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World RPG Fest 2015 – por Chico Lobo Leal

23/09/2015

Continuando nossa tradição de resenhas e memórias, e ainda complementando o que nosso querido Ciborgue já escreveu aqui no blog, venho dar meus pitacos sobre toda a experiência que foi o WRPG Fest desse ano.

Vale avisar aos desavisados que o texto aqui é puramente pessoal, e, em última forma, visa aqueles que me conhecem, acompanham o blog ou, principalmente, aqueles fazem parte de toda essa aventura.

Curitiba, 5ºC

Minha chegada à Curitiba foi brindada com o termômetro batendo os 5ºC, frio que já fazia um tempo que não sentia. Socorrido por meu amigo Guilherme, passei a manhã descansando e me preparando para o evento.

Neste ano o horário seria gentil com os vampiros, com o WRPG Fest começando às 14h e terminando às 20h30. Como velho Tzimisce, adorei o horário. Afinal, domingo de manhã sempre foi a “manhã ressaca”, e acho que nunca cheguei num evento antes do meio-dia.

Pois bem, depois de almoçar com os Schinzel fui ao local do evento. Diferentemente das duas outras edições que participei, o local era bem mais humilde, mas pouco me lixei. Queria logo rever meus comparsas!

Aqui é digno de nota apontar essa relação louca de amizade espalhada por esse país-continente. A Comitiva do Mago Manco atualmente se espalha por quatro Estados, o que torna nossos encontros raros e, por isso mesmo, muito preciosos.

Desta vez, é claro, não foi diferente.

Nos abraçamos e trocamos aquelas poucas palavras que dizem muito: “Olha quem tá por aqui!”, acompanhadas de sorrisos e tapas nas costas.

Difícil descrever, fácil de ver.

Com o início do evento moroso, justamente por esse reencontro de amigos, aproveitei para dar um giro pelos stands, ver produtos, editoras e novos autores. Reparei algumas diferenças, como um número bem menor de editoras e, pasmem, pouca gente jogando Card Game. O público ali era bem RPGista, e, pra mim, o exemplo máximo disso foi o stand da Nação dos Jogos, encabeçada pelo Encho. Esse figura teve a ideia brilhante de agregar diversos autores indies, reunindo jogos diferentes e únicos sob a mesma tenda.

Incrível, importante, necessário. Recomendo fortemente o linik: Nação dos Jogos.

Parabéns Encho!

Com as preparações de jogos sendo iniciadas, anúncios de mesa rolando e tudo o mais, fiz uma breve volta no tempo e joguei umas partidas de Magic com meu amigo Guilherme, relembrando meus anos de colégio. Túnel do tempo!

Após a sessão nostalgia, segui minha regra principal em eventos desse tipo, que é conhecer um RPG totalmente novo. Desta vez joguei The Stranger (Bruce Cordell e Monte Cook), um RPG biruta de viagem no tempo e no espaço. Eu assisti Interestellar fazem duas semanas (e adorei), a vibe não podia ser mais propícia. Eu e o Guilherme atravessamos mundos e épocas, e adicionei à minha lista de fatos exóticos no RPG o acontecimento do meu personagem ter matado (sem querer) Sir Galahad.

Arquitetos e suas habilidades em design!

Arquitetos e suas habilidades em design!

Nos divertimos muito com esse jogo, e partindo para a 2ª regra, que é sempre jogar numa mesa de amigos, fui desbravar uns sertões.

A proposta do Sertão Bravio já é valiosa por si só (afinal, num jogo tradicionalmente caracterizado por orcs, elfos, guerreiros e magos, o S. B. propõe a aventura com bandeirantes, pais-de-santos e pajés), e a mistura de nossos personagens – como sempre – inigualável, resultou numa experiência boa demais uai!

Tupã Torres, meu personagem meio índio meio lusitano será no futuro digno de entrar na Biblioteca de Heróis, então no momento me focarei no jogo.

Jão-das-regras, Potira, Ubirajara (Uuuuuuuh) e, à esquerda, o filho do capiroto

Jão-das-regras, Potira, Ubirajara (Uuuuuuuh) e, à esquerda, o filho do capiroto

O Jão usou o esqueleto do Apocalypse World para desenvolver um RPG repleto de elementos da nossa cultura e história, inserindo mecânicas bem interessantes de metas para personagens, troca de favores entre jogadores e outras coisas mais. No futuro espero ter a honra de resenhar este jogo quando pronto, e por hora só digo que o aguardo ansiosamente!!

