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RPG Além da Mesa

10/09/2013

Bem… Este post não é necessariamente sobre o Live-Action Role-Playing (LARP), apesar do título em si indicar isso. Pretendo abordar aqui um aspecto que melhor se sobressai nos últimos tempos: o RPG como ferramenta de reflexão.

Claro que isso acontece há algum tempo, e aqui entra o trabalho dos muitos pioneiros na educação, que desenvolvem meios lúdicos para transmitir conhecimento a partir de sessões e campanhas.

Mas, quando falo em reflexão, não digo apenas transmitir um conceito, um saber específico (como se compõe o conteúdo escolar): me refiro a um valor moral, uma virtude… algo que realmente molde o caráter de cada um que experimenta o jogo.

E, aqui, vou citar três exemplos bem relevantes neste caminho:

O Programa Prevenção Também Se Ensina

Em uma excelente iniciativa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, foi criado um RPG voltado aos esclarecimentos acerca do Bullying. Nele, cada um dos participantes assumirá o papel de um adolescente em situação vulnerável, privado de alguma coisa e/ou diferente em qualquer outro aspecto (condição esta propícia para o Bullying). Uma estratégia bastante válida para atingir o público alvo: 1,8 milhão de alunos no Ensino Médio público.

Nas palavras de Claudia Rosenberg Aratangy, diretora de Projetos Especiais da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE):

Fazer com que o aluno se coloque no lugar do outro permite que ele reflita sobre questões ligadas ao Bullying, preconceito e orientação sexual. Assim, eles entram em contato com seus próprios medos, crenças e vulnerabilidades. Cada passo da história é criado pelos participantes, o que amplia e aprofunda a discussão, que também envolve os professores.

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Eis o material utilizado no projeto, chamado “Em Seu Lugar”

Planeta Droga

Para contribuir com a divulgação do livro de seu irmão, o amigo RPGista Rafael Pinheiro Costa resolveu adaptar o “universo” descrito na obra original para Fiasco – pois existe, de fato, uma convergência entre os temas. Nas palavras do próprio autor:

“Quem luta pela recuperação busca coisas triviais como comparecer de cara limpa a uma festa de família, convencer um ente querido de que ainda pode mudar, recuperar um dom, um talento ou o tempo perdido.

Outros dependentes, de idéias menos nobres, querem mesmo é so dar um tiro com discrição sem quebrar o SURSIS, descolar uma receita azul para comprar seu xarope ou cuidar da saúde de suas ervas na estufa do armário sem ter o apê invadido por um bando de PM truculentos.”

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O leiaute do projeto, que será lançado dia 16 de setembro pela Retropunk com uma sessão inaugural – da qual terei a honra de participar.

A Cultura dos LARPS

Esta foi uma experiência pessoal minha, muito bem conduzida pelos “Luízes” (Falcão e Prado), da Comnpanhia Boi Voador. Aconteceu durante o LabJogos, mais exatamente no seu término: com o grupo reunido, aconteceu de jogarmos dois “Jeepforms”: Mistério & Companhia, e o aclamado (pelo menos, por mim) Boa Noite, Queridinhas. A descrição deles você verá aqui.

O primeiro foi extremamente descontraído, já que sua premissa está mais calcada na fantasia. Agora, o segundo… Eu não sei bem como, mas aqueles quinze minutos de jogo desdobraram-se em horas, em que pude ver o modo como cada um se via nesse contexto – das definições mais simples até as mais amplas. Cada um abraçando o jogo como se fosse apenas um devaneio seu… somados ao desafio de ver o “Criador” destruindo-as da maneira mais conveniente, por uma ordem singular sua…

Construindo (ou Reconstruindo…?) Mentes

É neste sentido que vejo o RPG funcionar hoje em dia: jogos que provoquem a imersão dos jogadores, a partir da reflexão sobre vários temas pesados e intrínsecos à condição humana. Algo que realmente me excita, enquanto leitor e jogador.

Inclusive, tenho que admitir que tenho me deixado levar por esta “vibe” ultimamente: Construir papéis que transcendam, de certa forma, as mesas de jogo, e que contribuam com a visão de munto e auto-imagem de cada jogador.

Foi dessa premissa (ou, quem sabe, uma viagem) de “forjar valores” que acabei escrevendo (ainda que sob uma ótica um tanto crítica) dois projetos aos quais tenho me afeiçoado: Postmortem e o mais recente, Insetopia. E espero que projetos como este continuem florescendo por aqui – não apenas para reforçar os bons aspectos do hobby, como também para nos tornar pessoas melhores a partir de como nos vemos dentro do jogo.

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

Fontes:

http://alemdaimaginacaorpg.wordpress.com/2013/09/09/planeta-droga-a-luta-contra-as-drogas-trazida-aos-jogos-de-rpg/

http://www.portalk3.com.br/Artigo/cidade/educacao-adota-rpg-na-prevencao-ao-bullying

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5 Comentários leave one →
  1. 11/09/2013 22:31

    Belo post Jairo!

    Acho que os grupos do facebook tem nos ajudado bastante nesse sentido de vivenciar experiências transcendentes. Temos ótimas discussões lá, que nos rendem muitas indicações de jogos, e mesmo visões diferentes sobre jogos que já conhecemos.

    Os jogos indie atualmente vão diretamente no tópico que você apontou. Ou será que nós mesmos estamos indo na direção do tópico dos indies? Engraçado pensar como um influencia e molda o outro não é mesmo?

    • m4lk1e permalink
      11/09/2013 22:41

      Em virtude de tudo que tenha visto, lido e até mesmo escrito, creio que jogar RPG é como pintar um quadro: as tintas estão ali, à disposição; mas quem define a obra em si, e para si, é apenas o pintor.

      Jogos são apenas instrumentos para mensurar o que queremos ver, sentir e tocar no RPG – o que me faz pensar nele como arte (diferente da graaaaaande maioria de jogadores que conheço… :D )

  2. m4lk1e permalink
    18/09/2013 00:47

    Você, caro leitor, quer saber como foi a sessão de Fiasco – especial Planeta Droga?
    Acesse-o aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Jarr2xOxSvU

  3. m4lk1e permalink
    26/09/2013 13:22

    A experiência do Planeta Droga teve uma repercussão maior que o esperado, pois o playset foi publicado pelo autor do jogo, Jason Morningstar, no exterior!

    Meus parabéns a todos os envolvidos!

    http://www.bullypulpitgames.com/news/2013/09/26/fiasco-playset-special-planeta-droga/

Trackbacks

  1. Planeta Droga – um cenário de RPG de pessoas sem ambições em busca de controle : Omninerdia

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