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LARP Histórias Extraordinárias

02/09/2014

Continuando um saudável hábito de registrar minhas experiências nos LARPs que participo (vide Quimera), venho aqui apresentar à vocês o LARP “Histórias Extraordinárias”, realizado na biblioteca Viriato Corrêa, mais uma vez, pela ONG Confraria das Idéias.

Histórias Extraordinárias é um larp de terror psicológico e suspense baseado nos contos de Edgar Alan Poe e H.P. Lovecraft, trabalhando com conceitos onipresentes em suas obras como o medo do desconhecido, o limite entre a realidade e o fantástico e a insanidade.
O larp, planejado para 30 jogadores, se desenrola em um baile de máscaras da alta sociedade européia das últimas décadas do século 19, ocasião para comemoração, frivolidade e diversão entre os diversos convidados. Mas nada pode evitar o ambiente de penumbra, repleto de mórbidas curiosidades e segredos sombrios.

Esse era nosso contexto, e era aqui que Alexander Duval, professor de história aposentado e atual detetive particular atuaria. A esposa e o filho de Alexander haviam sido brutalmente assassinados anos atrás, o que instigara o professor a aposentar sua carreira no magistério e iniciar suas investigações. Linda Duval, sua caçula e agora única família fora quem incentivara o pai a mudar de profissão, e, juntos, resolveram alguns crimes na cidade, construindo certo prestígio.

Quando Edgar Baxter, rico figurão da cidade resolveu reabrir sua casa anos anos da morte de sua esposa (e diziam os boatos que o fantasma da mesma ainda assombrava o local) para realizar um baile de máscaras, os Duval não tiveram dúvidas – era a oportunidade perfeita de adentrar a alta sociedade e coletar informações sobre os numerosos assassinatos nos últimos tempos, talvez até mesmo alguma pista sobre o falecimento da Sra. Baxter e, porque não, da Sra Duval e do pequeno Maxmilliam.

Pra isso, Linda assumiria seu disfarce de Max Porter, assistente de Alexander. Uma maneira de ter ajuda de sua astuta descendente ao mesmo tempo que o pai protege sua filha mantendo um olho sobre ela.

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Diário de Alexander Duval
29 de agosto de 1891
Nova Inglaterra

Na entrada da festa já encontrei o delegado Legrasse, junto com Drake e Larson, investigadores. Nossa relação não era muito próxima, mas fomos cordiais. Fomos recepcionados pelo próprio Edgar Baxter, acompanhado da anfitriã (e pelas fofocas – pretendente a ocupar o lugar da falecida Eleonora Baxter). A mansão se estendia por centenas de metros, e abrangia biblioteca, salão de bailes, antesala, adega, cozinha, salão de jogos, escritório e jardim, onde a Sra. Baxter descansava.

Me separando de Lin… Max, fui investigar o local e conversar com os outros convidados. Os trajes e as máscaras da alta sociedade ali reunida eram suficientes pra enfeitar o mais renomado carnaval veneziano. A elite sabia como se vestir.

A primeira pessoa que interagi foi Dominique, uma viajante excêntrica que contava lendas antigas da região e se portava de uma maneira tão suspeita, mas tão suspeita, que quase a fazia inocente. Após avisar meus colegas investigadores sobre o possível primeiro perigo da noite, continuei a investigação.

Convidados estrangeiros, médicos, prefeito e até ex-alunos estavam na festa. Para meu desalento, eu demoraria dias para conversar apropriadamente com todos, então resolvi aplicar uma tática mais objetiva. Fui abordar os funcionários, mais especificamente Edward, o mordomo. Após ouvir reclamações sobre a falta de cortesia de convidados que fuçavam nas coisas de seu senhor, Edward me apontou Cristal e o médico da família como potenciais fonte de informações sobre a morte de Eleonora Baxter.

Ótimo.

Fui ter com a prima de Baxter, que respondeu de forma rápida que não sabia de nada. Rápida demais.
Como professor sempre tive um faro para alunos culpados. Nessa festa, meu nariz já estava ficando constipado de tanta culpa no ar. Mais uma suspeita.

Uma convidada me chamou a atenção pelo andar lento e expressão assustada, e abordando a senhorita, descobri que Rouen, antiga amiga de Eleonora Baxter era uma das convidadas da casa. De fala confusa e olhar assustado, a amiga da falecida me deu algumas informações interessantes sobre a desconfiança de Eleonora com o médico que a tratava.

Mas como falar com ele?
O doutor ía de um lugar ao outro atrás de Edgar (e não só ele, mas também uma legião de parentes, negociantes e demais puxa-sacos), e parecia ser difícil conseguir algo dali.

Enquanto pensava com meus botões, ouvi gritos. A primeira vítima da noite – a pretendente de Baxter fora encontrada morta! Todos ficaram assustados, e meu coração de pai parou. Onde estava Linda?

Corri procurando-a, e com alívio encontrei-a conversando com alguns convidados franceses. Um deles havia visto a cena da janela. “Eu avistei uma sombra estrangulando alguém com uma echarpe!”.

A descrição confirmava minhas suspeitas. As mulheres eram as culpadas!

Reunidos no salão de bailes entreouvi algumas conversas, enquanto alguém anunciava que a mansão teria suas saídas fechadas até que o assassino fosse encontrado. Legrasse ficou encarregado de conduzir as investigações.

Corríamos o risco de morrer de inanição até que o delegado resolvesse alguma coisa!

Conduzi minhas próprias investigações, trocando informações com meu assistente Max. Enquanto perambulava pela biblioteca fui abordado por um estranho: “Eu estou procurando um livro. Um livro chamado Necro… alguma coisa. Você o viu?”

Como livros voadores estavam em falta na mansão, disse que não, e quase marquei um outro nome na lista de suspeitos. Tava aí uma festa estranha, com gente esquisita.

Seguindo uma agitação, fui parar na cozinha, encontrando os investigadores, discutindo.

“O documento é nosso! Não vamos entregar o documento pra ninguém!”

Que documento?

“Nós achamos um papel. Um papel. Nosso papel”.

E o que tinha nele?

“Nele quem?”

“No papel, no documento!”

“Quem? O documento vôou, hihihihi”

Sempre desconfiei da competência de Drake e Larson, mas era a primeira vez que duvidada da sanidade dos mesmos.

“Nós lemos um papel e BUUUUUUM, hihihihihi”

Quando eles saíram correndo com os braços levantados (Freakzoid, chimpanzé!) acreditei que algo estava muito errado. Será que esse tal documento deixou-os loucos?

Fui procurar Linda, e no caminho, alertei os convidados para não lerem nada que alguém os entregasse. Os investigadores infelizmente não eram mais confiáveis.

Avistei Max no jardim. Discutindo com o mordomo (?!?!).

Temendo pela sua segurança, fui andando rápido pra lá.
(E então, pra minha tristeza [como jogador], vi que quem discutia era a Maia e o Tiago, e não a Linda/Max e o Edward. Um desentendimento já tinha rolado anteriormente, e a situação se agravou, virando um bate-boca. Eu e o Paulo tentamos intervir pra acalmar o ânimo dos dois, mas não teve jeito. Tiago tirou a máscara saindo do LARP e a Maia foi fumar pra respirar um ar impuro e relaxar).

Desnorteado, me deparei com o caminho livre e desimpedido para o mausoléu. Aproveitei a situação (Linda comentou que Rouen foi levada pra lá?!?!) e cheguei até o local. Infelizmente, só havia um caixão fechado no chão. Rouen não estava lá.

Não estava né?

Encorajado pelo instinto (chamado Godoy), mas duvidando da situação, movi a tampa do cai…

PUTA QUE O PARIU!!!

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Dei um salto pra trás com o que vi.
Rouen estava dentro de um caixão!!!! (e a Júlia também, seus confrades loucos! hahaha). Acordei-a, e com muita confusão, percebi que a doença da senhorita a havia feito perder a consciência, e alguém mal intencionado resolveu causar tumulto.

Maldita festa pirada!

Demorou alguns minutos para que eu conseguisse levar Rouen até dentro da mansão novamente, e, encontrando Linda, fomos até o escritório conversar com a amiga da Sra Baxter. A mesma afirmava que a Eleonora ainda estava viva, e que insistentemente a chamava. Ela estava em algum lugar, escondida…

Desconfiado da situação, mas intrigado por tanta maluquice que presenciei, comecei a raciocionar. Onde esconderiam um corpo? Ou uma pessoa como cativa?

Subterrâneios… hm… adega!!!

Corri pra lá atropelando convidados, loucos e demais obstáculos na minha frente. Para meu espanto, entrei na adega (desprotegida) e encontrei… ELA!

Eleonora.

Sentada, com cara de paz, pés descalços e roupas mais escuras que uma noite sem estrelas, lá estava lá. Esperando pra ser salva. Tentei conversar, mas ela não respondia. Será que havia perdido a memória?

Levei-a até Linda e Rouen, e no escritório, fui convencido por palavras escritas num papel iluminado pela luz de velas (celular) que aquela ali era na verdade Ligeya, esposa de Tony, antigo amigo de Edgar Baxter. Como era possível que eu nunca a havia visto?

Ela também sentia a presença de Eleonora, e quase trouxemos um copo à mesa para realizar uma sessão espírita ali.

Confrade Godoy: A sala está ficando gelada…

TEMÇO!!!

