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Campanha em Erebor – Cena 25 – Vir

06/02/2017

Cena anterior: Cena 24 – Heruwyn

Os membros da Casa de Girion, aquela a qual eu prestei juramento, mais uma vez se mostravam uns calhordas.

Felizmente a geração mais nova aparentemente possuía alguma salvação, pois Brand, neto do Matador de dragões, se mantinha afastado da política, e Bard II tinha a cabeça no lugar e Heruwyn confiava nele (os dois aliás estavam bem próximos…). Bain no entanto era um safado filho de uma orc, e eu precisava dar um jeito de me livrar dele.

Coloquei alguns dos meus na cola do facínora, e instruí Heruwyn a convencer Bard II a conversar com Berion na prisão. Talvez ele acreditasse . Talvez o amor de seus olhos desanuviassem seus preconceitos. Talvez…

Havia ainda a questão de Rowenna, que me intrigava. Algo me dizia que ouviríamos dela logo mais…

***

– Senhor Vir, durante a noite meu sobrinho relatou luzes e fumaças estranhas saindo casa de Bard. Pela manhã dois homens vestindo negro deixaram a casa, carregando uma arca.

Eu desejava do fundo do meu peito vingar Hardhart e Thraurin, decapitando aqueles desgraçados, mas minha preocupação agora era com os vivos. Por enquanto.

Precisávamos nos livrar de Bain sem causar uma guerra civil e nem levantar suspeitas. Mas… como?

– Vir, seu amigo anão está na frente da casa. Ele não abriu a boca, mas imagino que queira falar contigo.

Meu primo Mansoor tinha se acostumado a essa invasão de pessoas. Logo eu precisaria de uma casa própria para parar de importuná-lo. Mas o que estava dizendo? Logo não haveriam mais casas, apenas cinzas e ruínas sobre a terra…

***

Qhorin estava diante do portão vestindo um uniforme da Montanha. Sua expressão era séria, e, se possível, seus cabelos mais brancos e ralos.

– Pai, que ótimo vê-lo! Falco me contou o que aconteceu, já estava recrutando os rapazes para tomarmos Erebor e darmos uns tapas no velho Pé-de-ferro. Vamos entrando?

Qhorin me acompanhara, e me retribuiu o abraço que lhe dei, mas eu sentia que havia algo errado no ar.

– Erebor está se preparando para a batalha que se aproxima? Seus parentes distantes já foram convocados?

Silêncio…

Entramos na sala da casa de meu primo e apontei para que Qhorin sentasse. Comecei a reunir alguns quitutes e me deparei falando sozinho novamente.

– Erebor estará sozinha nessa empreitada enquanto Bain estiver no poder. Aquele mau caráter bem que poderia cair da escada e quebrar o pescoço. Dáin precisa saber que o filho de Bard está trabalhando com o inimigo. E diacho Qhorin, porque não fala nada?

O anão então levantou, tirou um pergaminho do bolso e me entregou. Era um papel grosso, com runas escritas e o símbolo de Erebor e a casa de Dáin.

Saudações Bard, o Arqueiro

Eis que os tempos são sombrios novamente, e a hora de unirmos nossas armas se aproxima. Ficaria honrado de receber um membro da Casa de Girion em Erebor, para alinharmos nossas estrategias.

Dáin Pé-de-ferro
Ano 3019 do calendário dos homens

PS: Perdoe as poucas palavras de meu mensageiro. Este falou na hora errada e acabou perdendo a língua

Engoli em seco as últimas palavras da carta.

– Me perdoe meu amigo, fui insensível.

Fiz uma reverência, colocando minha mão cerrada sobre o peito. Os anões tinham leis rígidas, cravadas em pedra. Não havia barganha de mercador com o povo de Dúrin. Os barbudos eram tão flexíveis quanto a rocha que sustenta a Montanha.

Qhorin abanou a mão, fazendo sinal de pouco caso e sentou novamente. Aproveitei e o atualizei sobre os últimos acontecimentos e a necessidade de executarmos Bain. Qhorin acenou efusivamente e bateu o punho na mesa.

Certas coisas não precisam de palavras.

***

– Vamos preparar uma emboscada usando mantos negros, como àqueles usados pelos lacaios de Mordor. Nos livramos do velho e ainda botamos a culpa dos bandidos.

Depois de 2h conversando, essa fora a melhor ideia, vinda de Heruwyn. Falco estava visivelmente inquieto, e Qhorin tinha dificuldade em se expressar na sua nova condição. Tínhamos pouco tempo para tentar qualquer coisa, pois a comitiva de Bain iria à Erebor na manhã seguinte. O caminho entre Valle e a Montanha era curto e, para piorar, bem guardado. O plano era quase desesperador, mas precisávamos fazer algo. A perspectiva de Bain saber dos planos dos anões não me agradava nem um pouco.

Na noite antes da execução do plano, a insônia me abraçara e resolvi ficar no terraço para fumar e esvaziar a cabeça. Um hábito que herdei do meu pai verdadeiro, Vir. Que por sua vez aprendeu com seu próprio pai, Vir.

Quando senti a brisa da noite percebi que eu não era o único ali.

– Sem sono, amigo?

– Vir… Sim, minha cabeça pesa tanto que meu travesseiro não a sustenta.

Botei a mão no ombro de meu pequeno companheiro e falei:

– Sabe Falco, as vezes temos que tomar escolhas difíceis. Muitas vidas estão em jogo…

– Não amigo, você me entendeu errado. Não tenho dúvida da necessidade de nosso plano. Ele é preciso. Mas ele é louco, não vai dar certo.

Suspirei. Era verdade.

– Não temos muitas opções Falco, diacho. A menos que você tenha alguma idéia brilhante, a de Heruwyn foi a mais praticável, já discutimos sobre isso.

– Eu… eu acho que tenho outra ideia. Mas droga, vocês vão ter que confiar em mim…

***

Nossa manhã fora cheia. Falco virou a noite na cozinha, enquanto eu explicava o plano e nossos papéis para Heruwyn e Qhorin. Eu temia que o último não se sentiria a vontade, mas o pai de Ágrapo me surpreendeu com um sorriso macabro e um brilho estranho nos olhos. Qhorin grunhiu e fez um joinha.

Juntamo-nos à comitiva de Bain em cima da hora. O rei interino estava em seu cavalo pomposo, reclamando aqui e acolá a altos brados que seus servos eram incompetentes e que não prestavam nem para conseguir um desjejum para seu senhor.

Heruwyn fizera sua parte.

Aproveitei o falatório para aproximar meu cavalo, com Qhorin a minha direita. Heruwyn ia um pouco a frente com Bard II, e Falco ia na garupa do anão.

– Bom dia Senhor Bain, lindo dia não?

– Bom dia Mestre Falco. Vejo que está mais falante que seu companheiro.

Alguns homens riram, e eu desejei, não pela primeira vez, dar uma bicuda na cara daquele babaca.

– Ha ha ha, bela piada senhor. Na verdade Qhorin está ainda mais quieto pois está desfrutando de deliciosos cogumelos preparados pelo Mago das Panelas do Condado. Ou seja, eu mesmo.

Seguindo precisamente o roteiro, Qhorin enfiou a mão no seu alforje, e retirou um cogumelo ridiculamente cheiroso. Seu aroma era inebriante, e sua aparência prometia sabor.

Bain lambeu os beiços, e Qhorin mastigava com um sorriso no rosto. Logo após o primeiro, o anão pescou um segundo.

– E o Mago das Panelas não teria uns cogumelos para o Príncipe de Valle? Ele ficaria muito grato.

Falco fez uma cara de espanto e passou o conteúdo do alforje para Bain.

– É uma honra, senhor.

O guloso ainda teve um espasmo de falsa gentileza e entregou mais um cogumelo à Qhorin. Logo em seguida, no entanto, jogou dois cogumelos na boca, mastigando com gosto.

Tive que me esforçar para conter as mandíbulas do rosto.

Cavalgamos por menos de 5 minutos até que os primeiros efeitos começassem.

Bain começou a tossir e quase caiu do cavalo. A comitiva parou, e logo um curandeiro foi chamado.

Falco e eu emoldurávamos caras espantadas. Heruwyn corria com Bard II para ver o que acontecia. Qhorin não expressava reação alguma, apenas mastigava enquanto exibia metade de seu cogumelo, para quem quisesse ver.

Falco nos esplicou sobre ele. O fungo entrava em reação na boca das pessoas, soltando seu veneno sob a língua, que inchava e sufocava a vítima.

Língua que Qhorin não mais tinha.

baked-mashrooms

“De Vir, com amor”. Fonte: Photobucket – Khaugiri.

 

 

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