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Agora o negócio ficou sério: Serious Games

01/11/2017

Ano passado, durante uma disciplina do mestrado, tive a oportunidade de entrar em contato com jogos voltados ao meio acadêmico e profissional, ou, mais especificamente, jogos ligados ao planejamento urbano. Não, não estou falando de The Sims ou Suburbia (apesar de eu gostar muito do último), mas de outros jogos que me abriram a porta pruma área de estudo mais abrangente, chamada de serious games.

Os serious games possuem diversas características dos jogos que estamos acostumados, com uma diferença bem importante: eles não estão voltados ao entretenimento. Esse tipo de jogo almeja colocar o jogador em contato com algum contexto, experiência, ideia e/ou ensinar algo a ele, seja um conhecimento ou uma habilidade.

Muito teórico?

Vejamos dois ótimos exemplos:

Os dois jogos são excepcionalmente simples – não duram nem 5 minutos, e, na minha opinião, são extremamente eficazes em transmitir sua mensagem: o primeiro a respeito da exploração infantil nas colheitas de algodão no Uzbequistão, e o segundo da dificuldade de crianças autistas se relacionarem com não-autistas.

O conteúdo aqui é muito mais importante que a forma – você pode ver que os jogos são visualmente bem “toscos”, também relacionado ao próprio contexto de criação deles (o AUTI-SIM foi criado durante um hackaton em Vancouver, no Canadá).

O escopo dos serious games, no entanto, é tão amplo quando os de qualquer outro tipo de jogo, indo do mais simples (como os exemplos acima) ao mais complexo (como jogos para transformar o comportamento de motoristas no trânsito de uma cidade, ou jogos-simulações para práticos aprenderem a manobrar navios em um porto).

Pessoalmente, em outro post já deixei claro minha motivação principal para jogar RPG. No entanto, a experiência e o aprendizado (Classroom Deathmatch, A cobra vai fumar, e, claro, os LARPs que participei – 1, 2 e 3) tem, há tempos, tido papel de destaque pra mim, caminhando junto com meu próprio descobrimento e amadurecimento como game designer.

Minha descoberta de um caminho em que eu possa unir minha trajetória acadêmica/profissional (geografia, meio ambiente e urbanismo) com minha paixão (jogos), foi tão feliz, que hoje estou mergulhado no ramo, fazendo um estágio em uma empresa que desenvolve serious games aqui na Holanda.

A experiência tem sido incrível, e logo mais meu primeiro jogo “sério” deve ficar pronto. Fiz um curso específico sobre serious games organizado pela Erasmus University de Rotterdam, e foi muito intessante ver discussões acadêmicas formais sobre temas que já conversei com amigos RPGistas, da maneira mais informal possível: numa madrugada, na mesa de um bar ou em algum evento.

Talvez os serious games não sejam muito mais do que transformar experiências de jogos em negócio, mas, independente da monetização do processo, é estimulante vislumbrar o potencial deles e ver como os jogos podem ser vistos como coisa séria.

Realmente acredito que eles sempre foram.

Um abraço e Roll the bones,

Chico Lobo Leal

serious-gaming

Ilustração oriunda do Fun & Serious Game Festival de Bilbao de 2013. Autor Desconhecido.

2 Comentários leave one →
  1. 06/11/2017 12:16

    Que bacana, Chico! Mete bronca!

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