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A importância da leitura

24/07/2014

Sei que esse post vai se destoar um pouco do propósito do blog. Um pouco, mas não muito.
Espero que a boa intenção seja apropriada!

Em menos de uma semana perdemos João Ubaldo, Rubem Alves, e, agora, Ariano Suassuna. Além de me fazer lamentar, essas idas me sugerem algumas reflexões.

Logo cedo eu aprendi o valor de um livro (VALOR, e não PREÇO), descobrindo que em longas noites de insônia, sempre havia alguém em que eu podia contar. Sim, ALGUÉM. Pois os personagens dos livros logo tornaram-se meus companheiros, e é curioso perceber hoje que tenho realmente uma relação afetiva com vários amigos que fiz em páginas agora amareladas.

Já adolescente descobri os segredos da biblioteca de Atibaia, que mais pareciam um tesouro disponível pra mim. Ou melhor, pra todos! Cadastrar-se na biblioteca era grátis, e mesmo que você não quisesse ter sua carteirinha digitada na máquina de escrever, você podia ir lá, pegar um livro, sentar na mesa e ler.

Quantos lugares no mundo te recepcionam tão bem quanto uma biblioteca? Nada te é pedido em troca, pelo contrário, o próprio local te dá algo: conhecimento, alegria, prazer.

Hoje em dia há tanta preocupação com o físico de cada um. É só checar quantas academias pululam por cada quarteirão. Que bom! O nosso corpo não pode e não deve ser esquecido, principalmente na Era da Internet, que nos impele à vida sedentária.

Viva nossa paixão pelo futebol que nos impulsiona a mover nossos braços e pernas! (e joelhos e orelhas, no tipo de futebol menos ortodoxo em que pratico).

Mas quantas bibliotecas pululam pelos quarteirões?
Quantos clubes de leitura? Quantos espaços culturais? Quantos SESCS?

Qual é o incentivo dado à leitura hoje em dia?

Falando em futebol, lembro de uma propaganda muito legal que passava no intervalo das partidas do campeonato brasileiro anos atrás, nos tempos em que eu mais assistia do que jogava futebolas. Hoje, felizmente, é o contrário.

“Ler também é um exercício”.

Acredito que a propaganda deveria parecer ridícula para a maioria do público. Como ficar parado poderia ser associado a se exercitar?

Eu respondo rápido: ler às vezes pode ser um exercício pesado!
Diversas vezes tive que me forçar a fazer uma pausa após ler um livro tenso (Game of Thrones), fiquei com pressão baixa e quase desmaiei lendo passagens hm… exóticas (Vampiro Lestat), e juro que depois de ler 5 min do Poder do Mito do Joseph Campbell eu comecei a ficar mais enérgico do que se tivesse corrido 5 km! Sem falar em longas derivas após ler os relatos do Amyr Klink nas suas peripécias aventurescas.

Ler é um exercício incrível, que estimula um órgão que muita gente ignora – o cérebro. É, ele também precisa se exercitar!!

A Era da Internet nos estimula a ficar parados, mas ao mesmo tempo nos oferece muita coisa interessante.

Alguém conhece o Projeto Gutenberg?

http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal

Ou o Domínio Público?

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Ou diversos outros: https://catracalivre.com.br/geral/livro/indicacao/15-sites-para-baixar-livros-gratuitamente/

Sim, as opções não faltam. Afinal, a biblioteca de Atibaia continua lá. Próxima ao mercado municipal, do lado da barraca do suco.

O que falta é o hábito!!

Falta estímulo institucional apropriado – sempre disse que haverá mais leitores no Brasil no dia que as escolas disponibilizarem crônicas do Luís Fernando Veríssimo no Ensino Médio, e também estímulo familiar, estímulo entre amigos, e por aí vai.

Nosso órgão literário centenário – a Academia Brasileira de Letras, tem como membro mais antigo o…

<respire fundo>

José Sarney.

Não, não é piada.

