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Campanha em Moria – Apêndice 2: Cerveja e Cram

12/01/2013

1º Apêndice – O Réquiem de Toph

Nessas últimas semanas, fizemos por e-mail um bate-papo estilo “café com bolacha” (adaptado pra Cerveja e Cram), onde os autores dos relatos da Campanha em Moria puderam responder e tecer suas próprias perguntas sobre a campanha.

Gerbur e Chico participaram, mas o membro mais ilustre, e também convidado especial foi o nosso querido leitor André Barbosa:

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André: Primeiro, de onde surgiu a ideia de se fazer uma campanha situada em Moria? E de onde buscou as referencias sobre a mina?
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Gerbur: Cara, quando o Chico me convidou para jogar RPG em janeiro do ano passado, a idéia era jogarmos todo mês uma sessão one-shot de algum jogo diferente. Todo mês um jogo novo, uma história nova com 1 ou 2 sessões. Ele me escolheu para ser o primeiro mestre e eu resolvi mestrar uma história de um mundo que eu conheço bem (e sempre que posso dou uma fugidinha do mundo real para ele): a Terra-Média. Eu pensei em 2 histórias que eu gostaria de narrar: A Reconquista de Moria do Balin e uma que se passava em Minas Tirith na 4a Era. Dei as 2 opções para o nosso grupo, e como eu sou obviamente um anão (só não vê quem não quer), eles escolheram que eu mestrasse a aventura de Moria. Abençoada decisão!
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O problema é que pensa em mim: um nerd, super anão, jogando RPG, mestrando O Senhor dos Anéis, aventura em Moria, Reconquista de Balin! Putz cara, é demais para um anão só! ehhe Desculpe Chicão eu juro que tentei fazer uma one-shot, mas quando eu vi já era outubro! ehhe
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Já as referências eu busquei sempre nos livros: A Sociedade do Anel, O Silmarillion e em sites como a Valinor. Mas principalmente A Sociedade do Anel. Eu levei o livro em todas as sessões e sempre antes de começar cada sessão eu lia o poema sobre os anéis de poder. Só de contar isso já deu saudades, rs.
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Chico: O “Poema dos Anéis” era nossa porta de entrada pra Terra Média. Saudades²
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Mapa A Colonia
André: Claro que muito se muda na hora de transportar do jogo para um relato, mas o qual próximo ficou o relato das sessões originais em termos de falas, cenas, se teve alguns cortes ou algo do tipo?
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Chico: Essa é uma pergunta interessante.
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De fato, muito é alterado nos relatos. Infelizmente nem tudo que é vivido na sessão é passado no texto, e dessa forma muita coisa se perde. Mas há coisas boas também: diversas vezes optamos por organizar melhor o que ocorreu para facilitar a leitura.
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E confesso que algumas partes foram mais enfeitadas no texto do que na sessão propriamente dita.
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Com exceção da última sessão!
Essa foi muito especial, e foi a única vez que senti que nem eu e nem o Gonçalo teríamos a habilidade necessária pra transcrever toda a magnitude do que rolou ali. Naquele ponto estávamos tão imersos na história, que acredito que a separação entre personagem e jogador alcançou seu menor patamar.
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Eu gostei muito do produto final (os relatos da última sessão), mas eles não chegaram aos pés do que vivenciamos ali.
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Gerbur: Os próprios relatos já são uma adaptação da vivência da aventura. Não dá para transportar a aventura na íntegra. Mas procuramos ser o mais fiel possível às aventuras. No começo eu nunca pensei que pessoas de fora do nosso grupo de RPG fossem se interessar pelos relatos, então o meu público alvo sempre foi os integrantes do nosso grupo. Sempre tive a preocupação de escrever algo que eles gostassem de ler, que eles se identificassem com os seus personagens, revivessem os momentos de heroísmo que eles tiveram nas sessões.
