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Campanha em Erebor – Cena 3 – Rowenna

27/06/2013

Cena Anterior: Campanha em Erebor – Cena 2 – Hardhart

Campanha em Erebor – Cena 3
Rowenna

A água contida em minhas mãos em concha refletia meu rosto jovem e cansado. Fazia tempo que não via meu reflexo, há muito abondonei a vida urbana na grande capital de Eregion, Ost-in-Edhil, nossa cidade-espelho. Naquela época o mundo era próspero e o norte era forte. Mesmo os reinos dos homens faziam frente às aberrações de Angmar e o último de nossos reis, Gil-Galad cavalgava em seu corcel branco espalhando a paz e a justiça por onde passava. Mas quando eu ainda era jovem nosso senhor, Celebrimbor, forjou os anéis de poder, e o mundo mudou.

Naquela época meus cabelos louros refletiam o reinado do sol, agora o embaraço natural reflete o reinado do crepúsculo, em que uma a uma, todas as coisas boas e os reinos dos povos-livres ruem e desaparecem do mundo, deixando apenas suas ruínas nos ermos. Entretanto, eu devo ter sobrevivido por alguma razão, e meu mentor Radagast está preocupado com a migração de aves e feras fora de época. Os animais voltam-se para o norte da floresta e a última vez que isso ocorreu Dol Guldur foi reabitada, assim como Erebor. O mago castanho me enviou para a Montanha Solitária para descobir o que pudesse sobre o que estava acontecendo no mundo, enquanto ele mesmo iria visitar a fortaleza do inimigo mais uma vez. Será que o tempo do crespúsculo acabou e a noite começou? Logo descobriremos.

Terminei de lavar meu rosto e permiti que a água acariciasse meus cabelos e pescoço para espantar o calor. Enquanto isso vi passando mais acima, na colina do outro lado do riacho, um jovem beorning, mais uma mariposa que em breve será devorada pelo tempo, bem como sua linhagem, geração após geração. Ele não me viu. Faz dois dias que caminhamos na mesma direção, mas ele ainda não me percebeu.
Certamente está com a cabeça voltada para alguma missão que julga importante demais para a posteridade como se ele mesmo não passasse de uma mariposa efêmera. Deixei que continuasse seu caminho. Se ele não me notar será melhor. Eles são sempre tão cheios de perguntas e tão ávidos em conversar e se mostrar gentis. Mas apesar de parecer jovem, já não tenho mais disposição para criar vínculos com mortais. Melhor que ele siga seu caminho, eu seguirei o meu.

Mariposa. Tempo de vida: 1 dia

Mariposa. Tempo de vida: 1 dia

Não tive sorte. Quando estava há 1 dia de Erebor, a jovem mariposa me percebeu e agora caminha diretamente para minha direção com toda sua pompa e alegria. Lamentavelmente, insetos costumam ser atraídos para a luz.

_ Saudações, filha da floresta! Que notícias traz a essas paragens? – Ele me perguntou. Engraçado ter-me confundido com os elfos da floresta, somos tão diferentes quanto ervilhas e maçãs. Entretanto, acho que já vivi mais tempo debaixo das árvores da Floresta das Trevas do que imagino, e minha aparência deve ter se aproximado da deles involuntariamente.

_ Assuntos maiores que não lhe dizem respeito, beorning. – Respondi.
_ Que bom! – Ele disse, alegre – Tenho “assuntos maiores” também para discutir com o rei-sob-a-montanha e somente com ele! É para lá que você vai?
Não respondi. Mas ele continuou a falar mesmo assim:

_ AH! A propósito, meu nome é HardHart. Nome difícil, né? Mas logo você se acostuma, a proprósito, qual o seu?
_ Capa-Cinzenta. – Respondi. Não é prudente revelar seu verdadeiro nome para estranhos, além disso, esse é um nome mais fácil para ele pronunciar. Mas já estava cansada da conversa. – Vamos fazer o seguinte, HardHart. Siga o teu caminho e cumpra tua missão. E que as estrelas iluminem seu pensamento e seus passos. Eu devo refletir sobre algumas questões urgentes, agora.
_ Está bem! A gente se vê. – Disse ele se afastando lentamente de mim. Quando estava há uma certa distância que pensava que eu não podia ouvir, recomeçou a falar, dessa vez consigo mesmo. – Como fala bonito, o povo esguio.

Enfim, eu estava sozinha novamente e a noite chegou. Não preciso dormir mais que algumas horas, mas já estava cansada da viagem, logo chegaria a meu destino e encontrei um pequeno barranco perto do rio que me daria uma boa segurança e algumas horas de paz para poder esquentar minha chaleira e fazer um chá de ervas cidreiras.

