Skip to content

To the Moon e o RPG

03/02/2013

Num final de tarde algum tempo atrás, após uma aula de karatê cansativa e, por isso mesmo, ótima, eu e um amigo voltávamos vagarosamente de bicicleta sob a luz da lua conversando sobre jogos eletrônicos.

Não é mistério que eu tenho preferência por jogos de mesa – tanto tabuleiro quanto RPG, mas tenho uma lista querida de jogos eletrônicos que me agradaram muito: Chrono Cross, Fable, Legend of Mana, Okami… Bom, este meu amigo estuda desenvolvimento de jogos digitais, e creio que o repertório dele sobre o tema é tão vasto (se não mais) quanto o meu sobre os tradicionais.

Enfim, quando comentei com ele que apesar de apreciar a jogabilidade, valorizo muito mais a história dos jogos eletrônicos, este meu amigo me indicou um jogo que viria a me surpreender com sua simplicidade, envolvimento, magia e, porque não, amor.

To the Moon

Reives.Freebird - To the Moon -OST- - TtM_Poster2-Full

To the Moon (TtM) não é um jogo para crianças nascidas na época de gráficos de Xbox e Playstation 3. Aliás, melhor dizendo: Ttm não é um jogo para crianças. Ou, indo mais além: Ttm só é um jogo porque é mais fácil mexer no Rpgmaker do que fazer uma animação. Porque a história dele é tão interessante (e a jogabilidade tão questionável) que o autor poderia facilmente fazer um filme.

A história se inicia com a chegada de dois médicos numa casa de campo. Logo você descobre que os médicos tem um equipamento capaz de dar (quase) qualquer coisa para alguém à beira da morte. E, o velhinho que está pra morrer pede uma coisa bem inusitada: ele quer ir pra Lua.

Até aí os médicos brincam que tudo bem, afinal eles já tiveram pedidos bem mais bizarros do que esses (e o humor é uma marca interessante TtM, a interação dos médicos e as piadas internas tem várias referências bem legais), mas eles precisam saber o motivo do pedido.

E daí aparece o momento mais brilhante do jogo: o velhinho não sabe o porque.

Os médicos pressionam e dizem que não podem ajudá-lo se não souberem o motivo, mas o velhinho reitera: ele não tem a mínima idéia do porque ele quer ir pra Lua. Ele simplesmente sente que precisa ir pra lá.

E putz, a partir daí começa uma história foda!

Você “entra na pele” de um dos médicos, e começa a visitar o passado do moribundo, tentando descobrir o porque desse pedido doido. Usei as aspas porque na realidade você vai acompanhando a história se desenrolar na sua frente, a ilusão de controle e opção é bem fraca, mas, pra quem que se interessa mais pela história, tenho certeza que isso não será um problema.

No passado você descobre que a mulher do velhinho morreu faz pouco tempo, e um dos hábitos estranhos dela era fazer origamis na forma de coelhos. Coisa que nem o marido entendia.

Bom, é difícil ir muito mais além sem dar spoilers, mas é interessante andar no passado e ir descobrindo as pistas aos poucos junto com os médicos. Gradualmente a história toda vai aparecendo, e o desfecho final, quando finalmente nós entendemos o porque da Lua, dos coelhos e de tudo o mais é simplesmente emocionante.

Pra mim foi fácil fazer correlações com amores que vivi, e acho que por isso me emocionei tanto com o jogo. Mas arrisco dizer que mesmo os mais “coração-de-pedra” vão apreciar a história.

ttm2

O autor é muito talentoso em fazer as ligações e conexões entre passado e presente, e o enredo é todo amarrado de uma forma precisa. É um ótimo exemplo de como os Narradores podem apresentar e organizar fatos relevantes numa boa história de RPG.

Enfim, o jogo ainda é embalado por uma trilha sonora incrível, maestria de Kan R. Gao e Laura Shigihara.

E, pra concluir: o jogo tem a duração aproximada de 3 horas e meia, e você pode adquiri-lo por meios lícitos pagando apenas 10 dólares.

Vale muito a pena!

Grande abraço à todos, e, como diria meu amigo Jairo, que Luna os ilumine!

Anúncios
4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    03/02/2013 01:00

    Heh. Jogo foda pacarai, e preciso arrumar tempo para jogá-lo, entre projetos paralelos e jogos a serem superados no DS (no momento, Castlevania…)

    Devo admitir que a trilha sonora dele me chamou a atenção para ele, pois reforça muito a triste atmosfera do jogo – sem falar na própria prespectiva, um RPG sem desafios intensos, e voltado à resolução de um enigma pessoal.

    Aliás, isso me soa bem familiar… x.x

  2. 03/02/2013 09:58

    Uau, parece bem legal, Chico! Fiquei curioso.

  3. 04/02/2013 11:38

    Esse jogo é muito foda.
    É de uma simplicidade imbecil, mas ao mesmo tempo tão denso em conteúdo.

    Recomendo à todos!

Trackbacks

  1. A Sombra do Colosso |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: