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Campanha em Rokugan – Cena Dois

30/10/2015

Rokugan, o Império Esmeralda. Um mundo guiado pelos herdeiros do Sol e da Lua – os Imperadores – e regimentado pela existência de vários Clãs, compostos por guerreiros e interesses próprios. Um mundo de combates, honra e perigos mil.

No princípio de seu décimo-segundo século de existência, destaca-se o conturbado governo de Iweko-sama como Imperatriz do Império Esmeralda; e, na transição do trono, espera-se a restauração da harmonia entre os novos Sol e Lua, depois da sangrenta Guerra da Destruidora. Porém, poderão as sombras – de homens e de demônios – deixar que essa paz seja finalmente alcançada?

Com a chegada fortuita de três Samurais, representantes dos Clãs Maiores que servem ao Império, ao modesto vilarejo Ravina Serena, as rodas do destino começam a girar novamente…

Rokugan Mapa Campanha

Pontos Relevantes nesta Cena: Ponto Azul: Shizukana Keikoku (Ravina Serena).

暴力 (Violência)

Após um banho revigorante, Bayushi Kaori volta ao seu quarto – deparando-se com um apressado e rude Genjuro em seu caminho. Não pôde conter seus pensamentos sobre tamanha estranheza em um representante do Caranguejo, e isso precisava ser esclarecido.

Terminava de vestir um exuberante kimono, rosado como as primeiras pétalas de uma cerejeira, quando a jovem da hospedaria chegou. Trazia consigo uma garrafa de saquê, e um olhar pesado no rosto.

“Isto é… pela confusão mais cedo. Por favor, me perdõe, õjo-sama

“Sente-se aqui, minha querida”. O encanto de sua hóspede a cativou, uma sensação fraterna que nunca sentira antes. “Agora, beba comigo e conte-me o que sabe sobre aqueles homens”.

Sem qualquer resistência ou pudor (afinal, uma criada não deveria intrometer-se na vida de seus hóspedes), ela contou tudo que viu: do frio e ríspido silêncio daquele gigante, à postura ranzinza e quase paranóica daquele magistrado. Inclusive, a forma como ele mantinha consigo um pergaminho – seus olhos e mãos pareciam atraídos apeas por ele, como uma mariposa perante a luz.

Enfim, ela disse o suficiente para convencer a bela viajante a abdicar de seu repouso para visitar a Festa da Colheita – motivada a encontrar algo além de fogos de artifício e quitutes…

Ela só não esperava encontrar alguém de cabelos brancos em seu caminho… “um membro do clã Garça!” Estaria ele no seu encalço, por abrir mão de um casamento com alguém de sua linhagem?

Procurou manter a serenidade, quando percebeu quem o acompanhava: o grande Bushi Caranguejo. Eles caminhavam para um lugar mais afastado, e a reação das crianças chamou-lhe atenção.

“Por que apontam para eles, mocinha?” Perguntou para uma das crianças – a mais assustada delas.

“Eles estão perto da casa do velho Moriya. Ninguém passa por lá, é muito perigoso!”

Outras crianças se juntaram a esta, para satisfazer os ouvidos de Kaori com a história toda: o dono da casa, um velho camponês, morava ali com sua única filha; porém, ela o deixou para trás, fugindo com o noivo que ele não aprovou. Amargurado por tudo aquilo, ele se fechou na casa, e nunca mais foi visto. Por esta razão, os moradores de Ravina Serena mantêm a casa fechada, e sequer se aproximam dela…

Educadamente, a dama do Escorpião deixou que as crianças voltassem a brincar, e se aproximou daqueles dois – sentados à soleira daquela casa.

“O que fazem à frente da casa de um falecido?”

Kakita Takashi tomou a palavra, com a polidez comum a outros membros de seu clã.

“O barulho da festa perturbava minha refeição, e vim até aqui para comer. Mas fui surpreendido pela porta semiaberta, e uma voz que me chamava para dentro… Voltamos para ver do que se trata, e não vimos mais nada”.

Os três estavam agora cientes de que algo sinistro poderia se esconder ali, e decidiram entrar na casa. Arrombaram a porta e, sob a fraca luz de uma única vela, se surpreenderam com o que viam.

O corpo de Hiruma Genjuro, deitado sobre uma rosa desabrochada de sangue, com sua própria Wakizashi cravada no peito.

Bayushi Kaori

 Kakita Takashi ficou estarrecido com o que viu, em especial o esforço daquele moribundo para continuar vivendo. Conseguiu distinguir o mon do Caranguejo entre suas vestes, e o sangue que as manchou, repidamente o associando ao grande homem que o acompanhava.

“Não o toque, Õjo-sama. Deixe este trabalho para os Etas”, disse ao ver que a bela dama se agachou para ver o corpo. “Devemos procurar por um shugenja, ou algum magistrado da região, para relatar o que aconteceu.

“Ele ainda respira”, respondeu Kaori, que observava atentamente o ferimento fatal. “Eu ainda posso salvá-lo”.

“Você sabe o que está fazendo, Escorpião?” Hida Lishida retrucou, expressando severa desconfiança. Porém, antes que houvesse alguma resposta, o próprio Hiruma Genjuro se manifestou, agarrando as mãos da jovem com as forças que lhe restavam.

