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Campanha em Rokugan -Cena Dezessete

23/10/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Passado o furor e tensão instalados em Ninkatoshi, nossos heróis se recuperam das mazelas que sofreram. Kaori precisou enfrentar um inimigo do passado – o malicioso Bayushi Terada – para se manter viva, com o apoio de Takashi. Este, por sua vez, precisou lidar não apenas com o desafeto de sua aliada, mas também com Doji Sasuke – aquele a quem a jovem fora prometida…

O Caranguejo, por sua vez, precisou enfrentar Miya Tetsuo (possuído pela entidade Ganryu) e Matsu Koji (também vítima de seus encantamentos), quse morrendo por isso. Mais do que isso, ele agora enfrenta a culpa de ter assassinado brutalmente o amado de Kaori…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

出発 (Partida)

Takashi ajudou Doji-sama em sua breve caminhada. Nos portões do imponente Kyuden da Cidade da Permissão, um homem esguio e bem asseado os esperava.

“Peço-lhe desculpas pela descortesia, Doji-dono.”

O sujeito se curva respeitosamente, pouco antes de retomar suas palavras.

“Sou Ikoma Dewanosuke, o daimyo desta cidade, e como tal assumo total responsabilidade por tudo que aconteceu nestes últimos dias.”

A peculiar arrogância do cortesão aflorou em sua postura, e breves palavras.

“É bom saber disso. Afinal, este caos quase me tomou a vida”.

Takashi apenas observou àquilo, em silêncio absoluto. Percebera o declinar dos olhos do anfitrião.

“Enfim, leve-nos ao seu prisioneiro.”

Na mente do peregrino, as palavras de Sasuke pairavam, sem nada entender. Logo, Dewanosuke os conduzia palácio adentro, sem nada dizer.

“Soube por meus vassalos de que capturaste aquele que tentou me matar. E acho justo que me leves até o bastardo, para que eu conheça seu rosto.”

“Irei levá-lo até lá, Doji-dono. Mas antes, gostaria que me acompanhassem…”

Juntos, contornaram a torre por seus jardins – que Takashi conhecera, há pouco tempo atrás, em seu confronto contra as irmãs Megumi. Chegando aos fundos do palácio, o jovem duelista não pôde deixar de reparar nas lápides que lá estavam, lado a lado.

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Os serviçais que ajeitavam as lápides estavam terminando seu trabalho, deram lugar aos visitantes. Entregaram ao daimyo uma urna bem trabalhada, que antes estava sob sua proteção.

“Sei que não sou digno de fazê-lo. Mas, em nome dos Leões que vocês defenderam em vida, peço que as Fortunas velem o seu descanso”.

Abriu a urna, despejando sobre as lápides as cinzas de pai e filha, juntos em vida e morte.

“Que seus feitos jamais sejam esquecidos, mesmo pelas gerações que ainda virão”.

Se Takashi expressava todo o respeito pela cerimônia, Sasuke assistia àquilo com a clara expressão de enfado no rosto.

Tão logo a cerimônia se encerrou, o trio caminhava novamente pelos arredores do Kyuden. À sua volta, muitos etas empenhavam-se em limpar as marcas de sangue nas paredes e muros, inclusive dentro do palácio. Dewanosuke guiou seus visitantes pela escadaria, até parar subitamente em um dos aposentos no caminho, vigiado por um sentinela dos Leões.

Em seu interior, Bayushi Terada estava confortável em seu leito. O tórax desnudo mostrava bandagens e curativos, provavelmente recebidos na noite anterior.

“Mas que surpresa agradável!”

L5R-Crane Mon

Após uma hora na barraca de takoyaki, Lishida e Kaori caminharam juntos pela cidade (algo que não conseguiram fazer desde sua chegada). Procuravam por um lugar calmo, para que pudessem harmonizar consigo mesmos.

O único lugar que não lhes remetia aos acontecimentos dos últimos dias era, ironicamente, um santuário dedicado à Bishamon, a Fortuna da Força. Em volta de sua estátua, um campo aberto e sem jardim – provavelmente usado para duelos, ou quaisquer outras demonstrações de força.

Sentando-se aos pés do monumento, Kaori trouxe consigo um odre de chá que comprara no passeio. Servindo a si própria e ao guerreiro, deu início a uma cerimônia do chá (tradição bastante comum entre os rokugani, mas desconhecida para os membros do clã Caranguejo).

Com mesuras e movimentos exuberantes, o ato de servir chá mais parecia um instante de louvor aos espíritos. E tudo isso contribuía para expandir a consciência e sentidos daquele casal. Assim, ao sorver os primeiros goles, o mundo se desabrochava para eles: uma torrente de sabores, aromas e sons os dominou, tão logo fecharam seus olhos.

Lishida percebia o sussurro dos Kami ressoar pelo vento, como uma árvore se deixando levar pelo balançar de seus galhos. Era uma sensação maravilhosa e indescritível, como apenas o êxtase da vida poderia ser, e que aquela dama compartilhou com ele.

O abrir dos olhos aconteceu apenas ao anoitecer, com a satisfação de novos ares e perspectivas sobre o mundo que os cerca. Foi nesta hora que o Caranguejo se levantou, para saudar a Fortuna da Força.

Com um odre largo de sake, derramou parte da bebida aos pés da estátua e bebeu – não apenas em honra à Bishamon, mas também àqueles que viu utar e morrer naquela cidade: Matsu Hibiki e seu pai, Matsu Koji.

Ao brindar pelos falecidos, tanto ele quanto Kaori sentiram a súbita mudança nos ventos, que sopravam agora das costas do monumento, por alguns segundos. A jovem Samurai-ko, que registrava tal paisagem em seu caderninho, sentiu-se tocada por aquilo, provavelmente encarando-o como uma resposta divina.

L5R-Crab Mon

“Então, esse é o seu suposto assassino?”

Sasuke deixava sua insatisfação soar com inquietante clareza; Terada, no entanto, parecia se divertir com tudo aquilo, encarando Takashi com desdém.

“Você o conhece, Doji-dono?”

As palavras de Sasuke tornaram-se pesadas, como uma reprimenda a um servo.

“Claro que conheço! Este é Bayushi terada, cortesão e mensageiro de Bayushi Nitoshi, campeão do clã Escorpião. Pela palavra de Nitoshi-san, esse homem está incumbido de procurar por minha noiva fugitiva…”

Matreiro como uma raposa, o Bayushi aproveitou tal ensejo para atacar o até então quieto Takashi.

“Inclusive, foi a providência divina que o trouxe até mim na companhia desta homem, Doji-sama“.

Os olhos cansados do veterano Doji se estreitaram.

“Por que dizes isso, Terada-san?”

“Porque o homem ao seu lado sabe onde Kaori-san está”.

Os olhos do velho Garça se agigantaram sobre seu acompanhante, ávidos pela verdade. Este último, no entanto, se justificou com sinceridade ímpar.

“Não sei onde ela se esconde, Doji-sama. Eu apenas a protegi do ataque traiçoeiro deste que me acusa”.

Ignorando as palavras de seu acusado, o cortesão ferido continuou.

“Estava prestes a entregá-la para o senhor, quando esse espadachim intrometido apareceu para ‘defendê-la’. Inclusive, me feriu com a sua katana – sem demonstrar o menor respeito e consideração para comigo”.

Sasuke permaneceu indiferente, mantendo seus olhos brilhantes sobre o yorei-ke.

Takashi-san, eu lhe peço: ajude-me a encontrar Kaori-san; nosso casamento é vital para manter a paz no Império…”

O jovem Kakita, se antecipando como em um duelo, se desvencilhou do idoso nobre.