No sábado à noite me dei ao luxo de dormir cedo, por n motivos, que envolviam desde cansaço até a vontade de curtir Curitiba de manhã no domingo, apesar de lamentar profundamente a ausência nos rolês da madrugada.

Domingo de manhã visitei o centro da cidade com o Rei de Curitiba (a.k. Alan) e, mais uma vez, fui cativado pela capital paranaense. Há alguma coisa nessa cidade que me encanta, e me deixei levar pelas suas ruas, feiras, músicas e exposições.

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Catedral de Curitiba

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Espaço público no centrão de Curitiba, onde ouvimos uma orquestra e vimos umas pinturas e esculturas iradas

Centrão, o coração de qualquer cidade!

Centrão, o coração de qualquer cidade!

Num humor excepcionalmente bom, voltei ao evento pra finalizar o Sertão Bravio, botando um ponto final na nossa aventura na forma de uma bala no pescoço de Ubirajara, o personagem do Jairo.

Os índios, é claro, fizeram “Uuuuuuuuuuh” após o feito. Entendendores entenderão.

Já que havíamos alugado a mesa da Nação dos Jogos pra nós, emendamos com um Postmortem, que simplesmente é uma obra-prima do Jairo, já relatada em outro lugar. Desta vez, com um grupo menos escrachado, consegui sentir na pele o potencial psicológico desse RPG (?). O único porém se deu pela atitude de outros jogadores no evento, que já gerou tanto comentário RPGsfera que vou poupar o leitor sobre meus comentários da galerinha Raul. Replicarei meu pitaco numa discussão nos comentários deste post, para quem se interessar.

postmortem

Postmortem!!

Mas já adianto: o Raul não me representa.

Tirando esse pormenor, curti conhecer outros jogadores – e jogadoras da mesma vibe, além do privilégio de jogar um jogo com seu criador. Massa d+!

No final do evento, a Mel, como honorária integrante local da Comitiva do Mago Manco, me apresentou um jogo brilhante, que é o Puerto Rico (que por acaso eu encomendei na net e chegou em casa hoje \o/).

Apesar de ser um boardgame que não envolve lutas ou trapaças (elementos que eu e meu grupo de amigos consideramos necessários para nos divertir nesse tipo de jogo), eu confesso que fui totalmente impressionado com a genialidade desse jogo.

Simples, engenhoso e estimulante. Nas palavras do Chikago: “Quem joga bem este jogo está apto a administrar uma empresa”. Nada mais a acrescentar.

Pós-evento e pós-momento histórico para o RPG Indie, por meio de ideias que tão rolando por aí com a galera da Retropunk (o futuro nos trará novas informações), fomos jantar, beber e curtir nossa própria companhia.

Falamos do evento, de filmes bizarros, de RPG, de metal, da vida, do universo e tudo o mais, com tempo ainda para comer uma pizza e beber um chopp dos bons.

“Galera B do RPG”, “Gangue rolista”, “Lado B do lado B”… não foram poucas as alcunhas pra esse momento-curtição do evento. Bom d+!!

Boteco RPG Fest de domingo

Voltei pro hostel na madruga, digerindo todos esses momentos bons que rolaram.

Mas peraí, pro hostel? Não, não pra qualquer hostel. Mas pro Knock Knock Hostel, a hospedaria da Emília e a casa amiga na terra das araucárias.

Bati um papo gostoso com ela na segunda de manhã, ouvindo algumas lembranças dela da nossa passagem por lá em 2012:

Eu passei na sala e vi vocês sentados ao redor da lareira. Estavam em roda, falando de ‘espetar uma lança e matar não sei o que’. Desci correndo pra falar com meu amigo de macumbeiros fazendo ‘conjuro’ na sala!! Fiquei super assustada!

Hahahahahaha

Impagável. Só no outro dia, quando fomos imprimir os ingressos pro RPG Fest que a dúvida foi sanada, mas aparentemente nossa Comitiva entrou oficialmente no hall de anedotas do Knock Knock.

