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Campanha em Rokugan – Cena Doze

03/05/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Fugindo de tudo e de todos, Kaori reúne-se com seus amigos, Lishida e Takashi, para comprtilhar informações sobre a situação atual – e sobre como lidar com ela. Foi nesta hora que Bayushi Kamui, o persistente irmão de Kaori, apareceu para levá-la de volta a seus compromissos. A discordância da jovem os levou a um duelo, seguido da brutal justiça que os duelos exigem.

Após a sua derrota, Kamui reclamou o direito de morrer, e não restou escolha para Kaori senão cumpri-lo…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

決闘 (Duelo)

Kaori sequer percebeu o cair da noite, tamanho foi o seu choque. Durante a cerimônia funerária que o monge preparou para Kamui, ela permaneceu em silêncio. Lishida assumiu a responsabilidade perante os ascetas que ali estavam, os acalmando e afastando das acomodações do templo. Takashi, por outro lado, ajudou nos preparativos da cerimônia. No fundo, eles prestavam seu respeito perante a dignidade daquele homem, que preferiu a morte perante a desonra, e suas possíveis consequências…

Com o término da solenidade, os dois Bushi despediram-se da inconsolável Samurai-ko. Confiaram-na ao monge que, também comovido com os acontecimentos, ofereceu abrigo a ela – no lugar mais calmo de Ninkatoshi, para que seus pensamentos possam ser organizados.

L5A-yourempire-big

Com o propósito de descansar e diminuir as tensões para o duelo de suas vidas, os jovens Hida e Kakita voltaram ao dormitório dos Leões, atravessando pelos olhares hostis de boa parte dos soldados.

Vencido pelo cansaço, Lishida se deixa levar pelo sono pesado. Já Takashi não teve a mesma paz; adormeceu, e logo se viu acordado pelo aroma ímpar de fumo que dominou o seu quarto.

“Ah… não desejava lhe acordar, meu jovem”, pigarreou Munisai, antes de tragar novamente de seu cachimbo.

“Não se incomode, Munisai-dono. Sinto-me honrado pela sua presença, depois de devolver-me o presente que lhe dei antes…”

Da longa pausa, alguns anéis de fumaça emergiram no ambiente.

“Presente, você diz? Eu tomaria isso mais como um dever, meu caro”.

Da manga vazia de seu kimono, Munisai retira sua wakizashi e a oferece para Takashi, como um mestre faria para seu pupilo.

“Na verdade, por ela eu continuo existindo, sem a paz que os mortos merecem. E a entrego a você, para que suas mãos possam me conceder o sono eterno”.

“Então, diga-me o que devo fazer”. O jovem espadachim mostrava-se solidário, por entender um pouco mais da frustração de seu estranho visitante.

O velho, é claro, engoliu em seco.

“Preciso que você derrote meu filho, Mirumoto Manji. Ele respeita somente a língua do Kenjutsu, e pode ser dissuadido de seus planos se vencido em combate”.

Na mente de Takashi, o relance do homem que encontrou no mercado veio a seus olhos. Sem dúvidas, era ele.

“Você… já ouviu falar de Ganryu, meu jovem?”

Yorei-ke se lembrou da jovem que o desafiou, em Ravina Serena. Afinal, sua maturidade e apreço às regras era comparável aos membros de sua própria família.

“Tive a honra de enfrentá-la em um duelo, alguns dias atrás. Inclusive, foi com ela que encontrei a sua lâmina”.

Munisai pigarreou, contrariado.

“Estou falando do espírito Gaki da vingança, a dama Ganryu. Alimentando-se do mais puro ódio, ela se apossa de mentes fracas para semear o caos entre os seres vivos”.

Após uma nova tragada, ele continuou.

“Meu filho tem um pacto com essa entidade, que vaga pelo Império em inúmeros rostos. Você precisa impedir a sua vingança – não apenas por mim, mas por toda Rokugan!”

Antes que pudesse responder aos apelos do velho, batidas secas na porta de seu quarto trazem o sonhador Takashi à realidade, junto com uma voz grave e familiar:

“Chegou a hora”.

L5R-Lion Mon

À luz da lua cheia, Lishida e Takashi são recepcionados em um exuberante jardim, no entorno do Kyuden local. Conduzidos por uma das duelistas desta noite, os Bushi encontraram Matsu Hibiki, que trazia seus respectivos daisho à mão.

“Bem-vindos ao seu julgamento”, saudou. Agora que as fiéis Irmãs Megumi estavam novamente reunidas, cada uma delas assumiu sua postura favorita de combate – entre o Kenjutsu, a postura defensva e o Iaijutsu.

Enquanto entregava as armas para os julgados, a capitã explicou as normas do duelo:

“Vocês enfrentarão as três Irmãs Megumi, orgulhosas Samurai-ko e leais seguidoras da família Matsu. Eu serei testemunha do confronto, responsabilizando-me pelo veredito assim que a luta se encerrar. A morte, ou rendição, das partes assegura o fim do duelo e, aos derrotados, restará somente o Seppuku. Fui clara?”

