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Uma tarde no museu, relato de um LARP

07/08/2014

Continuando o hábito de relatar minhas experiências de RPG aqui no blog, vou compartilhar o que vivi nesse novo Live Action RPG que participei no mês de julho, semelhante ao que fiz com o LARP da Confraria das Ideias – Quimera.

O autor desse jogo não é ninguém menos que o Luiz Prado, camarada entusiasta do gênero e desenvolvedor dos mais diferentes LARPs que uma mente extravagante e criativa pode conceber (inclusive o acima citado Quimera).

Com um passado recheado de “lives” de vampiro (com direito a “roupinha de live” e tudo o mais), atualmente tenho participado de LARPs com uma pegada diferente:

Um LARP numa tarde. Num museu.

Diferentemente dos LARPs que exigem intensa preparação dos criadores (com a criação, cenário e organização), esse live teve a proposta de ser uma experiência de uma tarde. E, a jóia dele era o local do jogo – o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Aqui chamo a atenção de você amigo leitor. O LARP era num local público, em pleno horário de funcionamento. Isso significa que não haveria barreira entre nós jogadores e os funcionários e visitantes do espaço. Seria “tudo junto, numa coisa só”. Apesar de já ter lido relatos de jogos que aconteciam em situação semelhante, foi a primeira vez que participei de um. E caramba, foi animal não ter uma diferença entre “on” e “off” (ou seja, dentro e fora do jogo).

Já dentro do museu tivemos uma “introdução imersiva” conduzida pelo Prado, quando demos um giro pelo museu e fomos levados a refletir sobre algumas questões:

“Imagine-se tendo tomado um outro caminho na vida. Quem seria você se tivesse feito outra faculdade, ou se tivesse mudado de cidade quando criança?”

A voz aveludada do Prado serpenteava nossos ouvidos e desencadeava algumas derivas interessantes…

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Já “climatizados”, escolhemos os papéis, formando três duplas: duas obras de arte, as “estrelas” do LARP, dois visitantes e dois monitores, que seriam encarregados de apresentar o conteúdo do museu para aqueles.

Com total liberdade, cada um escolheu seu papel, e, rapidamente, o Chico que vos escreve desceu o elevador, e quem subiu novamente foi o Paulo, estudante de Ensino Médio com um trabalho para fazer e sem nenhum conhecimento artístico que mereça ser chamado como tal. Porém, para sorte do Paulo, havia um guia muito experiente que trabalhava no museu há mais tempos do que ele mesmo lembrava.

O estudante então começou uma jornada no museu, sendo apresentado aos mais diversos tipos de obras (arte contemporânea é duca nesse sentido!). O guia experiente elaborava suas explicações numa linguagem do século XIX, e o Paulo, como estudante aplicado que era, exercia sua atividade questionadora – “Mas isso é arte? Parece uma bola de chiclete”.

Hehehehe

Dentro desse cenário duas obras chamaram a atenção por sua originalidade:

LARP no museu

O Paulo e seu guia passaram boa parte da visita apreciando estas obras, e não foram poucas as reflexões sobresseu conteúdo e mensagem.

– Qual seria o contexto em que o artista vivia? De onde ele era? Qual é a mensagem da obra? Qual a relação da obra com o resto do museu? Qual…

Sim, esse foi nosso LARP – um verdadeiro mergulho na reflexão acerca da nossa interação com a arte. Confesso que nunca havia pensado tanto em um museu e, veja bem, não que eu seja um parâmetro, mas de fato o jogo enriqueceu minha experiência no meio. Não só durante o jogo, mas talvez, principalmente, na conversa pós-larp, quando sentamos em roda e começamos a bater um papo sobre o que experimentamos.

Essa troca de experiências pós-jogo (tradicional nos LARPS da Confraria) é brilhante! Lá comecei a “digerir” algumas coisas latentes na cabeça, e foi incrível perceber a sinergia entre o jogo e o espaço do museu. Enquanto os LARPs “tradicionais” exigem aquela preparação hercúlea pra montar o cenário (e só quem já organizou um live desse tipo sabe o trabalho que dá), o museu já estava lá. Pronto, aguardando por nós. Sério, ele aguardava por nós!!! Esse LARP foi só um reencontro de uma forma de arte e seu espaço.

Sem falar que na conversa eu descobri o mistério que envolvia meu guia ancião. Ele era na realidade um fantasma! hahaha

Pra finalizar, queria agradecer os participantes do LARP, camaradas de mente criativa que me proporcionaram uma tarde interessante demais. Obrigado!

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E, pra quem quiser saber mais da proposta do LARP e/ou do seu autor, inclusive pra ficar antenado pros próximos trabalhos do Prado, vale a pena conferir o blog dele: http://luizprado.wordpress.com/2014/07/10/uma-tarde-no-museu/

 

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