Segunda estava linda, bem distante dos 5ºC de sábado e, como despedida, jogamos Puerto Rico na casa da Mel, e dissemos adeus no centro da cidade. Ouvi mais do Encho e sua proposta irada na Nação dos Jogos (o que rendeu minha participação na sua festa de aniversário em SP alguns dias depois), e dei mais uma caminhada com o Alan no centrão, parando na rodoviária e pegando o busão de volta à realidade.

Três dias intensos, e espero que o relato sirva, entre outras coisas, como agradecimento à toda essa galera genial que participa desses encontros. Não sei quando nos reencontraremos, mas tenho certeza que será outra experiência incrível. Como sempre.

Um grande abraço à todos, e roll the bones,

Chico Lobo Leal

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2 Comentários leave one →
  1. 23/09/2015 23:02

    No mural do Encho no Facebook rolou uma discussão sobre a galerinha do Raul, o respeito nas conversas entre RPGistas e outras coisas mais.

    Segue meu comentário, pra quem se interessar:

    “Vou dar meus pitacos sobre o tema, inclusive retomando a fala de alguns colegas.

    Primeiramente gostaria de parabenizar o Encho pela postura de mediador, prezando pelo respeito e pela conversa. Na minha opinião, não é usual um criador de “RPG doidões” se colocar publicamente a favor da galera D20. Parabéns Encho, precisamos de mais RPGistas como você!

    Sobre o efeito Raul, vou jogar umas ideias sobre o que isso representa. Vou à eventos de RPG já fazem 10 anos, e sempre vejo a galera fazendo barulho. Somos (ou éramos, pelo menos) a minoria que via nesses encontros um espaço pra finalmente se apropriar e se expressar por meio de jogos, cosplays e, claro, fuzuê, barulho.

    No entanto, creio ser relevante levar em consideração o que isso (Raul, Raul, Raul – repetido a cada 2 minutos ao longo do dia em mais decibéis do que a OMS considera como no nível de conforto auditivo) significa: conforme o Jorge disse, isso tem um impacto crucial nas outras mesas. O Jairo (assim como eu e outros) não se irritou por capricho, mas porque pra jogar um jogo com pegada de experiência intensa, intrapessoal, necessita-se de um mínimo de comunicação entre os jogadores. Veja, ninguém aqui está pregando um silêncio de cemitério num evento de RPG (que chato seria), mas sim um ambiente que os Mestres/Narradores e jogadores não precisem parar de falar todo instante que um Raul começa (ou seja, a cada 2 minutos).

    Por mais que o Cobbi (diga-se de passagem um baita Mestre, já joguei com ele) veio falar com a nossa mesa sobre o barulho dos Roleplayers, não notamos nada de diferente. Os Rauls continuaram e, talvez por um nível maior de irritação nosso, nos pareceram mais frequentes.

    E o que isso significa?
    Será que precisaremos de um tipo de RPG “padrão evento”? Onde a comunicação fácil entre os jogadores não seja necessária, onde o nível de imersão não seja relevante ao ponto de uma barulheira constante ao redor não impactar?

    Não por acaso, uma mulher foi até os Roleplayers reclamar do barulho. Haviam mulheres gritando Raul? (pergunta sincera). É essa a postura que queremos nos eventos? Outra reflexão: Não vi nenhuma família no WRPG Fest (posso ter perdido elas). Pouquíssimas crianças. Um grupo gritando com frequência anima um pai a levar seu filho prum evento?

    Enfim, acho que disse o que penso. O lance do microfone foi incômodo por desregulagem do volume (ouvi até o Caco soltar um: “Nossa, esse negócio é muito alto”). O evento foi foda, reencontrei camaradas, conheci novos, joguei, curti. Que o papo aqui sirva como “chamado à reflexão” dos organizadores, mas, principalmente, dos jogadores.

    Que o respeito seja no FB e durante a mesa dos jogos. Conforme o Encho disse, que cada um ponha a mão na consciência e pense nas consequências das suas opiniões e, acrescento – atitudes.

    Doidões, D20s, hipsters narrativistas e o que tiver mais de rótulo por aí: somos todos RPGistas”.

  2. 24/09/2015 08:50

    Há! Mais um fisgado por Porto Rico, mais um eurogamer que desperta! Hehe
    Obrigado pelas gentis palavras sobre meu humilde jogo, meu caro. Vida longa a Tupã Torres, herói dos Urupês (uuuuhhh)!

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