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A contribuição dos cenários nos RPGs

18/10/2016

Seis anos atrás eu escrevi um post sobre a diferença de Sistemas e Cenários aqui no blog. Pra mim é curioso ver como minha própria concepção sobre o RPG mudou, de acordo com minha trajetória no hobby. Não quero jogar fora o que foi escrito antes, mas acho digno dar uma atualizada no tema, que é bem importante. Desta vez, no entanto, falarei sobre Sistema e Cenário em posts diferentes. Hoje, especialmente, o segundo vai receber minha atenção.

O cenário

cenario-sr-brasil

Na TV, no teatro ou no RPG: o cenário pode ter diferentes graus de relevância (na imagem: cenário do Sr. Brasil, [maravilhoso] programa da TV Cultura)

Tenho certeza que não chocarei o mundo ao dizer que o cenário, ou a ambientação, se preferir o termo, traz um elemento crucial para o jogo. Ele vai ser um dos imãs que atrairão os jogadores à história. É pela riqueza de detalhes, embasamento e cor que a imaginação coletiva vai ser construída e toda a magia realizada.

Pra mim, que venho de uma escola mais “artesanal” de RPG (comecei a jogar sem saber da existência de sistemas), o cenário sempre foi muito importante. Talvez até pelo meu gosto em literatura: Senhor dos Anéis, Crônicas de Dragonlance, todos os livros de Discworld…

Na realidade, já joguei vários RPGs que possuem um sistema que eu abomino, ou, sendo menos dramático, desgosto em algum nível, mas, devido ao cenário cativante, acabei gostando e até jogando mais vezes. É o caso de Pendragon, situado na Camelot do Rei Arthur; CODA, na Terra Média de Tolkien; ou mesmo o Burning Wheel, de Mouse Guard.

O cenário, inclusive, é uma ótima maneira de adicionar camadas à um RPG, ou à um sistema em específico. Os diversos “hacks” de Apocalypse World (que incluem ligeiras alterações nas mecânicas), ou os cenários de Dungeons & Dragons, ilustram muito bem isso. A experiência de se jogar Sertão Bravio ou Night Witches (AW) é tão diferente quanto jogar Darksun ou Dragonlance (D20). Esses exemplos, inclusive, numa opinião bem pessoal, ilustram uma situação em que o cenário “atropela” o sistema.

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Dispensa apresentações. Só digo uma coisa: é possível visitar Hobbiton na Nova Zelândia!! *_*

Voltando ao já mencionado Senhor dos Anéis, tá aí um ótimo exemplo onde o cenário é um ator por si só: A Terra Média pulsa. Tantos nos livros quanto nos filmes,  a TM se mostra como um elemento no mínimo tão importante quanto os personagens (senão mais). Esse efeito, maximizado pela riqueza de detalhes e história, é capturado muito bem pela trilha sonora nos filmes: o gatilho.

Pra mim um cenário bem trabalhado, aliado à uma boa história e bons jogadores, exclui a necessidade de um mestre, ou até de um sistema. Pronto, falei! haha

Sobre o sistema, entendido aqui como um conjunto de regras, falarei em outro post, que linkarei à este.

Grande abraço, e roll the bones,

 

Chico Lobo Leal

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5 Comentários leave one →
  1. 19/10/2016 03:09

    Chico, o literário…
    Não há jogo sem sistema, meu caro. Você pode inventar um na hora para jogar (o mais simples possível é a divisão mestre/jogador), mas sem isso vc só tem uma pessoa contando uma história. Também não há jogo sem cenário. Mas fiquei honrado com a menção ao Sertão Bravio, já que fiz questão de não escrever nenhuma grama de cenário na versão que vc jogou, e ainda assim o cenário que vocês imaginaram naquelas sessões chegou no nível de um Dragonlance! kkkkk
    Aguardaremos o próximo post.

    • 19/10/2016 09:10

      Salve Jão!

      Você está certo, é claro.
      Acho que minha definição de sistema envolve um conjunto de regras mais extensas. Pra mim a divisão de mestre/jogador, ou diversos jogadores sem mestre não se encaixaria como sistema, mas mais como uma separação de papéis, um acordo. Embora sim, isso a rigor já seria um sistema, embora da forma mais simples que posso imaginar.

      E perfeito, você já adiantou algo que quero escrever no próximo post: não há jogo/sistema sem cenário, embora, como falei aqui, a importância da ambientação seja variável.
      Você também resvalou em outro tema, que é o “cenário assimilado”, construído por nós utilizando outras referências. É o caso do Sertão Bravio, por exemplo, que na nossa sessão se apoiou na própria imaginação dos jogadores sobre a Terra de Santa Cruz.

      Agradeço o comentário, até a próxima!
      Abração

  2. Diego permalink
    19/10/2016 10:06

    qual foi esse rpg de cenário sem sistema q vc começo a jogar?

    • 19/10/2016 11:03

      Oi Diego,

      Quando fui apresentado ao RPG, nos anos 2000, simplesmente inventávamos histórias com temas que achávamos legais, da nossa cabeça. Não haviam livros, dados ou cartas, um “conjunto de regras”.

      Havia um Mestre e todos os outros jogadores eram personagens da trama. O Mestre tinha o poder de decidir a consequência das nossas ações, e nós simplesmente acatávamos, xingando-o mais ou menos. Éramos crianças, e, principalmente, bons amigos.

      Baseávamos nossas histórias em filmes, livros ou até outros jogos que nos interessavam.

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