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Campanha em Rokugan – Cena Oito

04/02/2016

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

À frente do caminho, Kaori e Kamui encontraram abrigo da viagem nas ruínas de um dojo abandonado, e acabaram surpreendidos pela chegada de um bando suspeito; em contrapartida, Takashi e Lishida encontram Kakita Munisai, e reconhecem a história trágica de sua vida – em palavras que, provavelmente, podem ser aproveitadas no futuro…

 

 

Rokugan Mapa Campanha 4

Pontos Importantes na Trama: L8 – Cidade da Permissão (Ninkatoshi); I16 – Cidade do Império (Toshi Ranbo)

 

認可とし (Ninkatoshi)

Após o infrutífero encontro com Kakita Munisai, Takashi e Lishida optaram por seguir a estrada até Toshi Rambo (afinal, eles não possuíam qualquer outra pista do paradeiro de Kaori, senão as palavras do seu irmão mais velho).

Em algumas horas de caminhada, o anoitecer lhes trazia, além do seu manto estrelado, uma tragédia: um homem que lutava contra a morte, às margens da estrada. Seu kimono ostentava os claros tons das linhagens Imperiais, agora contrastando com as crescentes manchas de sangue em seu abdômen.

Mal conseguia respirar quando os viajantes lhe acolheram, estancando suas feridas com suturas improvisadas. O retorno do sangue corou sua face em minutos, restaurando-lhe as forças para respirar.

“O… obrigado”

Nesse momento, Lishida observava os arredores com o tetsubo à mão. Takashi permaneceu ao lado daquele homem, analisando as marcas e hematomas deixados em seu rosto,

“Quem pode ter feito isso com você?”

“Eu… não faço ideia”. Os olhos do ferido injetaram-se de pavor.

“Eram muitos … paus e espadas nas mãos, como se… desejassem a minha morte…”

Lágrimas escorriam por sua face, como um rio correndo por um vale montanha abaixo, selando o silêncio sobre o que acbou de passar. O Yorei-ke viu a mochila do homem, fechada e intocada, e logo pensou no pior.

Como não havia lugar seguro para que o sujeito se recuperasse, resolveram levá-lo consigo – pelo menos, até que encontrassem uma hospedaria, ou casebre para pedir por socorro.

“A propósito… sou Miya Tetsuo. Quais são seus nomes?”

Ivory-Art-2

“Vamos, Homens! Preparem tudo para a chegada de Ganryu!”

Um dos homens, trajando kimono completo em cores escuras, os cabelos brancos destoavam de sua postura sinistra, bem presos em um mage. Cada parte do seu daisho estava em um dos lados de seu obi, aos modos de estilo Niten. Atrás dele, quatro homens permaneceram, armados com arcos e lanças.

Kaori os observava atentamente, buscando compreender o que era tudo aquilo. Entretanto, as telhas soltas daquele dojo denunciaram sua presença.

“Quem está aí?”

Para evitar o pior, ela contornou a construção. Com o máximo de cautela, esgueirou até os fundos do seu pátio, a katana em punho e pronta para lutar, se necessário.

Aguardava também por algum sinal de Kamui, ainda incógnito. Teria ele lhe abandonado, a esta altura dos acontecimentos?

“Apareça de onde estiver, ou teremos que usar a força!”

Percebeu que o líder do bando aproximava-se da sua posição, e os temores antecederam o impulso de lutar…

… Até que o relincho apavorado de um cavalo rasgou o silêncio tênue. No momento que os invasores se voltaram para o trote explosivo do animal, Kaori encontrou alívio nos gestos de Kamui – que apontava o muro alto, pouco antes de escalá-lo.

Guardou sua espada e, com uma corda de seda à mão, atravessou a parede com agilidade quase felina,

“Precisamos sair daqui, e logo”, sugeriu o ninja, baixando seu mempô e expondo seu rosto pela primeira vez. “Vamos precisar de ajuda para enfrentar o que vi lá dentro…”

O brilho de temor nos olhos do irmão foi facilmente percebido pela Samurai-ko.

