Skip to content

Campanha em Rokugan – Cena Onze

13/04/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Nas muralhas da Cidade da Permissão, o perigo vem a nossos heróis pela mão da lei. Kaori escapa de seu cativeiro, ao perceber que seu temido “noivo”, Doji Sasuke, chegou ao seu encalço. Neste meio tempo, Hida Lishida foi julgado em uma corte Matsu por um crime que não cometeu. Takashi, em inestimável ato de lealdade, assume o mesmo fardo, e ambos são condenados a um duelo para limparem sua honra.

Agora, os três estavam reunidose buscavam um refúgio para refazer seus planos…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

敗北 (Derrota)

A meio caminho do templo, o monge pede uma pausa, para recuperar seu fôlego.

“M-muito obrigado, p-peregrina”.

Livrando-se do inconveniente véu branco, Kaori tenta controlar as palavras, e seu coração.

“Eu… estava lhe procurando. Pois soube que tens cuidado de alguém no seu templo…”

Foi nesta hora que as luzes da razão acenderam no fundo dos olhos dele.

“Ah, então você deve ser a Kaoru… não, a Kaworu… Kawari…”

“Kaori”.

A razão brilhou mais forte.

“Isso! Então, é você mesma… ele passou a noite toda perguntando por você, ou talvez a estivesse vendo em seus sonhos.”

Os olhos da Samurai-ko se preencheram com a mesma luz, como uma estrela cadente a preencher o firmamento.

“E onde posso vê-lo?”

As palavras fogem da garganta do bonzo, antecipando a decepção em sua face.

“Eu infelizmente não sei. Depois de cuidar de suas feridas e febre por toda a noite, acabei adormecendo aos pés do seu leito. Acordei com o sol quase no alto, e o rapaz não estava lá – somente suas ataduras.”

A consternação veio, como uma praga voraz. Seria ela amaldiçoada por não conseguir um novo encontro com o amor de sua vida?

Seus pensamentos se perdiam na ruidosa multidão de ascetas, que os recepcionou na chegada do templo de Benten. A maré de súplicas e pedidos engoliu o jovem sacerdote, isolando a disfarçada Kaori no modesto jardim sagrado.

Pelo menos, até a chegada de seus companheiros…

Monastery

Tão logo o anfitrião abria as portas do templo para acolher seus ávidos visitantes, Lishida e Takashi adentram o local. O gigante abriu caminho entre os pedintes, ignorando tanto aqueles que o questionavam quanto aqueles que o reconheciam como um samurai (mesmo vestindo apenas a porção inferio de sua fiel armadura). Aproximou-se do monge, com pouquíssima sutileza.

“Precisamos de um lugar calmo, para conversarmos”.

O monge assentiu com a cabeça, conduzindo a massa de visitantes para o interior do santuário, e deixando seus três salvadores a sós no jardim.

“Preciso lhes explicar uma coisa”, pontuou Kaori. Enquanto falava, deixava os andrajos mais pesados para trás. “Meu noivo está em Ninkatoshi.”

“E nós o conhecemos?” Takashi parecia preparado para o pior quando fez esta pergunta.

“Presumo que você o conheça, Takashi-san. Seu nome é Doji Sasuke”.

O peregrino de cabelos brancos o reconheceu de imediato: um talentoso shugenja de seu clã, porém mais velho e intolerante com aqueles que julga inferiores a si próprio.

“Não posso deixar que Doji me alcance”, prosseguiu. “Se isso acontecer, provavelmente serei morta”.

Quando questionada, a herdeira da família Bayushi explica tudo que sabe: do casamento arranjado, até o golpe planejado contra a Imperatriz por seu pai, em conjunto com os Doji. Em cada gesto e palavra, existe a clareza de impedir tal movimento – não apenas por si própria, mas por toda Rokugan.

Os três planejavam suas ações, sem perceber a chegada de um viajante que, de tão satisfeito, livrava-se de seu chapéu e manto.

“Finalmente a encontrei, Imouto-chan!”

Shosuro_Aroru

“Kamui!”

mempo daquele homem parecia mais arreganhado, como se tomado pela malícia.

“É hora de irmos, Kaori. Deixe as brincadeiras de lado e vamos cumprir o seu destino”.

O ninja estende sua mão, ignorando a postura defensiva das testemunhas em cena.

“Não vamos permitir que a leve consigo”, explodiu Takashi, em determinação ímpar.

“Tolos!” A voz rouca de Kamui ressoava como um trovão. “Não ousem interferir em um assunto de família. Do contrário, terei que puni-los por tamanha petulância!”

Sem suas armas, tanto o Garça quanto o Caranguejo nada podiam fazer, senão ficar em silêncio absoluto. A Bayushi, por outro lado, deixou sua lâmina visível.

“Esta é sua última chance, Bayushi Kaori”; desta vez, a voz daquele assassino emergiu em tom baixo e soturno. “Venha comigo, ou terei que matá-la por traição”.

