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Campanha em Rokugan – Cena Nove

11/02/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Após algum tempo de viagem, os destinos de nossos heróis coincidem novamente. Graças à intimidação da liderança Matsu, eles acabaram detidos e conduzidos até Ninkatoshi – a Cidade da Permissão – por motivos diversos e pessoais. Mal sabem eles o que os espera por trás daqueles muros…

 

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi).

夜 (Noite)

Takashi permaneceu inquieto em seu dormitório, abalado pelo fortuito encontro com a destemida Matsu Hibiki. Lembrou-se do contragosto que sua decisão de assumir um Musha Shugyo provocou em seus familiares, e do rancor que as Matsu assumiram por essa desonra…

… Quando, de repente, ouviu uma voz familiar ecoando nos corredores da casa.

“Não toquem em mim! Já sei o que devo fazer, a sua ‘líder’ deixou isso bastante claro…”

“Kaori… aqui?” Aquilo não parecia possível. “Algo deve estar errado…”

Abriu a porta com discrição, apenas para perceber que há uma sentinela protegendo a porta do quarto mais próximo. Intrigado, revistou suas coisas – para descobrir se algo lhe foi tomado.

Apenas para perceber algo estranho: a wakizashi de Kakita Munisai, intacta e embainhada, entre suas posses. Deixou-a onde estava, por medo, e foi ter com Lishida, pela janela.

Apenas para perceber a figura, veloz e sombria, saltando janela afora do quarto vigiado.

“Kamui!”

Aproveitou a saída dele para conversar com a dama Bayushi, contando-lhe tudo que viram desde o momento em que se separaram. Da mesma forma, ela lhe contou o pouco que sabia sobre a tramoia de seu pai, com felicidade contida.

“Eu não poderei fazer muito agora, com esse estorvo na minha porta”, suspirou a jovem Samurai-ko.

“Não se preocupe, Kaori-san“. O Yorei-ke tentou lhe transmitir um pouco de confiança. “Eu e Lishida-san cuidaremos disso.”

L5R-Crane Mon

Lado a lado com o Caranguejo, Takashi caminhava pelas ruas de Ninkatoshi. Não havia ninguém à vista, ou qualquer sinal de movimeto àquela hora da noite – algo bem estranho para uma cidade grande. A presença de soldados em ronda, no entanto, incomodava bastante ao reforçar a sensação de que seus movimentos eram constantemente vigiados.

Não tinham muito para fazer, senão investigar a cidade e se deparar com a guarda local. Encontraram paz chegando aos jardins, e lá permaneceram sozinhos.

“E então”, questionou Lishida. “O que você acha disso?”

Tudo parecia bem obscuro, a bem da verdade. Aliás, bem ao modo dos Leões, como Takashi concluiu consigo mesmo. Como Ninkatoshi é uma cidade disputada, até pouco tempo atrás, por esse clã e pelo seu, provavelmente todo esse controle é mantido para evitar uma nova derrota.

“Não sei o que pensar, por ora. Esse toque de recolher nos limita a agir durante o dia, e sob o pesado olhar das tropas de Matsu Hibiki…”

Ao perceber o pesar nas palavras de seu amigo, o jovem Hida não deixou de perguntar:

“Mas não é isso que lhe incomoda agora… certo?”

“De fato”, ponderou o peregrino. “Antes de começar minha jornada, fui prometido para um casamento com uma das herdeiras Matsu – para selar a paz entre os clãs. Mas isso ia de frente com o meu destino, e minha escolha provocou a ira de minha ‘noiva’, Matsu Hibiki. A capitã que nos abordou, para ser mais claro.”

Isso fez o soldado Caranguejo pensar no quão pesaroso é participar de um casamento. Por conta de compromissos como esse, vê seus companheiros sofrerem com o rancor alheio. Mas, na verdade, sente-se feliz por não estar preso a nenhum dever, senão aquele de enfrentar as entidades do Jigoku sempre que possível.

Nesse momento, uma terceira pessoa surge interrompendo a conversa. O lustre da armadura da Taisa Matsu Hibiki irrompia na escuridão, enquanto retirava duas bokken debaixo da pele de leão que a cobria.

“Me disseram que vocês estavam treinando aqui”, disse. “Resolvi conferir de perto.”

Disfarçando a conversa, Takashi começou a falar sobre os fundamentos do Iaijutsu – apresentando, inclusive, algumas posturas e movimentos de sua técnica – para Lishida, que se sentiu motivado a experimentar.

“Vamos lutar, Taisa?” Desafiou o Caranguejo, pedindo com a mão por uma das armas.

Entregando a bokken para o desafiante, Hibiki responde:

“Então, façamos um duelo.”

Takashi permaneceu quieto e concentrado pois, muito mais que arbitrar o duelo, ele tinha a chance de ver sua rival em uma luta. Da mesma forma, este seria o primeiro momento que veria Lishida empunhar uma arma mais leve que seu maciço de ferro fundido.

“Será que o Caranguejo mostrará suas verdadeiras garras?”

L5R-Lion Mon

Uma troca de olhares gélidos antecedeu a decisão, e seu desfecho tornou-se incerto até mesmo para um espectador experiente como Takashi. Foi uma decisão rápida, como um piscar de olhos.

Felizmente, Matsu Hibiki não teve a menor chance. No momento em que saca sua bokken, teve seu pescoço atingido com força. Hida não poupou energia neste golpe, chegando a quebrar sua arma e lançando a desafiante para trás.

“Muito bom, caro aprendiz”, suspirou o herdeiro Kakita. Seu esforço era evidente para controlar sua satisfação naquela hora. “Da próxima vez, tente ser um pouco mais leve”.

Deixando para trás uma orgulhosa Leoa lambendo suas feridas, caminharam novamente pelas ruelas escuras de Ninkatoshi. Encontraram no caminho as lamparinas acesas de um humilde templo, dedicado a Benten – a Fortuna do Amor Romântico.

Ansiosos por pistas, entraram no santuário, encontrando apenas um monge assustadiço e dedicado a cuidar dos ferimentos de Miya Tetsuo.

Assim que viu Takashi, sua reação foi imediata: encheu as mãos de sal, e lançou contra ele, gritando “Yorei” repetidamente, como um pedido de ajuda. Apenas para ver um grande homem rindo, e o seu “macabro” acompanhante se zangando.

“Pare com isso”, retrucou ele, enquanto se limpava. “Tenho uma maldição, mas não sou fantasma”.

Lishida interveio, apontando para o febril Miya.

“Estávamos preocupados com ele”.

O monge volta a se focar em seus afazeres, trocando as ataduras manchadas do ferido. Trocou também a toalha em sua testa, para baixar a febre. “Ele parece resistir à morte”, pontuou. “Luta como poucos, como se algo dependesse disso”.

Uma série de murmúrios incompreensíveis confirma o veredito do bonzo.

“Será este um lugar seguro?” Takashi demonstrava franca preocupação, depois da reação assustada de seu cuidador.

“Como sacerdote, posso manter os Leões afastados por algum tempo”, afirmou. “Tentarei levá-lo a um lugar seguro, mesmo com as Matsu de olho nele… enfim, avisarei vocês quando o tiver feito”.

Os Bushis estão de acordo, ainda que o plano se mostre arriscado; mas, fica bem claro que, se o Leão o quer, fica bem claro que algo está errado naquela cidade…

L5R-Crab Mon

Na busca por sua harmonia interior, Kaori volta no tempo. Mesmo em seus momentos de meditação, suas memórias com Tetsuo ficam gravadas em sua mente, como uma pintura…

Lembrou-se de imediato da primeira vez que o viu com outros olhos, em uma das Cortes de Inverno que frequentou. Kamui estava ao seu lado, quando viu sua primeira performance: a tênue combinação entre dança e poesia, palavras e atos, paixão e razão.

Talvez, ela fosse muito imatura para entender tudo aquilo; mas foi nesse momento que seu coração bateu mais forte, abafado apenas pelos aplausos do público.

Embora seu irmão mais velho lhe chamasse ao fundo, a jovem Bayushi só tinha olhos para o futuro ator – e sentia-se envaidecida pela retribuição dele, a ponto de sonhar com um possível futuro.

Os mesmos sonhos que agitaram seu descanso, por breves horas…

Até que alguns gritos trouxeram-na de volta à realidade.

No impulso de descobrir o que aconteceu, Kaori levanta-se e descobre o caos: o chão manchado de sangue, e duas Samurai-ko da família Matsu escoltando um confuso Lishida.

