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A Experiência de Narrar Em Eventos

20/03/2014

Hoje, lhes trarei um pouco de uma experiência recente, que tive com narrativa, em um evento regional (algo que, até então, nunca tinha feito em todos esses anos nesta indústria vital). Neste processo, acabei constatando três lições que julgo fundamentais, e que irei compartilhar com vocês sob duas linguagens:

  • Uma mais analítica, da forma que tenho trabalhado em meus outros artigos;
  • Uma visão pessoal e complementar do que vi no supracitado evento (em quotes).

E assim a história começa:

O evento em questão era a terceira edição do Tanuki World Fest, ocorrido em Criciúma neste último domingo (dia 16 de março). Apesar de ser um evento voltado para fãs de animes e mangás, tinha espaço também para outras vertentes da assim chamada “cultura geek” – entre elas, o RPG. Como minha esposa colocou um estande lá, acabei indo para desvendar a percepção regional sobre nosso estimado hobby – na sala própria que a Jambô instalou lá. Foi um momento até interessante, em que tinha me colocado para ser Narrador, mas inicialmente fiquei sem espaço em função de um torneio PvP centrado nas regras e contexto de Tormenta, que fazia parte do evento (além de, claro, uma palestra instigante sobre RPG & Educação – cortesia de uma velha amiga e jogadora…)

Imagem

A Palestra sobre RPG e Educação, ministrada por Ingrid Krause (e que resultou em uma discussão muito bacana).

Mas o momento de surpresa foi mais tarde, quando a sala estava desocupada. A palestrante, Ingrid, havia me chamado para fazermos uma mesa (pois ela sabia que estava preparado para narrar lá). Lá chegando, e uns garotos chegaram ao mesmo tempo, curiosos para saber o que rolaria naquela sala.

Primeira Lição: Seja Aberto

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que jogar em um evento não é como jogar em sua casa: não há o mesmo conforto, tampouco as mesmas pessoas que se encontram toda semana pra jogar (a não ser, claro, que você combine com eles). Você irá encontrar muita gente nova por lá, que provavelmente compartilhe suas preferências.

Então, por que não se abrir à experiência de conhecê-las, compartilhando algo que você tanto goste? Esta é a primeira dica: saia da zona de conforto, e mantenha a disposição de narrar para tantos “newcomers” quanto forem possíveis.

Sem perder muito tempo, tomei a iniciativa os convidando para jogar, explicando superficialmente como o jogo funciona (interpretação de papéis, cooperação e outros valores que você, caro jogador, já conhece bem). Como não conhecia nenhum deles, acabei me surpreendendo com minha própria abordagem – afinal, estava querendo muito jogar, e conhecer pessoas que apreciassem o RPG tanto quanto eu.

Segunda Lição: Tenha o Controle

Está certo que narrar para gente nova pode ser um baita desafio, mas isso não quer dizer que você precise se desafiar no processo. Leve consigo algum jogo que você domine bem e, principalmente, que goste de jogar. Isso transmite confiança para quem joga com você, ao mesmo tempo que torna-se um estímulo para uma narrativa melhor.

Quanto mais familiarizado você estiver com o jogo em questão (ou, em última análise, quanto mais você desejar jogá-lo), acredito que mais interessante será a narrativa. Ela pode te levar a experimentar patamares narrativos pouco usuais na sua mesa e ao preparo pleno da narrativa, como aconteceu comigo:

Imagem

Este foi o “arsenal” levado para o Tanuki…

Calorosamente, os coloquei à mesa e deixei que a democracia decidisse o seu caminho: Coloquei os três jogos em destaque na foto para que os próprios escolhessem qual gostariam de jogar. Eles discutiram um pouco sobre as opções, e decidiram pelo Abismo Infinito.

Eu estava bem preparado para narrar Abismo novamente, e apostei no que já tinha feito antes: preparei fichas com o Contrato do Argonauta imbutido, e na apresentação deste já comecei a narrativa: apresentei o futuro utópico a eles, ilustrado pela necessidade por novos planetas. O treinamento e preparação para a viagem ficaram marcados no momento de criar os Argonautas, e neste momento houve um despreparo: dois jogadores extras chegaram para jogar, e eu estava sem fichas prontas (enfim, nada que contivesse o meu anseio narrativo).

Para o clima de jogo, quebrei a postura tradicional para ficar circulando sobre a mesa, descrevendo cenas e causando alguns sustos aos jogadores (com gritos e urros pelas costas dos jogadores, e interpretando ações em holodiscos. Dava pra ver a tensão crescendo no grupo quando algo se mostrava errado, e isso garantiu minha satisfação.

Terceira Lição: Conheça o Evento

Acho que isso é fundamental e que, talvez, nem precisasse ser dito. O problema aqui é perceber isso quando você e o “seu” grupo permanecem imersos no jogo, quando as horas passam muito mais rápido que o esperado. A aventura acaba se alongando por alguma opção dos jogadores, que você decide explorar por achar muito interessante – mas, quando se dá conta, precisa encurtar o jogo logo porque o evento vai acabar…

Mais uma vez, vou lembrar: o controle precisa ser mantido. Tente se antecipar nos horários, e tente delimitar uma duração no jogo. Se você o conhece bem, fica bem fácil fazer isso. Para não acabar se frustrando como eu fiz:

O grupo estava se aproximando de seu objetivo, embrenhando-se no horror à medida que o Planeta Y-66 se aproximava. Cada membro se envolvia com seu medo (sim, porque praticamente o grupo todo compartilhava o mesmo Medo Particular) quando chegou um dos rapazes da organização do evento. Ele não trazia notícias boas, pois precisava fechar a sala para o show, e não podíamos continuar nossa narrativa…

Precisei cortar a narrativa, os adiantando de outros desafios e perigos que acabariam encontrando no Planeta em questão – deixando isso “para a imaginação de cada um” deles. Para mim, foi frustrante não terminar a história (como assim uma sessão de Abismo terminar com TODOS VIVOS?), mas ver a satisfação de quem jogou aquela mini-sessão me deu a sensação de dever cumprido.

Argonautas

Segue a tripulação da Argo-17, Hoenheim, da esquerda pra direita: Eu (Mestre do Espaço), Ingrid (a Médica), Pedro Henrique (o Psicólogo) , Matheus (Engenheiro e o Capitão), Lucas (o Segurança) e Willian (o Criptólogo).
Créditos especiais para Felipe (o segundo Criptólogo, que acabou não tirando foto na hora).

Uma Última Lição…?

Esta originalmente não fazia parte do artigo, mas vou colocá-la assim mesmo: desfrute dos resultados, pois você pode se surpreender com isso.

No dia seguinte ao evento, acabei entrando em contato com um dos jogadores, e descobri que eles moram em Araranguá – a cidade ao lado da minha! Como eles nunca tinham jogado RPG antes, ficaram bem interessados em procurar livros e se aprofundar neste tipo de jogo.

Tentem imaginar o orgulho, caros amigos. Quem diria que uma sessão breve e interrompida daria início à vida de novos RPGistas? :)

E é com esta sensação, de dever cumprido, que encerro este artigo, caros leitores, com uma pergunta: como foi seu primeiro contato com eventos de RPG, se já tiveram algum? Compartilhem comigo suas experiências, por favor. ;)

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

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5 Comentários leave one →
  1. lucas permalink
    20/03/2014 22:25

    Cara,primeiramente post lindo,em segundo muito obrigado por criar essa “entrada” em um “mundo” q sinceramente eu tinha medo d jogar >.> mais em fim todos nos gostamos muito da partida msmo q sem termina-lá sem ninguém morto (embora o capitao esteja sem aperta,olhem na foto) ^^ Obrigado

    • m4lk1e permalink
      20/03/2014 23:11

      “Medo”, você disse?
      irônico vocês começarem justamente com um jogo de horror… :D

      Mas, enfim… você e seus amigos sejam muito bem-vindos ao RPG de mesa, Lucas.

  2. 21/03/2014 20:11

    Que legal sua experiência Jairo!!
    Obrigado por compartilhá-la com a gente aqui no blog.

    Puxa, uma mesa de neófitos, que maravilha!
    Sempre que eu vou em eventos eu encontro amigos que moram em outros cidades pra jogar comigo (você ciborgue, por acaso, é um deles), então até hoje nunca tive a experiência de narrar prum grupo totalmente novato.

    E que legal o pessoal optar pelo abismo, um grupo singular de pessoas.
    :)

  3. 22/03/2014 20:21

    Foi um grande prazer como jogadora, velha amiga e, principalmente, fã, ter jogado com você mais uma vez. O jogo escolhido foi sensacional, e a sua narrativa superou todas as expectativas. O grupo de jogo foi muito bom também, nem pareciam que estavam jogando pela primeira vez! hehehe. Adorei. E o relato ficou muito bom… as observações foram muito válidas :D

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