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Diário de Design #5: Seu Jogo Precisa Ser Original?

27/12/2017

É, eu sei que a pergunta pode soar estranha neste momento, mas ela é necessária neste momento da etapa de criação.

“Mas Jairo, você bem que podia ter feito ela antes, né?”

Talvez eu a tivesse feito, leitor. E isso poderia contribuir na desmotivação de seu projeto.

“Então, por que fazer agora?”

Bom… uma vez que você já tenha delimitado a experiência de seu jogo, o tom em que ela será apresentada, os papéis de atuação possíveis nele e o grau de distribuição de Meta Jogo, é hora de ver se algum dos sistemas já disponíveis no mercado não é bom o suficiente para corresponder às suas expectativas.

Afinal, se já temos alguns bons sistemas disponíveis no mercado, por que se dar ao luxo de partir para algo novo, e ainda inexplorado, não é mesmo?

Caso você tenha ficado em dúvida perante esta pergunta, caro leitor, deixo aqui a recomendação: leia quantos jogos você puder. Sim, é isso mesmo: leitura de jogos pode contribuir bastante na sua resolução, e digo isso por experiência própria (afinal, a minha experiência com game design se resume a isso: leitura maciça de vários jogos, em paralelo com a formação de um acervo destes mesmos livros de referência). Assim, você pode transformar o seu caminho de produção em uma bifurcação.

Agora, você poderá optar por fazer uma Adaptação, ou um Hack, em vez de se aventurar em um sistema original.

 

Coleção

D20PathfinderSavage WorldsFATELost DiceApocalypse EngineGUMSHOEStorytellerGURPS… tantos sistemas disponíveis por aí, e você ainda preocupado em criar o seu próprio?

 

Pano de Fundo

Ao transformar seu projeto em uma adaptação, você vai construir um cenário para um sistema já publicado. Ou seja, você não se preocupará tanto com as regras e poderá, por tabela, trabalhar detalhadamente na sua história, e contexto.

Por um lado, as modificações na mecânica serão breves, ou apenas estéticas: tudo isso vai depender da profundidade que você propõe em seu cenário. Mesmo assim, o foco estará muito mais no storyline que nas regras em si – e a imersão estará no saber acerca do cenário (algo bem parecido com o contato literário com um livro, por exemplo).

A maioria dos sistemas comporta adaptações, e estas podem partir de qualquer coisa: filmes, seriados, jogos digitais, quadrinhos, literatura… basta juntar um cenário e/ou contexto que seja de sua predileção (ou autoria, mesmo) com um sistema de sua preferência, e partir para sua complementação, com aventuras suplementos caso a adaptação permita esse desenvolvimento.. Muitos sistemas (abertos ou não) possuem adaptações, e estas podem ser trabalhadas sem problemas.

tormenta

Tormenta – sem dúvidas, a adaptação mais popular no Brasil. Desenvolvida em anos de trabalho, suplementos, aventuras e romances, tornou-se um cenário riquíssimo de informações… e diversidade de conteúdos, também.

“Hack The System!

Agora, se você opta por hackear um sistema para abraçar o seu projeto, o trabalho será um pouco mais árduo aqui. E digo isso porque a pretensão de um hack é maior e mais profunda que uma adaptação.

O foco do hack é a experiência propriamente dita, a sensação de jogar, a transmissão de seu conteúdo de modo visceral – e isso é possível pela modificação severa de suas mecânicas. Ao escrever um hack, você vai usar as lógicas centrais de um sistema, mas não necessariamente seus enunciados: situações mudam, e as formas de intervir a eslas naturalmente mudam também.

Pelo seu grau de compreensão e proundidade individuais, um hack não precisa ter como base um sistema aberto. Você pode hackear um jogo fechado, com proposta bem definida… e dele, criar algo novo – com os devidos cuidados autorais (sempre mencionar o jogo que originou o hack, por exemplo) e modificações cabíveis ao seu projeto.

man in gas mask

Já citado aqui antes, o Apocalypse World já gerou uma infinidade de hacks desde seu lançamento, em 2010: MonsterheartsNight WitchesMonstro da SemanaThe SprawlSertão BravioDungeon WorldWorlds in Peril… e, em breve, teremos mais um hack nacional dele…^^

De Volta ao Caminho Original

Então, você leu diversas adaptações e hacks de jogos, certo? E nenhum desses modelos te atraiu completamente? Se voce possuir essa certeza, então você pode prosseguir na construção do seu jogo.

Neste caso, vou prosseguir com a recomendação: leitura de muitos jogos. Leia, e até mesmo releia os jogos que você já leu – não apenas para atentar a um estilo ou outro, mas para prestar atenção aos seus mecanismos. Guarde aqueles que você valoriza dentro dos jogos que leu, os anotando para algum uso posterior (pode fazer isso, que não é feio) e, quem sabe, os moldando para o seu projeto.

Mais que isso: busque referências para endossar o que você já tem definido pro seu jogo. Filmes, livros, matérias de jornal, documentários, quadrinhos… busque o que puder para enobrecer sua premissa, e também já encher de idéias e expectativas para o seu jogo.

 

livros-de-alquimia-operativa.jpg

Afinal, toda boa fórumla requer pesquisa e experimentos, correto?

 

O por que disso? Você verá no próximo capítulo deste Diário. ^^

Que Luna os ilumine, e nos vemos no ano que vem!

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One Comment leave one →
  1. 06/01/2018 19:27

    Perfeito, Jairo.
    Ler e jogador são as melhores maneiras de ganhar conhecimento sobre os diferentes jogos. Testar de tudo, ver as possibilidades, conversar com colegas, pesquisar…

    Essa é uma dica preciosa pra qualquer game designer!

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