A noite era de lua cheia, e a reluzente maia da nostalgia iluminava o mundo, numa noite clara e sem nuvens com um luar prateado. Um lindo dia, para uma péssima sorte. O perfume dos meus chás deve ter se espalhado longe nessa noite de magia, pois eu fui detectada pelos orcs. A lua estava tão clara que me permitiu ver de longe um bando de orcs se aproximando de meu acampamento, vindos do norte. Sozinha, eu não poderia enfrentar tantos.

A graça e a agilidade dos eldar me permitiram subir rapidamente o barranco, antes que fosse preciso qualquer enfrentamento. Para o meu azar, outro grupo de orcs estava vindo por cima, um grupo maior. Assim que me viram a primeira besta assoviou, e como eu estava na borda do barranco meus movimentos foram mais cuidadosos, e, consequentemente, lentos. Fui atingida no ombro.

_ Oh! Elbereth! – Gritei instintivamente. Os orcs riram e abandonaram a aproximação furtiva, uns começaram a correr, outros a atirar seus virotes de besta. Consegui escapar de alguns, mas não tinha para onde fugir. Estava cercada na borda do barranco quando fui atingida mais uma vez, na coxa.

_ Gilthoniel! – Dor e quando eu vi que os orcs com as cimitarras muito próximos de mim, lancei um pequeno encantamento: – Nalamir it irië, mevon lavare per-Mahal. – E raízes do solo se tornaram mais preponderantes fazendo-os tropeçar, consegui derrubar 2 orcs. Mas ainda havia mais, muito mais. E outros escalavam o barranco, vindos agora de meu acampamento. Eu estava perdida.

Mas foi então que eu ouvi… outras palavras:
_ Ah! Seus animais de teta! – E dois besteiros foram arremessados ao chão. Outro orc se virou para ver qual era a nova ameaça e recebeu uma pancada tão forte na cabeça que seu elmo girou e afundou obstruindo lhe a visão.

Foi tudo muito rápido!
Quando percebi, estava no ombro do beorning que pulou de cima do barranco aterrissando em outros dois batedores orcs. Virotes de besta choviam ao nosso redor e um deles atingiu a panturrilha de Hardhart, que pareceu não notar, continuando a correr com passos largos, para mim, uma cavalgada, até mais um pulo, esse para o rio.

_ Liebere lafana it Cernunno mefir. – E a correnteza nos tirou dali.

Quem diria, talvez, não fosse tão arriscado se vincular à mariposas.

Rowenna fogueira noturna

Próxima Cena: Campanha em Erebor – Cena 4 – Vir

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8 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    27/06/2013 22:32

    Fico bastante satisfeito ao ser amigo de verdadeiros “Bardos”, como Chico e o senhor, Mestre Gonçalo.

    Agora… “Seus animais de teta”!?

  2. gerbur12 permalink
    28/06/2013 09:44

    uhauhaua

    “Beorn ESMAGA!”

  3. 28/06/2013 10:31

    Hahaha

    Esse foi o melhor relato até agora Gonça, muito bom!

  4. Elias permalink
    08/07/2013 00:16

    Já venho acompanhando o blog há algum tempo, mas apenas leio, nunca comento. Esse relato me fez ficar com vontade de comentar.

    Parabéns aos autores do blog. As histórias de vocês são muito boas. Fico imaginando como é uma sessão de rpg desse grupo.

    Esse relato é muito bom porque captou a essência do que é um elfo. E isso não é pouca coisa! É exatamente assim que eu vejo essas figuras míticas. Muito bom! Continuarei acompanhando!

  5. gerbur12 permalink
    13/07/2013 00:08

    Meu caro, receber um comentário como o seu é sempre uma honra. Muito obrigado.

    Interessante pessoas que não conhecemos gostarem dos relatos e comentarem (mais, inclusive) que nossos próprios membros do nosso grupo de RPG.

    Hoje temos, inclusive um cara que começou como leitor dos nossos posts e hoje é um dos nossos membros de jogatina (Valeu, Franz!). Isso é um privilégio muito grande para a gente. Saber que atingimos as pessoas como atingimos a ponto delas quererem participar cada vez mais do processo.

    Esse relato em especial eu escrevi em homenagem a minha elfa da vida real, minha digníssima namorada, Srta Giovanna Ainda-não-li-O-Senhor-dos-Anéis-mas-juro-que-vou-ler, rs. Ela que interpreta a Rowenna no jogo. Abraço a todos e continuem acompanhando e comentando no blog! Valeu, valeu!

  6. 22/07/2013 10:31

    Nada como o destino para unir dois aventureiros em suas missões.
    Gosto da riqueza dos detalhes feito de uma forma que não deixa a leitura lenta, detalhar só o essencial.

    Gostei do comentário que adiciona um toque trovador ao relato =D.

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