Acenando positivamente, os desafiados se preparam para lutar. Takashi encarou prontamente a Megumi duelista, pouco antes de assumir a postura do Iaijutsu. Todo um combate se desenrolou nesta troca de olhares, e o seu desfecho resultaria no golpe decisivo do herdeiro Kakita, que forçou a rendição da guerreira pelo desarme.

Lishida, por outro lado, encontrara dificuldades em lutar com a combativa Megumi – a mesma que o constrangeu ao lhe acusar de assassino. A Katana que ganhou de seu clã quase se perdia em suas mãos, de tão pequena e leve (pelo menos, em relação ao seu fiel “companheiro de lutas”). Frente a uma feroz adversária, capaz de equilibrar ataque e defesa em momentos excepcionais, ele precisou libertar a ira e descontrole que o discerniam entre seus irmãos – e nem mesmo a elevada perícia de esgrima da oponente a salvou da morte certa.

Consternada com a rápida derrota de suas irmãs, a Megumi restante avançou com a espada sobre Takashi, em uma previsível investida. Sua navalha trespassou o tórax exposto com relativa facilidade, quase tingindo de sangue todo o jardim.

O julgamento tinha se encerrado, e Hibiki honrou sua palavra naquele momento, junto com a Megumi sobrevivente. Ambas tinham suas Wakizashi em punho.

Bishamon os honrou com a verdade, e agora vocês são homens livres. No entanto, peço que fiquem para que possamos honrar nossa promessa”.

Aproximaram-se de Lishida, que logo se pôs a falar:

Matsu-san… vocês não precisam passar por isso. Podem servir conosco na Muralha Kaiu, em vez de entregar suas vidas dessa forma”.

O rosto antes emoldurado de Hibiki em ira se dissolveu, aos poucos, em um discreto sorriso.

“Suas palavras são tolas, Caranguejo; mas reconheço seu valor. Estarei servindo minha família, provavelmente como nunca fiz antes. Só queria dizer que foi uma honra lutar com você, verdadeiro filho de Hida”.

Voltou-se para Takashi, a quem entregou um sorriso sincero e, qo mesmo tempo, inverossímil.

“Queria ter duelado com você, Takashi-dono. Ou, pelo menos, ter desvendado o enigma por trás desses olhos…”

Tanto ela quanto Megumi entregaram suas Katana para ele, pouco antes de iniciarem a tradição. Ajoelharam-se, o brilho das lâminas curtas ante a luz da lua.

No princípio do corte, via-se o esforço delas em não apenas tolerar a dor em silêncio, mas em se colocar naquela posição – no pesado fardo de provar sua pureza, em troca de sua vida…

Hitomi's_Seppuku

つづく (“Continua”…)

P.S: Tenha acesso à próxima Cena acessando este link aqui.

 

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4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    04/05/2016 01:55

    Glossário:

    Samurai-ko: Termo designado a mulheres que seguiram o caminho dos Samurais.

    -san: Forma honorífica de tratamento, geralmente atribuída entre pessoas do mesmo nível social e/ou formalidade.

    Bushi: Termo atribuído aos Samurais que se dedicaram ao treinamento marcial.

    -dono: Forma honorífica de tratamento, geralmente atribuída a pessoas mais velhas, e/ou respeitáveis.

    Kimono: Vestimenta de mangas longas, tradicional em toda Rokugan.

    Wakizashi: Espada de lâmina curta que, junto com a Katana, compõe o conjunto (daisho) de um Samurai.

    Kenjutsu: Estilo de esgrima popular em Rokugan.

    Ganryu: Em uma tradução livre, “dragão da praga”.

    Gaki: Espírito rancoroso e corrompido pela Mácula, que espreita a humanidade em busca do seu sangue.

    Kyuden: Em uma tradução livre, “palácio”.

    Iaijutsu: A postura combativa dos duelos, onde a espada fica embainhada até que o golpe decisivo seja desferido.

    Seppuku: O ritual de purificação da honra, realizado a partir do suicídio vagaroso e silencioso do desonrado.

    Bishamon: A Fortuna da Força – uma das entidades que são cultuadas no Império Esmeralda.

    Katana: Espada de Lâmina longa, que compõe o Daisho junto com a Wakizashi (lâmina curta).

    Yorei-ke: Em uma tradução livre, “Cabelos fantasmas”.

  2. 04/05/2016 14:02

    Final emocionante! Adorei. Parabéns!

  3. Monseha permalink
    01/06/2016 01:02

    Que saudades de Rokugan… Muito bom Jairo. Parabéns!

Trackbacks

  1. Campanha em Rokugan – Cena Onze |

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