Skip to content

Campanha em Erebor – Cena 23 – Falco, de volta à Erebor

31/01/2016

Cena Anterior: Cena 22 – Berion, Embaixador dos Galadhrim

jon hodgson

Autor: John Hodgson

Remexi minhas lembranças pra achar a Ladeira da Porca e Parafuso. Na última vez que estivera ali, há meses e meses, Vir me acompanhava na minha então primeira visita ao Reino sob a Montanha. Na ocasião eu havia parado para admirar as fontes que ilustravam a Queda de Smaug, mas desta vez meu caminho era direto.

Eu já não era mais o hobbit de outrora. Quando fui interpelado no portão pelos guardas, respondi em um tom que minha Tia Dora desaprovaria, mas no momento eu já não me importava mais em ser polido. Agora eu entendia um pouco de Bilbo e sua “estranheza”. Louco ou não, o Velho Bolseiro não poderia voltar ao Condado incólume depois ter viajado pela Terra Média.

De noite eu ainda via a cena de Hardhart sendo consumido pelas sombras.

***

Toc.  Toc. Toc.

A porta abriu lentamente, e fui recebido pela esposa de Qhorin.
Agnes ficou surpresa ao me ver, e logo fui introduzido novamente à morada do Maestro Martelo-e-Tenaz, maior fazedor de brinquedos entre os anões. Sua casa no entanto estava vazia, como se faltasse algo importante naquele lugar.

Agnes chamou Qhorin, que apareceu sozinho. Seu rosto estava cansado, e continua uma tristeza que eu não entendia.

– Onde está Ágrapo?, perguntei, com medo.

– Sente-se, pequeno companheiro.

Eu sentei, e então ouvi o que havia acontecido nos últimos dias. Qhorin contou sobre sua audiência com Dáin, e a terrível sentença do rei. Seu rosto permanecia imutável enquanto relatava os acontecimentos, como se seu espírito já houvesse aceitado o inalterável.

É claro que a sentença era simbólica, mas mesmo assim ela representava muita coisa. Além da separação física, a decisão do rei matou a casa Martelo-e-Tenaz. Sua linhagem nos anais se encerraria com a morte de Qhorin, e Agrapo não poderia seguir na oficina de seu pai biológico.

Pus a cabeça entre as mãos pra me impedir de desabar sobre o chão. Sofremos tanto, perdemos tanta coisa, pra isso? Uma vitória com gosto amargo?

– Qhorin, há algo que eu possa fazer pra ajudar? Um testemunho? Algo do tipo?

O velho anão deu um sorriso triste e colocou a mão no meu ombro.

– Sua presença aqui já me anima de alguma forma. Vamos ter com Dáin. Estou velho, mas minha memória é boa. Dáin uma vez mencionou um banquete quando você retornasse, para provar as delícias do Mago-das-Panelas do Condado. Vamos ver se o Rei ainda relembra suas promessas, e se ele te reconhece agora com um arco nas costas ao invés de uma panela.

Com Qhorin ao meu lado, comecei a reparar mais ao meu redor no caminho ao Salão do Rei. Os anões trabalhavam e andavam de lá pra cá, carregando armamentos e grandes blocos de pedra. A Montanha ecoava com o soar dos martelos e picaretas.

O Salão do Rei estava aberto, e pela quantidade de anões reunidos, alguma audiência pública estava acontecendo ali. A platéia estava inquieta, e ninguém pareceu notar a minha presença ou a de meu amigo até chegarmos bem próximos do centro da multidão.

– … é essa sua posição então ó Rei dos Anões? Pois bem, ao invés de anéis, te entrego outro tipo de presente então. Te deixo este baú, como estimas de meu Mestre.

No centro do Salão, repetindo uma cena que meus olhos já viram, encontravam-se dois homens vestidos inteiramente de negro. Dois mensageiros malditos que no passado solicitaram informações sobre hobbits e o Condado. Dáin devia ter dado sua resposta final.

Os malignos saíram apressados do Salão, e quando passaram, achei ter visto de relance algo no colar de um deles que me lembrava algo, embora daquela distancia ficava difícil ter certeza.

O Rei então levantou e se dirigiu ao seu povo:

– Khazâd de Erebor, filhos de Dúrin, povo de Mahal. Tenho pouco a dizer a voces que vá além do que já foi dito neste Salão. Pouco a acrescentar às palavras de Elrond Meio-Elfo, passado a nosso herói Glóin, filho de Gróin, e, mais recentemente, as palavras de Tharkûn repassadas à Qhorin, filho de Gaspar. A guerra bate a nossa porta, e nós temos que cumprir o nosso dever.

Dáin falava de um jeito tão majestoso que eu não pude deixar de perceber o poder que emanava da sua figura. Seus trajes, seu machado, sua voz e sua expressão produziam um resultado verdadeiramente poderoso. Assim como eu sentira quando me deparei com Beorn, eu sabia que estava diante de uma lenda viva.

