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“Caçada aos Anjos”: Um Hack Para Caçada Ao Colosso

28/07/2014

Muito bem, caros amigos. Trago a vocês mais um Hack para vocês. Ou melhor, não se trata tanto de um “Hack”, mas de um modo de jogo.

Ao fazer uma apresentação sobre um jogo que publiquei há pouco tempo, nosso amigo e mentor Chico Lobo Leal (ele mesmo, o mandante deste balaio de gatos blog) disse que não conseguiu compreender o esquema do jogo. Então, resolvi adotar um cenário bastante popular para descrevê-lo…

neongenesis

 

Corrigindo Sincronização Entre Cenário e Jogo…

Neon Genesis Evangelion é um clássico dos mangás (quadrinhos japoneses), publicado pelo Estúdio GAINAX em 1994, e que perdura até os dias de hoje (resultando em várias animações, também). A série enfoca diferentes temas que vão sendo abordados com o desenrolar da trama, começando com um clima mais leve e descontraído que vai se tornando cada vez mais sombrio e dramático conforme a trama avança. Os mistérios e acontecimentos da história a transformam em seus episódios finais, em uma aventura psicológica a respeito das relações entre os seres humanos.

Evangelion é uma série de ação pós-apocalíptica que gira em torno de uma organização paramilitar chamada NERV, criada para combater seres monstruosos chamados Anjos, utilizando seres gigantes chamados Unidades Evangelion (ou EVAs). Estes seres são controlados por adolescentes, que por um mero acaso nasceram no ano do Segundo Impacto (uma catástrofe global, que provocou o derretimento das calotas polares e inundou parcialmente o planeta), sendo um deles o personagem principal, Shinji Ikari. Com outros adolescentes que foram treinados para pilotar os EVAs (por serem compatíveis com os mesmos) e com a ajuda dos membros da NERV, eles tentam derrotar os Anjos e evitar o Terceiro Impacto, que levaria a destruição da humanidade.

 

eva_vs_angel

Um dos Confrontos entre um EVA e um Anjo.

O jogo que produzi chama-se Caçada ao Colosso, e retrata uma jornada épica. Os jogadores irão, juntos, criar e interpretar um Herói – alguém determinado e forte, singular perante seu povo – para enfrentar um temível desafio, chamado de Colosso (este criado e interpretado pelo Mestre de Jogo). Tudo isso resultando em uma história compartilhada pelo grupo (que constrói tudo que cerca estes inimigos em conjunto) e embalada por uma trilha sonora ao gosto do Anfitrião.

Caçada ao Colosso

Eis a capa do jogo.

Bem, uma vez que ambos já foram devidamente apresentados, é hora de começarmos a explorar este Hack. Lembrando que, para usá-lo, você precisará ter o livro Caçada ao Colosso à disposição. Isto é muito fácil: basta acessar este link, e pronto – seu download é gratuito.

Eu recomendaria também a vocês o conhecimento prévio da trama original (seja pela leitura do mangá, seja pelo contato com os animes), mas vou deixar isso por sua conta. :)

Primeiro Passo: o Atlas

Da mesma forma que no jogo original, a sessão começa com os jogadores desenhando (ou descrevendo) o Atlas da história. No entanto, eles não descreverão o mundo todo, e sim a cidade onde estarão instalados. Os aspectos políticos e militares do local serão descritos pelos seguintes Pilares:

  • População irá quantificar o número de habitantes no local, entre civis e militares, bem como sua motivação ou um sentimento comum;
  • Nível de Segurança define o quão protegida está a cidade, quando alguma emergência ocorrer;
  • Histórico de Catástrofes esclarece algum traço particular da cidade, desencadeado após alguma catástrofe natural (como uma consequência direta do Segundo impacto, por exemplo);
  • Nível de Tecnologia vai pontuar o grau de instrumentalização da cidade e seus arredores – de instalações de segurança até o número de Unidades Evangelion instaladas;
  • Segredo de Estado vai apontar um fato “confidencial” que ocorreu (ou ainda ocorre) na cidade – algo que vai trazer perigo constante aos arredores;

Os jogadores Melissa, Juliana e Lucas se reúnem com João, para jogarem uma sessão de Caçada aos Anjos. Sentados à mesa, recebem as instruções para criarem a cidade onde tudo acontecerá.
Melissa é a primeira a falar, afirmando que “a cidade é isolada e pouco populosa, em função das inundações que acontecem sazonalmente (a ‘maré alta’, como chamam na região).
Lucas afirma que” o Nível de Tecnologia é bem elevado, tanto para civis (com sistemas de segurança e proteção bem desenvolvidos) quanto para militares (com armamento de última linha)”.
Juliana, preferiu não definir os Pilares restantes agora, por não ter idéias relevantes no momento. O grupo concorda, os deixando para desenvolver ao longo do jogo…

Como regra opcional, cabe aos jogadores decidir quais destes Pilares serão utilizados na descrição inicial do Atlas: alguns podem ficar em aberto, ou nem mesmo serem citados posteriormente. isso vai depender apenas de como o grupo quer conduzir a história.

Tokyo3

Tokyo-3, o pano de fundo da trama original: uma cidade preparada para tudo.

 

Segundo Passo: a(s) Criança(s)

No jogo original, os jogadores compõem juntos um Herói – uma imagem inabalável e motivada para enfrentar seus inimigos. Claro que isso se difere bastante do contexto de Evangelion, em que a humanidade deposita suas fichas em jovens talentosos e, ao mesmo tempo, instáveis.

EVA Pilots

As “Crianças” de Evangelion: pressão, medo e senso do dever guiando seus atos…

Dessa forma, eu proponho a vocês dois meios distintos de criação das Crianças (pois assim são chamados os “pilotos”). O primeiro deles é o modo convencional do jogo: o grupo se reúne para criar uma única Criança, utilizando as Facetas já propostas (MotivaçãoConfiança e Talento) e seu modo de definição.

João agora orienta seu grupo a criarem a Criança, com que jogarão nesta história. Em consenso, eles optam por uma menina de treze anos, filha de um militar americano com uma cientista alemã, a serviço da NERV.
Melissa quer ficar com a Faceta Confiança, que ficará com o número mínimo de dados pelo fato da jogadora ter adotado o maior número de Pilares.
Lucas opta pelo
Talento, ficando com dois dados no mesmo (já que descreveu um único Pilar no Atlas).
Juliana ficou com a Faceta restante (Motivação), tendo três dados na mesma, já que não adotou nenhum Pilar na primeira etapa do jogo.

O segundo meio cria um grupo de Crianças (cada jogador correspondendo a um piloto, essencialmente), cada um contando com as mesmas Facetas acima. Eles irão distribuir os Adjetivos entre as Facetas, da maneira que desejarem – mas irão adquirir um Trauma por cada Pilar definido na primeira etapa. Tome um Trauma como uma frase curta, que traga uma questão aberta (ou mal-resolvida) para o personagem desenvolver durante o jogo.

Mediante as instruções do Anfitrião, o grupo começa a desenvolver suas Crianças.
Melissa é a primeira, dando vida à piloto Andrea Stevenson. Ela possui
Talento Excepcional, Confiança Formidável e Motivação Forte. Como Traumas, ela tomou “Preciso sobreviver sempre, para deixar minha mãe feliz” e “Vou vingá-lo a cada Anjo abatido, meu pai”.
Lucas é o próximo, dando vida ao piloto Josh Estevez. Ele possui
Talento Forte, Confiança Excepcional e Motivação Formidável. Como Trauma, ele tomou “Os risos lavam o sangue das minhas mãos”.
Juliana optou por fazer uma Criança estrangeira, a jovem Yoko Mishima. Ela possui
Talento Formidável, Confiança Forte e Motivação Excepcional. Juliana não tem nenhum Trauma para desenvolver neste momento, mas já pode deixar algo subentendido para desenvolver na história…

Como Anfitrião, aconselho a você conversar com o seu grupo sobre qual destas abordagens será a preferida, para que tudo fique claro para o grupo.

A Condução de Jogo

Penso que a forma de conduzir o jogo não vai mudar muito, em relação ao jogo original. As Cenas terão um direcionamento pouco diferente do habitual, mas nada que altere o modo de usá-las.

Em Buscas Solitárias, por exemplo, a investigação pode acontecer entre um personagem e outro (como acontece na história original, com Shinji aprendendo mais sobre sua função… ou sobre si mesmo). Aqui, os dados são rolados para esclarecer Traumas, se o jogador assim desejar, contra um Número-Alvo proposto pelo Anfitrião. Ele será riscado do seu registro somente se os três dados superarem este número, e um novo Trauma pode surgir se nenhum deles superar este nível de dificuldade.

Enquanto caminha até sua casa, Josh fica pensando em como consegue viver, realizando o que faz. “Eu não deveria sentir o peso da consciência disso?”, ele se pergunta. Lucas está com os dados à mão para lançar, tentando sentir-se melhor com o medo que sua atividade como piloto devesse sentir, e João atribui Número-Alvo 4 para confrontar sua indiferença.
Infelizmente, nenhum dos dados atingiu o número estipulado, e Josh acaba ganhando um segundo trauma: “Me expôr assim apenas aumenta minha fragilidade”.

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“Eu só sirvo para pilotar o EVA”…

Nas Explorações, a relação é direta com o grupo (algo como um exercício de simulação, ou uma cena na escola, por exemplo), e os questionamentos acontecem livremente. Aqui é interessante para o Anfitrião desenvolver os Traumas de cada um, a partir do puro roleplay.

Era mais um dia começando na escola. Na turma “B” do Segundo Ano, Andrea e Yoko estavam chegando à sala para acompanhar as aulas – conversando pouco entre si até o encontro com suas amigas. Pelo jeito, não fazem questão de conversarem umas com as outras…
Josh, para variar, chega atrasado (na metade da primeira aula)
, e suas gracinhas não agradam nem um pouco o professor – mas divertem os colegas, em especial as duas pilotos (que, consequentemente, irritam-se por encarar o jovem da mesma forma…).

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Os Confrontos continuam sendo o ápice da história – pois este é o propósito das Crianças: pilotarem os EVAs para derrotar definitivamente os Anjos. O Anfitrião realizará o mesmo processo descrito no livro para criar um Colosso, com a exceção de que não precisa construí-lo à medida que os jogadores o investiguem. Sua aparição é sempre imediata, causando muitos danos e mortes por onde passa.

O alarme toca pela cidade toda, como um grito de socorro ecoando por ruas já vazias. Os pilotos já estão a postos, controlando suas Unidades enquanto aguardam pela chegada de um novo Anjo.

Uma nuvem de poeira surge da explosão, no ponto onde uma cruz de pura energia se ergue. Eles ainda não conseguem ver o Anjo, mas isso pouco importa: eles avançam para a luta, sem penser duas vezes no assunto…

Neste caso, você utilizará todas as regras descritas sobre o Confronto, da maneira como aparece no livro. Caso você tenha adotado o segundo meio para os personagens, cada jogador rolará seus três dados ao tentar algo.
Aplique Consequências mediante o desempenho deles (lembrando que uma Consequência Direta pode resultar em um Trauma, no lugar da perda de um dado, à escolha do jogador), e deixe o combate fluir.

evangelion-eva-angel-fight

Mas… e a Música?

Eu ia mesmo chegar neste ponto. A série animada de Evangelion possui uma trilha sonora maravilhosa, que se adapta perfeitamente às situações possíveis e aqui descritas. Então, faça-me o favor de procurá-la para usar em suas sessões! :D

E vou até deixar com vocês um bom exemplo de música para se usar em uma cena de Confronto. O restante, eu acho que você pode ouvir aqui (ou procurar na internet, que você com certeza vai encontrar).

Agora, encerro aqui este hack – e espero que vocês o usem para desvendar a Tese do Anjo Cruel. Se forem fazê-lo, por favor compartilhem comigo suas experiências, críticas e observações sobre o jogo – que terei o maior prazer em lê-las… :)

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

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2 Comentários leave one →
  1. 04/08/2014 23:44

    Que animal Jairo!
    Respondeu de maneira maestral minha requisição por mais explicação da mecânica.
    Admiro muito sua criatividade, mal esboçou o Caçada e já fez um hack pra ele! hahaha

    Esse é o ciborgue!

    • m4lk1e permalink
      05/08/2014 13:06

      Sem falar que, de certa forma, deixei em aberto a possibilidade para outros cenários – como Pacific Rim, por exemplo. :)

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