“Por favor… Não deixem levar… o pergaminho.”

Bolhas de sangue preencheram sua garganta, sufocando de vez a vida naquele pobre coitado. O lorde Garça viu Kaori nada pôde fazer, senão colocá-lo em uma posição mais confortável.

Foi neste momento que o mundo lá fora se revelou: os três ouviam passos acelerados pontilhando o telhado do casebre, em meio a uma torrente de gritos e risadas que sucederam a queima de fogos do Festival.

A troca de olhares entre Takashi e Lishida serviu para selar o acordo; o Caranguejo correu rumo à porta da choupana, enquanto que o herdeiro Kakita correu para a janela – ambos com o intuito de flanquear o fugitivo.

Em seu vôo, acabou alcançando o charco das plantações de arroz, nos fundos do vilarejo. Mas conseguiu ter um ângulo favorável para enxergar o seu alvo: um vulto esguio, de roupas largs e passo constante, rumo à estrada.

Com os pés e seu hakama molhados, o Bushi de cabelos brancos não teve dificuldade para superar o ritmo daquele homem, agora reconhecido como um ninja.

“Alto!” Takashi ordenou, com a voz alta e determinada. “Entregue-se, e devolva o que você roubou!”

O fugitivo passa a encará-lo, um sorriso doentio se moldando na máscar de pano e a lâmina de sua ninja-to .

“Se você quer de volta, venha buscar!”

Assumindo a postura fria e concentrada do Iaijutsu, Takashi afroxou seu Obi, e repousou as mãos sobre a katana, ainda dormente em sua bainha. Seus olhos, fixos no ninja, assemelhavam-se aos de um falcão, apenas à procura do momento certo.

Para desferir o golpe definitivo.

Kakita

Uma vez do lado de fora, Hida Lishida compreendeu a fonte dos gritos: um bando de Ronin desordeiros deu fim à festa, quebrando tendas e abusando fisicamente dos aldeões. Um deles estava sobre uma jovem, rasgando seu kimono com sua espada, com a irresponsabilidade típica dos bêbados.

Sem proferir palavra, desembainhou seu tetsubo – um legado de sua família – em uma investida feroz, focando suas atenções no arruaceiro mais próximo.

E o lançando contra uma casa, em um balanço certeiro, sem arrancar um fio de cabelo da jovem por ele molestada.

Claro que a inesperada queda de seu líder mobilizou aqueles bandoleiros, que se preparavm para atacá-lo em conjunto. Ele permaneceu em silêncio, erguendo seu maciço de ferro para um novo ataque.

Muito mais rápido que o primeiro, diga-se de passagem. As pernas longas de Lishida explodiram em outro avanço – no sentido contrário ao avanço do bando. O público assistia a tudo, impressionados pelo domínio dele no combate – algo como assistir a um duelo entre um venerável mestre, e seus pupilos impuslivos.

O segundo golpe transformou todo esse vislumbre em horror absoluto, ao dilacerar a carne de um dos andarilhos com sua arma. O golpe teve força suficiente para resgar o seu torso, o cortando em duas partes e tingindo os arredores com o seu sangue.

O herdeiro Hida continuou calado, apenas observando as expressões assombradas, e tingidas de vermelho, da população. Apoiou o tetsubo nas costas, tomando um novo fôlego para investir contra eles.

“Isso não vai ficar assim!” Foi o que conseguiu ouvir, antes de ver os andarilhos fugirem. No íntimo, ele torceu para que isso acontecesse…

Ao assumir uma postura mais calma e paciente, ele conseguiu decifrar os pensamentos de quem presenciou a tudo aquilo. O medo era tanto, que o comparavam a um Oni, e rezavam em silêncio para que não fossem os próximos alvos de sua ira…

Hida

つづく (“Continua”…)

P.S: Link para a Cena seguinte aqui.

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2 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    31/10/2015 00:17

    Glossário:

    Kimono: Vestimenta de mangas largas, muito comum e disponível em várias cores e tamanhos.

    Õjo-sama: Princesa. O sufixo -sama serve para tratamento de pessoas superiores a você.

    Bushi: Guerreiro.

    Wakizashi: Espada de lâmina curta que compõe o Daisho (conjunto com a Katana), representante da Honra de todo Samurai.

    Mon: Insígnia de um dos Clãs de Rokugan.

    Etas: Casta inferior da sociedade rokugani, considerada imunda e indigna por manipular carne morta (açougueiros, agentes funerários e afins).

    Shugenja: Samurais treinados para manipular a magia latente de Rokugan.

    Hakama: Parte inferior de um Kimono – um par de calças largas e bem atadas.

    Ninja: Assassino furtivo.

    Ninja-to: Espada pouco menor que uma Katana, de qualidade inferior – bem apreciada por Ninjas.

    Iaijutsu: Técnica de esgrima baseada no saque rápido, cuja postura se fundamenta na concentração para desferir um golpe preciso, e mortal.

    Obi: Faixa de tecido que amarra o Kimono, e também sustenta as bainhas do Daisho.

    Tetsubo: Grande clava de ferro fundido, adornada com cravos de ferro por toda a sua extensão.

    Oni: Demônio das Terras Sombrias, conhecido em lendas pelo grande poder e crueldade.

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