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Houve 1 momento que aconteceu nas sessões e que não lembro bem como ficou no relato, mas Butuitê havia encontrado 1 adaga da 1a Era nas Profundezas de Moria, ou seja, ele encontrou UMA ARMA MÁGICA! Dava +5 de bônus contra trolls, era o regaço apelão que todo jogador quer para seu personagem e que o mestre se arrepende depois de ter dado isso ao jogador, manja? E durante a sessão, no velório de Balin, Butuitê (Vinícius) simplesmente se aproxima da esquife do anão e coloca ali, nos pés de Balin, sua arma mágica. Eu achei esse momento tão bonito que na hora não acreditei, pensei que ele tivesse colocado sua adaga comum, mas não ele colocou a mágica apelona porque como eles encontraram isso em Moria o personagem julgou que pertencia a Balin. Achei foda demais isso e narrei que os anões, surpresos pela lealdade do elfo ao Senhor anão começaram a fazer o mesmo: depositar suas armas aos pés de seu líder caído. Esse momento para mim foi muito bacana na sessão e no relato talvez e não tenha conseguido alcançar a profundidade que Butuitê alcançou com sua ação. Valeu, Vinícius “Legionnaire”!
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André: A evolução do Barbaro Éowulf dentro da história foi notável, isso foi pré determinado pelo mestre ou foi acontecendo durante as sessões?
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Gerbur: Essa é difícil. Bom, vamos lá:
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O bárbaro Éowulf foi uma criação do meu grande amigo, Vitão! Ele trabalha na DEVIR e sabe MUITO de RPG. Só o fato de ter que mestrar para ele e o Chico (outro viciado e RPG até os ossos) já me congelava a alma. Mas no começo do ano o Vitão me tranquilizou: “Calma Gonça, vou fazer um personagem fácil. Vou te ajudar nessa empreitada. Meu personagem vai ajudar os outros, fique tranquilo”. Então eu pensei que ele fosse criar nada menos que um paladino, pensei: “Ufa! Ao menos terei um ‘Aragorn’ na aventura para me ajudar” e o que o Vitão fez? Criou um ‘Boromir’! Puta personagem complexo, cheio de traumas, passado obscuro, solitário, com problemas de socialização e ainda por cima almaldiçoado! A história da Estrela Vermelha da Morte foi  Vitão que criou!
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Aí eu pensei: “Beleza, você quer brincar de ser complexo, então vamos complicar as coisas. Vamos criar uma história fudida em cima desse personagem”. E o Vitão me deu oportunidade de fazer isso quando o Éowulf matou um orc rendido. E na Terra-Média, nunca se mata alguém que não tem condições de se defender. Para ser herói na Terra-Média é preciso ser herói mesmo, jogar limpo, jogar pelas regras, nunca tirar vantagem ou trapacear. Então eu incluí na história o elemento “Corrupção”, tema amplamente debatido em todos os livros de Tolkien. Mas claro que eu iria dar a chance do herói se redimir depois ou também escolher ser um vilão, por isso que Wiglaf, líder dos guardas reais, aceita Éowulf na sua Ordem de guerreiro de elite (os anões tatuados de azul). Só que nem eu (mestre) sabia o que ia acontecer no futuro, dei essas tatuagens para o Éowulf que significam 2 coisas opostas:
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1 – “Você está dentro, é um herói”: Porque afinal, só os heróis de elite fazem parte dessa Ordem.
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2 – “Você está fora, não é um de nós”: O conteúdo das tatuagens diz que Éowulf anda com os anões, mas não é um deles. Até porque, até aquele momento ele não era mesmo.
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Dessa forma, no futuro, Éowulf poderia decidir se optaria pelo Bem e se redimiria (como Boromir) ou se transformaria num vira-casasa (como Saruman).
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Outra coisa que ficou muito bacana é que, como as tatuagens eram marcadas em khuzdûl (a língua secreta dos anõe) ninguém sabia o que estava escrito nelas. Nem o próprio Éowulf, nem os elfos. Apenas os anões equando Éowulf pediu para que Toph lesse as tatuagens para ele, Toph improvisou na hora e disse: “Está escrito: ‘Quando eu matar o mago, serei um de vocês”. E foi o que acabou acontecendo na última sessão.