Decidida, Kaori encarou Lishida e Takashi, dizendo a eles o que vai acontecer. Em seguida, virou-se para o irmão mais velho e disse:

“Não irei com você, aniki. Não posso concordar com o que está acontecendo. E nada me convencerá do contrário”.

Bainha

A determinação da Samurai-ko foi posta à prova por Lishida, que tentou levá-la dali em uma investida feroz e mal calculada – o bastante para ser evitada. Takashi, por sua vez, permaneceu quieto; reconhecia o direito da jovem a um confronto por sua honra, e sentia-se satisfeito em testemunhar aquilo.

“Vamos procurar um lugar digno para lutarmos”, ela sugeriu. “O templo de Benten não é lugar para derramarmos sangue…”

A frieza nos gestos de Kamui o distanciava do irmão sereno que a jovem teve durante a infância. E isso a machucava intensamente.

“Pouco importa para mim, já que posso matar aqui o amor estúpido que a colocou contra seus irmãos de sangue!”

Katanas ao ar, cada um assumiu sua postura de combate. O pôr-do-sol inundava o jardim com a mais pura tristeza. Tomando para si a responsabilidade dos árbitros, o yorei-ke esperou o cair da primeira folha de bambu naquele instante para dar o sinal:

“Lutem!”

Os reflexos bem treinados de Kamui o favoreceram no arranque, com sua espada arrancando sangue de sua antes amada irmã em um corte preciso, na coxa direita.

Entretanto, este ataque abriu a guarda para sua adversária que, com impressionante técnica, girou a espada para o ataque certeiro.

O duelo terminou ali, com a lâmina do ninja alçando vôo, até cravar no solo, aos pés do árbitro. Kaori rendera seu inimigo em um único, e esplêndido, golpe.

“Pare com isto, irmão. Esta luta está terminada”.

Tudo que Kamui fez foi aproximar a lâmina de sua oponente ao pomo-de-adão, com os dedos.

“Neste caso, termine o que começou”.

O peso da mágoa tomou-lhe a garganta, fazendo suas mãos tremerem. As lembranças de sua vida envolvendo aquele homem passavam por sua cabeça, como se vivesse tudo aquilo outra vez – dissuadindo-a do que deveria fazer.

“Eu… não posso fazer isso. Você é meu irmão, e não quero ter o sangue em minhas mãos”.

O amargor em suas palavras atingiu Takashi e Lishida, que a tudo aquilo assistiam. O Caranguejo permaneceu no torii, para garantir que ningué interferisse na contenda; já o Garça ficou mais próximo, para intervir caso aquele homem colocasse Kaori em perigo.

“Venha comigo”. Desta vez, foi o momento dela estender a mão. “Em vez de se entregar a uma morte sem propósito, venha viver ao meu lado, aniki“.

O gelo nos olhos de Kamui se desmanchava em lágrimas. Baixou o mempo, revelando seu rosto fino e bem talhado para todos.

“Você diz que me ama, mas não me honra com uma morte digna? Prefere me manter vivo, como um fantasma sem lar e descanso, por um desejo egoísta?”

O silêncio não poderia soar mais triste, se ele não constinuasse a falar.

“Você quer transformar esse amor em vingança, me fazendo caçar você como um animal selvagem, apenas para se divertir com o meu sofrimento?”

Desta vez, quem chorou foi Kaori, mal percebendo que o ninja aproximou a lâmina um pouco mais, no seu pescoço.

“Por favor, imouto-chan… faça valer a sua escolha”.

Ela fechou os olhos, e fez valer o anseio de seu irmão mais velho. Moveu a lâmina em um arco perfeito, terminando apenas com o baque do mempo tocando o solo.

Aos pés de Takashi, jazia a cabeça de Bayushi Kamui.

L5R-Scorpion Mon

つづく (“Continua”…)

P.S: Acesse a ena seguinte por este link aqui.

Anúncios
4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    13/04/2016 18:46

    Glossário:

    Samurai-ko: Termo designado a mulheres que seguiram o caminho dos Samurais.

    -san: Forma honorífica de tratamento, geralmente atribuída entre pessoas do mesmo nível social e/ou formalidade.

    Imouto: Em uma tradução livre, “Imrãzinha”.

    -chan: Forma honorífica de tratamento, dedicada a tratamento mais p´roximo e/ou íntimo.

    Mempo: Máscara carrancuda, de meia face ou completa, comum entre os membros do clã Escorpião.

    Ninja: Em uma tradução livre, “assassinon furtivo”.

    Aniki: Em uma tradução livre, “irmão mais velho”.

    Katana: Espada de Lâmina longa, que compõe o Daisho junto com a Wakizashi (lâmina curta).

    Yorei-ke: Em uma tradução livre, “Cabelos fantasmas”.

  2. Monseha permalink
    13/04/2016 23:03

    Eu lembro disso. Não foi tenso, foi punk! Parabéns pessoal. Por isso eu amo L5R.

  3. 15/04/2016 10:22

    Sensacional!!!

Trackbacks

  1. Campanha em Rokugan – Cena Dez |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: