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Gary Gygax, o primeiro Mestre

04/03/2017

Em 2008, em uma cidade e país diferentes, eu estava em uma livraria vendo as novidades e me deparei com a Revista Piauí, da qual sempre fui fã. Pra minha surpresa e incredulidade, achei um artigo sobre meu hobby predileto, intitulado “O Senhor dos Nerds“. O artigo era uma epígrafe a respeito de um cara chamado Gary Gygax, que havia falecido há poucos dias.

Foi meu primeiro contato com o nome, e onde aprendi sobre uma das principais figuras do RPG. Invariavelmente, uma tristeza me abateu. Eu sentia tanta gratidão por esse cara…

empire-of-imagination

Thanks, Matt!

Recentemente um amigo compartilhou comigo o livro Empire of Imagination (lançado no Brasil como Dungeons & Dragons: O Império da Imaginação), que conta a história do nascimento do Dungeons and Dragons (fiz um post sobre isso há alguns anos, se vocês quiserem conferir) e o papel do Sr. Gygax nisso tudo. O livro é ótimo, e, em caráter biográfico, tece a teia entre o nerd Gygax e o jogo que ele ajudou a criar.

Talvez seja meio difícil imaginar isso hoje em dia, mas, há 40 anos, o nerds estavam na base da cadeia alimentar. A história de Gary é a história de muitos de nós, jovens “esquisitos” que adoravam histórias, e viam os jogos como um canal de socialização e desafio intelectual. Era com um sorriso que eu lia a trajetória do criador do D&D e fazia os paralelos com a minha própria.

Algumas passagens do livro me surpreenderam muito, e me motivaram a escrever esse post, para compartilhar algumas reflexões.

Gary Gygax era Testemunha de Jeová, uma das religiões mais “fechadas” que conheço. Fiquei muito surpreso com isso. Já ouvi diversas frases bem preconceituosas dos fiéis, apontando dedos e gritando “coisa do demônio”, no jeito mais caricato possível. Na realidade, foi uma ótima surpresa ler a respeito da religião do Sr. Gygax. Ver que as generalização são injustas, e como indivíduos conseguem superar dogmas religiosos, se eles assim quiserem.

E falando em coisas do demônio, também me surpreendi, e achei bem interessante, com a quantidade de associações do D&D com práticas satanistas na década de 70 (e que continuam até hoje, em menor escala), que marcaram a história do jogo e alimentaram crenças ignorantes e preconceituosas dos norte-americanos, que viam o jogo como um ótimo alvo para se tacar pedras (e vender jornais). Afinal, era um jogo que reunia os “outcasts”, os esquisitões. O mais incrível, na realidade, é que todo essa propaganda anti-D&D serviu para aumentar exponencialmente a visibilidade do negócio. Na mesma época que diversos jornais publicavam colunas de “especialistas” a respeito dos perigos do jogo, as vendas do Dungeons and Dragons iam às alturas. Backfire.

Por último, e definitivamente não menos importante, caí da cadeira quando descobri que o Gary Gygax foi o responsável pela criação da Gen Con, maior convenção de RPG que existe até hoje! O Sr.Gygax foi quem acreditou no potencial da coisa e deu a cara pra bater há quase 40 anos, em 1968. Caramba, olha a importância desse cara!

Gary dizia, justamente, que o seu principal legado não foi criar um jogo, mas sim propiciar que jovens que eram escolhidos por último nos esportes tivessem uma chance de se socializar. Nas suas palavras, os RPGistas eram como “crianças procurando por uma família”.

Um por todos, todos por um.

Obrigado Gary!

Roll the bones,

Chico Lobo Leal

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Homenagem à Gary Gigax na Gen Con 2008. Fonte: Wikipedia.

 O primeiro Mestre.
Ele nos ensinou a rolar o dado.
Ele abriu a porta a novos mundos.
Seu trabalho definiu e transformou nossa indústria.
Ele nos trouxe a Gen Con.
Por isso, nós o agradecemos.

Em estimada memória de Gary Gygax, e em celebração de seu espírito e feitos.

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3 Comentários leave one →
  1. 04/03/2017 23:19

    É muito bom esse livro. Vale muito a pena.Excelente Post.

    • 05/03/2017 00:00

      Gostei muito também, fiquei contente de ter tido a oportunidade de lê-lo.
      Muito obrigado pelo comentário Vevé Leon, um abraço!

Trackbacks

  1. As contendas do Dungeons e Dragons |

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