Skip to content

Campanha em Erebor – Cena 22 – Berion, Embaixador dos Galadhrim

21/07/2015

Cena anterior: Cena 21 – Rowenna, Flor Solitária

Cento e oitenta soldados de infantaria, cento e sessenta arqueiros e sessenta projetos de cavaleiros (em treinamento por Heruwyn). Esse número mais que triplicaria quando os mercadores, camponeses e guris pegassem em armas, mas o efetivo militar da cidade, aqueles que decidiriam o rumo da batalha, contava com 400 homens. Quão frágil o Reino dos Homens havia se tornado nesses últimos… hum… séculos?

Minha última posição oficial entre os edain fora como embaixador em Dol Amroth, nos tempos em que os homens e elfos eram menos estranhos. Minha derradeira experiência entre os Segundos Filhos porém fora na corte do Rei Araval, em Arnor antes da queda. Naqueles dias o Rei-Bruxo era apenas um feiticeiro das artes negras, e não o chefe dos espectros, como o é hoje. Passei três gerações dos homens em Arnor. Aprendi a entendê-los, admirá-los e, eventualmente, amá-los, da maneira que pude. A queda de Arnor nos dias de Arvedui foi um duro golpe para mim, que presenciei a Sombra crescendo e se espalhando. Precisei de muita reflexão e conversas com os Senhores de Lórien para aceitar tudo que se passara. Minha missão em Valle era prevenir que a história se repetisse. Impedir que a Sombra se alastrasse no corações dos homens, como ela o fez em Arnor. Desta vez eu não assistiria passivamente os acontecimentos. Eu estava preparado.

***

Após o julgamento, Bard nos recebeu em seus salões, e após muito corretamente devolver o título de nobreza à Vir, me presenteou com alguns livros e tomos antigos.

11_11_The_picture_book_sketch001_BW_enh_20001

Autor: Jef Murray, que gentilmente cedeu os direitos de imagem para usarmos aqui no blog :)

“Pois o tesouro de Smaug não era só de moedas, e já não há nenhum entre nós que possa lê-los”. Espantei-me com a generosidade do Matador de Dragões, e reconheci a majestade naquele herói ancião. Seus dias estavam chegando ao fim, era óbvio. Sua tosse doía até nos convidados.

A benção e maldição dos edain.

***

Hospedado na casa de Brimo, revezava minhas atividades entre estudos vernáculos e estudos bélicos. Conversei com cada tenente da Guarda da Cidade, e caminhei pelos muros reconstruídos de Valle. Os anões ajudaram na reconstrução das ruínas do Dragão, felizmente, a defesa era forte. O problema era que o Inimigo nunca atacava no ponto forte. As brechas, rachaduras e frestas eram os primeiros a serem explorados. Incumbi Vir de recrutar homens entre os orientais, e pedi à Bain (Bard estava acamado) que mensageiros fossem enviados à Erebor. Nós ansiávamos por notícias de Qhorin e Agrapo. A demora de mensagens já fizera o próprio Falco se dirigir à Montanha. Rowenna Capa-Cinzenta também não mandara notícias, embora Vir me dissera que, segundo rumores, uma elfa contratara uma barcaça até a Cidade do Lago recentemente. Seria ali o ponto fraco do Reino de Valle? Era definitivamente um lugar que eu precisava conhecer melhor.

Dirigi-me à Casa do Senhor para conversar com Bard e, mais uma vez, recebi notícias que Bard estava indisponível… algo me dizia que havia alguma coisa errada nessa história.

Fescue

Autor desconhecido

Vesti-me à noite como um gatuno e escalei os telhados de Valle até a Casa do Senhor. Suas altas ameias me davam a direção e a corda de meu povo foi suficiente para me içar aonde eu queria. Por duas vezes chamei a atenção dos guardas e fui salvo graças ao tecido dos eldar, camuflável à noite.

