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A fantasia, o RPG e os clichês

10/07/2017

Um pouco relacionado ano meu post anterior sobre o valor do “arroz com feijão” no RPG, está na hora de falar sobre os clichês no RPG.

Como ponto de partida, vou reproduzir aqui o excelente mapa de “Clichéa”, de autoria do usuário Sarithus, do Deviantart.

map_of_clichea_by_sarithus-d8svc4c

Art by Sarithus, Deviantart

O mapa chega a ser hilário depois que comparamos as tantas histórias que seguem um padrão semelhante. Vocês sabem do que estou falando: aqueles bárbaros que vivem nas terras do norte, o lorde escuro no escuro trono que comanda as hostes do mal e o “olho do furacão” no meio do mar, que nenhum pirata ousa chegar perto, com exceção dos protagonistas na hora do aperto.

Mas, afinal, o que os clichês representam no RPG?
Uma aposta numa fórmula mágica? A exploração de um cenário já consolidado na nossa mente? Um afago na nossa zona de conforto? Um produto de um dia pouco criativo?

Talvez um pouco de tudo isso, quem sabe.
Mas é corriqueiro ver essa palavra usada numa conotação negativa: “Ah, isso é muito clichê….”

Eu concordo que o uso dos clichês tendem a deixar as experiências repetitivas e, claro, pouco originais. Mas, isso não pode ser utilizado como uma ferramenta interessante na história?

Vou pegar o exemplo aqui do nosso querido drow Drizzt Do’Urden, um dos heróis mais interessantes de Forgotten Realms e, consequentemente, do Dungeons e Dragons.
R. A. Salvatore, o autor por trás do elfo negro já disse em entrevista que sua ideia inicial era utilizar Wulfgar, o bárbaro nórdico como protagonista em um cenário bem “batido” (ou seja, cheio de clichês). No entanto, com o desenrolar da história, o foco dos seus livros mudaram do bárbaro para aquele ser que desafiava o “establishment”.

A própria existência de Drizzt, um bondoso ranger de uma raça das profundezas que sempre foi considerada má (os drows possuem uma sociedade estritamente relacionada a uma desa maligna do cenário), já dava uma boa história. E sua existência, que coloca em xeque todo um conhecimento (preconceito) sobre sua raça, é mais ainda ressaltado quando colocado lado a lado com um cenário que é recheado de clichês, com anões que vivem na montanha e são gananciosos, bárbaros selvagens de olhos e cabelos claros que vivem nas terras nevadas no norte, e por aí vai.

Ou seja, os clichês do cenário acabam ressaltando esse ótimo personagem criado por Salvatore, já que o contraste se intensifica. Tudo funciona como “deveria ser” nesse cenário, mas daí aparece o Drizzt e o mundo fica de cabeça para baixo nas suas convenções e expectativas. Olha só que interessante!

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Drizzt Do’Urden e sua inseparável pantera Guenhwyvar, na capa do livro The Orc King. Ilustração de Todd Lockwood.

Se você nunca leu nenhum livro do Salvatore, recomendo muito a Estilha de Cristal (The Crystal Shard) e demais obras da coletânea. Drizzt é um personagem fenomenal. Tão fenomenal, que hoje em dia a existência de drows bondosos em grupos de D&D já é visto como clichê…

Da mesma forma, tendo clichês como ponto de partida, cenários que fazem um esforço hercúleo para ir no sentido contrário acabam sendo mais interessantes pelo contraste com o “convencional”. Cito aqui o exemplo de Darksun, um cenário muito louco em que os elfos são tudo menos honrados, ao mesmo tempo que os halflings são tão selvagens que muitos exercem canibalismo.

É meus amigos, recheado de clichês ou indo na direção diretamente oposta deles, o cenário é muito importante!

Agora… e os personagens-clichês? Quantos guerreiros com espada e escudo vocês já viram por aí? Até que ponto vocês conseguem diferenciá-los?

É aí que os detalhes fazem diferença meus amigos.
Aquele elemento que vai fazer seu personagem se sobressair do rol dos guerreiros de espada afiada e escudo em formato de V ou O.

O próximo tomo a ser adicionado à Biblioteca de heróis, sobre o famoso Terêncio Torres, talvez meu único guerreiro de espada e escudo, vai retratar um destes exemplos de personagens-clichês que ainda assim tem seu brilho. Assim que o post tiver pronto faço o link aqui neste parágrafo.

Por hora os deixo com uma recomendação de livro e, espero, material para refletir a respeito dos clichês!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

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2 Comentários leave one →
  1. 10/07/2017 10:54

    “Quantos guerreiros com espada e escudo vocês já viram por aí”

    Jogando RPG com o Tito a vida toda, perdi a conta! Hahahahaha

    • 10/07/2017 14:46

      O caso do Tito é tão maluco, quem além de terem personalidade (covardes), roupas e armas iguais, os personagens deles ainda tinham o mesmo nome! hahaha

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