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Os RPGs, e a Sombra de Quem os Habita…

02/10/2015
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Bem, caros amigos… eu costumo utilizar este espaço com humildade, no intuito de sempre abordar o jogo em suas múltiplas facetas. No entanto, acabei chegando ao ponto de falar sobre a faceta mais importante e, ao mesmo tempo, controversa dele.

As pessoas que o adotaram como hobby.

Perceba, caro leitor, que não estou falando de “jogadores” ou “jogadoras”; falo de gente que não apenas joga, como também participa de fóruns, posta em seus blogs (como este que vos digita), desenvolve seus jogos ou participa, de alguma forma, na sua produção. Falo da comunidade como um todo, e não apenas de quem desfruta dela.

E o farei sob algumas óticas: bacharel em Psicologia (o que é muito diferente de ser um “Psicólogo”), de participante desta comunidade e, principalmente, de alguém que precisa também mudar seus costumes ao lidar com a mesma.

Pois sim, o público associado ao RPG está cheio de vícios – comportamentos e falácias absorvidos durante o jogo, e que perduram por toda a vida. É um povo muito preconceituoso, intolerante consigo próprio e, pelo que tenho visto, bastante irritadiço.

E quero trazer essa visão ao público a partir dos três conceitos que, ao meu ver, intoxicaram o ambiente RPGístico.

Primeiro: O Dualismo

Definição: Padrão recorrente de pensamento desde os primórdios da filosofia, que busca compreender a realidade e a condição humana dividindo-as em dois princípios básicos, antagônicos e dessemelhantes (p.ex., forma e matéria, essência e existência, aparência e realidade etc.).

Antes que você diga, a prática do dualismo é bem forte na comunidade, geralmente travestida em “preferências pessoais”. Portanto, se em algum momento da sua vida você disse “que Old School é melhor que jogos Indies”, ou “que Dungeons and Dragons é o melhor RPG do mundo”, entrou de cabeça neste vício.

E te digo isso porque há um apego a rótulos muito forte (“Indie”, “Old School”, “Gamista”, “Narrativista”, entre outros) que, em vez de esclarecer idéias, acaba dividindo opiniões. No fundo, tudo faz parte do “contexto RPG” – não importa qual seja o cenário, ou o sistema utilizado; a partir do momento em que você se senta com alguns amigos em volta de um jogo, você está desfrutando de uma experiência narrativa (o cerne do RPG).

“Ah, mas aí você vai dizer que não posso nem criticar outros jogos?”, você deve estar se perguntando. Se eu confirmasse isso, acabaria caindo no mesmo erro (entre questionar ou não um jogo). Como já foi dito aqui neste blog, você pode muito bem achar que um jogo é ruim, desde que o experimente de alguma forma.

Coleção

Com tantas opções (aqui só estão algumas) de jogos, por que se privar delas por causa de um detalhe?

Ironicamente, isso me conduz ao segundo critério…

O Segundo: Logorréia

Definição: Profusão de frases sem sentido e/ou inúteis; compulsão para falar, loquacidade exagerada.

Este conceito também pode ser chamado de “Síndrome do Bode”, por me lembrar um velho jargão (“Se barba fosse respeito, Bode não teria chifres”). Utilizo este termo para definir o vício de argumentar sobre o hobby, com ênfase no tempo investido nele. Algo do tipo: “Jogo RPG há vinte anos, e não consigo ver como esse jogo mais novo pode ser um RPG, também”.

A Logorréia parte, basicamente, do pensamento Dualista: você usa suas experiências, construídas com jogos dos quais você joga por muito tempo, como base para seus argumentos e opiniões – resultando, muitas vezes, numa resistência muito forte ao novo, por se diferenciar “do que você gosta”. Claro que isso acaba gerando discussões intensas nos fóruns – boa parte delas se não todas acabando em brigas acaloradas e provocando maiores divisões na comunidade.

Pombo

E voltamos a este conceito – que já vi aparecer várias vezes em discussões sobre jogos…

E assim, penso que chegamos ao terceiro e último ponto deste “círculo vicioso” que contagia entusiastas do RPG…

O Terceiro: Fuga

Definição: Isso é realmente necessário? Bem, então lá vai… Ato ou efeito de fugir; retirada rápida; fugida; evasão; ato de não fazer ou assumir o que se devia.

Vamos focar na última frase da definição: “ato de não fazer ou assumir o que se devia”. Partindo de um comportamento dualista e logorréico, você acaba se confrontando com opiniões opostas (ou apenas diferentes da sua) e, uma hora ou outra, isso vai acabar cansando. Isso vai desvalorizar o diálogo, e você acabará ficando apenas em seu grupo de jogo – onde você é o Mestre, ou onde a sua lógica não vai ser questionada, certo?

Deboismo

Aí, surge a “preguiça” de contribuir em fóruns, apenas para “ficar de boa” consigo mesmo… típico.

Tá… e Agora?

Olha, se você chegou até aqui, e por acaso concordou com o que foi dito acima, significa uma dentre duas coisas:

  1. Você não age assim, mas já viu isso acontecer;
  2. Você se identificou com o texto, em algum momento dele.

Se você faz parte da primeira opção, meus parabéns. Sua participação na comunidade pode ser nula, ou bem colaborativa – no fundo, prefiro acreditar na última hipótese.

Agora, se você acabou se identificando com o texto, jamais se esqueça de seus primeiros momentos experimentando o RPG: experimente jogos, converse com seus amigos e, principalmente, jogue.

Afinal de contas, não podemos deixar que uma atividade socializadora e cooperativa como nosso hobby se perca em meio a meros detalhes, certo?

journey_game

A diversão está lá, no alto da montanha – e não há nada para lhe impedir, senão você mesmo.

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

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2 Comentários leave one →
  1. 04/10/2015 22:38

    Grande Jairo, pelo visto você tem passado por uns perrengues na internet com uma galera mais mala do RPG.

    Fico pensando o que seria nosso hobby se, ao invés de ficarmos gritando nomes de RPGs favoritos, nos unissemos pela causa.

    Bom post, mas direcionado pra um público bem específico.

    Abração

    • m4lk1e permalink
      04/10/2015 22:46

      Esse post serve para fazer-nos repensar nossas condutas. Eu escrevi me tomando como parâmetro pois, da mesma forma que me deparei com isso, devo ter provocado indignação nas pessoas, também.

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