– Que nossos olhos possam encarar a maldade do inimigo, para que tenhamos noção do que nos espera.

Para minha surpresa, foi Ágrapo que saiu do lado do rei, de onde eu não o tinha visto, e se dirigiu ao baú, deixado pelos mensageiros de Mordor.

– PARE COM ESSA LOUCURA!!!!!

Pra meu total espanto, Qhorin saltou para o meio do Salão, tremendo e balbuciando.

– QUEM SABE QUE FEITIÇARIA MALDITA ESTÁ CONTIDA NESSE BAÚ??

O silêncio era total. Qhorin tremia de raiva, e pela nossa convivência, eu sabia o que ele temia – perder Ágrapo pra qualquer tipo de maldição que poderia estar armazenada naquele negócio maligno.

– Qhorin Martelo-e-Tenaz, nossos druidas já afirmaram não haver nenhum encantamento ou feitiço neste baú quando ele foi trazido a este Salão. Contenha-se antes que você faça alguma besteira.

Qhorin olhava para Dáin com ódio, por tudo o que havia acontecido nos últimos dias. Por ver o filho e não poder levá-lo pra sua oficina, por vê-lo exposto, mais uma vez, às artimanhas do Inimigo.

– SEU IDIOTA! EU ESTIVE EM DOL GULDUR E VI O QUE O INIMIGO É CAPAZ DE FAZER. MEU FILHO NÃO VAI CORRER ESSE RISCO!

– BASTA!!

Agora era Dáin que estava lívido de raiva, e uma veia latejava em sua testa. Ele começou a descer os degraus para o centro do Salão. Seu machado já estava em sua mão.

– Ágrapo não é mais seu filho. Mas entendo seu medo, velho. Abra o baú você mesmo então.

Qhorin havia insultado o rei publicamente. Eu não sabia se temia mais pelo baú ou pelo que Dáin faria com ele.

Meu velho amigo andou até o baú, não sem antes olhar pra Ágrapo. Ele ajoelhou, respirou fundo e abriu a arca. Sua mão puxou de lá o que quer que havia.

Os anões começaram a gritar e puxar as barbas, e tal foi a comoção e movimento de corpos que eu não consegui avistar o que Qhorin segurava. Me esgueirei para ter uma visão livre, com meu coração acelerado de expectativa. Uma voz urrava em algum lugar do salão.

Qhorin segurava a cabeça de Thraurin Coração-de-Martelo, nosso antigo companheiro que, após resgatar conosco Agrapo em Dol Guldur, se dirigiu à Moria na tentativa de descobrir notícias sobre Balin, seu tio. Ali estava o resultado dessa empreitada que nunca deveria ter acontecido.

E eu estava certo, era o amuleto do Coração-de-Freixo de Rhosgobel que estava no pescoço de um daqueles canalhas.

x354-q80

Próxima cena: Cena 24 – Heruwyn

 

Anúncios
6 Comentários leave one →
  1. Goncalo permalink
    02/02/2016 18:00

    Fala, Chicão!

    Que bacana ler novamente capítulos dessa campanha.

    Mas antes esses capítulos eram maiores.

    Muito bacana também a imagem do amuleto.

    Saudade das noitadas de rpg!!!

    Grande abraço!

  2. 16/02/2016 22:10

    Muitas saudades também!

    É verdade Gonça, esse relato acabou saindo um pouco mais curto do que a maioria.
    Vou arriscar dizer que foi proposital, pra ver se os leitores sentiriam um gostinho de “quero mais”.

    As próximas cenas virão mais rapidamente!

  3. Fernando Leal permalink
    09/03/2016 15:47

    Fala, meu primo distante!

    Eu já vinha sem esperanças, achando que essa campanha tinha morrido, depois de tanto tempo! Mas fico feliz em ver vc e o Gerbur aqui nos comentários, além do post desta cena, é claro!

    Eu espero que nos dêem a graça de seguir com os relatos em breve, pois estão aqui, no refúgio dessas leituras, os meus minutos de paz durante o dia-a-dia.

    Forte abraço e até breve!

  4. 11/03/2016 13:49

    Salve amigo Fernando,

    Que bom ver que você não abandonou o barco.
    Já fazia um tempo que pensava em você e no André – “será que eles desencanaram da nossa aventura?”.

    Bom estar errado de vez em quando!

    Nosso grupo teve alguns percalços, e realmente os relatos (e até o blog, como um todo) foi negligenciado por um tempo. Mas tenha certeza que essa história não foi esquecida.

    E ela teve um fim!
    Pode ficar tranquilo que os relatos finais virão. Ver seu comentário me incentiva a não desistir de escreve-los.

    Um grande abraço, e até logo

Trackbacks

  1. Campanha em Erebor – Cena 22 – Berion, Embaixador dos Galadhrim |
  2. Campanha em Erebor – Cena 24 – Heruwyn |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: