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Campanha em Erebor – Cena 9 – Rowenna Capa-Cinzenta

18/11/2013

Cena Anterior: Cena 8 – Thraurin

O anão mais novo estava cercado por muitos inimigos. Wargs que patrulhavam a floresta e que nos farejaram. Ele girava suas armas, batia e matava enquanto o sangue de seus adversários tingiam suas roupas e barba. Mas para cada warg que caia 2 se levantava e o jovem ferreiro anão começava a demonstrar sinais de cansaço. Seus golpes se tornaram mais lentos e foi só uma questão de tempo até que… pronto. A primeira mordida, logo virá a segunda e a terceira e então, não será mais o sangue dos wargs que mancharão sua túnica, mas o seu próprio.

Um grito! Uma bravata! Os wargs pararam de morder por um segundo e olharam para trás, do meio de uns arbustos chegou gritando o velho anão com seu bonito martelo azul. Ele conseguiu abater 2 deles rapidamente, mas então logo estará cercado de inimigos como o primeiro anão. Os wargs voltaram a morder, sua fome é insaciável. Por quanto tempo eles resistirão? A ajuda virá? Eu sei que virá! Sairá de trás das árvores a qualquer instante. Eles estão em 3, não estão? Onde está o terceiro companheiro? Abandonou os amigos? Maldito! Nenhuma ajuda virá, eles serão fatiados, sei disso.

Rowenna Capa-CinzentaDo alto da matacão da colina eu podia ver tudo sem ser vista. Tinha encontrado algumas castanhas nas proximidades e me agachei para comê-las enquanto Thraurin era degladiado por dentes tão afiados. Logo as castanhas acabaram e então… Ai! Senti na pele a dor de uma das mordidas que anão levou. Olhei para minhas mãos, havia mordido a mim mesma, com força, o sangue escarlate jorrava entre meus dedos pálidos e sujos de terra, não havia nada que podia contê-lo. Olhei para o anão, ele estava perdido em sua própria possa de sangue, iria se afogar, não havia escapatória. O sangue iria inundar a nós todos. Como fez uma vez, em Ost-in-Edhil, em uma outra era dessa mundo. Eu estava lá, eu vi. As forças do mal jorram sem cessar, e por onde passam deixam seus rios de sangue. Ninguém veio ajudar. Ninguém se importa. Estamos destinados a nos engasgar e nos afogar. É só uma questão de tempo.

Uma pequena águia passou voando por mim. Estaria ela fugindo? Vou segui-la! Quem sabe eu também não possa fugir mais um pouco dos rios de sangue. Melhor morrer depois que agora. A águia voa depressa, não posso perde-la. Como uma corsa, eu a segui. Ela entrou numa caverna. Será que era mesmo uma águia? Talvez fosse um morcego.  Não sei, minha vista está cansada. Entrei em seguida. A caverna parece protegida. Há uma outra saída para o caso de sermos pegos desprevenidos. Ótimo. Aqui resistiremos. Por um tempo. Resistiremos? Eu e mais quem? Cadê meus amigos? Meus amigos! Corri de volta para o matacão o mais depressa que pude. Tinha que salvá-los ou os wargs os matariam. Quando cheguei lá, havia dezenas de lobos desossados por todo o lado e os dois anões estavam quase mortos. Quase. E havia também um enorme urso negro ao redor deles, ele urrava colocando para correr os últimos inimigos. O urso se virou e me viu. Era Beorn.

_ Sigam-me. – Disse tentando não deixar o medo e a vergonha transparecer em minha voz. E então os conduzi até a caverna.

Fiz os curativos necessários nos dois anões que me olhavam austeros e desaprovadores. Evitando o meu toque. Eles falavam entre si em sua língua materna que elfo nenhum conhece nos dias atuais. O troca-peles estava sentado próximo a entrada norte da caverna ao redor de uma fogueira. Fui ter com ele.

_ Não deveríamos fazer fogo, Beorn. Pode atrair inimigos e revelar nosso esconderijo.

_ Também pode aquecer nossos corações. – Disse ele depois de uma longa tragada em seu cachimbo – Sente-se ao meu lado pequenina. Não precisa temer nada esta noite. Eles não virão. Além disso, é preferível ser traído pela fogueira, mas ver a luz de sua dança que viver na escuridão, não acha?

Estava exausta. Sentei-me ao seu lado como me pediu. Estava sempre cansada ultimamente. Senti um nó na garganta me sufocar. Queria chorar, mas me faltava lágrimas.

_ Temo por ti, Capa-Cinzenta. – Disse o gigante ao meu lado – Você já viu muitas guerras e está muito doente.