Antes que descobrissemos mais através do oculto, Ligeya saiu correndo desvairadamente. Segui-a, e no mausoléu, ela começou a gritar com o além (o Tony apareceu sem máscara nesse momento pra falar com ela. Meu personagem não o via, mas Ligeya sim). Agora ela falava?!?!

Depois de 10 minutos infrutíferos de tentativa de convencimento para que Lygeia voltasse comigo à casa. Deixei a louca no caixão. Eu estava num sanatório disfarçado de festa, só isso justificava tanta loucura!!

No jardim, enquanto conversava com a senhorita Rouen, vi dois convidados e Legrasse indo em direção ao mausoléu. Curioso com o que estaria acontecendo, fiquei de olho neles, até que saíram da minha vista. Porém, alguns minutos depois, os dois convidados voltam. Sozinhos.

“O delegado foi morto, alguém o matou!!”

Seus canalhas!

Fui ter com eles, e acusei-os na frente de todos. Era ÓBVIO que eles eram os culpados, até que a irmã de um deles apareceu pra proteger a suposta inocência de seu louco irmão.

“Por qual motivo meu irmão e meu companheiro matariam o delegado?”

“Motivo? Minha esposa e meu filho foram assassinados, há uma mulher dançando descalça com uma cruz no salão (e pior que tinha mesmo! hahaha) e até onde eu saiba, vocês não estão na lista de convidados. Me dê um motivo pra tudo isso que daí eu te falo o motivo dos assassinos!”

Com apoio do prefeito e de outras pessoas do bem, revistei os suspeitos, e, não para o meu espanto, encontrei uma faca com o louco. O corpo do delegado, é claro, possuía marcas de punhalada.

Rá!
Linda ficaria orgulhosa. Um problema resolvido.

hmm… será?

Olhei ao redor e me deparei com a situação. Pessoas gritavam um estranho nome “Cthulhu, Cthulhu!”, uma fumaça vinha da biblioteca, acusando um possível foco de incêndio, e dos homens ligados à lei, eu era o único que restara.

Como que eu ia prender esses caras?

Eu não era um assassino, não usaria a faca contra eles. E,  mesmo se os prendesse, será que faria alguma diferença? Eles já estavam desarmados, e nós mesmos estávamos presos na casa!

No maior estilo “não perderei a classe”, apontei o dedo para o não-louco e disse; “Lembre-se rapaz, você está preso!”.

Rindo das minhas próprias palavras, fui encontrar Max para contar as novidades.

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“Alexander, eu sei o que aconteceu com sua esposa…”

Dominique surgiu com seu andar serpenteante, e sua língua ofídica me falava de uma carta que ela possuía com informações sobre o caso.

Atônito, peguei o papel na mão e…

Nós lemos um papel e BUUUUUUM, hihihihihi

“Dominique, eu não enxergo direito. Você pode ler pra mim?”

O sorriso revelado pelos olhos atrás da máscara foi suficiente. A serpente do paraíso me oferecia a maçã.

Sem poder fazer muito a respeito, deixei-a de lado e fui até Linda.

“Max, quer arriscar sua sanidade para descobrir sobre sua… digo, a mãe de Linda?”

Enquanto conversávamos, Baxter finalmente apareceu, chamando todos ao salão de festa. A fumaça tornava quase impossível enxergar algo, mas ainda ouvíamos as palavras do anfitrião:

“Saíam todos daqui! Não quero ninguém aqui! Ficarei sozinho, vão embora…”

A fumaça tornou tudo branco, e todos tossíamos. A fumaça foi subindo, subindo, subindo, su… bin… do…

Linda.

Fim do diário

Essa foi a história extraordinária vivida por Alexander Duval. Uma ótima experiência, requintada por interpretações incríveis, como a da Gabi e sua Dominique, que estavam impecáveis! (e a maldita ainda era uma Antiga! haha), da Júlia, que interpretou uma personagem com catalepsia (e ainda teve que ser enfiada num caixão! haha) e, claro, da Linda/Max/Maia que simplesmente me mostrou que ela era o detetive e eu o assistente! Assim como tantos outros que estavam ali.

 Um pessoal muito bacana, apaixonado por LARP e por experiências novas. Merece um destaque especial a dedicação e afinco do pessoal da Confraria das Ideias – Godoy, Paulo e Prado. (Não você Falcão. Seu médico ocultista safado! haha).

Na conversa pós-Larp passamos o incidente da Maia e do Tiago à limpo, e resgatamos a história geral dos acontecimentos. Como sempre, fiquei de queixo caído com a complexidade das dezenas de plots que aconteciam concomitantemente.

Incrível!!

Saudações de Alex Duval, o pândego!

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One Comment leave one →
  1. m4lk1e permalink
    02/09/2014 01:07

    Simplesmente sensacional.

    É em relatos como esse que lamento a distância em que me encontro desse bando de adoráveis dementes… :)

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