Skip to content

Brasil: Um País de Gamers…?

07/02/2015
by

Antes de qualquer coisa, deixo aqui um aviso: este artigo está carregado de críticas a comportamentos (e não a jogos, como diz a sua proposta), mas o blog não possui responsabilidade alguma com respeito a isso. Caso você venha a se sentir ofendido com o que venho abordar aqui (por se identificar com alguma postura, ou por qualquer outro motivo), venha conversar diretamente comigo em vez de reagir contra o Aventurando-se. Obrigado.

Bem, para ser sincero, eu já rabisquei este artigo algumas vezes – mas sempre acabei desistindo, por ser um assunto extremamente chato e frustrante. No entanto, com a polêmica do Pingente d20 (carinhosamente chamado de “PeitoGate” por algumas pessoas), acho importante colocar isto em pauta.

Desde 2012, eu tenho me envolvido em diversos fóruns e discussões sobre nosso amado Hobby – e, em praticamente todos eles, acabei frustrado pela conduta dos ditos “jogadores” que delas participaram. Claro que, pelo desejo de conhecer jogos e aprimorar-me como jogador/criador de conteúdo, continuei buscando novos debates, apenas para me deparar com o que já tinha visto: doses cavalares de intolerância – em cada resposta nova, em cada novo tópico.

A gota d`água foi a postagem de hoje, de um balde que tenho visto se encher faz algum tempo. E isso me faz pensar uma coisa: estariam os RPGistas brasileiros se aproximando dos “Gamers”?

Antes de Prosseguir, um Esclarecimento…

O termo “Gamer” tem ganho uma reputação bastante negativa nestes últimos tempos, graças ao movimento de jogadores imbecis – que resultou em um “movimento” bastante escandaloso na internet, chamado GamerGate.Isso tornou-se algo mais sério do que discussões na Internet geralmente se tornam e rendeu ameaças contra a vida de alguns – chegando, inclusive, a ter algumas consequências bem negativas na vida real de outros. Ou melhor, “outras”, já que o alvo principal do GamerGate são mulheres envolvidas na indústria de games, como jogadoras e/ou desenvolvedoras.

Claro que nem pretendo me alongar neste assunto (bastar procurarem no senhor-que-tudo-sabe Google, que o assunto está em todo lugar), mas vou me focar nos significados que o termo “Gamer” (utilizado no passado para definir a nós, RPGistas) adquiriu.

O Ser Intolerante

O primeiro aspecto deste pessoal é a não-aceitação de posturas alheias a sua. Isto se reflete principalmente naqueles que se gabam por jogar por muitos anos, geralmente o mesmo jogo. Não sei dizer se isso acontece por arrogância, ou por simples ignorância – para um “jogador veterano” como este, pouco importa como você encara o hobby; ou você faz do jeito dele, ou será destratado/ridicularizado por não concordares com ele.

São as mentes fechadas perante o jogo, que não desejam ver o quanto ele evoluiu desde o Dungeons And Dragons (“Isso aí é coisa de jogador Indie”, ou “isso Isso aí não é RPG”) e, por falta de argumentos, podem acabar falando baixarias. Gente que ainda não conseguiu sair das Masmorras e Grids de Combate para ver quanta coisa legal temos hoje em dia, no que diz respeito a narrativa.

Pombo

Um dos “argumentos” mais usados pelos Gamers que observei internet afora…

Para este pessoal, cada debate transforma-se numa batalha, a ser vencida seja como for. Logo, axingalhar dEUS e o mundo torna-se válido para que o sujeito desista de debater e se deixe render ao seu ponto de vista. Aqui eu pergunto: como pode ser possível termos um hobby crescente com tanta resistência ao novo?

O Ser “Nerd”

Este ponto (para alguns, o mais revoltante) condiz com o elemento da polêmica gerada hoje, mas que aconteceu em outras ocasiões recentes: o sexismo. Muitos desses jogadores acabam demonstrando uma visão distorcida sobre o sexo feminino, bem similar com o ponto de vista clássico dos “Nerds“, e a expressam por meio de imagens e piadas de teor machista.

ladies2

A intrigante foto de Mark Rein-Hagen, no Encontro Internacional de RPG 2014.

Eu acredito que este comportamento seja essencialmente cultural, transmitido por autores/ilustradores dos livros de RPG (aquelas imagens de mulheres guerreiras, vestindo biquinis de Cota de Malha, sabe?) aos jogadores, e reforçado pela conduta isolacionista do grupo – quase fechado as pessoas que, talvez, tenham curiosidade sobre o jogo. Parecem mais como seres obcecados pela anatomia feminina, que sequer levam em consideração os sentimentos destas pessoas. E, caso consigam ter uma garota no grupo, tratam-na como um troféu a ser conquistado, não importa como.

Zoeira

O “pensamento” de um Gamer (pelos amigos da fanpage Black Bloc Narrativo).

Mas… E Então?

Ao abordar um problema e/ou questão em cada artigo, desenvolvi o hábito de tentar propor uma resposta. No entanto, a resposta para este caso vem a ser mais antiga que o próprio problema: Educação, pura e simples.

Claro que a internet tornou-se um campo fértil para este tipo de comportamento (afinal, o rosto dos agressores fica muito bem escondido em avatares e contas, e a edição pode eliminar contendas). No entanto, pensar desse modo acaba afetando todo mundo – até mesmo quem o conhece em pessoa.

Então, o que posso dizer é: procure ser educado na rede como és no contato com outras pessoas. Desligue-se dos paradigmas para aprender coisas novas, experimentar e conhecer novas pessoas. Pois é isso que o RPG representa, certo? Igualdade e comunhão entre todos que desejam vivenciar boas histórias.

Vamos transformar o deserto que nos separa no oásis que sediará nosso festim narrativo. =)

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

Anúncios
3 Comentários leave one →
  1. 07/02/2015 09:57

    Assim é que se fala, caro ciborgue!
    De minha parte essa poderia perfeitamente ser considerada uma posição do blog.

  2. 07/02/2015 11:47

    Com certeza é nossa posição!
    Ótimo texto Jairo.

    É deprimente ver esse tipo de postura.
    Devemos sim nos posicionar sobre e, claro CONTRA isso.

    Grande abraço ciborgue!

  3. 08/02/2015 19:52

    Que bom que o assunto está sendo macerado! Mesmo que alguém não concorde com TODA a filosofia feminista, o que tem que ser senso comum é que mulher não é uma “coisa de transar”. Ela é uma pessoa que transa com quem ELA escolhe e não pode ser coagida à própria sexualização e se tornar refém da própria beleza.

    Isso é nojento!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: