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Sistemas e Cenários – Mouse Guard

13/02/2014

Já faz tempo que ansiava por escrever algo sobre Mouse Guard, porém minha estréia no mundo dos roedores valentes demorou mais do que eu gostaria. Mas ela enfim aconteceu, e junto com a história de Scarlet, minha rata de pelos vermelhos, relatarei aqui minhas experiências nesse RPG:

A Guarda

“Hail all those who are able,
any mouse can,
any mouse will,
but the Guard prevail”

Baseado nos incríveis quadrinhos de David Petersen, o RPG retrata o ambiente da Mouse Guard, ou seja, a guarda dos ratos que é responsável pela união, proteção e conservação de toda sociedade dos pequenos comedores de queijo. Pautados nos mais altos princípios, a guarda preza pela honra, determinação, e, principalmente, pelo total compromisso de seus membros à causa.

E é nesse mundo nobre que criei Scarlet, minha querida rata de pelos vermelhos. Recém-admitida na Guarda, minha roedora de pelagem rara ansiava por mostrar que não era apenas mais um focinho bonito. Com Vidar, o velho líder de patrulha (cada rato na Guarda possui um nível de hierarquia. S. era uma simples guarda que acabara de receber a capa de sua mestre), fomos enviados à Ivydale, a cidade onde a maioria dos grãos que abastecem os ratos são produzidos. Recebemos em Lockhaven, a cidade-sede da Guarda, a tarefa de descobrir o paradeiro de um dos produtores de trigo que havia sumido.

Já em Ivydale, conversamos com a esposa do desaparecido, que além de preocupada com seu marido, temia pelo futuro do bebê em sua barriga. Após uma breve conversa, a possível viúva indicou o cunhado pra nos levar até a região das castanheiras, local em que seu marido foi visto pela última vez.

Chegamos na área no começo da noite, e usando sua habilidade de prever o tempo (conhecimento adquirido em sua cidade natal costeira, Port Sumac), Scarlet percebeu que uma frente fria logo chegaria.

Mals augúrios para o começo de uma busca, tínhamos que ser rápidos.

Após encontrarmos rastros, dispensamos nosso guia, de forma que não arriscássemos mais uma vida na jornada. Nesse instante, Vidar (interpretado pelo Jairo, aqui do blog) tentou observar ao redor, falhando no teste e incentivando o Jão (narrador) a trazer uma calamidade perante nós: Um monsto terrível!!!

Basilisco? Hidra? Dragão?!?!

Não, uma coruja!

E juro que já vi guerreiros tremerem menos perante um Dragão Vermelho.

mouse-guard

A predadora olhava com afinco para o incauto caipira que voltava pra casa assobiando, e nós sabíamos o que precisávamos fazer.

“- Ei, sua coisa cheia de penas, olha aqui! Tem dois ratos pra sua janta aqui perto de você!”

E o pior de tudo… é que tinha mesmo!

A corda com gancho de Scarlet e o escudo de Vidar foram inúteis contra a predadora com suas asas velozes (e manobráveis) e suas garras afiadas.

A batalha em Mouse Guard é bem diferente de todos os outros sistemas que joguei. Semelhante a um jogo de tabuleiro, o combate é totalmente separado dos elementos narrativos, e se consiste num jogo de, porcamente resumindo – “pedra – papel – tesoura – lagarto – spock”, ou seja, um conjunto de ações idênticas que cada jogador pode escolher pro seu personagem, no caso Ataque, Defesa, Manobra e Finta, que vão ter resultados diferentes de acordo com o que o oponente escolher.

Os “danos” são causados em relação à disposição dos combatentes, e quando um dos lados chega a zero, a batalha termina e os combatentes barganham os resultados.

No embate Scarlet e Vidar x Coruja from hell por exemplo, nós tomamos um pau sem ao menos causar um arranhão. Ou seja, nossa disposição foi reduzida à zero, e o da coruja manteve-se intacta. O objetivo da mesma foi alcançado – conseguir a janta, e nós não tínhamos poder de barganha.

Desta forma tivemos a seguinte escolha: ou nós fugíamos na última hora e o caipira boa vida viraria janta, ou um de nós encontraria o estômago da ave.

“It matters not what you fight but what you fight for”

Vidar jogou seu escudo no chão, disse-me adeus e enfrentou calmamente sua morte. Além de um verdadeiro representante da Guarda, Vidar ainda possuía em seu histórico a morte de um antigo aprendiz, situação terrível que o velho roedor não gostaria de vivenciar novamente. E assim ele se foi.

Com pesar profundo, Scarlet continuou com a única tarefa que faria o sacrifício de Vidar ainda ter um sentido: a busca pelo desaparecido.

Depois de horas, encontrei o rato sumido perto de um rio, ferido ao extremo, e quase sem respirar. Usando meus conhecimentos de cura (herdados de meus anos de treinamento com uma boticária), e os de construção de barco (herdados de meus pais), apliquei os primeiros socorros no moribundo, e improvisei uma jangada à partir de cascas de castanha.

Usando o resto de energia e determinação, Scarlet conseguiu guiar a embarcação até o porto fluvial de Ivydale.

E então, após um descanso e tratamento médico apropriado para ambos, Scarlet finalmente se viu focinho a focinho com Johan, o fazendeiro resgatado. E enquanto este começou a agradecer, a rata rubra explodiu: um misto de tristeza pela perda, raiva pela imprudência do fazendeiro e até mesmo decepção com o despreparo seu e do seu antigo companheiro.

Uma bomba de emoções.

Afinal, Scarlet era uma rata fêmea :P

Johan ficou tão assustado que prometeu destinar suas futuras plantações à Lockhaven, e até disse que seu próprio filho seria batizado de Vidar, em memória ao herói tombado.

O que, claro, só despertou minha criatividade:

“- Pois bem, que o jovem Vidar cresça forte, pois na idade apropriada eu virei à Ivydale, e o tomarei como meu aprendiz. Um tributo à Guarda pelos serviços prestados à sua família”.

E assim terminou a minha primeira sessão de Mouse Guard.
A história de Scarlet não terminou ali, e seus pelos vermelhos e capa preta (afinal, S. era uma rata noturna) foram representados em muitas tapeçarias dos salões dos ratos. “A vingança de Vidar” é uma das baladas mais populares em Ivydale até os dias de hoje, e o bico da coruja morta encontra-se na praça principal da cidade, junto com as armas de Scarlet e seus companheiros que enfim vingaram o velho líder de patrulha.

Mas essa já é outra história.

guard mouse

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6 Comentários leave one →
  1. 13/02/2014 11:52

    Ahh!! Que legal! Deve ter sido legal jogar isso! rsrsrsr

  2. 13/02/2014 13:09

    Ainda quero ouvir (ou ler) essa canção.

  3. gerbur12 permalink
    17/03/2014 13:08

    Nossa que bacana, hein?

    Curti muito ler esse relato. Deve ser um jogo fantástico esse aí.

    O mestre também apelou, hein? Colocou logo um Balrog… ops! Uma coruja, logo de cara!

    rs

    • m4lk1e permalink
      10/05/2014 20:02

      Podia ter sido pior, caro Meste Anão. Corvos são muito piores que Corujas…

Trackbacks

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