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Campanha em Rokugan – Cena Dez

07/03/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Mantidos em Ninkatoshi por ordens da Leoa Matsu Hibiki, nossos heróis foram encontrados pelo perigo. O Caranguejo Lishida enfrenta um julgamento desleal por um crime que não cometeu, enquanto que Kaori e Takashi permanecem observados pela Capitã e seus subordinados, como cúmplices do mesmo crime. E isso seria somente o princípio…

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi)

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Os primeiros raios de sol tateavam o horizonte, e Kaori já podia ver a vida se manifestando vagarosamente em Ninkatoshi: hospedarias abrindo, pessoas caminhando rumo ao trabalho e o aroma de várias especiarias e guloseimas impregnando o ar antes fresco.

Entretanto, o raiar do dia também trouxe a ela um mau presságio. No corredor, ouviu a chegada de uma voz, desagradável e familiar ao mesmo tempo.

“Vamos, meus serviçais. Procurem pela minha Kaori-chan!”

Não acreditando no que estava para acontecer, reuniu alguns andrajos e fugiu pela janela, procurando por um esconderijo desesperadamente. Estava bastante assustada, e não podia deixar que aquele nobre decrépito a alcançasse – para ela, seria o fim da vida.

Já estava nas ruas da Cidade da Permissão quando se cobriu com aqueles trapos para se misturar entre os heimin. Procurava por um lugar seguro e imporvável para se esconder daquele homem, até se deparar com um modesto templo, dedicado a Benten.

Não encontrou viva alma nas redondezas, até porque nem se preocupou em procurar. Contornou o santuário até chegar nos aposentos dos monges – o único lugar distante dos olhos curiosos de viajantes e soldados (pelo menos, por algum tempo).

Emmeio aos móveis, Kaori encontrou algo que conhecia bem: um estojo de laca polida, em tom escuro. No seu interior, cremes e pós para maquiagem, utilizada em dramatizações e performances teatrais.

O mesmo estojo que dera a Tetsuo, em seu décimo-oitavo aniversário…

Além dele, algumas ataduras pintadas a sangue pendiam sobre a mesa, confirmando as palavras de Takashi sobre os ferimentos de seu amado.

Apressou-se para adentrar o santuário, com a esperança de revê-lo – mas apenas encontrou outros vestígios de seu tratamento: novas bandagens, compressas úmidas em uma vasilha com água fresca e um leito improvisado, aos pés da estátua de Benten.

Novamente, não tinha pistas sobre o paradeiro de Tetsuo. E, com o princípio de um burburinho lá fora, também não tinha muito tempo para pensar…

Temple2

“Ordem!”

A voz retumbante de Matsu Hibiki perfurou os ânimos da multidão como uma lança bem afiada, abafando seus gritos.

“Agora que voê deu o seu nome, sabemos que você é um Hida. E isso me deixa profundamente triste por Lorde Oboro, que certamente ficaria decepcionado em ter um assassino em sua família…”

Tais palavras pesaram na cabeça de Lishida, como um golpe de seu próprio tetsubo.

“No entanto, ainda lhe darei uma chance para inocentar-se das acusações, em um duelo de kenjutsu“.

Em cada palavra, a Taisa dos Leões não deixava e perceber as reações do andarilho Kakita, que permaneceu afastado – pelo menos, até agora.

Caminhando até o seu aliado, a encarou nos olhos; e, ao perceber que suas feições pouco normais a incomodavam, permaneceu ao lado dele.

Hibiki-san, devo lembrar-lhe que a sua postura desonraria profundamente o mentor de seu clã, Akodo-sama. Não apenas por nos tirar de nosso caminho, nos puxando para o seu covil; mas pelo seu péssimo exemplo de hospitalidade prestado a nós, que trazíamos conosco um ferido, notoriamente reconhecido na linhagem Imperial!”

O cenho da capitã se franziu lentamente, à medida que o burburinho se dividia em opiniões opostas.

“E o pior de tudo: ainda nos acusa por tal atrocidade, sem qualquer prova ou testemunho viável? Francamente!”

Para Matsu Hibiki, esta foi a gota d’água.

“E você acha filhote de Garça, que vou tolerar a presença e voz  de cúmplices, de um canalha como Miya Tetsuo? Ele teve o azar de sobreviver à nossa punição, por todas as inverdades que proferiu sobre a minha família!”

O punho seco da samurai-ko esmurrou a pancada com força,”Ele terá a punição que merece, sem exceções. E quanto a vocês, outro processo terá início – onde apenas o mais forte será inocentado!”

“Neste caso”, rugiu Lishida, “quero desafiar aquelas Samurai-ko“.

Apontou para as guerreiras que o escoltaram até o templo, fortemente armadas e bem protegidas por suas armaduras pesadas.

Hibiki mal pôde conter o sorriso afetado pela excitação.

“Interessante… e pretendes enfrentá-las por conta própria?”

“Eu lutarei ao lado dele”, assumiu Takashi. Retirava de seu obidaisho para entregar às desafiadas. “Se sou visto como cúmplice, exijo meu direito de lutar neste confronto”.

A excitação da Taisa contagiou, aos poucos, a platéia que a cercava. E isso elevou a sua confiança notoriamente.

“Então, está feito: aos olhos de Onotangu, teremos um duelo entre os culpados e as Irmãs Megumi, notórias representantes de nosso clã. Até lá, não ousem nos enganar, ou serei obrigada a puni-los com a morte certa!”

O jovem Hida, contudo, parecia insatisfeito.

“Caso eu seja derrotado, entregarei a você o meu daisho“.