Mas quem precisa de instituições?
De novo: precisamos do hábito!

Meus melhores amigos sempre foram aqueles com quem eu já dividi um livro. Dividir um livro, ter um autor preferido em comum, ter um contexto literário semelhante…

…poder citar uma passagem de uma história e depois dar risada junto!

Hoje tenho orgulho de ter uma namorada que tem mais livros na estante do que sapatos no armário (nada contra os sapatos, tudo a favor dos livros!).

Quando eu tinha mais cabelo e menos barba, sempre em que eu cruzava com outro cabeludo na rua rolava um tipo de reconhecimento. Uma espécie de sinal silencioso de aprovação mútua: “Somos músicos, curtimos rock. Somos do mesmo grupo”.

Eu já percebi que isso acontece também com livros. Apesar de ser raro eu estar lendo o mesmo livro que a pessoa no mesmo instante em que nos cruzamos (metrô/ônibus), eu automaticamente tenho uma simpatia pelo indivíduo – “Se ele lê Terry Pratchett, esse cara é legal”.

Falta-me desprendimento social pra puxar papo com a pessoa, mas talvez seja também porque interromper alguém lendo é, para mim, salvo raras exceções, um ato de puro desrespeito.

Aliás, voltando à internet: se a rede de computadores é um ótimo exemplo da quebra de barreiras espaciais, os livros são um ótimo exemplo de quebra de barreira temporais!

Ler A Ilíada é estar na Grécia Antiga, ler Dom Casmurro é voltar ao Brasil do século XIX.

A máquina do tempo já foi inventada e ninguém nunca se deu conta disso!!!

Esses últimos dias foram dias tristes para nós. Perdemos a convivência com três gigantes literários. A convivência se foi, mas a imortalidade dos três é indiscutível.

Tentando praticar o estímulo ao hábito de leitura para meus amigos: Hoje eu planejo ler mais dos nossos autores brasileiros. Não só estes que se foram – e pasmém, o João Ubaldo me foi apresentado pela minha amiga alemã Hanna, mas também diversos outros: Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Gilberto Freire, Darcy Ribeiro.

Nem que pra isso eu precise fugir dos meus queridos companheiros de trabalho no almoço pra poder ler um capítulo do meu livro de cabeceira.

Vale a pena!
“Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma” – Jojen Reed (George R. R. Martin)

 

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5 Comentários leave one →
  1. Fernando Leal permalink
    24/07/2014 14:13

    Ótima reflexão, meu caro primo Chico! Mais que isso, essa resenha é de utilidade pública, precisamos acordar e reaver certos hábitos! Posso compartilhá-la com alguns amigos? De quebra faço uma propaganda do blog! heheheheheeh

    Forte abraço, meu irmão!

  2. 24/07/2014 14:20

    Salve primo! hehe
    Fico feliz que tenha curtido o post, e claro que pode compartilhá-lo, será uma honra :)
    Abraço!

  3. 24/07/2014 17:28

    Cara, este post é totalmente necessário em qualquer blog, de qualquer assunto, afinal o que seria do blog sem a leitura. É fácil perceber que você pratica a leitura constantemente, pois sua escrita é ótima, e sim a leitura influencia totalmente na escrita.

    Eu também curto ler, não leio tanto quanto deveria, mas gosto de ler livros, os mais variados.

    Parabéns Chico, são posts bem pensados como esse (e vários outros), que mantém o aventurando-se na minha seleta lista de blogs a se ler pelo menos uma vez por semana.

  4. 24/07/2014 17:47

    Brigadão André, sempre bom ver e ler um comentário seu por aqui
    :)

  5. m4lk1e permalink
    26/07/2014 20:38

    Excelente reflexão, Mestre Chico – necessária não somente para quem joga RPG, mas para todo ser humano. Livos são o depositário do que somos, de onde surgimos e, quem sabe, para onde vamos.

    Nada mais justo que considerar os conselhos presentes em suas páginas,certo? :)

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