Das três janelas do andar superior, duas tinham alguma iluminação. Esguerei-me entre as telhas de barro e agucei meus sentidos. Bain dava risada em seu quarto, conversando com alguém de voz brincalhona. O quarto do meio estava silencioso, mas alguns minutos de esperava me sussurraram o som de páginas sendo viradas. Espiei Brand consultar um livro na casa de seu avô. O quarto escuro, como já suspeitava, foi minha última opção.

Uma grande cama se espalhava pelo quarto, ocupado quase que metade de seu espaço. Eu temia passar muito tempo à vista de algum guarda, e ao não notar nenhum barulho que pudesse significar alguém desperto, forcei a janela, e com a ajuda de metais flexíveis, arrombei a fechadura. Se Bard dormia, ele possivelmente seria acordado. Eu tinha consciência que não era totalmente silencioso, mas eu precisava saber. Me aproximei a passos leves, e realmente vi alguém deitado na cama, descansando. Sem ousar acender uma luz, me aproximei para ter certa que era Bard I (e não II, filho de Brand). Estranhamente, não ouvi nenhuma respiração. Alguém com uma tosse tão forte deveria estar respirando que nem um anão. Meu coração me dizia que havia algo errado…

No meu bolso eu possuía uma vela de Lórien, mas o acaso me fez derrubar as pederneiras na escalada. Pousei a vela do lado da cama, e comecei a tatear a procura de algum tipo de fósforo. Uma lua clara incidindo sobre a janela resolveria meus problemas, mas a sorte hoje não estava comigo. Encontrei finalmente fósforos próximos à porta, e quando me voltei para a cama meu pé esbarrou numa cadeira, que, por obra de Melkor, tinha uma vasilha em cima. Quando esta caiu no chão foi como um sino de guerra tocando.

Meu coração bateu acelerado, eu tinha que tinha que sair dali. Corri para a janela ouvindo passos no corredor, quando então me dei conta: minha vela havia ficado pra trás!!! Uma vela élfica na casa de homens era praticamente uma assinatura do crime. Não haveria mensagem mais clara.

Rolei para onde havia deixado a maldita, torcendo para que a porta do quarto estivesse trancada. Pesquei a vela ao mesmo tempo que a porta desabava, trazendo luz à cena. Olhei rapidamente para a cama só para ver o que já sabia. Se ninguém reagira perante a vasilha caindo… Bard dormia o sono da morte.

Bain gritou ao me ver: “LADRÃO! FACA! FOGO! FÚRIA!”

Empurrei-o com força e saltei para a janela. Não pela última vez, quando senti meu joelho partindo-se perante o choque com o batente e deparei-me com uma queda de 6 metros, senti que aquele não era meu dia. 33650896-man-silhouette-isolated-on-white-background---in-falling-pose

Próxima Cena: Cena 23 – Falco, de volta a Erebor

Anúncios
3 Comentários leave one →
  1. 28/07/2015 22:49

    Writing a RPG blog isn’t an easy task, especially when you currently work more on an office than you roll dices on a table. Sometimes though, some unexpected events reward every bit of effort…

    I would like to publicly thank Mr. Jef Murray, one of the most important Middle Earth artists for, so kindly, allow us to use his art in our RPG adventures report.

    Mr. Murray was super friendly in our e-mail chat. Both RPG and Tolkien affairs led me into remarkable events, and this last one is, for sure, included on that.

    Hantanyel, Jef

    Escrever um blog sobre RPG não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trabalha de mais, e se joga de menos, mas há algumas recompensas…

    Gostaria de agradecer publicamente o Sr. Jef Murray, um dos principais nomes na ilustração das obras de Tolkien por ter, tão gentilmente, cedido sua arte para o blog.

    O Sr. Murray foi mais do que atencioso no nosso diálogo por e-mail. Tanto o “mundo do RPG” quanto o contato entre fãs de Tolkien já me propiciaram muita coisa boa, essa mais uma delas.

    Hantanyel, Jef

Trackbacks

  1. Campanha em Erebor – Cena 21 – Rowenna, flor solitária |
  2. Cena 23 – Falco, de volta à Erebor |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: