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Campanha em Erebor – Cena 5 – Falco

23/07/2013

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Cena 5 – Campanha em Erebor

Falco Sacola-Bolseiro, o Mago das Cozinhas

 

Brinquedo Anão

Brinquedo Anão

_ Pelas minhas barbas!

O senhor anão estava realmente impressionado com a minha presença e não parava de gritar e gesticular

_ AGNIS! – Berrou – Venha ver o que o Vir trouxe dessa vez!

Uma voz estridente vinda de outro cômodo no interior da oficina respondeu:

_ Trouxe âmbar amarelado novamente? Já falei para ele, eu preciso dos A-VER-ME-LHA-DOS!

_ Não é nada disso, mulher, é um hobbit!  – O olhar penetrante do anão faiscava sem piscar.

_ Do Condado. – Acrescentei.

_ Exatamente! Um hobbit do Condado! Conte-me tudo! Conte-me tudo! – Ele dizia, mas eu mal começava a falar e ele me interrompia com novas perguntas e afirmações.

Então Vir disse:

_ Meu amigo, vamos combinar os detalhes do nosso próx…

_ AGNIS! – Interrompeu o anão – Traga umas tigelas de sopa de gororeba para os convidados! – Então ele olhou para mim e acrescentou – Nós anões servimos muito bem nossos convidados.

Finalmente a sopa chegou, eu estava faminto. Já passava da hora do segundo desjejum e minha barriga roncava. Infelizmente, a sopa era intragável. Tive que engolir seco a primeira colherada me esforçando ao máximo para não ofender nosso anfitrião com uma careta involuntária.

_ Está delicioso! – Menti. – Mas talvez eu possa ajudar a senhora sua esposa a preparar umas delícias do Condado, o que acha? Meu tio Bilbo sempre dizia que os anões adoravam os nossos pratos salgados. E eu conheço um ou dois que possam vir a calhar bem nesse cordial momento.

Graças aos deuses consegui deixar a sala de Qhorin para a cozinha de Agnis. Longe das perguntas inquisidoras do artesão anão me senti bem mais a vontade. Agnis me contou o motivo dele estar tão alarmado: o desaparecimento de seu filho, Ágrapo, que por uma incrível coincidência foi meu companheiro de viagem do Condado até as Montanhas Sombrias. Na viagem, me tornei bastante amigo de Ágrapo e a notícia de seu desaparecimento realmente foi muito triste. A boa notícia era que o artífice estava planejando uma viagem para encontrar seu filho. No fim, de volta à sala de Qhorin, criei coragem e disse:

_ Senhor, eu conheci Ágrapo muito bem e viajei com ele por muitos caminhos. Estou disposto a percorrê-los novamente e ajudá-lo como puder em sua busca.

_ Ai-oi! Martelo-e-Tenaz! – gritou o anão com suas expressões estranhas – Você conheceu meu filho?

_ Sim. Viajei com ele do Condado até atravessarmos as Montanhas Sombrias. A leste delas, na Carrocha, nos separamos, pois ele rumou para o sul dizendo que iria visitar um outro reino anão de nome esquisito.

_ O único reino anão ao sul das Montanhas Sombrias é Moria. – Qhorin engoliu seco – Ele foi visitar a Colônia de Balin. Muito obrigado pelas notícias, pequeno amigo. São mais valiosas que todo o tesouro de Erebor. Você sempre terá um lugar à minha mesa, sempre que quiser. – O artesão fez uma reverência tão profunda que a ponta de sua barba tocou o chão.

Nessa altura, Qhorin já havia me dado dois de seus famosos brinquedos, o que deixou meu amigo oriental de boca aberta. Foi então que Qhorin me deu o terceiro. No fim,

Brinquedo Anão

Brinquedo Anão

ficou combinado que Vir e eu acompanharíamos Qhorin em sua comitiva, e os dois combinaram de se encontrarem ao amanhecer do dia seguinte. O artesão disse que iria recrutar o melhor guerreiro de toda Erebor para essa demanda, o filho de algum herói importante. E Vir precisava voltar a Valle para pagar seu primo (e fornecedor) então, a jornada começaria no próximo dia. A caminho de Valle, Vir disse:

_ Não acredito que ele lhe deu 3 brinquedos!

_ São bonitos, mas são só brinquedos. E eu já entrei na vintolescência há muito tempo. Não brinco mais.

_ Há, há, há! – Gargalhou o oriental – Você está brincando comigo, não está?

Antes que eu pudesse responder o oriental continuou:

_ Você saiu da oficina do anão com mais lucro do que eu, pequeno amigo. E olha que eu consegui que ele me pagasse um preço elevado pelas minhas mercadorias. Nunca vi meu velho amigo presentear nenhum forasteiro. Isso foi inédito, meu caro. Ele espera muito de ti.

Após pagarmos o primo de Vir, voltamos à Taverna e Hospedaria do Quebra-Queixo. Vir queria beber parte do seu lucro antes de dormirmos para acordar cedo no dia seguinte. O resto da tarde eu fiquei pensando em Ágrapo, meu amigo desaparecido. Ele era mesmo bem parecido com o pai, embora os anões sejam todos muito parecidos. Mas era generoso como o pai, e um bom homem, pois sinto que ele poderia ter se separado de mim antes de atravessar as Montanhas, e com isso pegaria uma rota mais segura para a Colônia de seu amigo. Ele atravessou as Montanhas para me proteger de seus perigos, e então rumou pelo leste para o desconhecido. Era estranho como um cara forte como Ágrapo não terminasse sua viagem e um fracote como eu, sim. Os deuses têm mesmo propósitos misteriosos para cada um de nós. Antes de nos separar, Ágrapo me sugeriu um guia para terminar minha viagem. Afinal, ainda havia uma floresta para atravessar. O guia era bem diferente dele, certamente não era um anão, mas era um homem tão grande que mais parecia um urso que um homem, seu nome é Hardhart.

Chegando na hospedaria, estava com receio de encontrar aqueles dois homens estranhos novamente. Por sorte, eles não apareceram. Ao contrário, surgiu outra dupla improvável: Hardhart, o meu guia através da Floresta das Trevas; e um anjo de cabelos dourados e um caminhar macio que de alguma forma lembrava os movimentos da água. Mas sua túnica cinza e castanha estava suja e surrada. A taverna estava cheia lotada e não havia mais mesas vagas. Vir estava inundado de hidromel e convidou os dois forasteiros para sentar à nossa mesa, ao mesmo tempo que eu, quando vi Hardhart. O oriental sempre simpatizava mais com viajantes e estrangeiros que com o povo natural de Valle.

_ Duas canecas de hidromel e um porco salgado na minha mesa! – Gritou Vir.

_ Desculpe – Disse o anjo, só então percebi que era uma elfa – Não bebo hidromel, nem como carne. Um copo de água, um pedaço de pão e cebolas para mim será mais que suficiente.

_ Água, pão e cebolas então! – Disse Vir – E para meu amigo beorning?

_ Eu posso ficar com o porco. Também gostaria de uma perna de ovelha, quem sabe um pouco que queijo uma porção de ovos e dois pedaços de bacon. – O beorning parou de falar por um momento e completou: – E o hidromel.

_ HÁ, HÁ, HÁ! – Vir estava muito contente com seus novos amigos. Mas acho que nem mesmo seu lucro com os anões poderá livrá-lo da falência se continuar a fazer tantos amigos.

Enquanto Vir bebia e conversava com os viajantes de passagem no Quebra-Queixo, eu conversei bastante com Hardhart e sua nova amiga. Descobri que tanto a elfa, quanto o beorning estavam indo a caminho de Erebor para uma audiência com o Rei-sob-a-Montanha Dáin Pé-de-Ferro. Contei a Hardhart sobre o desaparecimento de Ágrapo, e estranhamente ele não pareceu surpreso. Mas não me disse o porquê.

Brinquedo Anão

Brinquedo Anão

_ Bom, meus amigos – Eu falei – Vou dormir agora, pois amanhã Vir e eu vamos para Erebor, e depois iremos em busca de nosso amigo, Ágrapo. Mas antes o pai dele precisa da permissão do rei para deixar a Montanha Solitária. Vamos encontrá-lo pela manhã na Praça do Dragão, em Erebor. Em seguida iremos para uma audiência com o rei anão. Vocês podem nos acompanhar se quiserem.

_ Iremos – Responderam juntos Hardhart e Capa-Cinzenta.

No dia seguinte, na praça em Erebor, encontramos Qhorin e um outro anão que ainda não conhecíamos, pela quantidade desumana de armaduras e equipamentos que carregava, só podia ser o tal guerreiro que o velho anão disse no dia anterior. Era um anão bem mais jovem que Qhorin, mas aparentemente também mais invocado. E não tirava seu olhar penetrante da elfa nem por um segundo.

_ Mas o que é isso, Vir? – Perguntou Qhorin – Está achando que eu sou o líder de alguma excursão ao jardim de infância? Essa comitiva é coisa séria, não posso levar mais ninguém. A elfa, certamente, vai nos atrasar.

_ Ela pode nos curar de doenças, ferimentos e do cansaço. – Disse Hardhart em sua defesa e mostrou suas feridas cicatrizadas – Você não encontrará curandeiras como ela a leste das Montanhas Sombrias, posso lhe assegurar.

Os dois anões discutiram algum tempo em sua própria língua até decidirem falar conosco novamente.

_ Vamos permitir que a elfa nos acompanhe – disse por fim o jovem anão – Mas coloque o seu capuz e não atraia confusão. Se meu pai me vir andando com tal companhia posso muito bem ser deserdado.

Capa-Cinzenta inclinou sutilmente a cabeça em agradecimento e cobriu seu rosto com o capuz.

_ A propósito, sou Traurin Coração-de-Martelo, filho de Dwalin, amigo de Thorin Escudo-de-Carvalho.