“Perdoe-me, Doji-sama… mas não posso fazer isso. Como estou cumprindo meu Musha Shugyo, não devo nenhuma responsabilidade perante o Clã Garça”.

Com o olhar endurecido pelo ressentimento, o Daimyo Doji passou a enxergá-lo como um reles vassalo; talvez, até menos que isso.

“Neste caso, não temos o que conversar”.

Acenou com a mão para Terada, como se o convocasse para acompanhá-lo. Encarava o andarilho com frieza mortal nos olhos, enquanto que o Bayushi ria com escárnio de sua cara.

“Se nos cruzarmos de novo, você irá se arrepender!”

Em silêncio, Dewanosuke chamou Takashi para seguir outro caminho…

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Kaori e Lishida chegaram caminhando até a enfermaria. Junto com as primeiras marcas da noite, encontraram-se também com Takashi e Dewanosuke, que também chegavam ao local.

“Gostaria de levá-los comigo, para jantar”.

Todos consentiram, e o daimyo da cidade os levou para um modesto restaurante nos arredores, em um local intocado pela rebelião da noite passada. Pediu para si um generoso prato de lamen, acompanhado pelos demais – com exceção do Hida, que optou pelo seu prato preferido.

Takoyaki, por favor”.

Dewanosuke riu com bastante descontração, em uma postura bem distinta do esperado dentre os Leões. Seus olhos não desgrudavam de Kaori.

“Então, esta é a noiva prometida de Doji Sasuke”.

Kaori, até então imersa em calma e tranquilidade, acabou regressando à realidade com as palavras de Takashi:

“Precisamos tomar cuidado, porque Bayushi Terada se aliou a Doji-dono“.

O suspiro dela expressou a insatisfação dos últimos dias.

“Isso quer dizer que não teremos paz alguma aqui…”

A troca de olhares despertou Lishida para o assunto.

Ikoma-sama… você pode me conseguir algum documento real que possa me permitir a entrada em Toshi Ranbo, ou que me aproxime da Imperatriz?”

Quando questionado, Dewanosuke ponderou por alguns instantes.

“Hum… pelo jeito, irão partir esta noite… posso conseguir sim, se me derem algumas horas para isso”.

Ele agradeceu, meneando a cabeça pouco antes de voltar a comer.

O grupo estava se divertindo na presença daquele homem, como se passasse séculos sem fazê-lo. Comeram e beberam, até que a satisfação os tomasse por completo.

“Bem… já é tarde, e preciso me retirar. Mas não se preocupem com nada: deixarei os sentinelas de sobreaviso, para permitir a sua passagem”.

Dewanosuke cumprimentou a todos com discrição, pouco antes de permitir que os Bushis tomassem o seu caminho.

L5R-Lion Mon

つづく (“Continua”…)

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2 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    24/10/2016 00:03

    Glossário:

    -san: Forma honorífica de tratamento, normalmente atribuída a pessoas de igual classe social.

    -sama: Forma honorífica de tratamento, atribuída em caráter respeitoso a alguém superior.

    -dono: Forma honorífica de tratamento, atribuída entre o vassalo e seu senhor.

    Daimyo: Senhor de uma cidade, ou de uma família dentro de um Clã.

    Kyuden: Em uma tradução livre, “castelo”.

    Eta: Pessoas maculadas pelo seu ofício, trabalhando com carne morta (como açougueiros ou funerários). São considerados a casta mais baixa do Império, pela sua impureza.

    Kami: Nome atribuído aos espíritos que coexistem no mundo, e em tudo que o compõe.

    Samurai-ko: Termo designado a mulheres que optaram pelo ofício de Samurai.

    Sake: Bebida alcoólica produzida à base de arroz, uma iguaria bastante apreciada em Rokugan.

    Katana: Espada de lâmina longa, normalmente empunhada por todo Samurai.

    Takoyaki: Bolinhos de polvo preparados na chapa.

    Bushi: Em uma tradução livre, “guerreiro”.

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