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Então, respondendo sua pergunta, André: o que aconteceu com Éowulf nem eu sei dizer. Foi um processo criativo mesmo, todo mundo participou e ainda me deu a grande oportunidade de dar mais 1 explicação para a Reconquista de Moria do Balin ter o desfecho que teve: a maldição do Éowulf. A Estrela Vermelha da Morte. O Rubi do cajado de Pallando. No final, Vitão, você realmente me ajudou, com seu personagem complexo acabamos enriquecendo muito toda a Campanha. Muito mesmo!
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André: Gramenos um grande NPC que passou de suposto traidor à herói, por algum momento passou pela cabeça do Jogadores principalmente pela do Narrador que ele iria realmente trair a colonia? ou não, ele foi criado para ser um herói? Conta um pouquinho da vida dele dentro da campanha.
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Chico: Essa eu vou responder se o Gonça permitir.
Ainda lembro da expressão dele quando comecei a argumentar defendendo o batedor capturado! Total surpresa.
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Acredito que o Gramenos nasceu como um personagem “marcado para morrer”, mas como sempre acontece no RPG (e aqui está o trunfo do nosso hobby), isso foi alterado com as ações dos próprios personagens.
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E cara, vou ser sincero, eu não consegui acreditar que o Gramenos fosse um traidor. Talvez os outros jogadores – principalmente a Amanda (Tyr) e o Vinicius (Butuitë) pensaram de forma diferente, mas quando eu jogo RPG eu mergulho na personalidade dos meus personagens, e quando jogávamos, eu pensava como o Toph, e não como o Chico. E levando em consideração tudo o que o Bronze sofreu nas mãos dos orcs e na opinião dos anões, a única coisa que eu sentia pelo Gramenos era pena, e não desconfiança.
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Gerbur: Chicão disse tudo. Gramenos é outra situação que não estava nos planos do mestre. Um personagem que era para morrer, vive e toda a história muda. Mágicas do RPG.
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A minha idéia inicial era Balin condenar a morte Gramenos, na época um batedor anão que havia sido capturado pelos orcs, para mostrar como o clima estava tenso na Colônia. Como Balin estava desesperado a ponto de condenar os seus para proteger o segredo da localização da Colônia. Mas então, Toph pediu a palavra… e o resto vocês sabem.
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Sobre a lealdade de Gramenos nem eu sabia. Cada sessão eu pensava “ele é um traidor” e na próxima eu pensava “não, ele é um anão! Leal até os ossos”, na seguinte “puxa, mas será muito bacana se ele for um traidor” e por fim: “nem a pau que ele vai trair Balin. Ele está com a Colônia e não abre, não importa o que houver”. Eu demorei para descobrir que Gramenos não era traidor, só um pouco antes que todo mundo, mas não muito.
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André: A parte do corvo me intriga, bem eu sou “mestre” de rpg, e gostaria de saber do Gerbur como foi que o corvo virou o vilão? Foi oportunismo ou essa ideia já populava a sua cabeça desde o momento que o personagem Toph foi criado?
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Chico: Obviamente essa resposta o Gonça deve responder, mas só quero manifestar publicamente a minha total revolta, insatisfação e ânsia de vingança pela morte do Korf. Foi uma puta revelação na história, mas foi algo imperdoável meu amigo anão, imperdoável! hahaha
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Gerbur: hehe. Isso foi algo que eu pensei nas últimas sessões. Até então não tinha apresentado pessoalmente o principal vilão da aventura, Radamanto, apesar dele ser citado o tempo todo, e estava na hora dele aparecer, então pensei: “Já pensou que bacana seria se o mago fosse o corvo?” Achei a idéia fantástica, e comecei a pensar: “Mas como? Será que o corvo sempre foi o mago disfarçado?” Cheguei a conclusão que não, se este fosse o caso, Toph teria percebido. Foi então que decidi que Korf teria que morrer para dar lugar ao nosso mago azul. E sabe o que foi o mais bacana, André? Eu, mestre, não precisei fazer nada para matar o corvo. O Toph (Chicão) mesmo que sozinho decidiu mandar o corvo sobrevoar todos os orcs de Moria para levar alguma mensagem até a Colônia. uauhaa, pareceu aquela comunidade do saudoso Orkut: “Idéias Brilhantes”, huauahuahua eu como mestre não acreditei na oportunidade que o Chicão me deu e fiz o óbvio: um dos 3872 orcs presentes atirou uma flecha no pássaro e o matou, o corvo cai na multidão de orcs, mas antes de tocar o solo ele é visto voando novamente, mas agora suas motivações em relação à Colônia são outras… rs.
