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Campanha em Erebor – Cena 18 – Vir, o herói de Dol Guldur

16/09/2014

Cena anterior: Heruwyn, a donzela de Rohan

Assim como uma colméia sem sua abelha rainha, essa era Valle sem um líder forte. Bard já estava nas últimas há muito tempo, e mesmo que seu filho Bain realizasse muito de suas tarefas, a palavra final era sempre do matador de dragões.

Quando chegamos na cidade, vimos que as abelhas da coméia estavam desorientadas. Dezenas de orientais estavam por todos os lados, e o que antes fora uma cidade limpa e organizada, agora era um emaranhado de malocas. As ruas estavam mais estreitas, com muitas barracas espalhadas, exalando um cheiro estragado que assolava nossas narinas.

A cidade estava mergulhada no caos.

Enquanto vagueávamos pela cidade evitando os mendigos e a procura de uma refeição quente, alguns guardas se aproximaram, com uma cara tão espantada quanto como se tivessem visto um morto.

– Vir! Bons ventos o trazer, o procuramos por dias, finalmente tomando-o como desaparecido ou mesmo morto.

– Ainda não. Por que me procuravam?

– Bard precisa de sua ajuda. Vá ao Grande Salão o quanto antes!

– Ótimo, tabém tenho assuntos a tratar com ele.

Isso fora mais fácil do que eu esperava.

Qhorin, Ágrapo e Rowenna nos deram adeus. Quanto antes levássemos as mensagens melhor. Dáin não podia esperar. O reino dos anões precisa estar preparado.

 

Mas e o reino dos homens?

Quando entramos no Grande Salão avistei uma turba requerendo audiências com Bard. Pela expressão dos populares, fiquei feliz de não ser eu o Senhor de Valle.

Eu, Berion, Heruwyn e Falco furamos a fila, cruzando o longo Corredor de Girion. Diversas tapeçarias se espalhavam por ele, e colunas de madeira entalhadas iluminavam os feitos dessa antiga casa dos homens.

Lembro-me de olhar admirado pra essa arte quando era novo. Nos dias que eu caminhava no salão ao lado dele… meu pai.

– Somente você é convocado Vir. Seus amigos terão que aguardar.

Entrei no salão e encarei o que sobrava de Bard. Não parecia ser muito.

– Vir! Bons ventos o trazem nessa hora.

Era difícil olhar para aquele rosto sem pensar no que eu perdera por causa de suas ações.

– Parece que Valle realmente precisa de bons ventos. E ventos fortes, o cheiro da cidade mudou.

Bard começou a tossir tanto que achei que eu veria a morte do Senhor de Valle diante de mim, mas infelizmente não tive esse prazer.

– Muita coisa mudou nesses últimos tempos, Vir. Bain, conte à ele.

O filho de Bard, um homem de seus cinquenta anos, saiu de um canto da sala e veio até a minha frente. Eu nunca tive muito contato com o herdeiro de Valle, embora nas poucas vezes que nos encontramos, eu sempre tivera uma impressão ruim sobre ele. O bigode claro de Bain delineava lábios de constante escárnio.

– Como você percebeu Vir, nossa cidade fora invadida por dezenas, centenas de orientais, à procura de oportunidades de negócio e, alguns, de confusão. Muitos vieram com suas famílias, trazendo uma cultura que nos é estranha e, não mentirei, não muito simpática. Como um antigo homem de Valle, gostaríamos de lhe perguntar se você não serviria como ponte entre os bardings e os orientais neste momento. Um solucionador de problemas, uma ponte entre esses dois mundos.

Em outras palavras, alguém pra ter a cara batida enquanto Bard e Bain costuravam e bebiam em seus salões. Uma cara morena, para a conveniência da situação.

– Muito me é pedido, como vocês bem sabem. Meu dever à casa de Girion terminou no dia que meu pai fora destituído de suas posses e títulos pelos quais lutou toda a vida. Decisão que custara a vi…

– Nós sabemos o que houve Vir. E lamentamos. Acredite em mim, lamentamos – Bard interviu. – Seu pai foi um dos poucos que ficou ao meu lado contra Smaug.

O fingimento de Bard era mais do que eu conseguia suportar.

– E eu também lamento, mas não posso aceitar o que me pedem. A menos que… Bard, eu não voltei à Valle sozinho. Berion, servo de Galadriel da Floresta me acompanha. Temos mensagens de um velho conhecido seu – Gandalf, o Cinzento.

Um misto de alegria e surpresa surgiu no velho rosto de Bard.

– Gan… Gandalf? Traga este hom… elfo aqui, e me conte o que o velho peregrino cinzento disse!

Busquei Berion, e relatamos nosso encontro na Floresta Dourada. Descrevi brevemento minha aventura com Qhorin e Ágrapo, e nossa empreitada em Dol Guldur.

Já era tarde quando terminamos, e Berion clamava Valle às armas.

– A guerra se aproxima Senhor do Arco. Já avistei pessoas com artefatos de feitiçaria na sua própria porta. Deixe-me auxiliá-lo, e juntos com Erebor vamos garantir que o Norte não sucumba à Escuridão.

O progenitor e seu filho de entreolharam. Era evidente que os problemas de fora pareciam pequenos perto dos atuais.

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Vir, filho de Vir

– Bard, Senhor de Valle. Eu estou disposto a ajudar a cidade se você concordar em aceitar os conselhos de Berion.

 

Bard então tossiu, e Bain deu seu sorriso de escárnio. Como eu os odiava.

– E nossa palavra é suficiente pra você, ó Vir filho de Vir?

– Não, mas eu estarei preparado caso vocês não cumpram com ela.

Virei de costas, e junto com Berion, nos dirigimos à saída. Ouvi outra tosse, e a voz fraca de Bard:

– Fico contente que tenha aceitado voltar aos serviços da casa de Girion, meu caro Vir, herói de Dol Guldur.

Antes de cruzar à porta não me contive, virei por um momento e completei:

– Engano seu, rei senil. Não retorno ao manto de Girion. Faço isso por Valle.

Embora meu ódio ardesse por dentro, eu saía sorrindo. Algo me dizia que eu havia orgulhado meu pai.

Próxima cena: Cena 19 – Vir, homem de Valle

 

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4 Comentários leave one →
  1. Fernando Leal permalink
    16/09/2014 10:10

    Vir, filho de Vir, certamente se tornara outro homem depois de Dol Guldur. Gosto de como os personagens amadurecem e se transformam ao longo da crônica, sem perder um fio de coerência. Eis aí um de meus sobreviventes preferidos desta campanha, surpreendente!
    E que venham mais relatos, meu primo distante! Eu já estava escrevendo uma carta para Ouvidoria! hahahahahahahah

    Forte abraço!

  2. 16/09/2014 11:53

    Grande Fernando, fico contente que você ainda não abandonou o barco!
    Escapei da ouvidoria, felizmente hehehe

    Tivemos uma falha de comunicação nesses últimos relatos, o Vinicius que interpreta o Vir iria escreve-lo, mas acabou que ele se enrolou e eu atrasei pra retomar o projeto. Lamento a demora!

    Mas fique tranquilo, a próxima cena já tá até escrita, ela ficou muito grande e por fim achei melhor dividi-la. Semana que vem está no ar. É uma cena muito boa, duma sessão de jogo melhor ainda!

    Grande abraço primo

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