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Dragon ball, e o verdadeiro sucesso do herói

25/04/2018

Algum tempo atrás escrevi a respeito do papel simbólico que um herói pode ter no RPG, inspirado no fantástico documentário sobre nosso querido e único, Ayrton Senna.db

Hoje, também inspirado, escreverei a respeito do – na minha opinião – verdadeiro sucesso do herói, baseando minha argumentação no meu mangá favorito: Dragon ball.

Talvez quem só tenha assistido a saga Z na televisão não tenha muito conhecimento a respeito das primeiras aventuras de Son Goku. Muito diferente dos poderosos sayajins explodidores de mundos, a escala de poder de Dragon ball era bem “pé-no-chão”, e assim também eram a maioria dos personagens que interagiam com o menino com rabo de macaco.

Estou falando aqui especificamente de Yamcha, Oolong, Kuririn e Tenshinhan. Todos eles tinham algo em comum: queriam superar, derrotar ou pelo menos se livrar do jovem Goku. Se você acompanhou somente Dragon ball Z, você provavelmente vai estranhar essa lista, já que, nessa saga, todos estes personagens são amigos/aliados de Goku. Pois é, mas na realidade todos eles surgiram no mangá (e, claro, anime também), como opositores do jovem aprendiz de Mutenroshi (Mestre Kame):

Yamcha era um bandoleiro do deserto; Oolong um sequestrador; Kuririn um aprendiz de monge trapaceiro e Tenshinhan outro artista marcial de uma escola rival de Mutenroshi. Son Goku enfrentou todos esses personagens e, mais do que simplesmente derrotá-los, o protagonista de Dragon ball mostrou pra eles que o mundo ia muito além do nosso próprio umbigo. Veja, esses personagens acima listados simplesmente careciam de um “bom exemplo”, por assim dizer. Todos eles só se importavam com suas vontades, passando por cima dos outros a sua volta.

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Quem leu/assistiu Dragonball lembra até hoje da emoção do reencontro entre Son Goku e Son Gohan no campeonato da Vovó Uranai

É dessa forma que, de maneira quase ingênua, Goku se prontifica a juntar as esferas do dragão pra ressuscitar o pai de Upa, assassinado por Tao Pai Pai, abrindo mão de ressuscitar o próprio avô.

Olha que mensagem interessante!
Não seria esse um papel legal de desenvolver com os heróis de uma mesa de RPG, um transformador do mundo (e pessoas) à sua volta?

Não que derrotar inimigos não seja válido, mas convertê-los em seus aliados, trazê-los à sua causa é muito mais interessante (e difícil!). Se Dragon ball nos ensina algo, é que um verdadeiro herói consegue fazer isso naturalmente. Son Goku ganha amigos sem forçar a barra, mas sim agindo como exemplo, e não esquecendo dos preceitos ensinados por seus mestres, Son Gohan (seu avô) e Mestre Kame. Essa mudança é um reflexo da própria trajetória do herói, vinculado ao crescimento pessoal de Goku, que partiu de um garoto que queria treinar pra ficar mais forte até o protetor do planeta Terra.

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O menino ingênuo e bondoso, de certa forma, nunca deixou Goku. Imagem: Dragon Planet Wiki

Acho importante frisar isso, porque muitas vezes vi personagens dito heróis irem contra seu histórico antes anunciado, e até contra a lógica, entrando de cabeça em sagas de degola de inimigos, me fazendo pensar quem era o verdadeiro monstro da história…

Veja, não estou falando de tolice ou displicência. Ainda em Dragon ball, quando Kuririn foi assassinado (pela 1a vez), após a final de um dos Campeonatos de Artes Marciais, Goku não mediu esforços pra se vingar do assassinato cruel de seu companheiro de treinamento. Mas pra isso ele não precisou deixar de lado sua própria essência.

Essa característica da série se manteve (muito bem) nas outras sagas: Piccolo, Vegeta, Majin Boo e os Andróides 17 e 18 são outros exemplos que se juntam à coleção de personagens que apoiaram o então saiyajin.

 

Pra mim um dos momentos mais marcantes da série foi o último episódio de Dragon ball, quando após derrotar Piccolo utilizando todas suas forças, Son Goku vai e ajuda o inimigo a se recuperar, compartilhando com ele uma semente Senzu (semente dos Deuses). Quando seus colegas o acusam de louco, e até mesmo Piccolo ri de sua piedade exagerada, Goku simplesmente responde que ele prefere que Piccolo sobreviva e continue treinando para enfrentá-lo no futuro.

Não por acaso, é este Piccolo que depois serve de figura paterna e treina Gohan, filho de Goku e Chichi, quando o pai estava ausente.

A saga Dragon ball representa, pra mim, além de um afago à minha infância, um relato de um artista marcial em sua essência, revelando aos fãs o que é um verdadeiro sucesso do herói.

Bora desvendar as esferas do dragão!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

 

PS: No futuro abordarei o aspecto de humor do Dragonball, e como isso pode ser usado no RPG!

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