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Meu Hobby Não Existe Para Garantir Que Alguém Tenha Lucro

23/05/2014

Hoje, caros amigos, irei trazer a vocês um artigo muito interessante, publicado originalmente na página Jeffro’s Space Gaming Blog. Um artigo que mais soa como um desabafo, é verdade – mas que penso ser compartilhado por boa parte (se não toda) dos amigos e RPGistas que conheço.

Ele foi traduzido livremente. Mas, se preferir, você pode conferir o texto na íntegra aqui .

“Falando sério, pessoal, eu estou nessa pelos jogos. Pelos Bons jogos, na verdade: a modesta lista dos melhores hobby games que já foram produzidos. É, realmente, muito simples.

Nos últimos dez anos, eu tenho ouvido sobre toda essa coisa sobre o que tenho de fazer para manter a indústria na ativa. Eu faço compras em lojas de jogos de amigos, porque sem estabelecimentos físicos não vamos alcançar novos jogadores. Eu tenho que parar de guerrear por uma edição completa, porque eu vou assustar os civis lá fora, às margens do assunto. Eu me animo com alguma variante estúpida de plástico de um jogo clássico porque, de algum modo,  ela vai ajudar a expandir a cena de jogo e justificar um maior desenvolvimento com grande propriedade. Eu tenho que comprar coisas das quais eu realmente não precisaria (ou queria) para ‘apoiar’ franquias de jogo e seus criadores. E assim por diante.

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É um disparate.

É claro, eu comprei jogos desnecessariamente só porque eu estava tão feliz de ver um jogo “real” em uma loja de jogos, e eu não ia sair de lá sem acenar para a loja manter o bom trabalho . Eu já passei por fases onde eu comprava PDFs como um marinheiro bêbado (metade dos leitores deste blog já deve ter feito o mesmo). Honestamente, porém, se um punhado de um geeks de meia idade olhar de soslaio criteriosamente e desejar com todas as suas forças investindo seu dinheiro com as coisas certas … não vai fazer a menor diferença . Se a indústria não está fazendo isso, ela irá falhar. Se RPGs e Wargames acabarem, então acabou, não importa o que fizermos. Ainda assim, noto que ninguém nunca diz para alguém ‘ajudar o hobby ‘ postando quinhentos artigos em blogs sobre jogos e jogabilidade. Ninguém nunca me disse para preparar um jogo e depois ir tomar espaço em uma convenção nas proximidades, para manter uma mesa com oito estranhos por quatro horas. Ninguém nunca me pede para resolver algum problema em aberto no design do jogo . Ninguém nunca me pede para ” ajudar o hobby ” , ensinando a alguém um jogo que eles querem jogar .

E você sabe o que é …? Essa coisa que ninguém me diz para fazer …? Esse é o meu hobby. Meu hobby não cresce quando eu gastar dinheiro. Ele cresce quando eu o desenvolvo.

Mas, ele vira o grande lançamento, certo? (Eu já vi isso acontecer com uma meia dúzia de jogos novos.) Aí vem a novidade, certo? Wooooh! Mas, em vez de tentar fazer um bom jogo, os produtores aparecem com algum truque para transformá-lo em um negócio lucrativo. Agora, eu não estou falando de novas edições em si. (Recebendo toda a errata baseada em problemas conhecidos e abordados, é um preço válido para mim por um jogo particularmente bom). Não, eu estou falando de truques como fazer isso “colecionável​,​” ou a venda de brinquedos, ou tornando-o ‘gratuito até o fim’, ou o que seja. Quem se importa com isso? Eu com certeza não.

Sim, eu disse isso … então as garras se mostram:

  • ‘Bons jogos’ não vendem mais.
  • Os jogos que você gosta não estão no mercado.
  • Seus jogos mereciam ser substituídos pela novidade.
  • Você tem que experimentar a novidade porque, se você não fizer isso, seus jogadores irão sumir.
  • Seus jogos foram rejeitados pelos jogadores.

E é como Ross Perot (interpretado por Dana Carvey) vem do nada com algum tipo de gráfico complicado acenando  com um ponteiro e apontando com o dedo indicador. Eu vejo totalmente os fatos e lógica da razão aqui! Ouça-nos, Jeffro!

O fato é que há uma criança de doze anos na minha cidade suplicando-me para lhe ensinar StarFleet Battles. Meu filho adora Ogre e G.E.V. e Illuminati. Mais de um grupo de pessoas está me pedindo para executar o D&D de Moldvay para eles, porque eles estão curiosos para descobrir o que é RPG . Há pessoas que têm jogado Britannia 500 vezes que amariam explicar as minúcias desse jogo para qualquer um que aparece na PrezCon, ou na WBC . A indústria de jogos pode ser reduzida a cinzas – completamente destruída – e isso não afetaria o meu hobby nem um pouco. Você pode atear fogo a toda minha coleção de jogos, e eu não teria nenhum problema em mantê-lo. (Eu poderia baixar alguns ‘retroclones’ velhos gratuitamente, e começar a projetar o grande espaço de jogos americano. Eu nunca ficaria sem ter o que fazer! ) Sinto muito, mas meu hobby fica muito bem, com ou sem uma indústria para extrair o seu valor. E, aconteça o que acontecer, não é minha responsabilidade correr atrás de qualquer empresa, projeto ou franquia de jogo, não importa quão nobre, grande ou impressionante as pessoas pensam que ele pode ser. O fato de que eles fizeram realmente bons jogos no passado é a única razão pelaqual eu sempre apoiei-os em primeiro lugar. Se eles deixam claro que fazer bons jogos já não está em sua agenda, então estamos acabados.