_ Só tenho um corte no dedo. Nada mais.

_ Seu corpo está bem, sim. Mas sua alma está muito doente, pequenina. Temo que ela possa morrer antes de seu corpo.

_ Almas não ficam doentes, urso guerreiro. Nem podem morrer.

_ Engana-se. Tudo o que está vivo pode morrer.- Ele deu outra baforada de cachimbo para o alto – Mithrandir me disse uma vez, sobre uma doença da alma que faz com Fogueiraque a pessoa se ausenta dela mesma. Ela fica perdida em devaneios, mesmo quando acordada. Muitas vezes não sabe diferenciar a realidade do mundo, da realidade que sua mente cria. Seus pensamentos são obscuros e desesperadores. Ela não vê saída, só a morte. Ela mesma vai fazendo com que seu corpo mingue, e suas forças se esvaiam. Por fim, torna-se fraca e incapacitada. Em seu auge pensa constantemente na morte, mas não tira a vida. Não por medo, mas porque está fraca demais para fazê-lo. Essa doença acontece geralmente com pessoas que foram muito expostas à Sombra. Ou expostas uma vez só, com grande intensidade. Pessoas que viram a guerra e a morte. Pessoas que viram a destruição, muito perto. Como um sobrevivente.

_ Já chega – Me levantei para ir embora. E em pé, eu era quase da altura dele sentado.

_ Chama-se Hálito Negro. Você deve procurar ajuda, pequenina. Nisso eu não posso te ajudar, está além das minhas habilidades de cura. Somente em Lórien, talvez, ela possa salvá-la. E talvez nem ela.

_ Estamos indo para Rhosgobel, como você bem sabe. Se precisar de qualquer ajuda, encontrarei lá.

_ Não encontrará. Você precisa querer ser salva primeiro. Se você não quiser entrar em contato com a própria fraqueza, admitindo-a não para os outros, mas para você mesma. Se você não quiser fazer isso, ou não puder, nem mesmo Radagast poderá salvá-la.

_ Você não sabe disso, urso.

_ Não. Mas Mithrandir sabe. Ele me disse.

_ Você o viu?

Beorn não respondeu. Pelo menos, não o que eu perguntei.

_ Vai para casa pequenina, ou então para Lórien. Você é um perigo para seus amigos e para si mesma. Você não pode ajuda-los. Não está mais apta para a tarefa.

_ Eu vou… para Rhosgobel.

_ Não vai encontrar. Somente os dignos podem encontrar o caminho.

_ Troca-Peles! – Gritei enfurecida – Eu sou uma noldorin sobrevivente de Eregion. Ponha-se no seu lugar!

_ Sim, eu irei. – Disse o gigante para minha surpresa. – A mensagem foi entregue. Gandalf que não me peça mais nada. Agora estamos quites.

_ E da próxima vez que nos encontrarmos eu vou…

_ Isso não vai acontecer. – Disse ele. – Pequenina. A verdade está lá fora. Não dentro. Olhe para o mundo de fora, o mundo ao seu redor. Não olhe para o de dentro.

Então eu acordei. O Sol estava alto, havia dormido tempo demais. Somente as cinzas restavam da fogueira e os anões continuavam dormindo na caverna. Beorn não estava mais lá. Teria eu sonhado? Quando entrei na caverna, o mais jovem acordou e perguntou sobre o urso. Não foi sonho. Ele também viu. Foi real. Eu havia tido outra ausência.

_ Vamos. Precisamos chegar logo em Rhosgobel. Estamos muito perto de Dol Guldur e não quero passar mais uma noite longe do santuário do Castanho.

Próximo a Rhosgobel as brumas permeavam árvores e colinas, resistindo ao sol sob nossas cabeças. Os caminhos eram tortuosos e as árvores mudavam de lugar. Só os iniciados na Ordem e os dignos podiam encontrar suas trilhas secretas. Mas fazia muito tempo que eu não me voltava para a casa de meu mestre, e as trilhas me eram estranhas…

Quando o sol começou a se por novamente, os anões pararam de resmungar em khuzdûl e resolveram dizer qualquer coisa que eu pudesse entender.

_ Estamos perdidos! Você não disse que ele é seu mestre? – Esbravejou Qhorin – Como pode ser se não lembra o caminho?

_ A Sombra paira sobre esse lugar. Temo que meu mestre esteja em apuros.

_ Quem estará em apuros será você se sumir e nos deixar para trás nesse lugar! – Rosnou Thraurin.

Floresta AssombradaCansada. Me convenci que já não era mais apta a encontrar os caminhos de Rhosgobel através das névoas da floresta. Me sentei aos pés de uma árvore idosa que já tinha passado por ela 3 vezes na última hora.

_ Vamos acampar. – Disse por fim.

_ Bigorna Rachada! – Disse Thraurin. – Você está de brincadeira, não está?

_ Calma – Disse Qhorin, pensativo. – Talvez possamos fazer algo. Tome este pote, encha-o de água. Rowenna você tem uma agulha?

Eu tinha. Ele tirou uma pedra esquisita de sua mochila e ficou friccionando a agulha nessa pedra de maneira ritualística enquanto pronunciando algo que parecia ser um encantamento. Quem diria? Um anão? Mariposas não param de me surpreender.

Por fim Thraurin voltou com o pote de água, Qhorin jogou uma folha lá dentro que ficou boiando e colocou cuidadosamente a agulha sobre a folha. E ambas começaram a girar.

_ O que é isso, anão? Um imã? – Perguntei – Achar o norte não vai nos ajudar aqui.

Quando a agulha parou de girar estava fixa em uma determinada direção, não importa o quanto se virava o pote.

_ Esse é o “nosso” norte. – Disse Qhorin sorrindo. – Aponta para Rhosgobel.

_ Como? – Perguntei.

_ Aprendi um ou dois truques com meu velho nos ermos das Colinas de Ferro em minha juventude. É preciso saber algumas coisas naquele labirinto de pedra que são aquelas colinas se quiser voltar para casa no fim do dia.

Seguimos a direção da agulha e depois de duas horas, chegamos.

O Santuário de Radagast estava coberto de teias, quase não era possível vê-lo. Havia também 3 feiticeiros orcs conjurando magias negras em volta do mesmo. Seria essa a razão de eu não ter encontrado o caminho? Onde estava Radagast que não estava protegendo sua casa? Estaria ele em perigo? Antes que pudéssemos pensar em um plano, Thraurin irrompeu da floresta correndo e gritando em direção aos feiticeiros.

_ Nabûk tho rescartum! – Gritava ele enquanto corria- Voltem para o abismo!

Qhorin me olhou e em seguida fez o mesmo. Eu iria segui-los dessa vez, mas então, um dos feiticeiros me viu e eu comecei a suar frio. Seu olhar era intenso e atravessava minha carne. Estava paralisada. O pavor subiu pelas minhas costas arrepiando-me.

O feiticeiro abriu sua boca revelando dentes pontiagudos e disse na Lingua Negra de Mordor que eu consegui entender:

_ Cai.

Caí. E as sombras turvaram minha mente.

Próxima Cena: Cena 10 – Falco

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13 Comentários leave one →
  1. gerbur12 permalink
    18/11/2013 21:24

    Galera, desculpe a demora para postar esse relato. Acontece que o “fim do ano” toma muito o nosso tempo, rs. Enfim, mais um capítulo da elfa. Espero que gostem.

  2. 19/11/2013 08:31

    Entendo como é Gerbur, mas tá tranquilo =D
    Ficou ótimo, gosto desses desafios que vem de dentro.
    Quando Beorn falou “A verdade está lá fora”, não tive como não lembrar da musiquinha de arquivo X.

    Rowenna ganhando grande importância na estória, mas depois do corvo no ultimo conto, não me atrevo a tentar adivinhar mais o que ta por vir.

  3. gerbur12 permalink
    19/11/2013 13:25

    uahhua. André, na verdade eu sou um grande fã de Arquivo X e achei interessante Beorn dar um último ensinamento antes de deixar Rowenna. Penso que o melhor ensinamento que ele poderia dar a ela seria justamente o dela se concentrar no mundo ao redor dela, ao invés dela se perder em seus labirintos internos. Aí me veio a frase “A verdade está lá fora” hehe e foi inevitável colocá-la, rs.Uma pequena homenagem a uma grande série.

    Quanto a Rowenna, sou suspeito para falar dela, afinal, minha namorada a interpreta. Só posso dizer que é uma personagem muito bacana e interessante. Continuem acompanhando-a.

    Abraço, caro leitor!

  4. 20/11/2013 02:10

    Eu nunca vi uma campanha com personagens tão interessantes.
    Sério, não é puxa-saquismo de Mestre não.

    Cada um dos herói tem uma personalidade bem característica, e o conjunto forma um grupo tão estranho, e ao mesmo tempo tão especial.
    Acho legal como a gente passa bem longe do Tolkien nisso, ele não se preocupava muito em adentrar os “labirintos internos” de seus personagens. A Terra-Média sempre foi o ator principal de suas peças.

    Estou começando a ter um frio na barriga ao pensar no término dessa campanha (na realidade a história já avançou muito mais do que o que temos relatado).

