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Campanha em Rokugan – Cena Cinco

17/12/2015

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

A derrota de um monstruoso Hiruma Genjuro denunciou a Kaori e Lishida o perigo que paira em Ravina Serena. Takashi, por outro lado, defrontou-se com bandoleiros em um espetacular duelo, aos pés do Templo do enigmático Okina. Agora, os três guerreiros chegam ao lugar onde as respostas estão bem guardadas…

 

 

Rokugan Mapa Campanha 2

Pontos Relevantes Nesta Cena: Azul – Ravina Serena (Shizukana Keikoku). Amarelo – Templo Paz de Shinsei (Heiwa Shinsei no Shinden). I16 – Capital do Império (Toshi Ranbo)

怪物 (Monstruosidade)

Avistando o impassível Torii alguns metros à frente, Kaori e Lishida acompanham a fuga acelerada de um homem, sobre o lombo de um pônei rokugani. Deixaram-no escapar estrada abaixo, pelo temor que o Caranguejo sentiu pelo cavalo – mas, resistindo a esse impulso com rigidez, caminhou ao lado da companheira Samurai-ko.

A visão que tiveram do templo foi desoladora: abandonado e estéril, como um cadáver exalando os primeiros odores da sua decomposição. No centro de seu jardim, repousava o largo tronco de uma cerejeira  – ou, pelo menos, seus restos mortais. Dela, sobravam apenas os amuletos de boa sorte dos populares e o cordão de seda branca (que a definiria como a sagrada entidade do local).

Para Kaori, existia algo mais ali; talvez, o maior dos tesouros da terra. Na echarpe azul e branca, encontrou uma lembrança daquele que tanto desejava ver: o famoso artista kabuki Miya Tetsuo.

O verdadeiro amor da sua vida.

Agarrou-se ao tecido quando viu o mon da família Imperial, ignorando completamente a chegada de Kakita Takashi.

“O que aconteceu com vocês?” A pergunta pareceu bastante óbvia, pelos sinais que os dois carregavam consigo. Em poucas palavras, o herdeiro Hida descreveu o fortuito encontro com Hiruma Genjuro, e o “último adeus” prestado ao mesmo.

A estranheza do jovem Garça em relação ao templo também era notória, pois tudo parecia estar em ordem no dia anterior. Era como se toda aquela harmonia que sentiu na primeira vez não passasse de um sonho bom…

Permaneceu parado, apenas observando a curiosidade de Kaori perante a finada árvore e o impulso de Lishida em adentrar o templo, à espera do perigo.

Ruined Temple

O casarão, escuro e decrépito tal qual os restos mortais daquela cerejeira, tinha como único lampejo de vida um fraco gemido persistente:

“Por favor… me ajude…”

O dever de salvar seus semelhantes guiou o impetuoso guerreiro Hida para dentro, encarando de frente uma grande estátua de Shinsei. Em seus braços, um homem estava preso – o débil sangue vertendo de vários ferimentos até tocar o assoalho.

Largando o tetsubo para resgatar o pobre homem, que mal tinha forças para suplicar por socorro. Por isso, não reagiu adequadamente à terceira presença no templo.

“Não esperava que chegasse até aqui, mas estou feliz por ter vindo”.

Das sombras, emerge a imagem conhecida de Okina. No entanto, o brilho diabólico em seus olhos e o monstruoso sorriso em seus lábios o tornavam diferente de antes.

“Isso. Retire essa carcaça imprestável daí, e sirva-me com o seu sangue!”

Para lutar contra o maldito impostor, Lishida resgatou o fiel tetsubo com a mão direita e, carregando o moribundo com a mão esquerda, tencionou enfrentá-lo diretamente. Foi neste momento que sentiu o estremecer de suas pernas.

Um brilho carmesim nos olhos do farsante fez o grande guerreiro cair. Uma corrente de dor viva percorreu por todo o seu corpo, como uma chuva de agulhas banhadas em ácido a lhe tocar a pele.