“Este seu ‘amigo’ foi surpreendido ao assassinar uma de nossas irmãs, a sangue frio”, acusou uma delas, antecedendo qualquer questionamento. “Ele vai a julgamento, como ditam as leis do Leão”.

Para Takashi e aquela dama, restou apenas perplexidade.

L5R-Scorpion Mon

O espadachim peregrino acompanha o pequeno comboio até uma torre antiga e suntuosa, inferior apenas ao teto do Kyuden local. Sua arquitetura rude e vigorosa identificava o local como um templo que honra Bishamon, a Fortuna da Força – mas o seu interior se assemelhava muito mais a um tribunal: salão amplo, pontuado apenas por uma alta bancada, aos pés da estátua assustadora da entidade.

Bushis Samurai-ko ladeavam a bancada, encarando Lishida com os olhos ávidos por vingança, e morte. O Caranguejo permaneceu sozinho, frente a frente com a bancada, até que a pessoa responsável por julgar o caso chegasse.

Matsu Hibiki apresentou-se, desta vez, com um traje completo de batalha, finamente trabalhado em marrom e dourado. Um pesado manto listrado cobria seus ombros, realçando a cor de seus longos cabelos castanhos.

“Ora, se não é o ilustre visitante Caranguejo”, rosnou. A ira em sua voz era tão pertinente quanto sua bochecha inchada (um resquício de seu último encontro). “Desejava não vê-lo por aqui…”

Suas palavras irrompiam no burburinho como o amanhecer invade a penumbra, enaltecendo o valor de Bishamon e a devoção de seu clã perante o mesmo: o reconhecimento pela força.

“Da mesma forma que nos sujeitamos ao preceito máximo da força, iremos julgá-lo nessa premissa, réu. Diga bem alto o seu nome, para que Bishamon possa lembrá-lo, e torná-lo exemplo para seus adoradores!”

O guerreiro Hida ergueu a cabeça, fixando seus olhos em Hibiki, enquanto estufava os pulmõs para responder ao desafio.

“Me chamo Hida Lishida, e estou pronto para enfrentar este julgamento!”

つづく (“Continua”…)

P.S: Segue o link para a Cena seguinte.

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4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    11/02/2016 23:53

    Glossário:

    Bushi: Samurai guerreiro.

    Samurai-ko: definição utilizada para mulheres samurais.

    Jigoku: Reino maligno, que possui ligação com o mundo dos homens (chamado Ningen-dô) pelas Terras Sombrias.

    Kyuden: Palácio.

    Bokken: Espada esculpida em madeira sólida (carvalho, por exemplo), bastante usada em treinamentos de esgrima.

    Iaijutsu: Estilo de esgrima em que a espada é mantida na bainha, preferencialmente adotado para Duelos formais em Rokugan.

    Daisho: Conjunto de espadas que simbolizam a alma e status de todo Samurai, composto pela Katana (lâmina longa) e Wakizashi (lâmina curta).

    -sama: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de status elevado e/ou em posições de respeito.

    Musha Shugyo: Jornada solitária de iluminação, adotada voluntariamente por um Samurai. Ao adotar esta jornada, ele deixa de lado sua posição e família, até que encontre o que procura.

    -san: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de mesma posição social que a sua.

    Taisa: Literalmente, “Capitão” ou “Capitã”.

    Yorei: Literalmente, “fantasma”.

    Yorei-ke: Literalmente, “Cabelos Fantasmas”.

    Bonzo: Termo designado originalmente a monges Budistas, mas aqui adaptado para os sacerdotes da Irmandade de Shinsei.

  2. 12/02/2016 09:42

    Caraca! Tá tenso o negócio!

  3. Monseha permalink
    13/02/2016 01:14

    “Muito bom caro aprendiz. Da próxima vez tente ser um pouco mais leve” (saltitando de júbilo, apesar da seriedade). Como se o Caranguejo pudesse ser mais leve. ¬¬
    Disso tudo, o que nunca foi esquecido, foi a cena do bonzo jogando sal e gritando “Yorei! Yorei!” :D
    Perfeito! Como na ‘Cena Oito’, melhor do que eu lembrava… Cada vez mais tenso!

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  1. Campanha em Rokugan – Cena Oito |

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