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André: Essa ultima não precisa ser respondida, pois não sei se vocês querem manter um certo segredo sobre a próxima aventura, mas tem alguma chance de usar o sistema O um anel? Alem de uma boa estória, seria uma boa resenha do sistema.
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Chico: Ai ai, difícil não responder essa aqui. Não vou dar certeza porque acho que uma aura de mistério é bem-vinda nesse caso, mas sim, há uma (boa) chance da próxima campanha utilizar “O Um Anel”. Se algum leitor e/ou jogador quiser nos presentear com os livros, prometo que o mesmo será homenageado em cada relato de campanha! haha
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Mas, já que fui vago aqui, serei direto em outro ponto: Eu e o Gonçalo conversamos sobre esse assunto, e achamos benéfico para ambos a troca de papéis. Eu serei o próximo Narrador :)
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Gerbur: Chico, na campanha os anões de Balin tem 2 grandes Ordens importantes Debaixo da Montanha: a Ordem dos Guardas Reais, lideradas pelo general Wiglaf. Falei um pouco sobre essa ordem já nesse apêndice, e também há a Ordem dos Druidas da Montanha, liderados pelo mestre Nordri, o Mithril. Fale um pouco sobre essa Ordem. Qual a sua formação? Seu objetivo? Como se faz para se tornar um membro dela? O que você pode dizer sobre ela?
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Chico: Pra mim a Ordem da Montanha é um reflexo do nosso próprio RPG (role playing game).
A princípio ela foi só uma citação, um esboço, e conforme nossos personagens e a história vivenciada por estes foram evoluindo, assim também foi a Ordem da Montanha.
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A Ordem é composta pelos Druidas, cada qual relacionado à um metal precioso: Bronze, Prata, Ouro e Mithril.
Na minha cabeça a Ordem é melhor estruturada e composta por membros mais ilustres nos reinos anões mais tradicionais/populosos (Montanhas Azuis, Colinas de Ferro, Erebor), mas em Khazad-dûm, os druidas foram escolhidos entre aqueles que não podiam lutar, mas ainda assim deviam e queriam fazer algo pelo seu povo.
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A Ordem tem como objetivo guardar e compartilhar toda a tradição cultural e mágica dos anões, bem como auxiliar o Rei/Senhor em todos os assuntos não-bélicos.
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No final da campanha fiquei com a impressão que os Druidas são respeitados e temidos nos reinos anões.
Os Khazâd são um povo muito ligado a rocha, a criação (por tradição) e a guerra (por necessidade), a magia e a diplomacia são algo vistos com desconfiança.
Anão é sinônimo de ação, não de palavras!
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Gerbur: Chico, você como um veterano do RPG, já jogou muito e com gente muito experiente, e também com muitos novatos. Nessa campanha tivemos uma novata em especial que chamou muito a minha atenção: Amanda Santos, que deu vida ao anão guerreiro de Erebor: Tyr! Eu como mestre aprendi a respeitar muito a Amanda, que parecia uma veterana do RPG também. Mandou muito bem nas sessões, desinibida, ousada e ao mesmo tempo sempre demonstrou muito carinho e respeito por toda a Crônica. Conte-me, na sua opinião, olhando para o desempenho da Amanda, o que um jogador precisa para fazer a diferença numa mesa de RPG como ela fez?
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Chico: Cara, você sabe que a Amanda era a protagonista e nós éramos os coadjuvantes naquela história né? haha
A Amanda realmente teve um papel fundamental na crônica. Adoro quando novatos jogam na mesma mesa que eu, e a decisão do Leggionaire de depositar a adaga no túmulo de Balin já mostra como a “ausência de vícios” é benéfica pros jogadores. Duvido que um jogador experiente faria o mesmo na mesma situação.
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Acho que um diferencial muito grande da Amanda foi a atitude dela.
A maioria dos jogadores iniciantes tem um receio de “errar”, e acabar ouvindo reclamação dos outros jogadores. Agora a nossa pequena RPGista simplesmente falou o que vinha na cabeça, e fez o que todos deveriam fazer: esqueceu das regras e pensou como seu personagem.
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Fantástico!
A criatividade da Amanda simplesmente floresceu, e tivemos ótimos momentos assistindo e interagindo com ela.
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Chico: “Aqui jaz Balin, filho de Fundin, Senhor de Moria”
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Gerbur, como foi o desafio de narrar uma história num ambiente e numa situação em que o fim já era conhecido? Você vislumbrou a possibilidade da crônica ter um final diferente do narrado no legendarium tolkeniano? Ouve uma escolha da sua parte? Como foi esse dilema?
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Gerbur: Cara eu sempre quis narrar A Reconquista de Moria, esse era tipo um sonho secreto. Mas nesse sonho eu narrava a Reconquista de Durin VII, quando os anões de fato voltam para ficar! Mas quando a oportunidade surgiu eu senti no meu coração que deveria ser a Reconquista de Balin, não de Durin. Não sei bem porquê. Talvez, seja porque a vida real é trágica e as histórias trágicas sempre trazem um realismo incrível de emoções. O drama é um sentimento que mexe muito comigo, a dúvida: “Será que eles vão conseguir? O que vai acontecer agora?”. Em Game of Thrones, por exemplo ,um dos personagens que eu mais gosto é a Catelyn. Logo quando a guerra começa e o filho dela (Robb) pergunta: “Mas mãe, e se nó perdermos a guerra?” e ela responde: “Então seu pai será morto, suas irmãs serão mortas e Winterfell e tudo o que você conhece será destruído. Nós não podemos perder. A única alternativa é ganharmos essa guerra”. Puxa adoro esse momento. Sabe aquela coisa “tudo ou nada”?
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Outra cena icônica que nunca saiu da minha mente é a luta final do “Rocky – Um Lutador”, filme magnífico do Sylvester Stallone que lhe rendeu o Oscar de melhor filme. Durante o filme você acompanha toda a preparação do Rocky para essa luta icônica de um pé-rapado perdedor (Rocky Balboa) contra o campeão mundial dos pesos pesados (Apollo Creed). Apollo era tão campeão que nenhum lutador profissional havia conseguido sequer terminar uma luta com ele. Apollo sempre ganhava por nocaute. Chegou no fim do filme, o que aconteceu? Rocky perdeu a luta. PERDEU!! Mas ele comemorou como um campeão. Porque? Porque ele conseguiu terminar a luta. Essa foi sua vitória. E ele nunca se iludiu que iria ganhar, ele sempre soube que iria perder a luta, mas manteve limpo em sua mente o seu objetivo: terminar a luta.
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Acho tudo isso lindo, porque mostra que o que importa na verdade, não é o final, não é onde chegamos, mas o caminho que percorremos até alcançar esse final. O bacana dessas histórias é que elas mostram o que as pessoas são capazes de fazer para superar seus desafios, para não se render, não se ajoelhar diante dos obstáculos da vida (e são muitos), independente das consequências que essas superações nos tragam. Acho que por isso escolhi essa história.
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Quanto a segunda pergunta, quando escolhi que a Reconquista seria a de Balin, sabia que não haveria mais escolhas. Pois a escolha havia sido feita. Eu estava narrando O Senhor dos Anéis, eu estava na Terra-Média, não no mundo mágico da Disney World. Estava narrando uma aventura dos anões que, diferente dos elfos, não tem para onde fugir, não tem um porto seguro para pegar um barco e ir para o Oeste sob a proteção dos deuses. Os anões não tem essa escolha. Eles ficam e lutam contra seus problemas e se não conseguem vencê-los, morrem tentando. Magnífico. E era essa a história que eu queria narrar.
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Chico: Toda história tem seus altos e baixos, e sempre há aqueles momentos bons e ruins em cada crônica. Qual foi o momento que mais te agradou para narrar?. E, claro, qual foi aquele mais difícil? Porque?
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Gerbur: Pergunta difícil. Para mim então, nem e fala. Escolher 1 ou outro momento é muito difícil. Posso citar vários que mexeram muito comigo. Um que mexeu muito comigo e foi totalmente inesperado foi o velório de Balin. Quando Nordri está dizendo algumas palavras, no relato vocês podem ver que Nordri se engasga, não consegue terminar seu discurso. Ele que é o profissional das palavras ali! O orador. O cara que todos precisavam ouvir, e justamente ele não conseguia falar. Isso não foi perfumaria minha na hora de escrever o relato, realmente aconteceu na sessão. Quando eu estava interpretando Nordri e discursando sobre Balin, minha boca começou a ficar seca, as palavras se tornaram pesadas, difíceis de pronunciar. Eu me surpreendi muito na hora. Claro que era uma brincadeira, claro que era só rpg, claro que tudo era faz de conta. Mas mexeu comigo, parecia real, eu fiquei triste e emocionado e não terminei o discurso. Narrei que Nordri se emocionou e parou de discursar. Automaticamente Toph começou a falar algumas palavras, e  depois Tyr, e depois Butuitê depositou sua adaga mágica e aquele momento especial aconteceu na sessão. De repente não era mais o mestre que estava conduzindo esse importante momento da sessão, mas os jogadores. Bem como não foi Nordri que apaziguou os anões, mas o contrário.
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Uma cena de ação que eu adorei narrar foi a batalha pelo Segundo Salão. Batalha na muralha, batalha nos portões, batalha das Pedra-Vigia contra os trolls. Putz foi muita adrenalina aquela sessão, curti demais.
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Cena que me deu mais medo foi a da Primeira Profundeza, o combate com as sombras no salão da Grande Forja. Cara, as sombras eram muito fortes, e tinham muitos truques como imitar os personagens (então eu jogava com a ficha dos heróis e causava muito dano neles), mas diferente dos orcs, as sombras não morriam e os heróis tentavam de tudo e não conseguiam descobrir como matava as sombras. Nessa sessão achei que poderia perder 1 ou 2 heróis. Como mestre, fiquei com medo, não sabia o que fazer. Se um dos heróis acabasse morrendo eu não voltaria atrás, ele morreria mesmo. Ainda bem que o pessoal conseguiu descobrir como matar as sombras.
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Cena mais difícil foi a da Corrupção de Éowulf. Eu quis aproveitar a oportunidade de fazer uma história bacana com o gancho que o Vitão me deu, mas não queria magoar ninguém. As pessoas se ligam muito com seus personagens (até o mestre com os seus npcs) e no final não dá para controlar tudo no RPG e a gente nunca sabe como as coisas são vivenciadas por cada jogador. Sempre quis contar uma história que todos gostassem de jogar e depois de ler, nem sempre consegui atingir meus objetivos, mas lutei como um anão para tentar alcançá-los. Agradeço a todos por essa oportunidade!
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Abraço Anão, e até a nossa próxima Campanha!
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Todo mundo é todo mundo!

Todo mundo é todo mundo!

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5 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    12/01/2013 13:19

    Uma campanha genial, de fato, como poucas que já tive o prazer de ler. Ainda quero narrar campanhas como a sua, saudoso Mestre Anão.

    De preferência, com apêndices bacanas como este “Behind The Scenes”… ^^

    Que Luna e Hélios o iluminem.

  2. 12/01/2013 17:18

    Sensacional.
    Putz tava ansioso por essa parte já.
    Valeu por deixarem eu tirar algumas duvidas, e parabéns mais uma vez pela cronica.
    Agora que venha as próximas, as aventuras na terra média nunca acabam ^^

  3. 14/01/2013 17:42

    Sensacional!

  4. 20/01/2013 11:21

    Achei muito bom também o que vocês fizeram com relação as batalhas, eu não entendo muito bem de sistemas de RPG mas acho que alterar um não deve ser tão fácil, mas do jeito que estava não dava pra ficar, iriamos jogar 2 anos e não terminaria a história e só teriam batalhas.

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