Matsu

Kaori olhou para fora, silenciosamente. Temia ver alguma das brutas mulheres a serviço do Leão, ou os serviçais do homem que a persegue. Encontrou apenas um bando de ascetas, pedintes e andarilhos se assentando nos arredores – visitantes comuns a todo templo, em busca de bons presságios e da boa vontde dos monges em lhes servir.

Agarrando-se aos trapos com força, caminhou por entre os visitantes, misturando-se a eles como um camaleão. Percebeu que um sujeito, de roupas largas e chapéu baixo, caminhava atentamente, como se procurando por alguma coisa.

Acompanhando alguns pedintes frustrados, a dama Bayushi saiu do templo, agora determinada em encontrar Takashi e Lishida. Não demorou muito até que se deparesse com o grande Mercado de Ninkatoshi – um local onde aromas e sabores se misturavam.

Sua espinha gelou ao perceber algumas figuras conhecidas nos arredores. À sua esquerda, o deplorável lorde Doji Sasuke  passeava com seus fieis serviçais; à sua direita, um homem caminhava, com a cabeça envolta por um capuz e véu, acompanhado por alguns homens truculentos e mal-encarados. Julgando pelas roupas, o identificou rapidamente como o homem que encontrou naquele dojo abandonado, recentemente.

Percebeu o sorriso da sorte se abrindo quando viu seus companheiros, servindo-se em uma das várias tendas locais. Caminhou sorrateiramente pelo Caranguejo, que focava-se em preencher o seu estômago, e aproximou-se do Garça, que analisava os arredores com cautela.

“Com licença… por acaso, vocês podem alimentar uma pobre peregrina?”

A voz disfarçada da jovem passou despercebida pelos dois, a deixou um pouco surpresa.

“Puxa… em outros tempos,  vocês costumavam ser mais educados comigo…”

Sentando-se com eles (que agora a reconheceram), Kaori fica a par de tudo: o julgamento deles, e a chegada de Tetsuo à cidade. Da mesma forma, ela lhes conta pelo que passou até chegar ali.

Percebendo os olhares atentos dos Leões em suas costas, os três se levantam para procurar algum lugar mais reservado. E foi nesta hora que viram um homem esbaforido lutar por sua vida…

Marketplace

Nos estreitos corredores do Mercado, um monge lutava contra seu próprio fôlego para continuar correndo. Atrás dele, dois brutamontes mantinham o ritmo, prontos para pegá-lo. Na cintura, carregavam espadas ninja-to e seus torsos eram tatuados – facilitando para Kaori o reconhecimento: ela os vira junto com aquele outro homem, agora pouco.

Assim que o monge passou pelos três, Lishida se colocou à frente dos perseguidores, confiante em seu tamanho e força naturais. Takashi ficou ao seu lado, embora estivesse mais satisfeito se o seu daisho estivesse em suas mãos…

Para ela, este foi o sinal: puxou o esbaforido sacerdote pelo braço, e se enfiou na multidão que circundava seus amigos.

“O que pensam que estão fazendo, Budokas?”

“Deixando que alguém fique longe das suas mãos sujas”, cuspiu o andarilho Garça. Confirmando suas palavras, o Caranguejo escarrou aos pés dos bandoleiros. Algo que os deixou, sem dúvida, bastante irritados.

“Saia da nossa frente agora mesmo”, as mãos passeando pelas espadas ainda embainhadas, “antes que precisem sofrer as consequências!”

Ao perceberem que tanto Kaori quanto o monge estavam a salvo, eles abriram caminho. Com a rua limpa à sua frente, os vândalos não assassinaram Lishida e Takashi graças à presença constante dos guardas, que agora dispersavam a multidão com brados de ordem.

“Vocês vão pagar por isto!” Vociferou um deles, pouco antes de voltar pela ruela de onde vieram. Mais à frente, viram o sujeito de roupas verdes e véu, as mãos repousando sobre o seu Obi despreocupadamente.

Deu as costas para a dupla, enquanto punia seus seguidores com murros e ofensas. Tal movimento fez os cabelos brancos surgirem sob as abas do chapéu.

“Mirumoto Manji, provavelmente”. A conclusão reflexiva do yorei-ke foi breve o suficiente para captar as palavras de seu grande aliado.

Kaori-san deve estar nos esperando. Vamos!”

Insulto

つづく (“Continua”…)

P.S: Para ter acesso à Cena seguinte, acesse o seguinte link.

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3 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    07/03/2016 22:09

    Glossário:

    Bushi: Samurai guerreiro.

    Samurai-ko: definição utilizada para mulheres samurais.

    Onotangu: Um dos deuses da criação, responsável pela noite e pela Lua.

    Obi: Faixa que prende o Kimono à cintura, bem como as espadas de um Samurai.

    Daisho: Conjunto de espadas que simbolizam a alma e status de todo Samurai, composto pela Katana (lâmina longa) e Wakizashi (lâmina curta).

    -sama: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de status elevado e/ou em posições de respeito.

    Dojo: Literalmente, Academia, campo de treinamento de Saumrais.

    -san: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de mesma posição social que a sua.

    Ninja-to: Espada de lamina curta, intermediária entre a Katana e a Wakizashi em tamanho. É uma arma barata e sem valor social, normalmente utilizada por Ninjas.

    Budoka: Nome atribuído a camponeses que recebem armas, para atuar como infantaria graças ao seu treinamento básico.

    Taisa: Literalmente, “Capitão” ou “Capitã”.

    Yorei-ke: Literalmente, “Cabelos Fantasmas”.

  2. Monseha permalink
    08/03/2016 22:22

    Tempo bom esse em que passamos em Ninkatoshi… rsrsrs

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  1. Campanha em Rokugan – Cena Nove |

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