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Django Unchained e o RPG

21/01/2013

DjangoUnchainedWallpaper-1c733

 

Acabei de assistir essa obra-prima do Tarantino, e, pra variar, fiquei refletindo no que podemos aprender com o filme sobre nosso hobby. Já aviso que haverão spoilers no texto, então SE VOCÊ AINDA NÃO VIU O FILME e não quer ter revelações sobre o mesmo PARE A LEITURA AGORA MESMO!!!!

Transformei meus pensamentos em palavras-chave, e vou destrinchar aqui a relação de cada uma:

Personalidade, motivação, estilo, coragem e trilha sonora

Personalidade – Acho que a primeira coisa que me fez pensar – “Caraca, esse filme vai ser foda” foi a primeira cena do Dr. King Schultz, interpretado magistralmente pelo Christoph Waltz (que também interpretou o Cel. Hans Landa em Bastardos Inglórios, e hoje tornou-se definitivamente meu ator favorito).

Desde sua primeira aparição até a sua despedida, o Dr. Schultz rouba totalmente a cena. O jeito que ele age no filme, aparente tão distoante de todo o universo ao seu redor, mas na realidade mais ligado que tudo e todos ao que está acontecendo, o torna um personagem e tanto! Uma lição de interpretação pra qualquer bom observador.

A cena da morte do doutor, em que percebemos que mesmo consciente da sua morte certa, ele não conseguiria agir de outra forma, me fez pensar em como a natureza dos personagens podem ir até mesmo contra a razão comum. Meu amigo Flávio comentou exatamente o oposto nesse post, e é nesse caminho que ele escreveu que usualmente agimos – afinal, ninguém quer ver seu personagem morto.

Mas será que isso não pode enriquecer a história?

Doc – “(…) Então depois de matar o dragão, Siegfried atravessou o fogo da montanha e enfim chegou à Brünnhilde.”

Django – “Como ele conseguiu atravessar o fogo?”

Doc – “Ele atravessou porque não teve medo.”

Django – “Eu entendo ele…”

Motivação – Talvez em outro momento eu passaria batido por essa característica, mas eu tenho refletido bastante nesses últimos tempos sobre as motivações dos personagens no RPG e a importância disso pra história como um todo.

Lembro que quando vi na ficha do personagem do “O Um Anel” esse campo de motivação eu fiquei pensando qual era a efetividade do mesmo na história e no jogo. Era um indicador, mas até que ponto isso pode conduzir a ação do personagem e, por fim, a história?

Bom, o Django me fez a gentileza de responder a essa pergunta.

Estilo – Não tenho dúvidas que o Doctor Schultz é o personagem mais interessante do filme, mas com certeza o mais estiloso é o Django. Uma amiga polonesa esses dias me lembrou de uma passagem muito boa que o Terry Pratchett escreveu na série Discworld sobre estilo:

“In ancient times cats were worshipped as gods; they have not forgotten this. If cats looked like frogs we’d realize what nasty, cruel little bastards they are. Style. That’s what people remember.”

E caramba, o Django de chapéu, óculos escuros e atitude motherfucker é muito animal!

O Doc é um bounty hunter que vai pro estilo bizarro/cômico, mas o Django tem o estilo Clint Eastwood – “One man army”, vou te quebrar, diguidim.

Coragem – Eu ainda poderia citar os personagens do DiCaprio e do Samuel L. Jackson (que também são muito bons), mas acho justo elogiar o Tarantino agora. Esse cara é um maluco, mas é um maluco que tem as bolas necessárias pra inovar, manter sua marca e ainda fazer um filme com romance, escravidão, comédia e ação dar certo. Nunca imaginei ver um filme dele que use a beleza da paisagem, e muito menos um que tenha um romance… e um final feliz!

Mas sim, ele se consegue se reinventar, e o faz de uma maneira incrível. Parabéns cara!

“Felt like the weight of the world was on my shoulders
Should I break or retreat on every turn?
Facing the fear that the truth, I discover
No telling how, all these will work out
But I’ve come to far to go back now.
I am looking for freedom, looking for freedom
And to find it cost me everything I have…”

Trilha sonora – Esse trecho que coloquei acima faz parte da letra de “Freedom” (liberdade), música que estou ouvindo em looping desde que comecei a escrever esse post. A trilha sonora de Django Unchained conta com o tradicional country e blues/soul, com a participação especial de uma música de western spaghetti em italiano, e, quando se menos espera, surge um rap no meio! Os mais chatos podem até vir com a palavra “anacronismo” na mente, mas que eles se danem, porque a sinergia de imagem e som é surpreendente! Um dá a tona pro outro, e teve vários momentos no cinema em que eu batia o pé e as mãos de acordo com o que ouvíamos.  Bom demais!!!

Grande abraço de um fã entusiasmado, e viva o Tarantino!!

 

Chico Lobo Leal

21 de janeiro de 2013, Oulu, Finlândia, 100º post.

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4 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    21/01/2013 01:04

    Tarantino sempre se superando!

    Agora que vi o saudoso “Herr Landa” no elenco deste filme, minha ânsia por vê-lo aumenta ainda mais.
    Um sucessor (ou seria antecessor…?) digno para os Bastardos Inglórios é o que vejo!

  2. 21/01/2013 10:55

    Pô Jairo, você não viu o aviso no começo do post?
    Você não devia ter lido antes de assistir o filme cara! haha

    O filme é muito massa cara, cenas tão fodas quanto o Bastardos Inglórios!

  3. 22/01/2013 15:10

    A trilha sonora realmente é bastante eclética, como uma música estranhíssima (considerando o contexto do filme) que toca na cena em que as escravas servem a mesa na casa em Candyland.

    *******************Atenção! SPOILERS!***********************

    Agora, nada mais RPGístico do que o figurino do Django (escolhido por ele próprio) após sua libertação: o ex-escravo que se veste como um nobre francês do Século XVIII, e ainda usa óculos escuros (!) me lembrou muitos personagens um tanto anacrônicos de mesas das quais eu participei.

    • 23/01/2013 11:39

      Essa cena do Django de nobre francês ficou incrível!
      Só faltou a peruca pra completar a bizarrice! haha

      O comentário da escrava zuando ele também foi muito bom.

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