_ Quanto a Hardhart – Disse Vir – Ele é amigo do hobbit. E também bom rastreador, conhece toda a Floresta das Trevas como a palma de sua mão.

_ Não preciso de rastreador nenhum – Disse Qhorin, altivo – Sei me virar muito bem no ermo. Nem sempre trabalhei dentro de oficinas. Eu mesmo posso rastrear meu filho, posso lhe garantir isso.

_ Seu filho usava um martelo na frente de uma bigorna como símbolo? – Perguntou então Hardhart.

Por um momento Qhorin parou de falar e olhou atentamente dentro dos olhos do beorning, quase sem respirar. Então disse:

_Sim. Como sabe?

_ Ele que me apresentou Falco. – Respondeu Hardhart – E me pediu que o conduzisse através da Floresta até Erebor. Essa foi a primeira vez que vi os símbolos de sua casa.

_ A primeira?! – Indagou Qhorin.

_ Sim. A segunda eu vi a oeste daqui, perto das fronteiras da floresta, ao lado de um riacho.

_ No ataque ao meu acampamento? – Perguntou Capa-Cinzenta.

Hardhart assentiu:

_ Um dos orcs estava usando o elmo de Ágrapo.

_ Vocês vêm conosco. – Decidiu Qhorin.

Brinquedo Anão

Brinquedo Anão

Próxima cena: Campanha em Erebor – Cena 6 – Dáin-Pé-de-Ferro

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9 Comentários leave one →
  1. 25/07/2013 13:43

    Sim! Nós temos um hobbit cozinheiro! :)

    Adorei seu relato, mestre anão!

  2. m4lk1e permalink
    25/07/2013 20:12

    Enfim, a jornada começou!

    Vamos ver até onde a busca por Ágrapo irá conduzir este grupo, no mínimo, singular…

  3. 26/07/2013 11:21

    Eu simplesmente adoro o universo anão, é um ótimo ambiente para aventuras fantásticas.
    É com certeza o ambiente para a minha próxima aventura.

    Gostei bastante de como os personagens se reuniram, o uso do background deixou tudo muito sútil.

  4. gerbur12 permalink
    31/07/2013 12:51

    Sim, o mestre fez muito bem o trabalho de costurar toda a história prévia dos personagens, dessa forma quem não se conhecia, conhecia alguém que conhecia o outro (ficou meio esquisita essa frase) e assim todos, por mais diferentes que sejam, estavam interligados.

    Isso me lembrou as coincidências nos backgrounds do saudoso “LOST”. Bons tempos!

    Bom, agora o grupo está inteiro reunido e o próximo passo é conseguirem a permissão de Rei Dáin para deixar Erebor. Não percam! O próximo relato está ficando incrível e sera sob o Ponto de Vista de um personagem bem bacana que ainda não apareceu, hauaua.

    Cabeçada Anã a todos!

  5. Elias permalink
    07/08/2013 12:26

    É sempre bacana quando hobbits fazem parte do grupo de protagonistas das histórias. Nunca se sabe o que esperar deles. Hobbit cozinheiro? rsrsrsrs. Será muito bacana acompanhar esse personagem.

    O oriental também chama a atenção. Outro que distoa em meio aos tradicionais guerreiros, elfas mágicas e anões-tanque. Ele parece respeitar bastante a relação comercial que tem com os anões. Vamos ve o quão confiável ele se mostrará ao sair de Erebor.

    Abraço aos autores!

  6. 08/08/2013 10:17

    Concordo contigo Elias, esses personagens são demais.
    Sou fã deles, e como Mestre tenho que praticar um exercício de desapego para não protege-los.

    Os próximos relatos logo estão saindo do forno
    :)

  7. gerbur12 permalink
    09/08/2013 18:32

    Uma coisa que ninguém comentou ainda, mas que acho interessante é sobre os brinquedos de Qhorin. A inspiração para a criação desse personagem veio do primeiro capítulo de O Senhor dos Anéis (“Uma festa muito esperada”). Nesse capítulo, nos preparativos para sua lendária festa, Bilbo recebe a visita de anões que trazem brinquedos para ele distribuir entre as crianças hobbits nessa grande festa. Mas não são simples brinquedos, são brinquedos “mágicos”, fabricados pelos anões.

    Achei a idéia muito bacana. E fiquei pensando bastante em como seriam tais brinquedos. Eu imagino que os brinquedos se movimentavam sozinhos e talvez até produzissem alguns sons. Tudo isso devido à muitas engenhocas que os anões colocariam dentro deles. Foi muito difícil encontrar imagens que fizessem juz a tais iguarias e ao mesmo tempo parecessem medievais.

    Como fiquei contente com o que encontrei, dediquei toda essa página a essa frase do Tolkien sobre os anões fabricantes de brinquedos e não coloquei nenhuma imagem do grupo dessa vez, apenas dos brinquedos. Espero que tenham gostado e que ajudem vocês a imaginar, “como seriam tais criações dos anões”? Certamente, seriam muito legais.

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