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Campanha em Rokugan – Cena Quinze

06/07/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

O retorno inesperado de Miya Tetsuo causou espanto a todos – em especial, a Kaori, que se viu abalada com as consequências que sua escolha causou. A ponto de Lishida, seu companheiro endurecido pela batalha, declarar-se para ela em um momento breve e inesperado…

Entretanto, tudo não passava de um embuste: Takashi queria tirar suas provas a limpo, e quase acabou vitimado pelas garras da criatura que assumira as vestes do ator. Lishida e Kaori chegaram a tempo para evitar o pior, lutando com o que tinham em mãos pra expurgá-la.

Cansados e feridos pelo confronto, os três acabaram surpreendidos pelo soar dos sinos percorrendo a cidade. Uma legião de homens tomou as ruas, armados e vestindo as cores do clã Garça, tomando de assalto a inesperada Ninkatoshi…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

戦い (Batalha)

Lishida, como era de se esperar, foi o primeiro a agir, correndo como podia até alcançar a hospedaria que os acomodou. A pedido de Takashi, ele foi resgatar suas posses para, se sobreviverem a isto, retomarem a estrada.

Alguns dos invasores interviram, brandindo lanças  e desafios tolos. Deixou que o sangue subisse à cabeça, erguendo seu tetsubo e abrindo caminho entre os patifes. Ao entrar, juntou tudo que podia consigo. E, ao seu retorno, acabou cercado por outros Budokas que anseavam pela sua morte.

Pelos menos, até que um grande sujeito irrompesse em ira contra o bando. Com rápidos movimentos de seu maciço de ferro preto, anulou a desvantagem numérica em segundos.

O Caranguejo, surpreso com tão impetuosa aproximação, reconheceu de imediato a postura indolente de Matsu Koji. Este, por sua vez, apenas o encarou com leve ironia em suas palavras.

“Ora, não pensei que nosso reencontro acontecesse tão cedo”…

Deixou seu tetsubo quicar no chão batido, assumindo uma postura livre para revidar um possível ataque. O sangue de Lishida gelou, mas ele manteve o foco.

“Já que você está aqui, talvez esta seja o momento de acertarmos aquela dívida, não é mesmo?”

O veterano despejava malícia em suas palavras, tal qual um demônio das lendas de guerra. O jovem tomou suas palavras como um desafio, e aprumou-se para restaurar sua confiança.

Koji, por sua vez, virou-se para contemplar, no alto, a torre do Kyuden local – um braço que se ergue aos céus para clamar ajuda às Fortunas.

” Então, siga-me. Temos um palácio para defender”.

Matsu_Turi

Com passos suaves e rápidos, Takashi corre por entre as pelejas urbanas como se o fizesse pelo piso liso de um dojo. Não baixou a guarda por um instante sequer, até que alcançasse o amedrontado Doji Sasuke. Um homem que, nas palavras de seu pai, “não estava no lugar que lhe era adequado”.

O lorde confiou sua vida a um grupo de Yojimbo para que pudesse sair de Ninkatoshi, mas as marés da batalha singravam sobre seus homens. Aos poucos, suas vidas foram tomadas por lanças e flechas dos invasores e, também, dos confusos Leões. E Takashi nada pôde fazer senão seguir as palavras do líder daqueles protetores.

“Por aqui, rápido!”

Avançaram a oeste, visando as guarnições do clã que defendia a cidade. Doji-sama estava quieto, suas mãos tomando formas curiosas e seu rosto desenhando uma expressão férrea e bem focada. Os demais a tudo aquilo assistiam, com as katana preparadas para defender o seu senhor.

Contudo, nem toda cautela pôde salvá-lo da Kunai que cortou o espaço para cravar-se no ombro do shugenja, tirando sua consciência e equilíbrio.

Doji-sama!”

O grupo se fechou para acudir o seu senhor, que permaneceu inconsciente. Enquanto verificavam o ferimento, Takashi permaneceu na defensiva.

“Ele foi envenenado! Precisamos de um abrigo com urgência!”

Carregando nas costas o suserano, o líder dos soldados encontrou um casarão intocado pelo caos. A julgar pelo tamanho, poderia ser uma hospedaria, ou restaurante.

Não perderam tempo ao entrar, bloqueando as passagens com a mobília. Colocaram o suserano Doji sobre uma mesa, em posição confortável. Em tão pouco tempo, o ferimento já estava bem inchado, e todos pareciam preocupados.

“Maldição, o que podemos fazer?”

Essa questão era compartilhada pelos Yojimbo, a ponto destes não perceberem o crescente ruído de passos no telhado…

Otosan_Uchi_in_Flames

Mais uma vez no Templo a Benten, Bayushi Kaori pensava em traçar um plano de fuga. Ninkatoshi tornou-se um lugar muito perigoso para ela e, ao mesmo tempo, muito triste. Não podia mais ficar ali, quando estava ciente dos planos ardilosos de seu pai.

Recolheu suas coisas, em inigualável pressa. Despediu-se do monge, que se dedicava na recuperação de suas mazelas, e recebeu do mesmo as bênçãos da Fortuna do Amor.

Foi nesta hora que se viu sozinha, sem saber onde estava o Caranguejo. Ao longe, via Takashi lutar ao lado do homem de que tanto foge.

“Lutando por Doji Sasuke, Takashi? Que patético!”

Correu na direção daquele traidor, para entender melhor o que de fato estava acontecendo. Saltava de telhado em telhado, chegou até o casarão onde os servos de Sasuke se refugiavam do confronto.

Passava os olhos pelos arredores, à procura de qualquer sinal do responsável por aquele golpe traiçoeiro, e nem percebeu o momento em que se tornou a próxima vítima – apenas quando a dor lhe atingiu em seco.

Retirou a Kunai de seu ombro esquerdo, percebendo o icor frio escorrer da lâmina rumo a sua mão.

Na mesma hora, sentiu o formigamento se espalhar por todo o seu corpo. Seus braços agora pesavam dez vezes mais que o normal, e as pernas lutavam para mantê-la de pé.

Apressava-se para escolher o antídoto entre as poucas ervas que carregava em sua mochila, quando viu uma figura familiar à sua frente: suas largas vestes em tom escarlate fulguravam ao vento, como as chamas de uma fogueira. Mal tinha cabelos à mostra, e seu rosto estava coberto por um pesado mempo, adornado com o animal símbolo de seu clã: o Escorpião. Apenas os seus olhos estavam visíveis, em um desbotado tom azul.

“Como é bom vê-la, Kaori-chan!”

O riso esganiçado daquele sujeito perturbara Kaori intensamente, quase a ponto de causar-lhe náuseas.

“Não posso dizer o mesmo por você, Bayushi Terada”.

Mesmo com a máscara a ocultar seu rosto, ela viu um sorriso demoníaco se formar em sua face.

“Mas que falta de modos, Kaori-chan. Não é assim que se trata um parente próximo…”

Ela tentava se manter de pé, percebendo o fim da paralisia aos poucos. No entanto, seus braços e pernas pareciam amarrados ao chão.

“Se o incompetente do Kamui não fosse tão tolerante com seus caprichos, talvez você não desrespeitasse nossa família como tens feito nos últimos dias”.

Foi neste momento que Kaori sentiu o amargar do ódio em sua garganta. Com que direito um ser desprezível como Terada podia falar do seu irmão?

“Vai… pagar caro… por suas palavras… Terada”.

No lugar da Katana, desembainhou aquela que considerava sua “arma secreta”: o Kusari-gama. Com uma das mãos, balançava a corrente para os lados; com a outra, manteve a foice afiada em riste.

Terada riu novamente.

“Você acha que pode me deter, nesse estado? Não me faça rir!”

Ele aos poucos se aproximava da persistente Samurai-ko, quando a chegada de Takashi interrompeu sua intenção.

Bayushi

A corrida até o Kyuden foi breve e calma. Matsu Koji mostrava sua força, correndo por entre as contendas com a velocidade dos bons ventos. Mesmo sendo mais jovem, Lishida não conseguia manter o ritmo para acompanhar aquele veterano.

Chegando aos jardins, cujo ar bucólico lembrava o jovem Bushi de seu julgamento, defrontaram-se com um grupo de invasores colocando o portão do castelo abaixo.

“Afastem-se!”

O aviso veio logo depois do primeiro ataque; o tetsubo do Caranguejo ergueu-se no céu, após retirar de seu caminho um corpo que mal lhe ofereceu resistência. Ao perceber a retaliação dos demais, Koji os subjugou em um único e impressionante movimento.

Em seguida, virou-se para o rapaz que o acompanhava.

“Você é forte, filho do Caranguejo. Mas ainda precisa aprender a respeitar seu oponente”.

Voltou-se para a porta semi-destruída, derrubando-a sem resistências. O subir das escadas se acelerava, conforme eles ficavam próximos do topo da torre. No caminho, marcas sutis de sangue ilustravam o que aconteceu até agora…

No último cômodo do Kyuden, as preocupações do Leão se agigantaram ao ver as silhuetas desenhadas no biombo: uma sombra de pé, apontando uma lâmina para outra, prostrada no chão.

Aguardaram o momento em que o assassino se aproximaria, antes de irromperem porta adentro – e, ao mesmo tempo, se surpreenderem com a identidade do espadachim.

Miya Tetsuo.

Miya Tetsuo

つづく (“Continua”…)

P.S: Você pode acessar a Cena seguinte clicando neste link aqui.

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3 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    08/07/2016 13:28

    Glossário:

    Tetsubo: Grande maça de ferro, coberta de cravos – uma das armas preferidas do clã Caranguejo.

    Budoka: Camponês armado e com pouco treino, normalmente usado como infantaria em batalhas de grande porte.

    Kyuden: Em uma tradução livre, “castelo”.

    Dojo: Academia, onde os Samurais recebem seu treinamento formal.

    Yojimbo: Guarda-costas de um nobre, como um daimyo.

    -sama: Forma honorífica de tratamento, atribuída a pessoas de papel hierárquico e/ou posição social superior.

    Katana: Espada de Lâmina longa, que compõe o Daisho junto com a Wakizashi (lâmina curta).

    Kunai: Adaga de arremesso, comumente utilizada por assassinos e ninjas.

    -chan: Forma honorífica de tratamento, atribuída em caráter íntimo (ou, no caso do Terada, irônico…)

    Kusari-gama: Arma que surge da combinação de uma foice de mão (Kama) com uma corrente atada a uma bola de ferro.

    Samurai-ko: Termo atribuído a mulheres que trilham o caminho do Samurai.

    Bushi: Em uma tradução livre, “guerreiro”.

  2. Monseha permalink
    11/07/2016 12:23

    Miya Tetsuo – “O Gaudério Imorrível”.
    Tam nam nam nam. E o desfecho se aproximando.
    Takashi defendendo Sasuke… Mostra como a Honra e o Dever são facas de dois gumes.
    Aquele momento em que, no meio do caos, Kakita Takashi percebe os ruídos de passos sobre o refúgio. Que orgulho! Bom garoto! :) (que saudades :( )

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