  5. Elias permalink
    20/11/2013 20:50

    Vocês demoram para postar, mas quando postam, postam muito bem. Parabéns!

    Dá para imaginar mesmo que o jogo está mais adiantado que os relatos.

    O que acho interessante é como vocês dão valor na história, nos diálogos, na construção dos personagens durante a narrativa. Acaba me fazendo pensar que o jogo pode ir muito além das batalhas e da incessante busca por tesouros.

    Penso que vocês devem usar pouco os dados numa sessão. Continuem o excelente trabalho!

  6. gerbur12 permalink
    22/11/2013 00:12

    Valeu, valeu!! Obrigado caro leitor!! Estava sumido, hein?

    Cara, já teve sessão que não rolamos dados nenhuma vez, ou então apenas 1 vez. Mais não é comum isso não. Embore eu concorde que rolemos pouco mesmo os dados. A narrativa e diálogos são sempre privilegiados, rs.

    Quanto a demora nos posts, estamos trabalhando nisso também. Antes do final do mês vamos publicar o próximo relato, que vai contar o que aconteceu com os personagens que ficaram na casa do Beorn (Falco, Vyr e Hardhart). E modéstia a parte, está ficando muito bom. Vocês vão curtir muito.

    Cabeçada Anã!!

  7. Laura MO permalink
    22/11/2013 12:01

    Isso aí mulherada!!

    Vamos mostrar o poder feminino no mundo do rpg!!

    Adorei a Rowenna, cada vez mais interessante! Parabéns!

    PS: Isso que da ser namorada de nerd, se não pode vencê-lo, junte-se a ele, kkk.

  8. gerbur12 permalink
    24/11/2013 15:35

    uhauhau Valeu, Laura, obrigado.

    A Gi (intérprete da Rowenna) teria uma ou duas coisas a dizer sobre seu comentário. rs.

    Eu, particularmente tenho gostado muito também de escrever os relatos da elfa Rowenna. Curioso, uma vez que sou um anão, rs. Que bom que vocês tem gostado de ler tanto quanto eu de escrever.

    Mas o que eu gosto na Rowenna é o fato dela ser uma sobrevivente de um massacre que dizimou a cidade dela (Ost-in-Edhil). Ela viu os anões fecharem as portas de Khazâd-Dûm para seu povo, viu os humanos chegarem no campo de batalha com anos de atraso (quando já não havia o que defender) e viu as forças de Elrond não serem páreas para as de Sauron. Viu Elrond tendo que recuar para salvar a própria vida enquanto os elfos de Eregion sucumbiam. Então ela é muito interessante como personagem. Imaginem como fica o psicológico de alguém que passou por tudo isso? É um pouco sobre isso que tento escrever quanto relato os fatos sob a perspectiva dela.

    Continue nos acompanhando, os próximos capítulos serão bem emocionantes!

    Cabeçada Anã a todos!

  9. 26/11/2013 15:21

    Ou tava vendo a resposta ali sobre rolar dados.
    As sessões da mesa que eu mestro, caiu demais o numero de rolagem de dados, e nem partiu de mim, partiu dos jogadores. Estamos resolvendo muitos conflitos com diálogos, interpretações e acordos, ta ficando ótimo. Com esse tipo de jogo os jogadores se sentem mais próximos de seus personagens, e começam a dar mais vida a ele.
    Funcionou na minha mesa, mas não significa que funcionará em outras. Rpg tem que proporcionar diversão, por isso deve ser jogado do jeito que você gosta.

  10. 29/11/2013 00:31

    Que legal André, fico feliz que você compartilhou isso com a gente.
    Eu acredito que com o tempo a gente vai encontrando nosso estilo de jogo, o que ocasionalmente pode deixar essa parte dos dados mais de lado.

    Pra ser sincero, eu ainda os adoto pra deixar os jogadores mais à vontade, mas eu mesmo nem estou os usando de maneira séria! hahha

    Brincadeirinha jogadores queridos
    xD

  11. gerbur12 permalink
    29/11/2013 12:20

    Eu particularmente gosto de dados.

    Gosto do som que eles fazem quando esfregamos muitos deles nas palmas de uma mão contra outra.

    Gosto da simbologia deles: o acaso. E todo o caos que ele provoca numa mesa de jogo. Você não tem controle nenhum sobre suas travessuras, só lhe resta recorrer a sorte, outra levada, que costuma lhe abandonar quando se mais precisa.

    Enfim, quando bem usados, dados são ótimos. Eles não precisam necessariamente reduzir sua sessão a uma superficial carnificina tarantinesca (Nada contra o mestre Tarantino, curto muito ele). Eles podem ir muito além.

    Que os dados rolem… rs

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