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As contendas do Dungeons e Dragons

21/03/2017

Por algum motivo, os processos judiciais sempre acompanharam a história do Dungeons e Dragons. No último livro que li a respeito sobre o jogo, Empire of Imaginationo autor Michael Witwer fornece alguns episódios, como as contendas entre Gary Gygax e Dave Arneson (criadores do D&D e, consequentemente, do RPG) e entre Gary Gygax e a Tactical Studies Rules, TSR (Após ter perdido sua posição na empresa que fundou, Gary  ainda foi alvo de processos no RPG subsequente que publicou, o Dangerous Dimensions/Journeys).

Já em terras tupiniquins, o D&D chegou por meio da Grow, na década de 90, com jogos de tabuleiro, e depois pela Editora Abril, lançando o AD&D.

A Devir, empresa que por muito tempo foi “A” empresa relacionada ao RPG no Brasil, adquiriu os direitos do Dungeons e Dragons em 1999, e até então, foi a responsável pelo lançamento da 3a e 4a edição do jogo em português.

A 5a edição, no entanto, acabou de entrar pro rol das contendas que permeiam o D&D, desta vez com personagens brasileiros. Publico aqui um post do Mr. Pop, da Redbox Editora:

FOI UM DIA ESPECIAL… aquele 28 de novembro 2015. Fábio Ribeiro, nosso despachante, havia conseguido uma brecha com a Hasbro e haveria a possibilidade de começarmos a tratar da publicação do D&D no Brasil. Para uma tarefa tão árdua, tão grande, tão pesada o Fábio cometeu o primeiro dos erros que cometeria nesta história toda, mas com certeza o mais complicado dos erros.

Formou um grupo de editoras que trabalhariam no projeto D&D, ou seja uma forma de unir editoras para conseguir a publicação do D&D no Brasil em português.

Foram convidadas para o projeto a Redbox, a Meeple BR e a Fire On Board que formariam uma nova editora, uma Joint Venture chamada FMR (com as iniciais das empresas, Fire Meeple Red) com objetivo único de publicar o D&D.

Após meses de reuniões, idas e vindas, emails respondidos, outros esquecidos, projetos formulados, formulários preenchidos, estávamos muito próximos de conseguir finalmente a licença do D&D para o Brasil quando descobrimos uma informação quente. A Gale Force Nine da Inglaterra estava sublicenciando o D&D para outros idiomas com o Aval da Wizards. Havíamos descoberto o por que do processo estar parado em Seattle.

Aqui cometemos o erro 2. Vejam só:

Trocamos o Fábio, interlocutor com a Hasbro/Wizards, pelo João Barcelos da Fire On Board. Deste ponto em diante o João seria o responsável por negociar o licenciamento do D&D pela FMR. e assim foi por todo o ano de 2016 quando tivemos uma reunião em ESSEN com a Gale Force Nine.

Na reunião conhecemos toda a equipe, ficamos sabendo que iríamos ser a editora do D&D no Brasil que tudo estava certo e que teríamos que correr com a produção, tradução e etc. Estava tudo certo. Só falta o que? O contrato da Wizards conosco que estava sendo “aprovado” pela matriz e seria assinado em breve.

Com essa resposta positiva de sucesso nas mãos, partimos para a parte prática da coisa. Marcamos uma reunião com todas as empresas aqui em Niterói em novembro de 2016. Eram os últimos passos para termos o D&D em português. E eles foram dados durante um sábado de grande trabalho numa reunião que levou praticamente o dia inteiro.

Veio pela Redbox, eu e o Fabiano pela Redbox, o Diego Bianchini pela Meeple Br, o Fábio Ribeiro pela Rigo Logística e pela Fire on Board uma comitiva. João Barcelos, sua namorada Aline e o irmão da namorada do João (?!?!?) Yuri.

Várias coisas ficaram decididas. Preço, forma de trabalho, divisão das tarefas (a Redbox ficaria a cargo da parte editorial, tradução, diagramação e parte gráfica bem como a comercial), um selo para ser trabalhado e não confundir com as empresas antigas, que teríamos um blog para material não oficial, quem faria essa ou aquela coisa. Enfim, decidimos TODA a parte contratual da FMR. Sabíamos quem faria o que e quanto cada empresa teria de pagar para entrar no projeto.

Como já era novembro e o prazo era curto, começamos as traduções já na semana seguinte. Formamos um equipe de tradutores e revisores profissionais (Gabriel de Oliveira Brum, Nino Xavier Simas e Elisa Guimarães) que também eram jogadores para traduzir o Players e deixamos a coordenação da tradução na mão do Igor Moreno. Conheço poucas pessoas que manjam mais de traduções, inglês e D&D 5 ed. no Brasil (Valeu cara! Fomos sacaneados mas valeu pelo trabalho classe A)!

No entanto após a formação da empresa estar combinada algumas coisas começaram a acontecer, isso acendeu a luz amarela, mas infelizmente nunca tivemos uma visão clara do que estava acontecendo…

O contrato da Wizards nunca chegava. as reuniões que o João Barcelos fazia nunca eram reportadas direito. só frases curtas e sem muito direcionamento, tipo “eles estão cansados do evento. Ficou pra semana seguinte”. E coisas desse porte. A Luz amarela começava a ficar laranja.

Veio o ano novo e a promessa era de contrato assinado em janeiro!

Esperamos janeiro e a assinatura do contrato foi prorrogada mais uma vez para fevereiro.

Chegamos em fevereiro e descobrimos que a FoB já estava usando a alcunha “editora que publicará o D&D no Brasil” como forma de melhorar o seu desempenho junto aos lojistas. Interpelado por isso, João Barcelos pediu desculpas e disse que isso não se repetiria…

E não se repetiu.

No dia que receberíamos o contrato para assinar, recebemos um email vago e exageradamente pseudojurídico informando que a FoB não tinha mais interesse no projeto e se retirava do projeto D&D/FMR.

Como assim? Mas em que pé as negociações pararam? Por que vcs saíram do projeto? Nada foi esclarecido e quando procuramos a Gf9 para retomar a negociação, a bomba!

“A Fire on Board já assinou o contrato do D&D para o português. Desculpe mas não sabíamos dessa história. Passar bem.”

E foi assim que soubemos que fomos sacaneados. Muito sacaneados.

Fizemos várias reuniões sobre como lidar com isso? Jogar no ventilador? Processar? Embargar o negócio? Mandar comunicação por escrito através de advogados? Temos pilhas e pilhas de provas, emails, fotos, mensagens, e até vídeos e áudios, vale a penas processar? Vamos Comunicar a Wizards e a Gale das complicações jurídicas que viram pela frente? Foram várias as sugestões do que fazer.

No fim, definimos que não iríamos atrapalhar o D&D no Brasil. Não seria justo com esse monte de jogador que anseia pelo livro e que não tem oportunidade de jogar em inglês. Não atrapalharemos nosso mercado. Não sacanearemos com ninguém.

Essas coisas pertencem a vida. À entidade que vc acredita. Seja carma, inferno, danação eterna, consciência, lado negro da força. Seja no que você acreditar.
Estas coisas voltam e elas costumam voltar em dobro! Aproveite enquanto você consegue! Seja feliz! E continue baixando a cabeça quando passar perto da gente. Pessoas que agem dessa maneira, que acreditam que “vale tudo no mundo corporativo” não costumam ir muito longe. Ou melhor elas chegam até muito longe, mas quando caem… #eikefeelings

Deve ser um orgulho danado anunciar a publicação no seu país e no seu idioma! Mais do que caminhões de dinheiro (que nós sabemos pelas contas e orçamentos que fizemos enquanto estávamos no projeto, não virá) deve dar um orgulho danado ser o portador da licença do D&D no Brasil. Mesmo que para isso você tenha de enganar outras 3 empresas, dezenas de pessoas, esmagar sonhos pessoais, realizações de infância de um monte de gente.

Enfim, pra concluir. Parabéns pro nosso mercado que voltará a ter o D&D e português. Parabéns pela Fire On Board pelo golpe de mestre. Talvez vcs entendam mais de D&D do que a gente por que rolaram um 20 no ataque pelas costas.

Pra nós, resta apagar os PVs perdidos e seguir em frente. Nos vemos no Vigésimo Nível.

No mesmo dia a Fire on Board anunciou que publicaria o D&D 5a edição no Brasil. E algumas horas depois, também fez um post no Facebook, em resposta.

Aparentemente o Dungeons e Dragons carrega consigo um tesouro que diversos aventureiros, com e sem escrúpulos, disputam.

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

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