“Ora, por que lutar?” O falso Okina exalava excitação com as dores de Lishida. “Entregue-se a mim, e o brindarei com o verdadeiro poder: seu sangue!”

O Bushi mordeu os lábios para não gritar, entregando-se à dor como faria um heimin. Buscou lembranças do seu treinamento, onde precisou engolir os gritos de fraqueza para se consagrar como Samurai.

Mas a dor… era forte demais para suportar. A ponto de preferir a morte, em vez de tolerar tamanho sofrimento.

Foi nesta hora em que sucumbiu aos gritos, decepcionando-se consigo próprio.

Shinsei_and_his_crow

A Escorpião e o Garça examinavam, juntos, o tronco da cerejeira. Conferiram de perto cada talismã preso em sua base, o cordão alvo que o envolvia e até a curiosa roda de carroça que permanece ali (atada por finos laços de seda vermelha).

Subiram até o topo do tronco, para ver de perto a fnda que, provavelmente, provocou a sua morte: apesar de estreita, uma pessoa poderia se aventurar por ali.

A contragosto de Takashi, Kaori se preparava para entrar na fenda, quando um grito resignado de dor rasgou o silêncio.

“Veio do templo!” Concluiu o herdeiro Kakita. “Lishida-san!

Concordaram em avançar até o casarão, preparados para enfrentar o pior.

Apenas para ver o gigante companheiro de joelhos, mal podendo ficar de pé. Ao seu lado, um sobrevivente desnutrido e ferido; à sua frente, Okina o encarando com olhos perniciosos.

Takashi contou com a força dos ventos para lutar, desferindo um golpe de aviso com sua katana. Um fio de sangue emergiu na bochecha do falso monge, em meio à sua coreografia defensiva.

Ambos deixaram o templo, visando um espaço mais amplo para lutarem. Lishida, agora livre dos grilhões da dor, ajudou Kaori a cuidar do velho ferido.

“Ele vai ficar bem?”

O consentir silencioso dela foi o bastante para levá-lo a mais uma luta. Com sua arma de família em mãos e a fúria iluminando sua mente, avançou com ferocidade até o jardim.

Seguido de perto pela herdeira Bayushi, é claro.

SamuraiRooftopFight

Okina ficou ao lado do tronco no momento em que Takashi chegou. Suas mãos entrelaçavam-se com as fitas que prendiam a roda.

“Eu adoraria ficar para enfrentá-los, mas não posso deixar que meus planos acabem por suas mãos.”

Com um puxão, desatou as fitas que a prendiam à árvore.

“Mas vocês ficarão na companhia de um de meus servos preferidos!”

A roda pairou no ar, consumindo-se em chamas. No seu eixo, o rosto contorcido de um homem enraivecido, seus olhos e boca ardendo em um doentio tom ígneo.

Ignorando seus temores, Kakita investiu com espada em punho – ferindo a criatura e, ao mesmo tempo, deixando-se queimar com suas chamas malignas.

Com a chegada de Kaori e Lishida, o combate realmente tem início. Entre jorros de fogo e golpes de esgrima,  os três Samurais uniram forças para lutar. Caranguejo, Escorpião e Garça combinam seus ataques para destruir tal abominação.

Com o despedaçar da roda, os três puderam ver a libertação de um espírito – uma jovem sorridente, que os acenava com a humildade comum a todo heimin. Agora, eles sabiam que o pobre Moriya descansaria em paz…

Mas não havia sinal algum do verdadeiro inimigo.

wanyudou

Alguns dias se passaram desde o confronto no templo Paz de Shinsei, e a paz aos poucos volta ao cotidiano de Ravina Serena. Com o apoio dos três Samurais, as colheitas de arroz tornaram-se mais viçosas e fartas, contrariando todo e qualquer medo sobre a insatisfação de Inari, a Fortuna do Arroz; da mesma forma, dissipou-se a desconfiança dos aldeões, que julgavam o massacre no festival como um mau presságio. Como a vinda deles dissipou o céu cinzento e trouxe arroz de qualidade, eles passaram a ser chamados como “Libertadores de Inari”.

O verdadeiro Okina recobrou a saúde neste meio tempo, revelando-se mais jovem e forte que seu sósia. Takashi lhe fez companhia por quase todo o tempo, não apenas ajudando na reconstrução do santuário, como também buscando mais informações sobre a natureza de sua maldição. Conheceu pelo bonzo as lendas sobre os Yorei-ke, os “Cabelos Fantasmas” – filhos de mães mortas, que se alimentam dos espíritos destas para nascer com saúde. Soube também de alguém que, provavelmente, poderia lhe dar mais esclarecimentos: o recluso Kakita Munisai.

Enquanto ajudava na reconstrução do celeiro de arroz e de algumas casas, Hida Lishida permaneceu inconformado. Sempre orgulhoso de sua força, não aceita ser derrotado daquela forma, sem sequer sofrer um arranhão. A simples lembrança daquela dor desenterrou momentos amargos de sua vida, como a ruína de seu vilarejo natal, e o confronto perigoso com um Ki-Rin quando criança (que permanece vivo em seu temor perante cavalos). Nas horas de descanso, o alívio vinha nos odres de sake fresco.

Depois de tanto trabalho, Bayushi Kaori descansava. Queria estar bem para retomar a estrada logo, agora que tinha uma pista do paradeiro de seu amado Tetsuo.

Só não esperava ser visitada, na calada da noite, pelos ventos frios que invadiam o quarto. Quando percebeu que a janela estava aberta, despertou num sobressalto e avançou sobre o invasor para imobilizá-lo – e acabou levada ao chão em um piscar de olhos.

“Que modos são esses, imouto-chan?”

A voz era bastante familiar para ela, mesmo abafada pelo mempo. Depois de solta, virou-se para encarar o intruso, e se surpreendeu com o bem conhecido par de olhos afiados.

“Irmão… Kamui?”

Podia ver o sorriso se desenhar em seu rosto, mesmo por trás daquela máscara.

Bayushi Kamui

つづく (“Continua”…)

P.S: Segue o link para a próxima Cena.

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3 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    17/12/2015 22:03

    Glossário:

    Bushi: Guerreiro.

    Bonzo: Monge (termo originalmente utilizado para descrever adeptos do Budismo, e adaptado aqui).

    Heimin: Classe plebéia do Império.

    Katana: Espada de lâmina longa, integrante do Daisho (símbolo de todo Samurai).

    Kabuki: Estilo oriental de teatro, facilmente reconhecida pelo drama e maquiagem intensos utilizados em cena.

    Sake: Bebida alcoólica fermentada a partir do arroz.

    Imouto-chan: Literalmente, “Irmãzinha”.

    Ki-Rin: Animal lendário da mitologia oriental, e também o antigo nome do clã Unicórnio.

    Wakizashi: Espada de lâmina curta, integrante do Daisho (símbolo de todo Samurai).

    Tetsubo: Grande clava de ferro fundido, adornada com cravos de ferro por toda a sua extensão.

    Torii: Grande arco de madeira, delimitando a entrada de um santuário.

    Mon: Insígnia.

    San: Forma honorífica de tratamento, aplicada entre pessoas de mesmo grau hierárquico.

    Samurai-ko: Termo utilizado para identificar Samurai mulheres.

    Mempo: Máscara que cobre parcialmente o rosto.

    Shinsei: Figura lendária de Rokugan, seus preceitos fndaram a ordem monástica Irmandade de Shinsei, largamente aplicada no Império.

  2. Monseha permalink
    18/12/2015 01:22

    Essa campanha daria um livro. Parabéns Jairo!

Trackbacks

  1. Campanha em Rokugan – Cena Quatro |

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