Mas … mas … mas … o que acontece com o sangue novo? Os novos jogadores? A redução, cara!?

A indústria não é o meu hobby. A saúde da indústria não tem relação com a saúde do meu hobby. Não ajuda o meu hobby em nada se alguém produz algo que se parece como um tipo de jogo e faz montes de dinheiro com ele. Desde quando é o meu trabalho sustentar a aparência de alguém sendo uma indústria quando eles realmente não fazem nada por mim? (Se esse é realmente o meu trabalho, então eu quero ser pago por ele!) Receio, porém, que a novidade destes próximos dois anos não vai durar muito tempo. Mas as pessoas ainda estarão jogando Titan daqui a dez anos. As pessoas ainda vão estar discutindo sobre Classic Traveller e daqui a dez anos. Guilford Courthouse e Hammer of the Scots ainda estarão sobre as mesas. Eu tenho certeza disso. É muito improvável que alguém vai mudar o mundo com um novo jogo que ignore o básico, os princípios bem compreendidos de um bom design de jogos. Mesmo que eles fizerem, ainda não teria nada a ver com o meu hobby.”

Apresentado o argumento, passo a bola para vocês, caros amigos. Para incitar uma discussão mais concisa dentro do assunto, proponho a vocês a seguinte questão:

o que vocês julgam manter o RPG vivo: o mercado, ou os jogadores?

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

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8 Comentários leave one →
  1. Danilo permalink
    23/05/2014 17:00

    Que papo furado, vixe.

    • m4lk1e permalink
      23/05/2014 19:59

      Certo. E qual o seu argumento válido para esse “papo furado”?

  2. 23/05/2014 18:27

    Acho que ele incorre no erro de pensar a “indústria” do RPG como se fosse a Coca-cola ou a Microsoft. Espírito comunitário é necessário para manter certos mercados de nicho vivos, na minha mais humilde opinião.

    Minha humilde opinião também se pergunta se há um cheiro de ressentimento nessa fala.

    Ensinar as crianças da vila a jogar me parece tão parte do jogo (no pun intended) quanto comprar uma besteira qualquer na game store local ou financiar um troço bacana no Kickstarter.

    Será que apenas eu me sinto atraída pela idéia de pessoas vivendo da sua produção de jogo, pensando e debatendo o tema em nível acadêmico, tirando projetos malucos da gaveta ao ver que é possível realizá-los?

    • m4lk1e permalink
      24/05/2014 12:32

      Eu já vejo de forma diferente, Lívia. Pois a produção independente é possível (e anda se desenvolvendo muito bem), mas a questão ali é o declínio da qualidade do produto (ou, no caso, do Game Design) em detrimento de lucro.

      Vejamos, por exemplo, Dungeons and Dragons. As primeiras edições compuseram a base de fãs atual por muitos anos, enquanto que as edições mais recentes (em especial a 4E) buscaram atingir um público mais jovem, e isso decepcionou os fãs já habituados ao jogo.

      Ora, como são estes fãs mais velhos que acabam ensinando os mais jovens, os primeiros vão acabar mostrando os bons jogos de sua preferência (como foi o exemplo que ele colocou, em que grupos o procuram para jogar o D&D de Moldvay). O autor quer dizer que o design (o “bom design”, diga-se de passagem) deve prevalecer ante as estratégias de mercado.

  3. 24/05/2014 04:14

    Apesar do conceito usual de hobby ser algo produzido pelo formato da industria, identifico as ideias do autor no sentido cultural, como uma forma de expressão(RPG,jogos,etc..) e algo além da estrutura de mercado! Se o hobby existe devido à sociedade como se organiza atualmente não podemos responder, mas creio que isso seja a principal questão do texto.

  4. 24/05/2014 21:34

    Cara realmente que papo furado!

    1° o hobby só existe por causa da iniciativa e investimento de novas edições, a pluralidade de jogos se dá por causa dessa mesma “onde de lançamentos”.

    2° Ser criterioso na hora de comprar é o melhor conselho, mas esse papo de que …se a industria acabar meu hobby vai continuar…, ou …se minhas coleção for queimada meu hobby vai continuar… é papo furado (neste caso papo de poser!).

    Os jogos dependem de mecânica própria sempre apresentadas em livros de regras (ou seja precisamos deles) , muitos jogos requerem miniaturas e marcadores que desempenham papeis nessa mesma mecânica, a evolução desses elementos amplia a diverssão e a senção de imersão nos jogos, sem falar no apelo visual dos mesmos…

    Resumindo minha opinião: Quero mais é que eles se desenvolvam, cresçam, façam muitos lançamentos mesmo, então, eu escolho qual vou comprar e jogar.

    Obs.: Claro que é importante lembrar que no caso de RPGs, os livros de RPG e cenários não tem “data de validade”, podemos pegar um D&D Classic ou um Cyberpunk 2020 e nos divertir como fazíamos a 20 anos sem problemas! :-P

  5. 24/05/2014 23:51

    Há quem goste, além de jogar, também de colecionar. Mas para quem gosta mais do jogo, e principalmente da parte que gera socialização, a indústria pode virar pó ou retornar das cinzas que dá no mesmo. Não há certo e errado, são apenas duas características diferentes. Simpatizo mais com a segunda.

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