“E onde poderemos encontrar essa ajuda?”

Cuidadosamente, Kamui conduziu sua irmã até a estrada. Em uma distância segura.

“Estamos próximos de Ninkatoshi, a Cidade da Permissão”, cocluiu com pesar. “Os leões são perigosos, mas parece que não temos escolha… não é mesmo?”

Ninkatoshi.jpg

Takashi manteve a dianteira, no intuito de proteger Lishida e o adormecido Tetsuo. Seus olhos bem treinados puderam perceber sinais luminosos ao longe, vindo em sua direção.

Em silêncio, trocou olhares com o Caranguejo, na tentativa de adverti-lo a evitar um confronto. Apenas a sutil aproximação denunciou a origem das luzes.

Uma patrulha de Leões, preparada para lutar.

“Alto, viajantes”. Uma voz feminina e, ao mesmo tempo autoritária, endureceu as palavras. “Para onde pensam que vão?”

“Pretendemos alcançar Toshi Ranbo”, respondeu o andarilho menor. “Pois temos um dever a cumprir com a Imperatriz, e com esta pobre vítima.”

O calor das luzes próximas aos dois bushis franziu o cenho da guerreira que os falou, notoriamente identificável como líder da patrulha.

“E… que tipo de dever podem ter, juntos, um Garça e um Caranguejo?”

O tom de zombaria contrariou Takashi, a ponto de fazê-lo buscar a permissão de sua família. Mostrou-a pouco antes de dizer:

“Não estou a serviço do clã Garça, mas em busca de auto-compreensão”

Os olhos dela correram sobre o pergaminho, aparentemente desapontados… ou seriam desinteressados?

Musha Shugyo, é…? Lamento, mas terão que nos acompanhar até Ninkatoshi, para esclarecermos isso e, claro, tratarmos desse homem.”

O sibilar das katanas abandonando suas bainhas foi o suficiente para convencer os viajantes, e a caminhada atpe a Cidade da Permissão foi silenciosa e breve. Em um primeiro momento, Takashi percebeu avidez nos olhos da capitã – algo como a excitação dos aprendizes pela primeira batalha – se perder no enfado de ter sua ordem prontamente atendida.

Após atravessarem os portões, Tetsuo foi levado para um local seguro. Já os Bushis acompanharam a líder da patrulha até uma das sedes dos exércitos do clã leão. Sob perguntas incisivas e rudes, explicaram sobre tudo que viram até agora: os eventos de Ravina Serena, a missão que carregam consigo e o encontro com Tetsuo.

“Bom, pelo menos você manteve o dever, não é mesmo, Takashi-dono?” As palavras transformavam-se, aos poucos, em rugidos, com a ira crescente na voz. “Pena que a palavra de vocês, Garças, não possui o mesmo valor.”

O herdeiro Kakita tentou compreender o que havia por trás daquelas palavras, até que a revelação daquela Samurai-ko lhe fez, ao retirar o seu elmo e soltar os longos cabelos castanhos.

“Eu sou Matsu Hibiki, também conhecida como a Presa do Leão”, respondeu com serenidade ímpar. “Aquela que tinha um compromisso com você, e que agora deseja um acerto de contas.”

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A pedido de seu irmão, Bayushi Kaori seguiu rumo a oeste, visando uma patrulha des Leões. Claro que ter a sombra de Kamui pairando sobre sua cabeça não era agradável, mas este desvio a deixou bastante satisfeita – afinal, teria tempo para repensar seus planos, e evitar que as tramoias de sua família se concretizem.

“Quero ser a Imperatriz, mas não dessa forma”, concluiu consigo mesma, pouco antes de ser abordada por batedores a serviço do leão. Não demonstrou a menor resistência perante eles, alcançando Ninkatoshi em passos rápidos e disciplinados. Apenas o enfado debochado nos olhos da líder desses homens lhe incomodou, como a pedra que rompe a paz de uma lagoa.

