matado o “Djucurê”, que era um animal pacífico e protetor.

Com certa raiva, Cassius respondeu que agora o monstro devia ser chamado só de “Djurê”, dando um sorrisão que fez todos gargalharem, deixando o baixinho confuso.

Ysolde então pergunta quem é o pequeno, que afirma ser um metadílio de “Quijêm”, conhecido por Fortuna pelos perna-longas (humanos). Ele havia vindo à Solana para cuidar dos animais que seriam expostos, mas, infelizmente, eles haviam fugido na madrugada. Seu nome era Aranhanawr.

Com uma cara de preocupado, “Nhãnhã” (apelido carinhoso dado por Cassius), apontou a direção do porto de Solana, onde uma grande nuvem preta subia no horizonte. “Me ajudam? Sem matar”.

Antes de terem tempo de responder, Ysolde sente um puxão em suas vestes. Uma pequena criança, de olhos amendoados e chorosos, pede ajuda da “moça brilhante”. “Estou perdida”, dizia ela. Desconfiados, os personagens começam a discutir sobre o que fazer, e a possibilidade da criança ser um engodo de alguma entidade superiora que, por algum motivo, gostava de prejudicá-los (em outras palavras, o Mestre).

Impaciente, Ignis pegou a criança pelos ombros, olhando intensamente em seus olhos e inquirindo: “O que alimenta o fogo de seu desejo?” A criança, assustada, responde tremendo que ela deseja encontrar seus pais.

Mais assustada ainda, a infante cai num choro de soluçar, sendo aconchegada por Ysolde, que promete ajudá-la. “Onde fica a casa de seus pais?”

Os dedinhos apontavam para um beco esfumaçado na direção oposta do porto, deixando os personagens ainda mais desconfiados. Sendo assim, o grupo decide se dividir: Palo, Ignis e Aranhanawr iriam para o porto ajudar a conter as criaturas, enquanto Ysolde e Cassius iriam levar a criança ao templo de Thud, para que os clérigos a protegessem. Todos concordaram que estava fora de cogitação levá-la ao porto ou deixá-la sozinha.

Correndo em direção ao templo, Cassius e Ysolde se deparam com o caos que se espalhava por Solana. Gritos, sinos e fumaça se misturavam, deixando todos nervosos e assustados. Alguns guardas continham algumas pessoas que tentavam roubar lojas, homens brigavam por qualquer disputa tola, e diversas pessoas corriam com baldes d’água.

Com dificuldade de caminhar pelas ruelas estreitas, os personagens e a criança finalmente chegam à morada de Thud em Solana, que estava ligeiramente diferente da última vez que estiveram por lá. Uma grande barricada improvisada estava na frente do portal do templo, sendo mantida por alguns bastões e lanças que tentavam empurrar para longe diversos cães negros atrozes que tentavam entrar no templo.

Cassius heroicamente então começa a auxiliar os que mantinham a barricada, atacando os cães do outro lado. Após atravessar uma criatura, o paladino recebe algumas mordidas na panturrilha, deixando-o ajoelhado e vulnerável. Espertamente, Ysolde conjura algumas ilusões para auxiliar Cassius, que também é protegido pelas lanças e bastões de dentro da barricada.

Após alguns instantes de luta, latidos e guinchos, o templo é finalmente liberto, e a criança mantida em segurança. “Quero meus pais”, dizia a pequena chorando, mas Cassius e Ysolde já corriam em direção ao porto.

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Diferentemente de Ysolde e Cassius, Palo, Ignis e Aranhanawr não tiveram dificuldade de se deslocar no caos de Solana, graças à Palo e seu conhecimento detalhado de todas as vielas, becos, passarelas e túneis da cidade. Em um piscar de olhos, os três já podiam sentir o cheiro forte de peixe e mar, além de um aroma de madeira queimando.

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Autor desconhecido

Este último odor estava relacionado a estranhas criaturas insectóides preto-avermelhadas que cuspiam fogo, atacando barcos atracados. Embora a maioria das embarcações tivessem ancorado em alto mar, longe do porto e das criaturas, alguns barcos não tiveram tanta sorte, e justamente estes sofriam com o ataque dos monstros.

Antes de poderem planejar sua ações, um sonoro “VUUUUUSHHH” indicou mais um barco sendo consumido pelas chamas, seguido de diversos “SPLASHs”, de marujos pulando ao mar.

