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Campanha em Erebor – Cena 17 – Heruwyn, a donzela de Rohan

16/07/2014

Cena Anterior: Campanha em Erebor, Cena 16 – Os Senhores de Lórien

O Folde Ocidental já havia caído há muito. A Mão Branca era vista nos elmos e escudos de nossos inimigos. Quando um dedo da Mão caía, outros dois pareciam se levantar.

Com a notícia da morte de Théodred, tudo piorou. Quanto tempo levaria para o Senhor dos Cavaleiros dobrar seus velhos joelhos para o feiticeiro branco?

Não, eu não queria ver esse dia.

Antigamente meus parentes moravam no norte, antes do jovem Éorl mover para o sul com seu exército. Canções eram ainda cantadas sobre nossa antiga terra, entre as Montanhas Cinzentas e a Floresta Velha, no tempo em que éramos conhecidos como Lohtûr entre nosso próprio povo. Se havia algum lugar em que eu poderia estar salva na Terra-Média, seria lá.

(…)

Estava escuro quando cheguei nas nossas antigas terras. Quinze dias de cavalgada, quinze dias de fuga através de uma terra sofrida. As estrelas brilhavam no meu caminho, e eu torcia para meu destino também ser brilhante…

Mas será que os orcs das montanhas também haviam saído de suas tocas?

Eu não via nenhum deles há tempos, mas as canções não diziam nada sobre árvores queimadas e solo rochoso. Eu não poderia viver na nossa antiga terra, nem que quisesse.

Sem ter pra onde ir, desolada, comecei o caminho de volta para Rohan. Quem sabe eu poderia ajudar Théoden na última defesa de Edoras.

(…)

Cinco dias depois, eu sentia que a terra a minha volta estava tensa. O Anduin à minha direita tinha uma correnteza forte, e mais de uma vez avistei corpos nas margens, boiando de bruços.

Minha ida havia sido longa, pelas longas pausas e caminhos tomados longe da estrada, mas, na minha tristeza, havia sido menos prudente na volta.

À noite acampei numa encosta protegida, e me encostei em algumas pedras. Eu sabia que não conseguiria descansar nessa noite. Quando Vento Branco relinchou nervosamente, levantei já sabendo o que me esperava.

(…)

A luta fora tão rápida que mal tive tempo de contar meus inimigos. Enquanto eu derrubava o segundo, senti uma rede sobre minha cabeça, e após uma forte pancada desmaiei.

O amanhecer me surpreendera – meus inimigos não eram orcs, mas sim homens morenos, vestidos com estranhas roupas e portando armas curvadas. Uma dúzia deles, sendo que um portava uma grande lança decorada, parecendo ser o líder.

Que espécie de bandidos eram aqueles?

Fui mantida cativa, e embora não tivesse sido tratada com gentileza, pelo menos ninguém tocou em mim. As histórias das prisioneiras em acampamentos orcs eram terríveis, e mesmo uma descentente de Fram como eu temia ser capturada viva. Felizmente, estes estranhos não eram orcs!

Eles falavam a língua comum com um sotaque estranho, e logo fiquei sabendo que eu seria levada para o “xefe”.

Nos dirigimos na direção do sol nascente, cruzando a Floresta das Trevas. Amarrada no meu próprio cavalo, fui levada como um saco de batata por trilhas escuras e estranhas naquele lugar amaldiçoado. Eu sabia que a Torre do Necromante estrava perto, mas felizmente estávamos ainda muito à norte do local. Pelo visto meus captores também queriam evitar aquele lugar.

Na terceira noite, quando eles comiam e bebiam, tentei escapar. Por algumas horas desfrutei da liberdade, mas logo fui capturada. Desta vez apanhei até perder a consciência, e quando eles me mostraram as lâminas e sacudiram seus membros na minha cara ficou claro o que eu aconteceria se eu fugisse novamente.

(…)

Já do outro lado da floresta, caminhamos pelas terras planas de Rhovanion, em direção ao Rio Corrente. Será que eu seria vendida como escrava à um dos exóticos senhores do oriente?

No acampamento esta noite comecei a reparar mais nos meus captores. Apesar de usarem várias camadas de roupas para se proteger do frio do inverno, eu conseguia ver pelas suas vozes e atitudes que eram jovens. Será que o inimigo estava tão poderoso a ponto de corromper homens jovens que moravam há léguas de distância?

Parece que sim.

Fui avisada que os “xefes” chegariam logo. Senti um tremor percorrer meu corpo. Eu realmente não queria conhece-los.

Na madrugada, enquanto a maioria dormia e apenas dois guardas cochichavam, ouvi vozes trazidas pelo vento, e pela reação dos sentinelas, não fui a única a ouvir.

Rapidamente, uma flecha acertou a garganta de um deles, mas o outro foi rápido o suficiente para gritar acordando todos. Tudo então virou de pernas pro ar.

Arrastei-me até meu cavalo, mas antes que pudesse soltá-lo e montá-lo, também recebi um projétil na panturrilha. Caí no chão com um baque, e, para meu espanto, quando me virei vi uma criatura saída das fábulas na minha frente.

Um holbytla.

Será que a guerra acordou os velhos espíritos das canções?

O halfling me ajudou com a flecha, e rapidamente nos afastamos da batalha. Meu corpo doía da flecha e da surra que havia tomado, mas a criatura tinha uma força maior que seu tamanho revelava. Quando mantivemos uma distância boa, olhei pra trás e vi um anão esmurrar um dos captores com seus próprios punhos de um jeito tão medonho que quase fiquei com dó do moreno. Quase.

A luta terminou rápido, onze mortos, um oriental fugido e um elfo caído.

Elfos, anões, humano (também oriental!) e holbytla.

Tá aí uma companhia diferente. Enquanto a elfa cuidava dos cortes do elfo caído, fomos apresentados, e logo vi que o estranho grupo era formado por emissários de grandes senhores e reis (e um cozinheiro!), não seres de fábulas.

Embora eu não duvidasse que uma boa canção poderia sair dali…

Todos foram corteses comigo, e enquanto nos afastávamos comigo montada em Vento Branco, conversamos bastante. Eu finalmente me sentia mais leve. Eu estava livre novamente.

Parecia até que uma donzela de Rohan era tão exótica quanto uma elfa para eles, mas as notícias de guerra no sul não os surpreendeu.

“Gandalf nos deus mensagens de guerra. Ela se espalha por toda a Terra-Média”.

Eu realmente fui uma tola em acreditar que poderia fugir dela.

“Senhores, vocês me salvaram. Graças a vocês minha honra e minha vida foram preservadas. Se minha espada lhes poder ser útil, será de vocês”.

O holbytla bateu palmas, e todos sorriram.

“Espadas sempre são bem-vindas! Perdemos um companheiro, mas ganhamos uma amazona. Você agora está entre amigos, Heruwyn”.

E foi assim que me vi dentro de uma canção – uma melodia de suor, sangue e lágrimas.

Até o dia voltar novamente.

Aurë entuluva!

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Próxima cena: Vir, o herói de Dol Guldur

 

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