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Campanha em Rokugan – Cena Catorze

12/06/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

 

Guardando para si o luto, Kaori acabou surpreendida por um fortuito reencontro com Miya Tetsuo – seu amado, e também a razão de seus problemas. Sua postura estranha chamou bastante as atenções de Lishida e Takashi, que resolveram tirar a limpo suas conclusões.

Guiando o recém-chegado até o templo que cuidou de suas feridas, o andarilho de cabelos brancos acabou surpreendido pelo enigmático Mirumoto Manji, que parecia esperar a sua chegada. Não tocou em armas, no entanto; serviu apenas de distração para um perigo ainda mais próximo…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

フリーク (Aberração)

Nos primeiros instantes em que Kaori e Lishida ficaram juntos, o silêncio imperou soberano. Ela lhe devolveu a mensagem que o afastou de sua casa, o amarrando à sua missão. O próprio tinha deixado essa mensagem aos cuidados da dama, provando a mudança em sua relação nos últimos dias.

Até que a própria tomasse a iniciativa de falar, os estalos da chapa quente e os suspiros de satisfação do vendedor rompiam a quietude.

“Eu… acho que vamos tomar caminhos diferentes esta noite”.

Com a boca cheia de takoyaki, o Caranguejo a fitou com um olhar questionador.

“Agora que Tetsuo-san apareceu, recebi dele o convite para fugirmos daqui, para um lugar seguro…”

Em um piscar de olhos, as mãos nervosas de Kaori estavam cobertas pela do jovem Hida, e o seu aperto tentava lhe transmitir conforto. Seus olhos mantinham-se fixos no fundo da tenda, como se evitasse olhar para ela.

Kaori-san… peço para que confie em mim, e me acompanhe”.

O coração da Bayushi bateu mais forte naquele momento, enrubescendo seu rosto de imediato. Ao mesmo tempo, deixou-a confusa pela postura séria e distante. Estaria ele expressando algum sentimento real, ou a testando de alguma forma?

Um constrangedor silêncio se formou, até mesmo para o vendedor de comida ali próximo – que foi quebrado apenas por uma distante súplica:

“Socorro!”

 

Desvencilhando-se com destreza ímpar, Takashi retoma sua postura combativa. A bocarra de Tetsuo, que compunha um sorriso grotesco de presas serrilhadas, o identificava como algo além da humanidade – confirmando as suspeitas do espadachim.

“Foste dominado por Lady Ganryu. Eu sabia!”

A resposta se deu no avanço de suas recém-nascidas garras, que mancharam a terra com seu pus fumegante.

Tão logo se afastou, o duelista desembainhou sua Katana com um ataque rápido. Apenas para ver a carne da criatura rejeitando sua lâmina.

“Isso, continue resistindo”.

A criatura que antes era Tetsuo ignorou uma uma onda de ataques, sem verter uma gota de sangue sequer.

“O medo deixará sua carne mais saborosa!”

A confiança de Takashi foi renovada pela brutal chegada de Lishida, que ergueu com satisfação o seu Tetsubo para golpear o inimigo com toda a sua força – o jogando no chão em uma nuvem de poeira.

Atrás dele, Kaori serpenteou para o jardim, deperando-se com a deformada imagem de Tetsuo. Sua pele se assemelhava a trapos, rasgada em vários pontos e agora revelando membros monstruosos e desproporcionais.

“Pensa que isso vai me deter?”

Em franca retaliação, suas garras cortavam armadura e carne do Bushi Caranguejo como se fossem papel. Por muito pouco, o licor doentio de seus dedos não o tocou, para envenená-lo com a essência do mal.

Kaori-san… precisaremos de jade para derrotá-lo. Procure por essa pedra no templo!”

Deixando para trás o transe de incredulidade, ela corre até o santuário de Benten. A imagem do gentil monge, agora ferido e jogado em um dos cantos da câmara, clareou os seus impulsos.

“Ei, acorde. Preciso de sua ajuda, gentil bonzo. Onde posso encontrar jade?”

Embora cansado e coberto de ferimentos, ele conseguiu se levantar (com o apoio de Kaori) e apontou para seus aposentos pessoais.

“P-por… aqui”.

 Bayushi Kaori Olhos

Lá fora, o combate persistia sem sucesso. Cada golpe dos Bushis esgotava suas próprias forças, para o divertimento do monstruoso Tetsuo.

“Já estão se cansando? Pois eu nem comecei a lutar com vocês!”

Suas garras dançavam com furor, ávidas como serpentes famintas, beliscando a carne de seus oponentes. Pelo menos, até o retorno da herdeira Bayushi – que trazia consigo um pequeno prato de jade.