Sem nem pensar duas vezes, os três correram para o barco mais próximo, uma grande nau cujos tripulantes lutavam bravamente contra quatro insectóides que amontavam o convés, três deles do tamanho de cachorros, e um deles do tamanho de uma carroça. Lembrando das atitudes do metadílio, Palo se arremete contra o tripulante que lutava contra o monstro carroçal, caindo os dois na água, distantes das criaturas e de Aranhanawr. Este já se dirigia rapidamente à Ignis, afirmando que ele iria acalmar os insectóides.

Depois de um pequeno bate-boca, Ignis dá de ombros e senta calmamente com as pernas cruzadas em cima de uma caixa no fundo do barco, apoiando sua mão no queixo e assistindo o espetáculo a sua frente. Pra sua surpresa, o pequeno de fato consegue acalmar duas das criaturas, imitando seus sons e fazendo movimentos lentos. Por outro lado, após alguns minutos ficou claro que o insectóide maior não estava muito interessado em ficar tranquilo.

Quando Palo, todo molhado, juntou-se à Ignis, este estava dando risadinhas do metadílio sendo derrubado pelo monstro. Sem entender, Palo saca rapidamente seu arco, mas tem seu movimento interrompido pela mão de Ignis, que diz: “o pitoco é doido, pediu pra ninguém interferir”.

Nesse ínterim, uma das criaturas escala o navio, aparecendo ao lado de Palo e Ignis, que, com um só movimento, direcionou o fogo do navio ao monstro. Para sua surpresa, no entanto, as chamas parecerem não afetá-lo, exigindo duas flechadas de Palo para que o monstro parasse de ataca-los.

“Ajuda!”

Já ferido e cansado, o metadílio finalmente desistira de acalmar a criatura 10 vezes maior que ele. Com rapidez, seus colegas pulam em cima do insectóide, usando uma corda do barco para confundir a criatura, que continuava tentando atacar Aranhanawr. Após alguns cortes e pinçadas, os três finalmente conseguem derrotar a criatura, que cai no chão liberando uma secreção verde.

Com os monstros calmos ou mortos, Ignis aproveitou o momento para usar seus poderes para controlar o fogo do próprio barco, antes que este fosse totalmente consumido pelas chamas. Com a ajuda do metadílio, os tripulantes sobreviventes colocaram os besouros em pequenas jaulas, terminando o serviço no momento que Cassius e Ysolde surgem no porto.

Com a benção do paladino, o metadílio é então parcialmente curado de seus ferimentos, enquanto os colegas relatavam os acontecimentos uns aos outros. Enquanto conversavam, um homem alto de vestes elegantes se aproximara, dirigindo-se a eles:

“Meu nome é Frollo, e sou proprietário deste barco. Perdê-lo teria trazido enorme prejuízo para mim e minha Companhia, como posso recompensá-los?”.

Os personagens então aproveitam a situação e compartilham seu desejo de dirigirem-se à Fortuna. Após algumas negociações, eles se comprometem a pagar 1.200 moedas para o comerciante em até um ano, em troca da passagem de ida para Fortuna para os cinco (originalmente isso custaria 3.000 moedas, pagas de imediato).

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Na manhã seguinte, na hora de zarpar, nenhum dos companheiros conseguiu encontrar Aranhanawr. Onde poderia estar o metadílio?

Após muita procura nos arredores, Ignis encontra-o abraçado a um cachorro ao lado de uma taverna, cheirando à bebida e todo sujo. Aparentemente o pequeno havia tido uma noitada turística nas tavernas e bordéis de Solana. Com muitas risadas, o piromante carrega o pequeno nas costas, levando-o até o barco.

Nesse meio tempo, Cassius e Ysolde descobrem que a criança que eles haviam salvado, Mary, tinha virado protegida do templo de Thud. Seus pais não haviam sobrevivido ao caos de Solana. Com a doação de algumas moedas, a maga então busca aplacar sua consciência, que, junto com seu coração, dizia que ela podia ter feito mais pela pequena órfã.

Já no barco, Cassius comunga com sua deusa Ísis, fazendo um cardume de peixes liderar a travessia da nau pelas águas costeiras de Érebo, evitando os bancos de areia próximos, fato que logo o fez ser bem visto por todos os tripulantes.

E foi assim que os heróis de Solana dirigiram-se à Fortuna, sem saber o que os aguardava.

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Autor desconhecido

Jogadores/Autores: Chico, Álvaro, Karina, Thomaz, Thiago, Moaka

Próxima cena: A Travessia

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