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O “Chamado à Aventura”

01/09/2015

Eu adoro símbolos. Mensagens não ditas e comunicação interna. Uma campanha de RPG é um prato cheio pra esses elementos, e hoje falarei de um recurso que gosto muito, que chamo de “chamado à aventura”.

Vou explicar melhor: pra mim, uma sessão de RPG é um ritual. Nós nos reunimos no nosso altar (mesa), com nossos papéis bem delimitados (fichas de personagem), acompanhados de nossas ferramentas (dados, lápis, papel) e, por último mas não menos importante: estamos ali por um objetivo – o jogo. A experiência. As risadas, as emoções e tudo o mais que compartilhamos com nossos amigos.

No entanto, vocês já pensaram sobre o início do ritual? O “primeiro cântico” que vai despertar nossa imaginação e avivar nossa chama criativa interna?

Talvez não. Talvez tudo comece com um “vamos lá” careta, e todo mundo se concentrando pra tentar lembrar do que aconteceu na última sessão. Ou um “onde estávamos mesmo?”.

Chato. Sem-graça.

Há um motivo para as séries de TV terem uma “abertura”.
Afinal, em termos de conteúdo, elas poderiam muito bem começar logo com os atores interagindo. Mas porque não o fazem?

Porque a “abertura” é o chamado à aventura.

Clique aqui -> GoT <- e você vai me entender.

Qual é sua sensação ao ouvir essa introdução?

Para os fãs de Game of Thrones, esse é o “teleporte” que te coloca na série. É o gancho que te puxa do seu sofá para Westeros.

Três anos atrás, eu e meus amigos começamos uma das campanhas mais incríveis que já joguei na minha carreira RPGística. Num cenário que amo, e com pessoas que admiro, compartilhamos “nossos rituais” de Reconquista de Moria.

Dentre as diversas coisas belas que eu poderia ressaltar dessa experiência, vou falar de uma: nossa introdução.

Nosso Mestre (Salve Gerbur Forja-Quente!) sentava na nossa frente e aguardava botarmos o papo um dia. Nos reuníamos uma vez por mês, amigos distantes, muitos assuntos, conversa vai e vem…

Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,

Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,

Nove para os Homens Mortais fadados ao eterno sono,

Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,

Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

Silêncio.
Estávamos na Terra-Média, o jogo começou.

É disso que estou falando. Essa era a nossa “abertura”, por assim dizer. Era o nosso chamado à aventura.

Não serei leviano. É evidente que é “mais fácil” aproveitar um material já existente, ainda mais quando esse material representa a mais incrível literatura fantástica escrita por um ser (até onde se sabe) humano.

Mas o que você pode fazer com o seu grupo?

Há mais tempo atrás ainda, eu e meus colegas inauguramos uma série de relatos numa comunidade de RPG do Orkut (!!!). Nós jogávamos uma partida de RPG, e um dos jogadores ficava responsável por fazer um breve relato, na visão de seu próprio personagem, sobre o que aconteceu. Os relatos eram breves, com dois ou três parágrafos, mas normalmente eram bem divertidos e serviam como uma ótima maneira de aprofundar o conhecimento do grupo para com aquele personagem.

O Daniel Shiro, que um dia já participou desse blog (não que eu tenha muita moral com posts mensais haha) era Narrador naquela época, e aqueles relatos acabaram contribuindo para uma tradição que perdura e, em parte, é o que sustenta a existência do próprio Aventurando-se.

Tenho certeza que, além do que já foi citado aqui (música, poema, relatos, trechos de livros…), há diversas outras possibilidades de “começar o ritual”.

Por acaso seu grupo tem algo para compartilhar?

druid-tree-worshipping

Um grande abraço e roll the bones,

 

Chico Lobo Leal

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7 Comentários leave one →
  1. Fernando Leal permalink
    01/09/2015 08:51

    Você, meu primo, sempre escrevendo sobre coisas tão simples e ao mesmo tempo tão profundas (para quem entende/vive estes valores). É engraçado, que outro dia eu vinha conversando sobre isso com um camarada meu e dei EXATAMENTE o mesmo exemplo da abertura de GoT (que por sinal, é bem isso que vc disse, um teleporte para Westeros) hahahahahahaha!

    Vou aproveitar esse coment para dar uma cobrada nos senhores com relação à Campanha em Erebor. Onde estão os próximos relatos? Já li a campanha duas vezes (sim, eu faço isso)!! Vou mandar um e-mail para Ouvidoria!

    Abraço, meus amigos!

  2. 01/09/2015 10:31

    Grande Fernando, da Casa Leal!

    Muito obrigado pelo comentário, primo.
    Fico contente que você viu o assunto como relevante. Não é incrível como aquela introdução do GoT desperta emoções na gente, mesmo fora do contexto? Em qualquer lugar que eu ouço ela eu já fico pensando – “caraca, GoT é muito foda”. haha

    Vix, tomamos puxão de orelha!
    Faz bem. Vou mostrar pro Gonça seu comentário.
    Prometo postar a continuação neste mês, o quanto antes!

    Um grande abraço,

    Chico Lobo Leal

  3. m4lk1e permalink
    01/09/2015 22:48

    Cara… muito bom, isso!
    Como algo tão simples passou batido por mim, todos esses anos?

    Preciso dar um jeito de experimentar isso!

  4. 03/09/2015 11:08

    Obrigado amigos :)

  5. gerbur12 permalink
    07/09/2015 14:02

    Nossa que época sensacional, hein?

    Para mim a aventura começava bem antes: como eu não sou de São Paulo, pegava ônibus e andava 400 km com uma mochila pesada (com mais livros que roupas) e chegando em São Paulo pega 2 linhas de metrô até a casa do Chico, sede de toda a jogatina rpgística!

    Depois de toda essa viagem, quando todos finalmente estavam em volta da mesa e eu lia o poema dos Anéis de Poder realmente acontecia algo mágico! Ao acabar o poema não éramos mais jovens brasileiros se desdobrando para manter vivo o nosso hobbie, éramos homens, anões e elfos a serviço de Balin, filho de Fundin, e nossa missão era garantir que a Colônia prevalecesse!… e eu sabia que estava em casa.

    Realmente, um portal.

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