“Triture-o, Kaori-san, até que sobre o pó!”

Lishida se desdobrava para manter a posição e, ao mesmo tempo, instruir sua aliada. Em retribuição, a mesma se esforça para desmanchar a peça a tempo de salvá-los.

“Terminei!”

O sinal de Kaori acordou Takashi, que transformou seu fôlego em uma chuva de golpes contra o monstro. Com isto, abriu caminho para que o herdeiro Hida fosse preparar seu armamento para o golpe definitivo.

Em uma cena incomum, Caranguejo e Escorpião uniam forças para lutar: ela polvilhou o Tetsubo Hida como pôde, com o pó de jade que tinha nas mãos; ele o empunhou mais uma vez, com sua luz verde irrompendo no pôr-do-sol.

Tetsuo reagiu nervosamente àquilo, avançando no intuito de eliminar tal ameaça com rapidez. E, ao abrir sua guarda, acabou quase partido em dois pela força destruidora daquele guerreiro.

A dor se esvaía junto com o sangue, privando a criatura de sua vida, e voz. Takashi abriu caminho, impressionado com aquela imagem, e deixou que Lishida encerrasse de vez o confronto.

“Moooooooooorra!”

De um arco de luz esverdeada, ossos e carne malditos explodem com o ataque fatal. Tetsuo sequer pôde manifestar a sua dor, pois não restou nada além de uma polpa de sangue negro em seu lugar.

No mesmo jardim onde viu seu irmão morrer, Kaori via o mesmo desfecho se repetir àquele a quem dedicou o seu amor…

L5R-Crab Mon

Cientes do quão grave tornou-se a situação, Lishida e Takashi preparam uma mensagem para enviar até a Muralha Kaiu, no distante sul do Império. Endereçada a um dos comandantes do clã Caranguejo, Hida Oboro, tal carta serve como um chamado às armas, avisando da presença crescente de monstros existindo entre a população.

Indiferente a tudo isso, Kaori examina o cadáver devastado, para confirmar seus temores mais profundos. Aproximou-se do mesmo, e suspirou de alívio ao perceber a densa maquilagem que cobria a pele se desfazendo.

“Não era Tetsuo-san“.

Juntos novamente, planejavam enviar a mensagem no raiar do sol quando ouviram os primeiros gritos e clangores de armas. Não podiam ver o que acontecia graças aos muros do templo, mas o ruído crescente davam-lhes uma breve noção.

“Vamos ver!”

Ao comando do jovem Kakita, Lishida e Kaori correram até o torii do templo – onde puderam ver o estourar de um confronto. Das casas mais humildes, emergiram inúmeros homens, marchando e lutando contra os surpresos defensores do clã Leão.

Para espando do andarilho, eles vestiam Kimonos em azul e branco, as cores do seu clã. Em suas mãos, armas de todo tipo eram empunhadas. Em suas costas, o imponente mon da Garça.

“Sasuke. Ele deve estar por trás disso”.

Lishida permaneceu quieto, talvez concordando com aquela suposição.

“Impossível. Não é assim que o clã Garça lida com seus problemas. O caminho da diplomacia é nossa trilha”.

Ele prontamente reparou na falta de disciplina dos invasores.

“Mirumoto Manji deve estar por trás disso”.

Com a violência crescendo a olhos vistos, não havia tempo para discutir sobre o mentor de tudo aquilo. Deveriam agir logo, e cada um tomaria o seu próprio rumo neste confronto…

L5R-Crane Mon

つづく (“Continua”…)

P.S: Siga para a Cena seguinte acessando este link aqui.

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2 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    12/06/2016 19:45

    Glossário:

    Takoyaki: Bolinhos de polvo fritos – uma iguaria bem estimada entre os Rokugani.

    Yorei-ke: Em uma tradução livre, “Cabelos fantasmas”.

    -san: Forma honorífica de tratamento, atribuída a pessoas de igual papel hierárquico e/ou posição social.

    Ganryu: Em uma tradução livre, “dragão da praga”.

    Katana: Espada de Lâmina longa, que compõe o Daisho junto com a Wakizashi (lâmina curta).

    Tetsubo: Grande maça de ferro, coberta de cravos – uma das armas preferidas do clã Caranguejo.

    Bushi: Em uma tradução livre, “guerreiro”.

    Kimono: Indumentária comum da cultura Rokugani.

    Bonzo: Termo aqui atribuído como forma de tratamento a monges e sacerdotes de Rokugan.

    Torii: Grande arco ornamental, que serve como entrada para tamplos e palácios.

    Mon: Insígnia, brasão.

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