“Então, você foi encontrada viajando sozinha, a esta hora da noite…”

Kaori assentiu em silêncio. Os olhos da Leão ardiam como piras.

“Agora… me conte o porquê de viajar nas sombras, e para onde pretendia ir.”

“Não penso que isso seja de sua conta”, respondeu. “Saí de onde estava, para ir onde quero…”

Tais palavras perturbaram a Taisa, seus dentes rangendo em alto e bom tom.

“Você deve saber que passear nas terras de meu clã, sem prestar o devido respeito, não é nada saudável – principalmente para seres da sua laia.”

Foi a vez de Kaori sentir o amargor daquelas palavras em sua garganta.

“Passear? Ah, nada disso… Estava resolvendo meus próprios assuntos em Ravina Serena, quando fui rudemente abordada por seus lacaios, e trazida para cá…”

A irritação da leoa atingiu o limite, quando seus braços puxaram o colarinho da Escorpião, a empurrando contra uma das paredes.

“E o que um maldito Escorpião estava fazendo em minhas terras? Alguma tramóia imunda, com certeza!”

A dama Bayushi encontrou a brecha que esperava, como o peçonhento aracnídeo que carrega em seu sangue.

“Se Ravina Serena é seu território, então eu sou testemunha de sua incompetência. Pois, não fosse por mim, um maldito Maho-tsukai teria dizimado a vida naquele lugar.”

Pelos olhos daquela guerreira, Kaori percebeu uma fagulha de excitação – mas a rápida passagem congelou seus movimentos largando a viajante no chão.

“Já ouvi o bastante. Guardas!”

Duas mulheres truculentas (provavelmente, representantes da família Matsu) entraram, pegando Kaori pelos braços e a levando para outro lugar.

Deixaram-na em um suntuoso dormitório, sob a vigilância atenta de uma das Samurai-ko. Nem teve tempo para esboçar um plano quando Kamui chegou pela janela, silencioso como uma brisa noturna…

つづく (“Continua”…)

P.S: Você pode acessar a Cena seguinte por este link aqui.

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4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    04/02/2016 22:00

    Glossário:

    Bushi: Samurai guerreiro.

    Samurai-ko: definição utilizada para mulheres samurais.

    Kimono: Indumentária de mangas largas, semelhante a um roupão – bastante comum em Rokugan.

    Kyuden: Palácio.

    Mage: Coque Samurai.

    Daisho: Conjunto de espadas que simbolizam a alma e status de todo Samurai, composto pela Katana (lâmina longa) e Wakizashi (lâmina curta).

    Tetsubo: Clava de ferro ornamentada por cravos, ideal para atingir monstros e Onis (como arma favorita do Caranguejo).

    -sama: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de status elevado e/ou em posições de respeito.

    Musha Shugyo: Jornada solitária de iluminação, adotada voluntariamente por um Samurai. Ao adotar esta jornada, ele deixa de lado sua posição e família, até que encontre o que procura.

    -san: Forma honorífica de tratamento, atribuído a pessoas de mesma posição social que a sua.

    Ninja: Assassino das sombras, guerreiro impiedoso e bem conhecido pela deslealdade.

    Yorei-ke: Literalmente, “Cabelos Fantasmas”.

    -dono: Forma honorífica de tratamento, atribuída a pessoas de idade superior a sua.

    Kotoko: Literalmente, “Sem Braço”.

    Niten: Estilo de esgrima que utiliza duas espadas simultaneamente, Katana e Wakizashi lutando lado a lado.

    Maho-tsukai: Termo utilizado para definir os praticantes do Maho, a arte mágica centrada no sangue – um tabu em Rokugan.

    Dojo: Academia marcial.

  2. Monseha permalink
    05/02/2016 02:11

    Já estou sentindo falta dessa maldita cidade dos pecados.

  3. 06/02/2016 09:29

    Vixi, tá tenso…hehehehe

    Estou adorando esta campanha.

Trackbacks

  1. Campanha em Rokugan – Cena Sete |

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